Repositório do ISPA
Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário
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Validação e adaptação da versão portuguesa da Psychological Insight Scale
Publication . Vilhena, Margarida Alexandra Coelho; Encantado, Jorge
Contexto: Nas últimas décadas temos assistido a um ressurgimento do interesse na ciência psicadélica. Para o desenvolvimento de estudos futuros envolvendo fatores psicológicos como potenciais mecanismos facilitadores de mudança comportamental e promotores de bem-estar psicológico, torna-se necessário, a validação e adaptação de instrumentos psicométricos. Este estudo tem como objetivos: i) traduzir e adaptar a Psychological Insight Scale (PIS) para a língua e cultura portuguesas e ii) analisar as propriedades psicométricas (validade fatorial, confiabilidade e validade de construto dos itens traduzidos para português). Métodos: Os dados foram recolhidos em contexto cerimonial através de um questionário de resposta online em vários momentos antes e após a cerimónia. Resultados: ACP :73,3% da variância é explicada pela componente principal e demonstrou uma boa consistência interna muito alta de Cronbach =0,993) entre os 6 itens da estrutura unifatorial do instrumento. Validade Concorrente: quanto maior o nível de insight
psicológico no individuo, menor é a resistência psicológica (rho=,700, p<,001); relação significativa entre o insight psicológico e as experiências transpessoais e místicas (rho=,338, p<,001) e eventos mais desafiantes (rho=,207, p<,049) durante a experiência psicadélica. Validade
Preditiva: correlação Spearman PIS-6 (1 dia após a cerimónia) significativa com o bem-estar psicológico (WEMBWBS+2semanas) rho=,156, P<,001); Correlação moderada (rho=,401,
p<,001) entre mudança comportamental positiva (PIS-item7) influenciada pelo insight psicológico e o (WEMBWBS+2semanas) (rho=,401, p<,001). Validade Pós-ditiva: PIS-6 (1 dia após a
cerimónia) prevê mudanças subsequentes no (WEMBWBS+2semanas) ,219, F (1, 78) = 3,919, p =,051, R² =,036) bem como PIS-6 (2 semanas após a cerimónia) prevê mudanças subsequentes no (WEMBWBS+2semanas) ( ,252F (1,78)=5,30, p=,024, R² = ,052), (WEMBWBS+2semanas).
A mudança comportamental PIS-item-7 (2 semanas após a cerimónia) prevê o bem-estar (WEMBS+2semanas) após a cerimónia ,420, F (1,78) =16,671, p<,001, R²=,166). Conclusão: Instrumento de medida fiável para a população portuguesa.
Narrativas persuasivas: Paratextos, identificação e suspensão da descrença em atitudes
Publication . Pedro, Beatriz Pintassilgo Silva; Garcia-Marques, Teresa
O quotidiano está cheio de oportunidades de exposição a histórias com um intuito persuasivo, diferindo desde os seus objetivos à sua veracidade. Um desses objetivos passa pela promoção ao consumo, como no caso de anúncios.
Este estudo focou duas características dessas histórias: os paratextos (informações suplementares que contextualizam o texto) e o grau de identificação com o protagonista. Pretendeu-se perceber a influência de paratextos em processos de identificação com protagonistas de narrativas persuasivas, e o impacto desta relação na atitude face à marca e intenções de compra. Adicionalmente, averiguou-se o papel do hábito individual de suster julgamentos de verdade – a frequência em suspender descrença – nestas relações.
O estudo envolveu a manipulação inter-sujeito dos paratextos (ficção, não-ficção e falso), adaptados de Appel e Malečkar (2012). Os participantes leram uma narrativa com descrições/comentários sobre um produto, potenciando-se a identificação através de similaridade ao protagonista. Recolheram-se dados de 365 estudantes universitários mensurando o grau de Identificação à personagem (Tal-Or & Cohen, 2010), a Atitude Face à Marca e Intenções de Compra (Spears & Singh, 2004), e Cronicidade da Suspensão da Descrença (CSdB) (2023.14866.PEX).
Os resultados sugerem uma influência dos paratextos nos resultados persuasivos (RP), mas não na identificação (que não mediou o efeito). A relação positiva entre identificação e os RP foi moderada pelo paratexto ficção. A CSdB relacionou-se positivamente com identificação e os RP, moderando a relação no paratexto falso para baixa CSdB, e na ficção e não-ficção para alta CSdB.
São discutidas implicações e limitações destes achados, e sugerem-se estudos futuros.
