PSOC - Dissertações de Mestrado
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- Quiet quitting e desempenho contextual: O papel moderador da anti-work orientationPublication . Simões, Ana Patrícia Felgueiras; Cesário, FranciscoO presente estudo teve como objetivo principal analisar a relação entre o fenómeno do Quiet Quitting e o Desempenho Contextual dos colaboradores, procurando compreender de que forma a Anti-work Orientation influencia ou modera esta relação. Procurando explorar como é que as atitudes face ao trabalho e os níveis de envolvimento se refletem em comportamentos organizacionais. A amostra foi constituída por 454 participantes, ativos no mercado de trabalho. Os resultados demonstraram uma relação negativa e significativa entre o Quiet Quitting e o Desempenho Contextual, confirmando parcialmente a hipótese inicial. Observou-se ainda um efeito de moderação da Anti-work Orientation na dimensão Amotivação do Quiet Quitting, reforçando o impacto negativo desta dimensão sobre o desempenho contextual. Por outro lado, a dimensão Falta de Iniciativa revelou um efeito negativo direto, mas não moderado. Estes resultados evidenciam a importância de compreender as novas atitudes face ao trabalho e os seus efeitos sobre os comportamentos organizacionais. Destacam-se implicações práticas para a gestão de recursos humanos, nomeadamente a necessidade de promover ambientes laborais que valorizem a motivação intrínseca, a autonomia e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, de modo a reduzir a propensão do Quiet Quitting e a potenciar o Desempenho Contextual.
- Solidão e reconhecimento de expressões faciais: um estudo com base na teoria da deteção do sinalPublication . Drazynski, Jakub Jan; Almeida, PedroA solidão tem sido associada a diversas consequências negativas para a saúde física e mental, bem como a alterações cognitivas que afetam a perceção social. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre solidão e o reconhecimento de expressões faciais. A aplicação da Teoria da Deteção do Sinal (TDS) neste contexto permitiu ultrapassar limitações dos métodos tradicionais e distinguir entre diferentes componentes do processamento emocional. No estudo participaram 125 adultos, que completaram UCLA Loneliness Scale-16, Brief Symptom Inventory-18 (subescalas de depressão e ansiedade) e uma tarefa de reconhecimento facial com expressões de alegria, raiva, tristeza, medo e neutra em diferentes intensidades (20%, 40%, 60%). Os resultados revelaram um efeito da solidão na perceção emocional, verificando-se um aumento na atribuição incorreta de expressões como neutras. A análise com recurso à TDS mostrou que as diferenças encontradas não resultam de uma menor capacidade de discriminação entre estímulos, mas sim de uma tendência de resposta mais liberal para identificar expressões emocionais como neutras. Estas diferenças têm implicações relevantes para a compreensão das dificuldades sociais associadas à solidão e sugerem possíveis aplicações no desenvolvimento de intervenções direcionadas à melhoria do reconhecimento emocional e integração social.
- Liderança transformacional e empoderamento comunitário em duas associações da Área Metropolitana de Lisboa: Um estudo comparativo entre líderes e lideradosPublication . Martins, Henrique Chaves Frota Castanheira; Loureiro, FilipeA liderança transformacional tem sido apontada como fator-chave para a capacidade de ação coletiva em organizações comunitárias, enquanto o empoderamento comunitário traduz essa capacidade em domínios organizacionais e relacionais. O presente estudo propõe-se a investigar a relação entre a perceção de liderança transformacional e de empoderamento comunitário, reportada tanto por líderes como por liderados, em duas associações de moradores da Área Metropolitana de Lisboa. Utilizando um método de amostragem por conveniência e por “bola de neve”, foram aplicadas as escalas Multifactor Leadership Questionnaire (MLQ) e Empowerment Assessment Rating Scale (EAvEC) a líderes e liderados, recorrendo-se a correlações por papel/função e a análises de variância como controlo para medir ambas as variáveis. As principais limitações prenderam-se com o processo de amostragem, o tamanho da amostra, o delineamento transversal, e a fiabilidade moderada de algumas subdimensões. Os resultados sustentam parcialmente a hipótese para os liderados, evidenciando maior proximidade entre liderança transformacional e “Estruturas Organizacionais”, enquanto, entre líderes, não se observaram associações estatisticamente robustas. As análises de controlo indicaram diferenças contextuais em “Influência Idealizada” e variações por papel/função em alguns domínios relacionais. Em termos práticos, os dados apontam para a importância de investir na partilha de uma visão clara, rotinas de coordenação e capacitação dos membros, com foco no reforço das estruturas organizacionais.
