Percorrer por data de Publicação, começado por "2025-12-11"
A mostrar 1 - 10 de 11
Resultados por página
Opções de ordenação
- Influência de variáveis ambientais nas atividades dos golfinhos-roazes (tursiops truncatus) na região do estuário do sadoPublication . Ferreira, Joana Cristina dos Santos; Santos, Manuel Eduardo dosA população residente de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) do Estuário do Sado é uma das poucas comunidades estuarinas desta espécie na Europa, apresentando elevada importância ecológica e vulnerabilidade face a pressões antropogénicas. Este estudo analisou a relação entre variáveis ambientais locais e as atividades dominantes (alimentação, deslocação, socialização e repouso), visando compreender como o meio físico influencia o uso do habitat por esta população. A recolha de dados decorreu entre março e agosto de 2025, ao longo de 15 saídas de campo realizadas com a equipa da Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES). Foram registadas 151 observações comportamentais durante 40 h 42 min de esforço de amostragem, com golfinhos presentes em 73,3% dos dias. As posições dos grupos foram georreferenciadas e associadas a variáveis ambientais processadas em QGIS, sendo a influência destas avaliadas através de uma regressão logística multinominal. A profundidade, a distância à costa e o período do dia foram as variáveis que melhor explicaram as diferenças comportamentais. A deslocação foi a atividade mais frequente (52,7%), seguida da alimentação (25,3%) e da socialização (22,0%), enquanto o repouso foi registado apenas uma vez. A socialização ocorre preferencialmente em águas mais rasas, ligeiramente afastadas da margem e durante a tarde, enquanto a deslocação se associa a zonas mais profundas, próximas da costa e durante a manhã. A alimentação não revelou associações significativas com as variáveis testadas. Os resultados evidenciam o papel da heterogeneidade ambiental na organização espacial e temporal desta população, reforçando a importância de integrar dados espaciais e comportamentais em estratégias de conservação direcionadas a populações pequenas e isoladas.
- Entre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativaPublication . Sampaio, João Loureiro; Ornelas, José HenriqueA presente dissertação, intitulada “Entre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativa”, tem como objetivo compreender as funções e significados atribuídos aos comportamentos autolesivos (CAL), tendo em conta os sentimentos e emoções associados aos momentos antes e depois da sua ocorrência, bem como a influência de experiências traumáticas, nomeadamente o abuso sexual, na génese e manutenção destes comportamentos. Partindo de uma abordagem qualitativa, o estudo baseia-se na realização de cinco entrevistas a jovens em acompanhamento psicoterapêutico com histórico de autolesão não suicida. A análise dos dados foi conduzida segundo o método de análise de conteúdo categorial-temática, que permite identificar padrões e dimensões emergentes a partir dos discursos dos participantes. Os resultados evidenciam a predominância das funções intrapessoais sobre as funções interpessoais, destacando-se a regulação do afeto, a autopunição, a substituição do sofrimento e o mecanismo de fuga como as mais frequentes. Estas funções traduzem uma tentativa de lidar com emoções negativas intensas, sentimentos de culpa, frustração e vazio, que atuam como mecanismos disfuncionais de regulação emocional. As funções interpessoais, como a influência interpessoal, surgem de forma menos expressiva, mas refletem a dimensão comunicacional e relacional do comportamento autolesivo. A análise sugere ainda que experiências traumáticas precoces, particularmente abusos físicos ou sexuais e relações familiares disfuncionais, constituem fatores de vulnerabilidade significativos, reforçando a relação entre trauma, desregulação emocional e autoagressão. O comportamento autolesivo emerge assim como uma forma de substituir a dor emocional por dor física e de restabelecer um sentido de controlo sobre o corpo e sobre as emoções. O estudo confirma a relevância clínica de compreender as funções psicológicas e comunicacionais dos CAL, sublinhando a necessidade de intervenções terapêuticas que privilegiem a regulação emocional, o reconhecimento do sofrimento subjetivo e a reconstrução da narrativa pessoal do trauma. As conclusões apontam para a importância de uma abordagem multidimensional e preventiva, que integre fatores biológicos, psicológicos e sociais, e para a valorização do papel da psicoterapia como espaço de simbolização e elaboração da dor.
