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Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário
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Consumo de pornografia online e qualidade relacional em relações amorosas
Publication . Cardoso, Ana Patrícia Pimenta Ribeiro; Von Humboldt, Sofia
Introdução: O presente estudo focou-se em compreender o efeito do consumo de pornografia online na qualidade relacional de indivíduos em relações amorosas. Método: Adotou-se um delineamento misto, transversal e correlacional, integrando uma componente quantitativa e uma qualitativa. A amostra quantitativa foi constituída por 67 participantes, que completaram o Cyber Pornography Use Inventory – 9 (CPUI-9), enquanto a amostra qualitativa abrangeu uma análise temática indutiva de seis entrevistas estruturadas. Resultados: Verificaram-se níveis reduzidos de compulsividade percebida, esforços de acesso e perturbação emocional, relacionados com o consumo. A média global aproxima-se dos valores observados no estudo de validação portuguesa do instrumento, revelando um consumo percebido como controlado.
Observou-se uma correlação negativa e estatisticamente significativa entre a idade e o consumo problemático de pornografia, propondo um maior envolvimento de participantes mais jovens.
Da análise temática emergiram quatro temas: 1) Motivações para o consumo de pornografia; 2) Efeitos percebidos nas relações amorosas; 3) Perceções e atitudes face ao consumo pelo parceiro; 4) Contexto e experiência emocional associada ao consumo. Conclusão: Os
resultados reforçam o valor elucidativo do Modelo de Antecedentes, Contexto e Efeitos (ACE), demonstrando que os efeitos do consumo pornográfico provêm da interação entre fatores individuais e relacionais. O estudo fornece uma percepção contextualizada e não patologizante do fenómeno em Portugal, destacando a importância da comunicação e da literacia sexual na preservação da qualidade relacional.
Estudo das redes sociais de pessoas com doença mental em contexto de mercado competitivo de trabalho
Publication . Albuquerque, Tatiana Isabel Garrido Medeiros Seabra; Ornelas, José Henrique
O presente estudo teve como objetivo analisar de que modo a integração de pessoas com
doença mental em contexto de trabalho competitivo, no âmbito de programas de emprego apoiado,
influencia a frequência, a qualidade e a natureza das suas interações sociais. Pretendeu-se
compreender se esta integração funciona não apenas como uma estratégia de inserção profissional,
mas a um aumento e reforço das redes sociais, como um dispositivo de promoção da participação
social, da inclusão comunitária e de recovery.
Realizou-se um estudo quantitativo, de natureza transversal, com uma amostra de 31
participantes com diagnóstico psiquiátrico, inseridos em emprego competitivo através de um
projeto de emprego apoiado. Recolheram-se dados sociodemográficos, clínicos e profissionais,
bem como informações relativas à perceção de disponibilidade e adequação das relações sociais e
ao nível de participação em interações informais com colegas de trabalho e ao afeto positivo
associado a essas interações.
Os resultados apresentaram uma perceção globalmente positiva da sua rede social, com
níveis elevados de acesso a relações sociais e de satisfação com o apoio emocional disponível.
Verificou-se também que, embora o nível de participação em interações sociais informais no local
de trabalho tenha sido moderado, o afeto associado a essas interações foi elevado, sugerindo que
as ocasiões de contacto informal no trabalho são vividas como experiências emocionais positivas
e potencialmente integradoras. Constatou-se, adicionalmente, a existência de associações positivas
e estatisticamente significativas entre a perceção de suporte social, sobretudo no domínio
emocional, e o envolvimento em interações informais no trabalho, o que indica que redes sociais
mais sólidas tendem a associar-se a maior participação social em contexto laboral.
De forma geral, os resultados obtidos sustentam a relevância do emprego apoiado enquanto
contexto de inclusão social, ao evidenciar que o trabalho competitivo, pode contribuir para o
reforço das redes suporte, para o aumento das oportunidades de contacto social significativo e,
consequentemente, para a promoção do bem-estar e da integração comunitária de pessoas com
doença mental.
Autoestima, aparência e visualização de conteúdos de beleza nas redes sociais: impacto no comportamento alimentar
Publication . Mendes, Liane Filipa Sequeira
Introdução: A frequente procura pelo corpo ideal é algo bastante presente nos sujeitos que, como consequência, pode resultar no possível desenvolvimento de comportamentos alimentares desajustados. O presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto da Autoestima, do Investimento Esquemático da Aparência (Saliência Autoavaliativa e Saliência Motivacional) e da Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais no Comportamento
Alimentar (Descontrolo Alimentar, Restrição Cognitiva e Alimentação Emocional).
Método: A amostra deste estudo é composta por 210 participantes entre os 18 e 69 anos de idade (Midade=34,71; DPidade=14,01). Primeiramente responderam a um Questionário Sociodemográfico e, de seguida, à Escala de Autoestima de Rosenberg; ao Inventário de
Esquemas sobre a Aparência; ao Internet Addiction Test adaptado à Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais; e ao Three Factor Eating Questionnaire.