- Agentes fictícios: Inferência espontânea de traço e suspensão da descrençaPublication . Almeida, Diogo Alberto Dinis; Garcia-Marques, TeresaQuando interagimos e percecionamos outros, inferimos de forma automática e inconsciente traços de personalidade; um processo conhecido como inferência espontânea de traços. Os estudos documentam a ocorrência de inferências espontâneas de traço sobre atores humanos mas não sobre personagens de livros, filmes de fantasia e ficção científica com os quais nos envolvemos, ou figuras mitológicas. Neste trabalho colmatamos este facto contrastando o processo de inferência de traços de personalidade em relação a humanos com a sua ocorrência face a agentes fictícios. Para o efeito, utilizou-se o paradigma da recordação com pistas para ambos os atores, junto de uma amostra de 92 participantes recrutados em contexto laboratorial e online. Os participantes leram um conjunto de frases implicativas de traços, que podiam ter uma contextualização real (e.g., “A Mariana acertou em todas as respostas do teste de matemática”) ou fictícia (e.g., “A medusa acertou em todas as respostas do teste de alquimia”) e foram solicitados a recordarem-se das frases. A recordação foi apoiada por uma pista disposicional (“inteligente”) ou semântica (“testagem”). Os resultados sugerem a ausência de diferenças entre humanos e agentes fictícios. Porém, quando se controlou para a capacidade dos participantes suspenderem a sua descrença, que é fundamental para o nosso envolvimento com mundos fictícios, os dados sugerem que a frequência desta suspensão não modera a ocorrência de inferências para agentes presentes nestes contextos, mas provoca uma melhor memorização das frases. Os dados são discutidos à luz de processos de perceção social enquanto interagimos com narrativas e da antropomorfização de personagens
- Should i stay or should i go a influência das práticas de gestão de recursos humanos na intenção de saída e o papel da identidade e da dignidade. Um modelo de mediação moderadaPublication . Nunes, Maria Ana Martins; Lopes, Sara, L.O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre as práticas de Gestão de Recursos Humanos (PGRH), a construção motivada da identidade (CMI), a perceção de dignidade no trabalho (PDT) e a intenção de saída (IS) dos colaboradores. Pretendeu-se, adicionalmente, testar um modelo integrado que avaliasse o papel mediador da CMI e o papel moderador da PDT na relação entre as PGRH e a intenção de saída. A amostra foi constituída por 159 colaboradores de diferentes setores de atividade, que responderam a um questionário composto quatro escalas. Os resultados mostraram que as PGRH predizem positivamente a CMI, sobretudo através das práticas orientadas para o desenvolvimento. No entanto, não se verificou uma relação direta significativa entre as PGRH e a IS, nem entre a CMI e a IS. Ainda assim, foi identificado um efeito indireto significativo das PGRH na IS através da CMI, configurando um padrão de mediação inconsistente. Verificou-se também que a PDT modera a relação entre as PGRH e a CMI, fortalecendo esta associação em níveis mais elevados de dignidade; porém, o índice de mediação moderada não foi significativo, não se confirmando o efeito moderador no modelo completo. Estes resultados reforçam a relevância das práticas de desenvolvimento na ativação de processos identitários, ao mesmo tempo que evidenciam a complexidade das relações entre identidade, dignidade e intenção de saída. Implicações teóricas e práticas são discutidas, destacando-se a importância de uma abordagem estratégica e humanizada de GRH que promova ambientes significativos, dignos e alinhados com a construção identitária dos colaboradores.
