Percorrer por data de Publicação, começado por "2025-12-09"
A mostrar 1 - 10 de 14
Resultados por página
Opções de ordenação
- Comer e cuidar: Associações entre a vinculação dos cuidadores e práticas parentais alimentares em crianças em idade escolarPublication . Lacerda, Joana de Almeida Santos Nunes de; Guedes, MaryseEstudos prévios mostram que as representações de vinculação dos cuidadores influenciam a sensibilidade e a responsividade parentais, podendo refletir-se nas práticas alimentares adotadas com as crianças. Compreender estas interações é crucial para promover hábitos saudáveis e autorregulação. No estado atual do conhecimento, persistem lacunas sobre o papel específico da vinculação do adulto nas práticas parentais alimentares em cuidadores de crianças em idade escolar. Assim, O presente estudo pretendeu ultrapassar estas lacunas, analisando as relações entre a vinculação do adulto e práticas parentais alimentares. Participaram 102 cuidadores de crianças entre os 6 e aos 10 anos. Foram aplicados o Experiences in Close Relationships – Relationship Structures Questionnaire (ECR-RS) para avaliar a vinculação adulta e o Comprehensive Feeding Practices Questionnaire (CFPQ) para avaliar as práticas parentais alimentares. Os resultados indicaram predominância de práticas responsivas (equilíbrio/variedade, ambiente, monitorização, modelagem, envolvimento) refletindo sensibilidade e ajustamento às necessidades infantis. Verificou-se associação negativa entre ansiedade de vinculação e controlo da criança, sugerindo que cuidadores mais ansiosos tendem a conceder menor autonomia alimentar. Adicionalmente, observaram-se relações entre variáveis sociodemográficas e práticas alimentares: cuidadores com maior escolaridade adotaram práticas mais responsivas, enquanto a idade da criança se associou negativamente ao uso de pressão e monitorização. No geral, os resultados indicam uma influência limitada das dimensões da vinculação parental nas práticas parentais alimentares, sugerindo que outros fatores contextuais e desenvolvimentais possam ter um papel mais determinante na adoção das práticas alimentares. Esta evidência reforça a importância de promover uma parentalidade sensível e responsiva, ajustada às necessidades emocionais e alimentares da criança.
- Formação inicial docente para o envolvimento da família na educaçãoPublication . Cabral, Sónia Maria Costa; Peixoto, FranciscoNas últimas décadas, o envolvimento das famílias na educação tem sido amplamente reconhecido como essencial para o sucesso e bem-estar das crianças, exigindo que os profissionais de educação estejam preparados para estabelecer relações de qualidade com as suas famílias. Contudo, a investigação evidencia que a formação inicial docente em Portugal continua a conferir um espaço reduzido e pouco sistemático a esta temática, o que levanta interrogações sobre a forma como os futuros educadores e professores desenvolvem competências para promover o envolvimento e participação das famílias na educação. Foi a partir deste enquadramento que se desenvolveu a presente investigação, que teve como objetivo compreender o modo como a formação inicial prepara os futuros docentes, em particular educadores de infância, para promover a participação das famílias. Pretendeu-se, ainda, explorar as perceções de estudantes e docentes relativamente à relevância, às dificuldades e à eficácia percebida das práticas de envolvimento, bem como analisar relações entre a formação recebida e a perceção de autoeficácia para envolver as famílias. A investigação adotou um desenho misto, articulando abordagens qualitativas e quantitativas. Foram realizados estudos empíricos complementares: (i) análise documental dos planos de estudo e das unidades curriculares de cursos de formação inicial; (ii) entrevistas a docentes e coordenadores responsáveis pela formação; (iii) aplicação de questionários a estudantes de mestrado em Educação Pré-Escolar e em Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico, incluindo