- Estatuto Socioeconómico e Prevalência de Dependência: Um Estudo Empírico sobre as Dimensões Sociais das Dependências Químicas e Comportamentais em PortugalPublication . Teixeira, Mafalda Mendonça de Jesus de Assis; Martins, Jorge SimõesVários estudos sugerem a existência de uma relação entre o nível socioeconómico e a prevalência de dependências químicas e comportamentais. Partindo da premissa de que a classe social é um determinante estruturante da saúde mental e do comportamento aditivo, o presente estudo procedeu a uma análise empírica da prevalência das dependências químicas e comportamentais em função do nível ou estatuto socioeconómico. A amostra foi composta por 207 adultos residentes em Portugal, com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos (M = 29,98; DP = 11,43), recrutados através de plataformas online, nomeadamente redes sociais como Facebook, Instagram e grupos de Whatsapp. Os participantes completaram um questionário online programado no GoogleForms, o qual foi composto por questões sociodemográficas e perguntas formuladas, com base nos critérios de diagnósticos do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) para determinar dependências químicas e comportamentais. Os resultados do presente estudo indicam que os indivíduos de nível socioeconómico mais baixo apresentam, em média, uma maior prevalência de dependências químicas e comportamentais, bem como uma maior severidade em alguns casos específicos, como no caso do consumo de tabaco e sedativos, hipnóticos e ansiolíticos (SHA). De destacar que se observam tendências consistentes, embora estatisticamente não significativas, que sugerem uma relação entre vulnerabilidade social e padrões mais severos de dependência. Este estudo suporta o papel crucial que as desigualdades estruturais e a exclusão social podem exercer na iniciação e manutenção das dependências químicas e comportamentais, defendendo assim uma abordagem multidimensional e integrada assente em políticas de saúde públicas e práticas clínicas que tenham em consideração o impacto que a vulnerabilidade socioeconómica pode ter na prevalência das mesmas. Assim, este estudo pretende contribuir para uma compreensão mais ampla da relação entre desigualdades sociais e saúde mental, nomeadamente no contexto de perturbações por consumo de substâncias químicas e outros comportamentos aditivos, oferecendo orientações para programas de intervenção sensíveis ao contexto social e mais adequadas, eficazes e alinhadas com as realidades sociais e económicas dos indivíduos.
- Adaptação de postos de trabalho: Desafios e soluções na perspetiva de tabalhadores com dificuldade intelectualPublication . Santos, André Dinis Fernandes dos; Ornelas, José HenriqueApesar das políticas inclusivas, a participação laboral plena de pessoas com Dificuldade Intelectual continua condicionada por barreiras enraizadas, sendo fundamental identificar, através da sua voz, os fatores que promovem percursos profissionais sustentáveis. Esta dissertação procura identificar as principais dificuldades profissionais e potenciais soluções às mesmas percecionadas por trabalhadores com Dificuldade Intelectual (DI), assim como as potenciais soluções aos obstáculos apontados pela literatura. Foi realizado um estudo de natureza qualitativa através da realização de entrevistas semiestruturadas com 10 trabalhadores com DI. O guião de entrevista divide-se em 7 dimensões, começando pelos principais desafios na integração profissional dos trabalhadores e potencialidades de melhoria dos mesmos, seguido dos desafios gerais e satisfação profissional. As restantes 5 dimensões correspondem as principais dificuldades apontadas pela literatura: comunicação, socialização no local de trabalhão, sobrecarga sensorial, gestão de stress e gestão de tempo. Os resultados evidenciaram que a inclusão laboral de pessoas com Dificuldade Intelectual depende menos das limitações individuais e mais da qualidade das adaptações contextuais e dos apoios disponibilizados. A comunicação clara, a previsibilidade das tarefas, o suporte social no local de trabalho e a promoção da autonomia emergiram como fatores centrais para a sustentabilidade do emprego. Ao mesmo tempo, persistem barreiras subtis, como instruções pouco acessíveis ou oportunidades limitadas de progressão, que comprometem a motivação e a permanência. Em conjunto, o estudo reforça a necessidade de práticas organizacionais inclusivas e de estratégias de apoio personalizadas para promover trajetórias profissionais mais estáveis e significativas.
- Estudo exploratório misto com mulheres de etnia cigana. Contributos da abordagem das capacidadesPublication . Araújo, Cláudia Patrícia Barreiro; Vargas-Moniz, Maria JoãoA dissertação “Estudo Exploratório Misto com Mulheres de Etnia Cigana:Contributos da Abordagem das Capacidades” analisa de que forma a Abordagem dasCapacidades permite compreender as experiências e as oportunidades reais de vida dasmulheres de etnia cigana. O estudo procura identificar quais as capacidades mais restringidasno seu quotidiano, de que forma os fatores sociais e culturais contribuem para estas limitaçõese refletir sobre possíveis caminhos de intervenção clínica e social que promovam odesenvolvimento humano.Trata-se de um estudo exploratório de metodologia mista queenvolve 27 mulheres de etnia cigana entre os 20 e os 67 anos, residentes nos distritos de Lisboae Castelo Branco. Os dados foram recolhidos através de um questionário elaborado com baseno conjunto de capacidades propostas por Martha Nussbaum (2000), através de contactosestabelecidos com a AMUCIP – Associação para o Desenvolvimento das Mulheres CiganasPortuguesas.
