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Determinantes do distress psicológico na experiência migratória: Contributos para uma compreensão psicossocial
Publication . Ferrão, Diogo Miguel Sena; Miranda, Mariana Pires de
O presente o estudo investigou relação os determinantes sociodemográticos e psicossociais do
distress psicológico em migrantes. Participaram no estudo 149 migrantes com idades entre os
20 e os 73 anos, de diferentes origens culturais, qualificações e percursos migratórios. Os
resultados de uma análise de clusters mostram dois perfis de migrantes, um com maior distress
psicológico, que também apresente um contexto sociodemográfico de maior instabilidade, e
um com menor distress associado a um contexto sociodemográfico de maior estabilidade.
Adicionalmente, o estudo procurou investigar a relação entre a aculturação e o distress
psicológico de migrantes em Portugal, examinando também o papel moderador da
discriminação percecionada (rejeição pessoal, tratamento injusto) e da necessidade psicológica
básica da autonomia (frustração com a autonomia, satisfação com a autonomia). Verificamos
que a aculturação não apresenta uma relação direta com o distress psicológico. A rejeição
pessoal e o tratamento injusto apresentaram-se como moderadores significativos da relação
entre a aculturação ao país de origem e o distress psicológico. Estas evidências reforçam a
necessidade de criar medidas multidisciplinares a um nível clínico, social e comunitário que
interliguem o nível psicológico com modelos psicossociais de compreensão da experiência
migratória, assim como integrem o contexto sociodemográfica dos migrantes.
Além do diagnóstico: A relação entre a reserva cognitiva e o crescimento pós-traumático em contexto oncológico
Publication . Lopes, Tomás Inácio Soares Castanheira Pereira; Lemos, Raquel
O presente estudo tem como objetivo explorar a relação entre o crescimento pós traumático (CPT) e a reserva cognitiva (RC) em indivíduos diagnosticados com doença
oncológica. O cancro, sendo uma das principais causas de morte em Portugal, representa um
evento potencialmente traumático com implicações significativas na saúde mental e no bem estar geral. Contudo, a literatura evidencia que, apesar do sofrimento, muitos sobreviventes
experienciam mudanças psicológicas positivas, fenómeno conhecido como crescimento pós traumático (CPT). A RC, por sua vez, refere-se à capacidade do cérebro em utilizar mecanismos
adaptativos para compensar danos e preservar o funcionamento cognitivo, podendo influenciar
a forma como os indivíduos lidam com situações adversas.
Esta investigação, de desenho transversal e correlacional, conta com uma amostra de
doentes oncológicos (N=43) com idades entre os 35e os 60 anos, em diferentes fases da doença.
Os instrumentos utilizados incluem: o Posttraumatic Grow Inventory (PTGI) para avaliar o
CPT; a Post-traumatic Stress Disorder (PTSD) Checklist for DSM-5 (PCL-5), e o Cognitive
Reserve Questionnaire (CRIq) para a RC; para a inteligência pré-mórbida utilizou-se o Teste
de Leitura de Palavras Irregulares (TeLPI). A recolha foi presencial, mediante consentimento
informado. Foram criados dois grupos, tendo em conta a fase da doença Grupo em Tratamento
(n=22) e Grupo em Remissão (n=21). A comparação entre grupos não evidenciou quaisquer
diferenças nos instrumentos de trauma (PTGI ou PCL-5), ou nos de reserva cognitiva (CRIq ou
TeLPI). Encontrou-se uma relação positiva entre níveis elevados de RC e a perceção de maiores
níveis de CPT, contudo não foi estatisticamente significativo.
Ainda que a hipótese principal do estudo não tenha sido confirmada, os resultados deste
estudo preliminar mostraram uma tendência positiva entre o CPT e a RC, revelando a
importância de existir continuidade na avaliação da ligação entre as variáveis
Poder de poder errar: A cultura de gestão do erro como contexto moderador na relação entre resolução de problemas e felt accountability
Publication . Ferreira, Carolina Alexandra Póvoa; Caetano, António
A felt accountability (responsabilização sentida) tem vindo a destacar-se como um fator determinante para o desempenho e envolvimento dos colaboradores nas organizações. Contudo, a forma como esta se desenvolve pode depender das características do trabalho e do contexto organizacional. A presente dissertação teve como objetivo analisar a relação entre a resolução de problemas, enquanto característica do desenho do trabalho, e a felt accountability, bem como o papel moderador da cultura de gestão do erro nesta associação.
O estudo seguiu um delineamento quantitativo, recorrendo a um questionário de autopreenchimento aplicado a 125 participantes de diferentes setores de atividade. Os dados foram analisados através dos programas SPSS e Jamovi, utilizando análises de regressão linear simples e hierárquica para testar o efeito direto e a interação moderadora.