escalas validadas de dificuldades antecipadas, autoeficácia e formação recebida; (iv) identificação de perfis de estudantes com base na avaliação da formação recebida e análise da relação entre os perfis e as perceções de dificuldades e de autoeficácia. Os resultados obtidos evidenciam três dimensões principais de dificuldades antecipadas na promoção do envolvimento: comunicação, envolvimento formal e apoio à parentalidade, e envolvimento diferenciado. Verificou-se igualmente que os estudantes que percecionam ter recebido uma formação mais consistente tendem a reportar maior autoeficácia e menores dificuldades antecipadas. A análise de perfis permitiu distinguir grupos de estudantes com trajetórias formativas diferenciadas, confirmando que a qualidade da formação inicial constitui um fator relevante na forma como os futuros profissionais encaram a relação escola-família. Do ponto de vista qualitativo, emergem narrativas que sublinham a ausência de uma abordagem transversal e integrada do tema ao longo dos cursos, coexistindo experiências pontuais valorizadas pelos estudantes, sobretudo quando envolvem atividades práticas de aproximação à realidade educativa. Os docentes e coordenadores reconhecem a pertinência do tema, mas identificam limitações curriculares e estruturais que condicionam a sua inclusão efetiva. Em síntese, a tese evidencia a necessidade de reforçar, na formação inicial docente, a preparação para o trabalho com famílias, indo além de perspetivas normativas e centradas no cumprimento de formalidades. Recomenda-se a integração explícita e transversal desta dimensão nos currículos, através de experiências formativas diversificadas, práticas reflexivas e oportunidades de contacto direto com contextos reais. Assim, a investigação contribui para o debate sobre políticas de formação docente e para a construção de uma cultura educativa que reconhece as famílias como parceiras fundamentais na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento integral das crianças.
- Autoestima e estratégias de regulação emocional em raparigas com PHDA: O papel da idade de diagnósticoPublication . Freitas, Daniela Elizabeth-Anne de; Carvalheira, Ana AlexandraProblema: A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é frequentemente subdiagnosticado em raparigas, o que pode atrasar o acesso a intervenções adequadas. Um diagnóstico tardio associa-se a efeitos adversos no desenvolvimento socioemocional, sobretudo na autoestima, aumentando a vulnerabilidade a ansiedade e depressão. Objetivo: Investigar se a idade de diagnóstico de PHDA em adolescentes do sexo feminino influencia a autoestima, ao comparar adolescentes com e sem PHDA. Método: Participaram neste estudo 103 raparigas (N=103), com idades situadas entre os 15 e os 18 anos de idade. Foram utilizados três instrumentos adaptados para a população portuguesa: a Escala de Autoconceito para Adolescentes de Susan Harter (SPPA), o Questionário de Regulação Emocional - Crianças e Adolescentes (QRE-CA), e o Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ). O estudo seguiu um desenho quantitativo, comparativo, correlacional e transversal. Resultados: As adolescentes com PHDA apresentaram níveis significativamente mais baixos de autoestima, maior recurso à supressão emocional e menor uso da reavaliação cognitiva. As diagnosticadas antes dos 12 anos reportaram níveis de autoestima mais elevados do que as diagnosticadas posteriormente, embora não se tenha verificado diferenças nas estratégias de regulação emocional. Observou-se ainda que maior uso da reavaliação cognitiva associa-se a níveis mais altos de autoestima, enquanto maior recurso à supressão emocional relaciona-se com níveis mais baixos. Conclusão: Os resultados demonstram que a idade do diagnóstico influencia a autoestima em raparigas com PHDA, com diagnósticos precoces associados a trajetórias mais positivas. As diferenças nas estratégias de regulação emocional esclarecem mecanismos que aumentam a vulnerabilidade socioemocional neste grupo.