- Bem-estar docente: uma teia da sua multidimensionalidadePublication . Nogueira, Rita de Carvalho Cruz; Silva, José CastroO bem-estar docente necessita de ser mais bem compreendido, não só porque existem diversos desafios nos sistemas de educação atuais, mas também devido ao impacto que tem na qualidade do ensino e, consequentemente, na aprendizagem dos alunos. No entanto, não existe um consenso sobre a sua definição e as dimensões que o compõem. O presente estudo teve como objetivo descrever a multidimensionalidade do bem-estar docente e avaliar a reciprocidade e força das relações entre as variáveis das suas dimensões (bem-estar social, bem-estar físico e mental, bem-estar cognitivo e bemestar subjetivo). Com este intuito, obteve-se a participação voluntária de 1822 docentes portugueses, desde o ensino pré-escolar ao fim do ensino secundário, 81,9% do género feminino e 18,1% do género masculino, que responderam a um questionário de oito escalas relativas às dimensões do bem-estar docente. Os resultados comprovaram que todas as variáveis estavam significativamente correlacionadas e, com recurso à análise de redes, foi possível ilustrar as diversas conexões entre variáveis, o que suportou a estrutura teórica de dimensões do bem-estar docente. Além disso, a variável Envolvimento dos Estudantes destacou-se como sendo uma variável chave na rede do bem-estar, devido à sua elevada centralidade de força, seguida da Relação com o Diretor – também se confirmou que ambas as variáveis eram preditoras significativas do bem estar mental. Em suma, comprovou-se a multidimensionalidade do bem-estar docente, a reciprocidade das relações das suas variáveis e revelaram-se variáveis chave que podem ser relevantes para investigações futuras.
- Tendências motivacionais de aproximação ao álcool e a recompensas naturais: Implicações para a vulnerabilidade ao consumo problemáticoPublication . Pinho, Raquel da Silva; Martins, Jorge SimõesA melhor compreensão dos mecanismos subjacentes ao consumo problemático de álcool e a dependência alcoólica, revela-se essencial para a criação e desenvolvimento de intervenções mais eficazes. A investigação recente em neurociências da adição tem demonstrado que o comportamento de consumo de álcool e outras drogas é regulado pela competição entre sistemas de processamento de recompensas, os quais se mostram implicados nas atividades essenciais à sobrevivência. No entanto, o consumo de álcool e outras drogas leva a um conjunto de neuroadaptações que interferem com a função destes circuitos, produzindo reforço e contribuindo para o desenvolvimento da dependência. O presente estudo centrou-se na compreensão que a sobrevalorização da recompensa associada ao consumo de álcool, em detrimento de recompensas naturais, pode acarretar para o consumo típico e problemático de álcool em indivíduos sem diagnóstico de perturbação ou dependência por consumo de álcool. A amostra foi composta por 750 estudantes universitários, a frequentar o Ensino Superior na Universidade de Missouri-Columbia (EUA) (M = 18,95 anos, DP = 1,69, 61,5 % mulheres, 595 Caucasianos). Os participantes preencheram um questionário online e realizaram uma versão da Approach-Avoidance Task (AAT), durante a qual foram expostos a imagens de bebidas alcoólicas, bebidas não alcoólicas e imagens neutras. Os resultados indicaram a existência de associações significativas entre as tendências motivacionais (ou viés) de aproximação do álcool, relativamente a recompensas naturais, e o consumo de álcool, binge drinking e consumo excessivo de álcool. Os resultados obtidos sugerem a importância de considerar as tendências motivacionais de valorização do álcool, relativamente à valorização de outras recompensas naturais, para possibilitar uma deteção precoce do risco de consumo problemático de álcool, e para informar o desenvolvimento de intervenções mais eficazes.
