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Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário
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Acessibilidade digital na Universidade Agostinho Neto: Proposta de implementação de ferramentas tecnológicas para inclusão de estudante com defeciências visual
Publication . Silva, António Fábio da; Silva, José Castro
Este estudo investigou a necessidade de se implementar ferramentas tecnológicas na Universidade Agostinho Neto (UAN), em Angola, para garantir a acessibilidade digital e a inclusão de estudantes com deficiência visual. Adotou-se um desenho metodológico misto, combinando métodos qualitativos e quantitativos. Entre março de 2023 e setembro de 2024, aplicaram-se inquéritos a 140 participantes - 120 estudantes com deficiência visual, 10 docentes, 5 gestores e 5
técnicos de informática - selecionados de uma população de 1223 elementos, complementados por entrevistas semiestruturadas. A análise descritiva, aliada a uma etapa exploratória de teste de
soluções, revelou barreiras estruturais e pedagógicas, nomeadamente, turmas sobrelotadas,
infraestruturas tecnológicas inadequadas, ausência de software acessível, estruturas curriculares inflexíveis e a necessidade de formação em tecnologias inclusivas junto da comunidade académica.
Com base nos resultados obtidos, desenvolvemos um modelo estruturado, composto por quatro eixos estratégicos, designadamente: sugestão de adoção de tecnologias assistivas; criação de plataformas digitais acessíveis, em conformidade com a Web Content Accessibility Guideline; formação contínua de docentes e técnicos de informática; e a inclusão de práticas pedagógicas
adaptadas. A relevância do estudo reside na análise aprofundada do contexto institucional da Universidade Agostinho Neto e na construção de soluções reais, orientadas para a aplicabilidade
prática no ensino superior angolano. A concretização dessas mudanças exige responsabilidade institucional e governativa e garantias de financiamento sustentável.
Regulação emocional, medo de hipoglicemia e controlo glicémico
Publication . Fernandes, Catarina Monteiro; Brandão, Tânia
Perante o aumento crescente de diagnósticos de Diabetes Tipo 1 (DT1), a importância de evitar complicações, a complexidade da gestão da doença e a exigência emocional, este estudo pretende analisar a relação entre as estratégias parentais de Regulação Emocional (RE) (i.e., Reavaliação Cognitiva e Supressão Expressiva) e o
Controlo Glicémico (CG) das crianças, através do papel mediador do Medo de Hipoglicemia (MH). Este estudo contou com a participação de 102 pais com idades compreendidas entre os 32 e os 61 anos, com filhos diagnosticados com DT1 e idades compreendidas entre 3 e 17 anos. Estes preencheram um Questionário Sociodemográfico,
Questionário de Regulação Emocional (QRE) e o Hypoglycemia Fear Survey- Parent Revised Version (HFSP). Foram ainda recolhidas medidas de hemoglobina glicada (HbA1c) nos Hospitais onde as famílias se encontravam em acompanhamento. Na análise
estatística foram realizados dois modelos de mediação, recorrendo ao IBM SPSS e à macro PROCESS. O primeiro modelo avaliou o papel mediador do MH na relação entre a Reavaliação Cognitiva e CG, e o segundo modelo analisou o papel do MH na relação entre a Supressão Expressiva e o CG. Os resultados dos modelos não revelaram efeitos de mediação. Contudo há uma associação significativa, no modelo 2, em que a utilização da estratégia de Supressão Expressiva se associou a níveis mais elevados de MH. Apesar dos resultados não revelarem efeitos de mediação, destacam a importância de explorar o impacto do fator emocional na gestão da doença, bem como outras variáveis que possibilitem reduzir o MH e manter os valores de HbA1c nos intervalos recomendados,
de modo a proporcionar aos pais intervenções ajustadas às suas necessidades.
Estudo da variabilidade da frequência cardíaca em pessoas com demência e cuidadores em atividades de museu
Publication . Oliveira, Rita Sofia Afonso de Carvalho Pires de; Nunes, Maria Vânia Da Silva
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos psicofisiológicos de
uma intervenção artística em contexto de museu em pessoas com demência (PcD) e respetivos
cuidadores, analisando as variações da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) como
medida objetiva de bem-estar e a sua relação com a perceção subjetiva, avaliada através da
Smiley Face Assessment Scale (SFAS).
Método: Adotou-se um desenho quase-experimental, sem grupo de controlo, com uma
amostra de sete díades (n = 13; 6 PcD e 7 cuidadores). As sessões decorreram em contexto
museológico e incluíram momentos de observação de obras de arte e de canto. A VFC foi
registada com sensores Polar Verity Sense e analisada no software Kubios HRV scientifc,
considerando os parâmetros RMSSD, pNN50, HF e PNS Index. A escala SFAS foi aplicada
após a intervenção para avaliar o bem-estar autorrelatado antes, durante e após a atividade.
Resultados: Os resultados evidenciaram uma tendência de aumento dos índices
parassimpáticos (RMSSD, pNN50 e HF) durante a intervenção, particularmente no momento
de canto, sugerindo uma ativação vagal associada ao bem-estar e ao envolvimento emocional.