Resultados: O modelo preditivo revelou um ajustamento aceitável à amostra (χ² = 1979,739, df = 1196, p < ,001; χ²/df = 1,655; CFI= ,870; TLI= ,861; RMSEA = ,056; SRMR= ,060). O Descontrolo Alimentar é impactado pela Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes
Sociais (β= ,207; p= ,007) e pela Saliência Autoavaliativa (β= ,432; p< ,001); a Restrição Cognitiva é impactada pela Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais (β= ,288; p< ,001), pela Saliência Autoavaliativa (β= -,300; p= ,011) e pela Saliência Motivacional (β= ,509; p< ,001); e a Alimentação Emocional é impactada pela Saliência Autoavaliativa (β= ,497; p< ,001).
Discussão: Destaca-se a importância de avaliar a relação das variáveis em estudo, para que exista uma maior compreensão, de modo a realizar uma prevenção e intervenção adequada e atempada no possível desenvolvimento de comportamentos alimentares desajustados.
Histórias que contam: A experiência de vida de adultos com dificuldade intelectual
Publication . Morais, Joana Filipa Pedroso; Ornelas, José Henrique
Enquadramento: Observa-se pouca evidência que sustente a participação de adultos com Dificuldade Intelectual no processo de produção de conhecimento, no que se refere à identificação dos seus desafios, necessidades, defesa dos seus direitos e construção de
práticas que promovam a sua inclusão. Assim, surge a necessidade de desenvolver investigações que tenham como princípio a escuta e a construção de respostas mais ajustadas e humanizadas às suas vivências, contribuindo para a compreensão aprofundada e integrada da Dificuldade Intelectual. Objetivo: O objetivo central da presente
investigação consiste em refletir sobre a experiência vivida e documentada por adultos diagnosticados com Dificuldade Intelectual, através do contacto com as suas histórias e de modo a compreender as necessidades face aos desafios, perspetivas e sentimentos associados à sua experiência de vida. Método: O presente estudo de natureza qualitativa, contou com a participação de 5 adultos com um diagnóstico de Dificuldade Intelectual,
com idades compreendidas entre os 25 e os 61 anos, através da realização de entrevistas abertas para a composição de narrativas como dado para o desenvolvimento de uma análise temática reflexiva. Resultados: A recolha e análise dos dados resultou em quatro relevantes temas, entre eles, os Desafios à Igualdade de Oportunidades de Emprego, a Vida Independente como Expressão de Autodeterminação, o Desenvolvimento de Relacionamentos Interpessoais e a Participação Social e o Voluntariado enquanto Prática Inclusiva. Conclusão: Evidencia-se que a experiência de vida dos participantes é marcada por barreiras que dificultam a sua autodeterminação para atingir uma vida independente com os mesmos direitos e oportunidades de emprego, o desenvolvimento de relacionamentos interpessoais e a participação ativa na sociedade. Como resposta, o foco deve descentrar-se das dificuldades individuais e focar-se na qualidade de interação entre a pessoa e o seu desenvolvimento.
O uso das tecnologias digitais no processo de aprendizagem: benefícios para os alunos e os desafios para os professores
Publication . Ferreira, Ana Sofia Bernardo; Matos, Ana Isabel Rio Tinto de Matos
O presente relatório tem por base a prática pedagógica desenvolvida no âmbito da
unidade curricular de Prática de Ensino Supervisionada no 1.º Ciclo do Ensino Básico,
no decurso do ano letivo de 2023/2024. O estágio foi realizado numa instituição de
natureza jurídico-privada, numa turma do 1.º ano de escolaridade. Atendendo às
especificidades do contexto educativo, nomeadamente a integração regular de tecnologias
digitais nas práticas letivas da docente cooperante, desenvolveu-se um estudo com o
objetivo de compreender de que forma a utilização dessas tecnologias pode atuar como
facilitadora e potenciadora das aprendizagens numa sala do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Para a concretização deste estudo, adotou-se uma metodologia de investigação
qualitativa, considerando a complexidade e a natureza interpretativa do fenómeno em
análise. As técnicas e os instrumentos de recolha de dados incluíram a observação
participante, entrevista semiestruturada à professora cooperante, análise documental do
projeto educativo da instituição, bem como a utilização de instrumentos reflexivos, como
o diário de bordo e o portefólio.
Os resultados obtidos evidenciam o impacto positivo da integração das tecnologias
digitais no processo de ensino-aprendizagem, destacando-se a sua eficácia na promoção
da motivação, do envolvimento ativo dos alunos e na consolidação dos conteúdos
curriculares. A utilização intencional e pedagógica desses recursos digitais revelou-se um
contributo significativo para a diversificação das metodologias e para a melhoria das
práticas educativas, promovendo aprendizagens mais significativas e contextualizadas no
contexto observado.