- Riscos psicossociais em atletas de e-sports, atletas tradicionais e jogadores casuaisPublication . Félix, Tomás Miguel Mascarenhas; Loureiro, FilipeEsta investigação tem como principal objetivo de estudo analisar a presença e a influência dos riscos psicossociais em diferentes contextos desportivos, comparando atletas de e-sports, atletas tradicionais e jogadores casuais. Procurou-se ainda verificar as relações entre burnout, ansiedade, depressão e stress, bem como a associação entre os riscos psicossociais e a satisfação com a vida. O estudo tem uma amostra de 97 participantes (76 do sexo masculino, 20 do sexo feminino e 1 “Outros”), subdividindo-se em atletas tradicionais (n = 21), atletas de esports (n = 22) e jogadores casuais de videojogos (n = 54), com idades compreendidas entre os 15 e os 55 anos (M = 23.2, DP = 7.71). Os participantes responderam ao Questionário de Burnout para Atletas (Raedeke & Smith, 2001), à Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS; Lovibond & Lovibond, 1995), à Escala de Satisfação com a Vida (ESV; Diener et al., 1985) e ao Questionário de Perceção de Rendimento Desportivo (QPRD; Gomes, 2016). Os resultados indicam que atletas de e-sports e tradicionais apresentam perfis psicológicos semelhantes nas dimensões de burnout, stress, ansiedade e depressão, distinguindo-se dos jogadores casuais, que evidenciam níveis inferiores de exaustão e desvalorização. Verificaram-se correlações positivas entre burnout, ansiedade, depressão e stress, confirmando a interdependência destas variáveis. A depressão e a perceção de desempenho são preditores significativos da satisfação com a vida.
- Gosto de pensar, logo acredito: Dois estudos correlacionais entre necessidade de cognição e suspensão da descrençaPublication . Ferreira, Inês Sofia Diogo; Loureiro, FilipeA suspensão da descrença (SdB), entendida como a disposição para aceitar temporariamente premissas irreais de modo a manter uma experiência de entretenimento (Gerrig, 1993; Vorderer et al., 2003, 2004; Coleridge 1817, cit. por Tomko, 2007), tem sido amplamente discutida em contextos ficcionais, mas raramente explorada como traço disposicional e na sua relação com outras variáveis cognitivas. Esta investigação analisou a relação entre a SdB e a necessidade de cognição (NFC), examinando se níveis mais elevados de SdB se associam a uma maior disposição para apreciar e envolver-se em atividades cognitivamente exigentes (Cacioppo & Petty, 1982). Foram realizados dois estudos com medidas de autorrelato, utilizando a Escala de Necessidade de Cognição (Cacioppo et al., 1984) e a sua adaptação portuguesa (Silva & Garcia-Marques, 2006), bem como a Escala de Cronicidade da Suspensão da Descrença (Loureiro et al., 2025), nas versões portuguesa e inglesa. No estudo 1 participaram 326 estudantes universitários portugueses, enquanto que no estudo 2 participaram 218 norte-americanos da população geral. Os resultados de ambos os estudos indicaram uma correlação positiva e moderada entre NFC e SdB, com valores mais elevados na dimensão Social da SdB do que na dimensão Ficcional. Estes resultados sugerem que indivíduos com maior NFC, que gostam mais de pensar, tendem a suspender mais frequentemente a descrença, possivelmente devido à sua maior abertura cognitiva e motivação para explorar perspetivas alternativas. Esta investigação contribui assim para reforçar a SdB como um traço disposicional, aprofundando o seu enquadramento no domínio das diferenças individuais e expandindo a sua rede nomológica.
- Persuasão em alterações climáticas: contributos do ELM e da TPBPublication . Conchinhas, Constança de Santa Maria Marques; Loureiro, FilipeAs alterações climáticas são um enorme desafio e a mitigação dos seus efeitos nocivos exige a alteração do comportamento humano. No presente estudo, pretendemos compreender os efeitos de uma mensagem persuasiva sobre as alterações climáticas e os determinantes do comportamento pró-ambiental, beneficiando dos contributos do Modelo da Probabilidade de Elaboração (ELM), da Teoria do Comportamento Planeado (TPB) e do envolvimento dos participantes com o tema (SASSY). Este estudo experimental contou com 195 participantes, 123 dos quais do género feminino (63.1%), com idades entre os 18 e os 76 anos (M = 38.34, DP = 16.58). Para avaliar o envolvimento com o tema, aplicámos o SASSY (Chryst et al., 2018), que permite segmentar os participantes de acordo com as suas perceções face às alterações climáticas. Para testar o efeito da mensagem, adaptámos uma mensagem persuasiva, manipulada para ser composta por argumentos fortes ou fracos e sugerir elevado ou baixo consenso relativamente à adoção de comportamentos pró-ambientais. Aplicámos medidas de controlo para garantir a eficácia das manipulações e a equivalência das mensagens. Medimos o Controlo Comportamental Percebido (PBC) e, como variáveis dependentes, Atitudes, Intenção Comportamental e Comportamento Pró-ambiental. Os resultados demonstraram que as Atitudes e o PBC são preditores da Intenção Comportamental. Corroboraram também a relevância do SASSY, que foi preditor de Atitudes e da Intenção. O efeito persuasivo da mensagem foi apenas parcialmente confirmado. Os resultados refletem ainda a dificuldade de prever Comportamento, que só foi possível ao considerar simultaneamente todas as variáveis. Assim, o estudo realça a relevância de considerar o segmento dos participantes nas intervenções, a necessidade de investigar formas de intervir nos preditores de comportamento e a importância integrar diferentes abordagens e variáveis promissoras.