- Caracterização da microbiota gastrointestinal de delphinus delphis arrojados na costa portuguesa: influência da causa de morte e do estado de decomposiçãoPublication . Pimpão, Catarina Sofia Baptista; Robalo, Joana; Grilo, MiguelO golfinho-comum (Delphinus delphis, Linnaeus, 1758) constitui uma das espécies de cetáceos mais amplamente distribuídas e abundantes a nível global, desempenhando um papel ecológico essencial como predador de topo nos ecossistemas marinhos. Apesar da sua ampla distribuição, esta espécie enfrenta diversas pressões de origem antropogénica e ambiental, tais como capturas acidentais (bycatch), poluição química e sonora e alterações climáticas. Estas pressões podem afetar a homeostase, o estado de saúde e o equilíbrio fisiológico dos indivíduos, o que pode refletir-se na composição da microbiota gastrointestinal, considerada um indicador promissor da condição fisiológica e ecológica dos organismos marinhos. O presente estudo teve como principal objetivo caracterizar a composição e diversidade da microbiota gástrica e intestinal de D. delphis arrojados ao longo da costa portuguesa, analisando a influência de fatores biológicos e ambientais, nomeadamente a causa de morte (natural vs. antropogénica) e o estado de decomposição (carcaças frescas vs. carcaças em decomposição). A caracterização microbiana foi realizada através de uma abordagem de metabarcoding do gene ribossómico 16S (16S rRNA). Os resultados revelaram uma elevada diversidade bacteriana, com predomínio dos filos Firmicutes, Proteobacteria e Fusobacteria. Verificaram-se variações na composição e na abundância relativa das comunidades microbianas entre compartimentos e em função dos fatores analisados, embora sem diferenças estatisticamente significativas. Este trabalho constitui a primeira caracterização aprofundada da microbiota gastrointestinal de D. delphis em Portugal, contribuindo para uma melhor compreensão das interações entre ecologia, fisiologia e microbiologia em cetáceos e estabelecendo uma base de referência para futuros estudos sobre saúde e conservação da espécie.
- Entre o silêncio e o pedido de ajuda: Quais os motivos que levam tantos adolescentes aos comportametos autolesivos e tão poucos a procurarem ajudaPublication . Gonçalves, Inês de Campos Malo Almeida; Gouveia-Pereira, MariaDissertação de Mestrado apO presente estudo teve como principal objetivo compreender os fatores que influenciam a perceção de obstáculos à procura de ajuda em adolescentes com comportamentos autolesivos (CAL). Procurou-se analisar o papel do estigma e explorar o possível efeito moderador da sintomatologia depressiva, da ideação suicida e da coesão familiar nesta relação. Participaram 438 adolescentes, com idades entre os 12 e os 21 anos (M=16.56; DP=1.95), com história de comportamentos autolesivos. Foram utilizados o Questionário de Barreiras à Procura de Ajuda para Comportamentos Autolesivos (QBH-DSH), o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), o Questionário de ideação Suicida (SIQ), a Escala de Estigma e a Escala de Coesão Familiar (FACES IV). Os resultados revelaram que o estigma se destacou como o fator mais consistente na explicação dos obstáculos à procura de ajuda, apresentando associações positivas com todas as dimensões de barreiras. A depressão e a ideação suicida exerceram efeitos diretos significativos, mas não moderadores, na relação entre estigma e barreiras. Já a coesão familiar revelou-se um fator protetor, associando-se negativamente à maioria das barreiras e moderador na relação entre o estigma e as barreiras familiares, atenuando o impacto negativo do primeiro. Estes resultados reforçaram o papel central do estigma como obstáculo à procura de ajuda e evidenciaram a importância da coesão familiar como fator protetor no processo de pedir ajuda. As implicações práticas sublinham a necessidade de promover uma maior literacia em saúde mental, combater o estigma e envolver o contexto familiar e escolar na prevenção e intervenção precoce junto dos adolescentes com CAL.resentada no ISPA – Instituto Universitário para a obtenção de grau de Mestre na especialidade de Mestre em Psicologia Clínica.
- Minority stress, os media e a saúde mental de jovens queerPublication . Pinheiro, Tomás Martins; Vargas-Moniz, Maria JoãoJovens de minorias sexuais e de género enfrentam frequentemente experiências de minority stress, cujos efeitos adversos para a saúde mental podem ser mitigados por fatores protetores como o suporte social. Procurou-se então compreender se o contacto positivo, fortalecedor, com media que contêm temas queer pode ser um fator protetor (e se, pelo contrário, o contacto negativo, estigmatizante, com estes media pode contribuir para o mal-estar), através de uma moderação do efeito do minority stress na saúde mental. Os instrumentos, incluindo uma nova tradução portuguesa de uma escala de minority stress, foram distribuídos sob inquérito online. Não foi encontrado o efeito de moderação previsto. Também não foi possível confirmar a validade da escala desenvolvida. Observou-se que jovens de minorias de género enfrentam níveis acrescidos de minority stress, e que jovens trans especificamente são um grupo em particular risco de mal-estar psicológico. A interseção de múltiplas identidades queer parece também predizer o minority stress.
