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Vamos conversar? A comunicação parental sobre sexualidade: O impacto na experiência sexual dos filhos em idade adulta
Publication . Gomes, Margarida Guerreiro Campos Palma; Von Humboldt, Sofia
A comunicação parental sobre sexualidade durante o crescimento dos filhos associase
a comportamentos sexuais seguros na adolescência e a uma vivência sexual positiva na
adultez, contudo, a maioria dos estudos centram-se nas perspetivas dos pais ou adolescentes.
Assim, torna-se relevante aprofundar estas associações na experiência dos filhos em início de
idade adulta e em contexto nacional. Assente na Teoria dos Padrões de Comunicação
Familiares, este estudo analisa o efeito da comunicação parental sobre sexualidade no
autoconceito e satisfação sexual dos filhos adultos. O estudo segue um desenho misto: na
componente quantitativa participaram 100 filhos que completaram: Questionário
Sociodemográfico, Questionário de Comunicação Parental e Autoconceito Sexual e a Nova
Escala de Satisfação Sexual- versão reduzida, analisadas através do SPSS; na dimensão
qualitativa contou-se com 11 participantes que realizaram entrevistas semiestruturadas,
analisadas através de Análise Temática Reflexiva. Os resultados demonstram uma maior
comunicação parental sobre sexualidade nos filhos jovens adultos face aos filhos adultos;
sustentam que famílias com alta orientação para conversa apresentam níveis superiores de
comunicação e autoconceito sexual; validam correlação positiva entre comunicação parental e
comunicação parental sobre sexualidade; revelam que níveis mais altos de comunicação
parental sexual predizem maior satisfação e o autoconceito dos filhos; evidenciam a
importância de uma comunicação parental empática para uma vivência positiva da sexualidade
em contraste com o silêncio ou julgamento; salientam que mais do que a frequência da
comunicação importa a qualidade e que na ausência de diálogo familiar, os filhos recorrem a
fontes extrafamiliares, porém não substituem o papel dos cuidadores.
Relações entre a vinculação, a amizade e o autoconceito em adolescentes
Publication . Peres, Charlotte Sarah Chehab; Santos, Antonio José dos
A adolescência constitui uma fase crítica para o desenvolvimento do autoconceito e da autoestima, no qual a vinculação e a qualidade das amizades assumem um papel central. O presente estudo teve como objetivo analisar o impacto da vinculação e da qualidade da amizade no autoconceito dos adolescentes, considerando diferenças em função da idade e do género. Deste modo, participaram 128 adolescentes portugueses (género: 84 do feminino e 44 do masculino), com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, estes responderam a instrumentos, como a Escala de Vinculação de Kerns, o Questionário da Qualidade da Amizade e a Escala de Autoconceito para Adolescentes. A análise dos dados incluiu Análise Fatorial Confirmatória, correlações e Modelos Lineares Gerais (GLM) para explorar efeitos multivariados e univariados.
Os resultados demonstraram que a vinculação apresenta um impacto mais forte e abrangente no autoconceito e na autoestima, em oposição à qualidade da amizade. Assim, a vinculação segura associou-se positivamente à autoestima global e à aparência física, sugerindo que a vinculação é fundamental no ajustamento psicológico dos adolescentes. A qualidade da amizade, embora não significativa de modo geral, revelou uma associação com a amizade íntima, reforçando a importância da proximidade e da partilha emocional nas amizades. Por fim, verificaram-se diferenças de género, sendo que as raparigas reportaram níveis mais elevados de intimidade, ajuda e orientação nas amizades, enquanto os rapazes apresentaram valores superiores na competência atlética. Relativamente à idade, a competência escolar foi inferior nos adolescentes de 15 anos, comparativamente aos de 17/18 anos.
A influência do treino experiencial com prática deliberada na experienciação emocional em intervenções de curta duração
Publication . Soares, Andreia Maria da Rocha; Sousa, Daniel Cunha Monteiro de
Problema: Apesar do reconhecimento da importância da experienciação emocional como
factor de mudança na psicoterapia, persistem lacunas sobre como a formação clínica influencia
esta dimensão, especialmente em intervenções breves conduzidas por estagiários. Faltam ainda
dados normativos sobre o processo nessas condições específicas em Portugal.