Contudo, não se verificou uma correlação positiva entre a variação da VFC e os valores da
SFAS, indicando uma dissociação entre o bem-estar fisiológico e a perceção subjetiva.
Conclusão: As constatações do estudo apontam para a viabilidade de integrar medidas
fisiológicas em contextos artísticos como indicadores objetivos de bem-estar, reforçando o
potencial das intervenções museológicas para promover a regulação emocional e o equilíbrio
psicofisiológico, tanto em PcD como em cuidadores.
Prevenção da demência: estudo de viabilidade e aceitabilidade do programa de treino cognitivo brain hq no contexto de um estudo de intervenção multidomínios
Publication . Martins, Ana Catarina de Brito; Nunes, Maria Vânia R. Silva
Introdução: As intervenções multidomínios no âmbito da prevenção da demência têm demonstrado resultados consistentes e têm sido uniformizadas através do modelo FINGERS, sendo a dimensão cognitiva particularmente relevante. O treino cognitivo computorizado tem sido cada vez mais utilizado, mas a sua viabilidade em Portugal - onde a maioria das pessoas idosas tem baixo nível educacional e baixa literacia digital - continua a ser pouco estudada. Este estudo analisa a componente cognitiva do estudo DemenPrev, um estudo de viabilidade que adota o modelo FINGER.
Objetivos: Avaliar a adesão ao programa de treino cognitivo computorizado Brain HQ; avaliar a usabilidade do programa e a satisfação com a utilização do mesmo; avaliar as diferenças entre
a avaliação inicial e final.
Metodologia: O estudo decorreu com uma amostra de 21 pessoas idosas com média de idades de 71,9 (DP=3,58) com risco de demência, tal como avaliado pelo CAIDE. 18 participantes eram mulheres e 3 eram homens. A média de anos de escolaridade é de 9,7 (DP=4). As
avaliações iniciais geradas pelo programa eram compostas por 3 exercícios: Mind Bender (funções executivas), Target Tracker e Double Decision (atenção). Com base nesses resultados, os exercícios foram individualmente planeados pelo programa. Foram realizadas sessões
bissemanais com duração de 45 a 50 minutos durante 12 semanas. Pós intervenção, as reavaliações foram compostas pelos mesmos exercícios.
Resultados: A taxa de adesão ao estudo foi de 100% e a taxa de retenção foi de 95,2%, tendo os participantes expressado muita motivação para continuar este tipo de intervenção.
Observaram-se melhorias significativas nas avaliações pós intervenção nas áreas de funções executivas (Mind Bender, p=0.006) e atenção (Target Tracker, p=0.004; Double Decision, p<0.001). Os parâmetros de satisfação (motivação, participação, exigência, tempo e
esclarecimento de dúvidas) foram todos muito bem classificados pelos participantes. A usabilidade do programa foi igualmente bem avaliada. (M=71,63).
Conclusão: Não sendo possível estabelecer causalidade sem realizar um ensaio clínico, os resultados deste estudo apoiam o potencial deste tipo de intervenção, revelando um bom nível de viabilidade e aceitabilidade. Em estudos futuros, recomenda-se a realização de um ensaio clínico de grande escala.
Efeito dos videojogos no desempenho das funções executivas em adolescentes
Publication . Maganão, Nuno Filipe Henriques; Rato, Joana
Atualmente, os videojogos assumem um papel central no quotidiano dos jovens, pelo que compreender os seus efeitos cognitivos tornou-se uma questão com relevância social e científica. O presente estudo teve como objetivo investigar os efeitos dos videojogos articularmente nas funções executivas de adolescentes, uma fase marcada por grande plasticidade cognitiva e vulnerabilidade a influências externas. Dado que os videojogos englobam diversos géneros com características e possíveis impactos cognitivos distintos, compreender a sua influência neste período do desenvolvimento
pode dar um contributo para políticas educativas e de saúde pública.
A amostra foi constituída por 65 adolescentes (30 do sexo feminino e 35 do sexo masculino), com idades entre os 15 e os 17 anos (M=15.0; DP=0.61). Os participantes responderam a um questionário sobre hábitos de jogo e realizaram testes de avaliação das funções executivas e da inteligência geral, incluindo o Go/No-go, N-back 2, Trail Making Test (D-KEFS) e Matrizes Progressivas de Raven.
Os resultados não revelaram diferenças significativas entre o tempo total de jogo e as funções executivas, nem entre os diferentes géneros de videojogos e essas funções, exceto na relação entre o género Sports/Driving e o tempo de reação na tarefa de Go.
Ainda assim, observaram-se tendências exploratórias, com uma associação positiva entre o género Turn-Based Non-Action RPG/Fantasy e o D’, e uma negativa entre o género First/Third Person Shooter e o custo de alternância no TMT.
Os resultados apontam para a ausência de efeito dos videojogos nas funções executivas, embora revelem uma possível direção de efeito que merece ser aprofundada.
Observa-se efeitos negativos do género Sports/Driving na inibição sendo esta uma descoberta pouco explorada. No geral, os efeitos dos videojogos variam conforme o contexto, o tempo e os jogadores.