Current state of the art and implications for clinical practice of internet- and mobile-based psychological interventions
Publication . Salgado, João; Gomes, Marta; Csabai, Márta; Daele, Tom Van; Doyle, Frank; Eimontas, Jonas; Elster, Rikke Nørgaard; Gosar, David; Haddouk, Lise; Karekla, Maria; Dias Neto, David Manuel; Stankovic, Sanda
Abstract: In 2018, the European Federation of Psychologists’ Associations (EFPA) published a report summarising the evidence on Internet- and mobile-based psychological interventions (IMIs) for the prevention and treatment of mental health disorders. Given the rapid developments in this field, an updated narrative review was conducted to provide a broad overview of the literature addressing multiple perspectives on the use of IMIs. The review outlines the definition, types, purposes, and current evidence of IMIs; examines the emerging role of AI; and discusses practical considerations, including limitations and challenges (e.g., adverse effects, legal and ethical issues), implementation barriers, inequalities and inclusion, and their current use in routine care. Results across these domains paint a nuanced picture, summarising the potential as well as the pitfalls of IMIs. In the discussion, key conclusions emerge: IMIs that include therapist guidance tend to achieve higher adherence and more reliable clinical outcomes, while matching support to users’ needs is crucial for scalability. Tailoring content and sustaining engagement are critical determinants of success. Effective implementation of IMIs requires careful attention to ethical concerns and thoughtful integration of AI. Practical barriers, such as limited access and the digital divide, must also be addressed to ensure these interventions are adopted fairly and equitably. Overcoming these challenges will require continued cooperation among researchers, clinicians, users, policymakers, and IT stakeholders.
Sintomas de PHDA e pró-socialidade: o papel mediador da desregulação emocional
Publication . Gameiro, Sofia Margarida Barradas; Mares, Inês Manita
A PHDA é concebida como uma das perturbações com mais impacto no que diz respeito ao funcionamento social, associando-se frequentemente a dificuldades ao nível da regulação emocional. Neste sentido, o presente estudo procurou compreender a relação entre a sintomatologia de PHDA e a pró-socialidade, explorando o possível papel mediador da desregulação emocional nesta associação. Participaram nesta investigação um total de 104 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 43 anos de idade, recrutados por conveniência em contexto não clínico. Foram utilizadas medidas de autorrelato para desatenção/ hiperatividade-impulsividade (ASRS-v1.1), desregulação emocional (DERS-SF) e pró-socialidade (SRA) e aplicada uma tarefa experimental para avaliação do comportamento compensatório (Cyberball Pró-social).
Os resultados obtidos evidenciaram uma associação positiva entre desatenção e pró-socialidade no Cyberball. A hiperatividade/impulsividade exibiu um efeito direto negativo sobre a pró-socialidade no modelo de mediação. A desregulação emocional correlacionou-se positivamente com ambas as dimensões sintomatológicas da PHDA, mas não mediou a relação entre sintomas e comportamento pró-social. A medida de autorrelato para a pró-socialidade não evidenciou associações significativas com os sintomas de PHDA.
Em adultos sem diagnóstico, os resultados sugerem que a desatenção pode associar-se a respostas pró-sociais compensatórias ao passo que a impulsividade surge como potencial fator de risco da pró-socialidade. A desregulação emocional, embora ligada à sintomatologia de PHDA, não explica diretamente o comportamento pró-social. Este estudo abre caminho para novas linhas de investigação devido ao aparecimento de associações inesperadas que desafiam algumas conceções teóricas tradicionalmente aceites.
As lutas espirituais e saúde mental: um estudo sobre o papel moderador do nível de religiosidade
Publication . Rodrigues, Inês Pereira Pires; Garcia-Marques, Teresa
Este estudo propõe-se a explorar a relação entre as lutas espirituais e a saúde mental, comparando indivíduos com diferentes níveis de envolvimento religioso.
Um total de 194 indivíduos, cristãos e não cristãos de ambos os géneros, responderam à Escala de Envolvimento Religioso de Duke (DUREL), ao Inventário de Saúde Mental - short form (MHI-SF) e à Escala de Lutas Espirituais- Short form (RSS).
Os resultados obtidos permitiram observar que as lutas espirituais predizem negativamente a saúde mental, confirmando que experiências de conflito espiritual, estão associadas a maior sofrimento psicológico. Verificou-se, ainda, que níveis mais elevados de envolvimento religioso estão associados a níveis mais baixos de lutas espirituais. E, adicionalmente verificou-se que o envolvimento religioso não alterou a relação entre as lutas espirituais e a saúde mental, mantendo-se esta associação estável, independentemente do nível de religiosidade.