Objectivos: O estudo visa analisar de que forma a formação clínica estruturada com prática
deliberada afecta a profundidade da experienciação emocional. Pretende-se averiguar: (1) se há
aumento progressivo da experienciação emocional dos pacientes ao longo das sessões; (2) se
níveis mais elevados de experienciação emocional se associam a uma aliança terapêutica mais
forte; (3) se esses níveis também estão ligados a uma maior redução de sintomas dos pacientes.
Método: Foi adotado um delineamento quantitativo quase-experimental com 5 estagiários e 15
pacientes adultos numa clínica universitária. Foram analisadas quatro sessões por paciente,
avaliadas por três investigadores independentes. Utilizaram-se instrumentos padronizados (OQ-
45, EDRE, WAI-SR, EXP) e foram aplicados modelos lineares mistos para avaliar mudanças
longitudinais e relações entre variáveis.
Resultados: Observou-se uma redução significativa do sofrimento psicológico (OQ-45) e um
aumento dos índices de aliança terapêutica (WAI-SR), sobretudo nas dimensões de tarefas e
vínculo. Não se registaram alterações significativas na profundidade da experienciação
emocional, nem associações robustas desta com a melhoria sintomática ou com a aliança, salvo
uma relação negativa marginal entre consenso de objetivos e experienciação emocional média.
Estes resultados sugerem estabilidade da experienciação emocional em contextos breves,
realçando o papel dos processos colaborativos na mudança clínica.
Hábitos tabágicos, afetividade e stresse. O papel das diferenças de género.
Publication . Costa, Inês Cruz Duarte; Trigo, Miguel
Introdução: O tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para a saúde, estando associado a doenças crónicas e elevada mortalidade. Para além da dependência, outros fatores como o stresse percecionado e a afetividade têm um papel relevante na
iniciação, manutenção e cessação do consumo, podendo expressar-se de forma diferenciada segundo o género. Este estudo analisou diferenças de género nos hábitos tabágicos, considerando a afetividade positiva e negativa, o stresse percecionado e a dependência da nicotina. Método: Participaram 414 adultos portugueses (52,7% homens; 18–65 anos), distribuídos em não fumadores, fumadores ativos, ocasionais e ex-fumadores. Foram
aplicados um questionário sociodemográfico e de hábitos tabágicos, o Fagerström Test for Nicotine Dependence (FTND), a Horn-Waingrow Scale (HWS), a Positive and Negative Affect Schedule (PANAS) e a Perceived Stress Scale (PSS-10). Resultados: As mulheres
reportaram níveis mais elevados de afetividade negativa nos grupos de fumadores ativos e ocasionais, bem como níveis superiores de stresse no grupo dos não fumadores. O stresse mediou parcialmente a relação entre dependência da nicotina e afetividade negativa, mas não afetou a afetividade positiva. A dependência física associou-se positivamente ao stresse, enquanto a relação esperada com a afetividade positiva não foi confirmada. O género moderou a relação entre stresse e dependência, apenas nos ex-fumadores, com padrões
opostos em homens e mulheres. Conclusão: No género feminino, os resultados reforçam o papel do stresse e da afetividade negativa na manutenção do consumo e evidenciam a necessidade de programas de cessação diferenciados por género. A afetividade positiva não
emergiu como fator central, sugerindo a exploração de outras variáveis individuais e contextuais. Intervenções futuras deverão integrar estratégias de regulação emocional e coping, adaptadas ao género, para aumentar a eficácia da cessação.
Um interface entre o direito humano e animal a perspetiva profissional acerca do fenómeno da acumulação animal em Portugal
Publication . Cristóvão, Maria Inês Henriques; Vargas-Moniz, Maria João
A presente investigação tem como objetivo compreender qual é, atualmente, a perspetiva e a opinião dos diversos profissionais (psicólogos, veterinários, forças de segurança e equipas de intervenção e resgate) em relação à intervenção em situações de acumulação animal em Portugal.
A amostra é composta por 63 participantes. Este estudo assenta numa abordagem qualitativa, recorrendo à transcrição dos relatos fornecidos pelos profissionais e à aplicação de um questionário de natureza qualitativa. O objetivo consistiu em obter um corpo de informação aprofundado que permitisse refletir criticamente sobre as estratégias existentes e fundamentar propostas de melhoria na intervenção utilizada nos casos de acumulação animal em Portugal.