- Quiet quitting e desempenho contextual: O papel moderador da anti-work orientationPublication . Simões, Ana Patrícia Felgueiras; Cesário, FranciscoO presente estudo teve como objetivo principal analisar a relação entre o fenómeno do Quiet Quitting e o Desempenho Contextual dos colaboradores, procurando compreender de que forma a Anti-work Orientation influencia ou modera esta relação. Procurando explorar como é que as atitudes face ao trabalho e os níveis de envolvimento se refletem em comportamentos organizacionais. A amostra foi constituída por 454 participantes, ativos no mercado de trabalho. Os resultados demonstraram uma relação negativa e significativa entre o Quiet Quitting e o Desempenho Contextual, confirmando parcialmente a hipótese inicial. Observou-se ainda um efeito de moderação da Anti-work Orientation na dimensão Amotivação do Quiet Quitting, reforçando o impacto negativo desta dimensão sobre o desempenho contextual. Por outro lado, a dimensão Falta de Iniciativa revelou um efeito negativo direto, mas não moderado. Estes resultados evidenciam a importância de compreender as novas atitudes face ao trabalho e os seus efeitos sobre os comportamentos organizacionais. Destacam-se implicações práticas para a gestão de recursos humanos, nomeadamente a necessidade de promover ambientes laborais que valorizem a motivação intrínseca, a autonomia e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, de modo a reduzir a propensão do Quiet Quitting e a potenciar o Desempenho Contextual.
- A dor está sempre cá”: Vivências do luto materno na perspetiva de mães enlutadas – uma análise fenomenológica interpretativaPublication . Silva, Margarida Xavier da; Martins, Ana CristinaO luto materno constitui uma experiência singular e profunda, que rompe com a ordem natural da vida e provoca um abalo emocional, identitário e relacional. A morte de um filho na idade adulta desafia o sentido de existência da mãe, desestruturando projetos, vínculos e expectativas, ao mesmo tempo que exige um processo complexo de adaptação e reconstrução. Este estudo explora o luto materno pela perda de filhos adultos, uma realidade ainda pouco abordada na literatura, integrando numa perspetiva fenomenológico-existencial as dimensões conjugais, espirituais e de crescimento pós-traumático, mostrando o luto como um processo relacional, dinâmico e transformador de sentido. Recorreu-se a uma abordagem qualitativa de natureza fenomenológica, com base na Análise Fenomenológica Interpretativa (IPA), através da realização de entrevistas individuais em profundidade com oito mães que perderam um filho adulto, de modo a aceder à dimensão subjetiva das suas vivências. A análise revelou que o luto materno é um processo não linear, marcado por dor intensa, sentimentos de vazio, culpa e desorientação, mas também por movimentos de reconstrução e transformação pessoal. Emergiram sete temáticas centrais: (1) Desorganização emocional e existencial no luto materno; (2) Temporalidade, flutuações e processo de luto; (3) Continuidade espiritual e integração da perda; (4) Transformações identitárias e redefinição do sentido de vida; (5) Gestão social da dor e da exposição pública; (6) Relação conjugal; e (7) Reconstrução de valores e crescimento pós-traumático. Os resultados evidenciam o caráter relacional, espiritual e transformador do luto, revelando possibilidades de reconstrução de sentido e de crescimento apesar da dor.
- Alterações comportamentais em cães face à perda de conspecíficosPublication . Raminhos, Sandra Isabel Duarte; Carvalho, Maria Constança Dias Pinheiro De OliveiraIntrodução: Existem inúmeras investigações sobre o luto. A maioria dos estudos são sobre humanos, embora exista um crescente interesse no estudo dos comportamentos de luto dos animais não humanos, nomeadamente primatas, cetáceos e elefantes. O estudo das alterações comportamentais de animais não humanos perante o desaparecimento de um coespecífico pode ajudar a compreender a evolução e manifestação dos comportamentos de luto de humanos não verbais, nomeadamente aqueles que se apercebem da ausência, mas não têm consciência da morte. Os cães são, tal como os humanos, mamíferos sociáveis, inteligentes e com uma vida emocional complexa, que apresentam alterações comportamentais visíveis perante a perda ou separação de um indivíduo com o qual têm laços afetivos relevantes. Objetivo: Analisar e registar alterações comportamentais nos cães após o desaparecimento de um conspecífico com o qual coabitavam há, pelo menos, seis meses. Método: A amostra é constituída por 36 cães, machos e fêmeas, com idades compreendidas entre os 2 e os 14 anos (M = 7,56; DP = 3,59) e em que cada um foi alvo de amostragens focais rotativas de 5 minutos até perfazer um total de 300 minutos para estabelecer a sua baseline comportamental. Após o desaparecimento de um cão, o comportamento daqueles com quem partilhou a box era observado e registado em 3 momentos diferentes para verificar a presença de alterações comportamentais. Resultados: Não foram observadas alterações comportamentais após o desaparecimento de conspecíficos. Conclusão: Existem várias hipóteses plausíveis para os resultados obtidos, sendo a mais pertinente a de que o contexto em que decorreu este estudo não permitiu observar comportamentos de luto ou mesmo de ansiedade de separação, conforme seria expectável na espécie.