Os resultados revelaram uma relação positiva e significativa entre a resolução de problemas e a felt accountability. Adicionalmente, verificou-se um efeito de interação significativo, sugerindo que a cultura de gestão do erro reforça o impacto positivo da resolução de
problemas sobre a accountability em contextos que encaram o erro de forma construtiva.
Estes resultados contribuem para uma compreensão mais aprofundada dos mecanismos através dos quais o desenho do trabalho e o clima organizacional influenciam a perceção de
responsabilidade dos colaboradores, evidenciando a importância de fomentar culturas organizacionais abertas ao erro como condição para o desenvolvimento individual e coletivo.
Trauma e consumo de álcool e drogas: O papel da anedonia
Publication . Soeiro, André Filipe Martins; Martins, Jorge Simões
Objetivo: Vários estudos mostram que experiências traumáticas podem levar ao consumo de
álcool e outras drogas. No entanto, os mecanismos subjacentes a esta relação ainda são pouco
conhecidos. Assim, o presente estudo procura identificar quais os fatores responsáveis que levam
indivíduos a recorrer ao consumo de substâncias após a vivência de experiências traumáticas. O
objetivo deste estudo centra-se na análise do papel da anedonia enquanto variável explicativa da
relação entre o trauma e o consumo de álcool e outras drogas. Método: A amostra do presente
estudo foi composta por 107 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos.
Os participantes preencheram um questionário contendo um questionário sociodemográfico e de
caracterização clínica, o Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST),
o Impact of Event Scale (IES-R), o Post Traumatic Stress Disorder Checklist For DSM-V (PCL 5) e Snaith-Hamilton Pleasure Scale (SHAPS). Resultados: Os resultados indicam a existência
de um efeito direto por parte do trauma no consumo de álcool e outras drogas. Contudo, este
efeito foi mediado pelos sintomas de anedonia. Desta forma, foi possível verificar que quanto
maior for a exposição a experiências traumáticas, maior são os níveis de anedonia
experienciados, o que, por sua vez, promove um maior consumo de álcool e outras substâncias.
Conclusão: O presente estudo permite compreender melhor a relação existente entre trauma e o
consumo de substâncias. De facto, os resultados obtidos mostram que a influência do trauma no
consumo de substâncias é, pelo menos em parte, explicada pela influência que o trauma assume
nos sintomas de anedonia. Os resultados obtidos sustentam o papel determinante da anedonia na
relação entre trauma e consumo de substâncias. Sendo assim, os resultados sugerem que a
anedonia deve assumir-se como foco principal no desenvolvimento de estratégias de intervenção
e programas de tratamento dirigidos a indivíduos com experiências traumáticas passadas e em
risco de consumo de álcool e outras drogas ou risco de desenvolver dependência de substâncias.
A musicoterapia como experiência emocional, comportamental e relacional em pessoas com demência
Publication . Augusto, Susana Maria Nunes; Gonzalez, António José
A presente dissertação, teve como objetivo explorar os efeitos da musicoterapia em idosos com demência, como forma de aceder a aspetos da sua experiência pessoal, emocional e relacional. Embora já exista bastante literatura relativamente aos efeitos benéficos da musicoterapia nesta população, a maioria baseia-se unicamente em relatos de cuidadores formais e informais, e em variáveis específicas da sua experiência. Deste modo, pretendeu-se optar por uma abordagem mais abrangente e exploratória, sem variáveis pré-definidas, que se foque nos aspetos que vão surgindo, e que se vão mostrando naturalmente como parte integrante do seu processo terapêutico.
Partindo de uma abordagem qualitativa, foram realizadas sete entrevistas semiestruturadas, com uma musicoterapeuta, uma idosa sem demência do grupo, cuidadores e familiares, enriquecidas por cinco sessões de observação, com idosos com demência institucionalizados. As entrevistas foram realizadas presencial e remotamente, com duração média de 40 minutos, e as sessões de observação com duração de 45 minutos. Seguidamente, foi utilizada uma Análise Temática para as entrevistas, uma Análise de Conteúdo para as sessões de observação, e uma análise convergente, que
permitiu triangular os dados obtidos em ambas as fontes. Este projeto de investigação, vai de encontro às diretrizes aprovadas pela comissão de ética da instituição, tendo sido obtido o consentimento informado e os dados sociodemográficos de todos os participantes, incluindo a diretora da instituição (responsável pelos idosos).
Os dados obtidos, foram de encontro à literatura existente, revelando que embora os efeitos da musicoterapia nesta população se mostrem essencialmente transitórios, assumem relevância terapêutica, face à possibilidade de fomentar momentos de presença, vínculo, e expressão emocional. Verificou-se também que a utilização de música popular portuguesa, favorece a ligação à identidade pessoal e cultural dos idosos, assim como a sua regulação emocional