- Contribution to the portuguese validation of the Grief Pattern InventoryPublication . Pacífico, Melani Lais Czekalski; Coelho, Manuela Alexandra MouraTer uma melhor compreensão da experiência do enlutado permite a realização de uma intervenção que melhor satisfaça as suas necessidades. O modelo teórico de Martin e Doka (2000) delimita três padrões principais de resposta à perda: intuitivo, instrumental e misto. O presente estudo tem como objetivo a tradução e adaptação do Grief Pattern Inventory (GPI) para a língua portuguesa e a avaliação das suas propriedades psicométricas (estrutura fatorial, validade, sensibilidade e fidelidade). De forma complementar, procura-se explorar diferenças em diversos construtos psicológicos (e.g. luto prolongado, evitamento do luto, flexibilidade psicológica), em função do padrão de luto. Este estudo, de natureza correlacional e transversal, incluiu duas amostras independentes de adultos enlutados, fluentes em português, com um total de 331 participantes. A primeira amostra (n=181) foi utilizada para a Análise Fatorial Exploratória (AFE) e a segunda (n=150) para a Análise Fatorial Confirmatória (AFC). Os resultados das análises fatoriais (AFE e AFC) suportam um modelo de dois fatores, com 12 itens, com ajustamento adequado. Este instrumento apresentou validade discriminante boa bem como valores de consistência interna aceitável para o fator instrumental (ω =.733) e boa para o fator intuitivo (ω=.803). No entanto, os itens do instrumento revelam maioritariamente cargas moderadas a elevadas de unicidade. Adicionalmente, análises ao conteúdo dos itens com cargas fatoriais mais elevadas, em junção com as análises de validade convergente, sugerem que o fator instrumental reflete, maioritariamente, a presença de supressão emocional. Esta interpretação é reforçada pelo padrão de correlações positivas moderadas observadas entre o luto instrumental com: evitamento do luto, somatização, depressão, ansiedade, disfuncionalidade do luto, e sintomas de trauma e luto prolongado. Por sua vez, a dimensão do luto intuitivo mostrou correlações significativas fracas, com maior ruminação e menor evitamento do luto. Paralelamente, os valores do AVE, sugerem validade convergente limitada, para os dois fatores. Para testar a validade de grupos conhecidos, os dados das duas amostras foram combinados para permitir a formação de quadrantes dos padrões de luto. Procedeu-se à estandardização das pontuações dos dois fatores do GPI e classificação dos enlutados em dois eixos: acima ou abaixo da média para cada um dos fatores. Os quadrantes identificados são: Intuitivo (n=98), Instrumental (n=101), Expressão de luto Elevada (n=77) e Misto (n=55). Os resultados das análises de quadrantes indicam que indivíduos do quadrante Instrumental e de Expressão de Luto Elevada apresentam sintomas mais intensos de trauma, luto prolongado e evitamento comparativamente ao grupo Intuitivo e Misto. Os níveis de flexibilidade psicológica não divergiram de forma significativa de acordo com o padrão de luto. O GPI, na sua versão atual, possui um modelo estatisticamente adequado, no entanto é possível identificar várias limitações à sua validade. A sua utilidade reside sobretudo como ferramenta de investigação para a identificação de perfis de luto, sendo que a dimensão instrumental parece capturar um padrão de supressão emocional moldado pela cultura, associado a indicadores de psicopatologia. Para permitir uma melhor representação do modelo teórico, recomenda-se o desenvolvimento de outros itens, nomeadamente para o padrão instrumental. Este estudo contribui para a evidência crescente sobre os padrões de luto, salientando desafios fundamentais no desenvolvimento de uma medida conceptualmente congruente com o modelo original.