- Follow the light: Dark e light triad como preditores da progressão na carreiraPublication . Basílio, Leonor Pires; Sabino, AnaEste estudo analisou a influência dos traços de personalidade, especificamente a Dark Triad (maquiavelismo, narcisismo e psicopatia) e a Light Triad (humanismo, fé na humanidade e kantianismo), na progressão na carreira. Apesar da literatura sugerir benefícios de curto prazo para a Dark Triad em ambientes competitivos e vantagens de longo prazo para a Light Triad na criação de uma carreira sustentável, as pesquisas empíricas que comparam as duas continuam escassas. Uma amostra não probabilística por conveniência de 188 adultos trabalhadores preencheu a versão portuguesa validada das escalas: Dirty Dozen (DD); a Light Triad Scale (LTS); e a Career Growth Scale (CGS). Acompanhado por indicadores objetivos de progressão, tais como o número de promoções e o tempo entre elas. Contrariamente às hipóteses, os resultados sugeriram que nenhuma das características dark previa positivamente a progressão na carreira — o traço humanismo da Light Triad apareceu como o único indicador positivo consistente, correlacionando-se com os indicadores objetivos e percetivos de crescimento na carreira. Estes resultados destacam a importância crescente das disposições pró-sociais para o progresso profissional, desafiando as suposições tradicionais de que tendências manipuladoras ou assertivas levam a um sucesso profissional mais rápido.
- A relação entre as âncoras de carreira e o quiet quitting: O papel moderador da idadePublication . Assanali, Nayma Begam Vali; Sabino, AnaEsta investigação explora a relação entre as Âncoras de Carreira, tal como conceptualizadas por Edgar Schein, e o fenómeno emergente do Quiet Quitting, analisando o papel moderador da variável idade. As âncoras de carreira refletem dimensões profundas do autoconceito profissional, constituindo padrões relativamente estáveis de motivações, valores e competências que orientam decisões ao longo da vida organizacional. À luz da crescente descontinuidade nas trajetórias profissionais e da evolução das expectativas face ao trabalho, torna-se relevante compreender como estas âncoras influenciam atitudes laborais contemporâneas como o Quiet Quitting, entendido como o distanciamento emocional do trabalhador face às exigências organizacionais não contratuais. Através de um estudo quantitativo com recurso a escalas para a medição de Âncoras de Carreira e comportamentos associados ao Quiet Quitting, os resultados revelam padrões diferenciados consoante o tipo de âncora dominante. A análise moderadora demonstra que a idade exerce influência significativa em algumas relações entre as âncoras de carreira e comportamentos associados ao quiet quitting, especialmente nos indivíduos mais jovens, onde níveis elevados de competência de gestão se associam a menores níveis de desapego, assim como, a ligação entre o desafio puro e a falta de iniciativa revela-se mais forte e negativa As implicações práticas deste estudo sugerem a importância de práticas organizacionais mais personalizadas e sensíveis às diferentes fases da vida profissional, bem como a necessidade de alinhar as oportunidades de carreira com os perfis motivacionais dos trabalhadores. São também discutidas limitações metodológicas e propostas para investigações futuras, incluindo a utilização de modelos longitudinais e a incorporação de variáveis individuais, organizacionais e /ou contextuais como o bem-estar, o apoio organizacional percebido e a eficácia ou estilo de liderança.