- A perceção de magistrados portugueses acerca de crimes de géneroPublication . Ferreira, Andreia Santos; Rodrigues, Andreia de CastroO presente estudo teve como objetivo explorar as perceções de magistrados portugueses relativamente aos crimes de género. Procurou-se compreender de que forma a legislação é interpretada e aplicada, quais são os fatores que influenciam as decisões judiciais e que barreiras institucionais interferem no processo judicial. Foram realizadas 10 entrevistas semiestruturadas a magistrados das Varas Criminais de Lisboa, analisadas segundo a metodologia de Análise Temática de Braun e Clarke (2006). Os resultados revelaram que as decisões judiciais são influenciadas por fatores legais, extralegais e socioculturais, embora os magistrados procurem manter uma postura imparcial. Destacaram-se a fragilidade da prova, a revitimização e a morosidade processual como obstáculos significativos, bem como a existência de estereótipos de género que influenciam a perceção de vítimas e de ofensores. Conclui-se que uma justiça equitativa exige uma transformação sociocultural e institucional, além de reformas legislativas e uma formação contínua e crítica dos magistrados, capaz de desconstruir estereótipos e promover decisões mais justas e sensíveis às dinâmicas de género.
- Dor Invisível: O trauma de mãos dadas com a guerraPublication . Graça, Patrícia Mariana Marques da Costa; Ornelas, José HenriqueIntrodução: Os militares devido à natureza das suas funções, podem enfrentar sérios desafios emocionais relacionados às experiências vivenciadas durante o exercício da sua profissão, mais propriamente missões em zonas de conflito, intervenções em situações de crise e distanciamento da rede de apoio pessoal, que são fatores que frequentemente expõem estes profissionais a eventos potencialmente traumáticos. A ausência de suporte psicológico adequado pode agravar os impactos destas experiências, aumentando o risco de danos emocionais. Método: Este estudo foi conduzido com uma amostra de seis militares portugueses apenas do género masculino. Para a colheita destes dados, foram realizadas entrevistas via videochamada, mas que permitissem que estes pudessem abordar as suas histórias de forma detalhada, tendo então recorrido a entrevistas com questões de caráter mais aberto. A entrevista incluiu questões sociodemográficas, avaliações nos períodos pré, durante e pós guerra. Este método permitiu captar uma visão mais abrangente dos fatores que influenciam a saúde emocional dos militares ao longo das suas experiências durante as missões Resultados: Os resultados demonstraram que todas as experiências vivenciadas durante as suas estadias no teatro de operações, varia de militares para militares, dado que, cada militar é exposto a situações de diferentes níveis que podem ou não ser consideradas traumáticas como também difere consoante as suas características individuais. Alguns militares relataram terem estado envolvidos diretamente em conflitos que ameaçassem a vida humana, enquanto outros relataram situações críticas mas que não feriam moralmente nem fisicamente os militares. Durante os relatos os militares foram mencionados sintomas ou mudanças comportamentais como, a ansiedade, alterações observadas por familiares e impotência que indicam impacto psicológico não trivial. Apesar dos relatos, nenhum militar procurou apoio psicológico profissional
- A Experiência de ser-no-mundo de pessoas com paraplegiaPublication . Ramos, Ana Filipa Pécurto; Rodrigues, Vitor AmorimO presente estudo tem como principal objetivo compreender a experiência de ser-no-mundo de pessoas com paraplegia, explorando de que forma cada indivíduo perceciona e atribui significado à sua existência após a lesão medular. Inserido no paradigma qualitativo, o trabalho recorre ao método fenomenológico interpretativo (Interpretative Phenomenological Analysis – IPA), que privilegia a compreensão das experiências subjetivas e dos significados construídos a partir das perspetivas individuais dos participantes. A amostra é constituída por dez adultos com diagnóstico de paraplegia adquirida, entrevistados através de entrevistas semiestruturadas que permitiram recolher narrativas sobre o impacto da lesão na vida quotidiana e na identidade pessoal. A análise interpretativa dos relatos identificou seis temas centrais: (1) rutura e reconstrução da identidade; (2) aceitação e adaptação à nova realidade; (3) autonomia como processo relacional; (4) relações interpessoais e perceção social; (5) barreiras sociais e estruturais; e (6) resiliência, propósito e sentido de vida. Os resultados indicam que a paraplegia é vivida como uma transformação existencial profunda, que interrompe a continuidade do corpo e do mundo familiar, mas que também possibilita novas formas de autenticidade, presença e significado. A experiência revela-se como um processo de reconstrução do eu, no qual a vulnerabilidade se transforma em possibilidade e a limitação em oportunidade de crescimento pessoal.
