PEDU - Tese de doutoramento
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Percorrer PEDU - Tese de doutoramento por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Ciências Sociais::Psicologia"
A mostrar 1 - 10 de 12
Resultados por página
Opções de ordenação
- Aprender a ler, ler para aprender : o impacto diferencial da mediação didática de escrita inventada no processo de desenvolvimento emergente da literaciaPublication . Albuquerque, Ana Carrelhas de; Martins, Margarida AlvesA proposta do presente projeto de doutoramento consistiu em investigar o impacto diferencial da participação em atividades de literacia emergente, em contextos diversificados e com o foco de análise em diferentes dimensões. Numa abordagem simultaneamente quantitativa e qualitativa, lançaram-se três objetivos gerais de investigação: 1) ampliar o âmbito sócio-cultural e linguístico de aplicação dos programas de intervenção de escrita inventada; 2) estudar os efeitos longitudinais de competências de literacia emergente no desempenho em leitura e escrita; 3) explorar as dinâmicas interativas inerentes ao processo de aprendizagem da linguagem escrita em intervenção didática coletiva. Neste sentido, foram realizados cinco estudos experimentais: um estudo multicultural focado no período da idade pré-escolar, dois estudos de follow-up até ao final do 1º ano de escolaridade, um estudo longitudinal continuado até ao final do 3º ano de escolaridade e um estudo de natureza descritiva e exploratória. Participou, neste projeto, uma amostra de crianças de 5 anos de idade (alunos do último ano de educação pré-escolar) que não sabiam ler nem escrever. Na fase inicial, foram constituídos dois grupos de investigação – grupo experimental e grupo de controlo – compatíveis em diversas variáveis individuais de natureza demográfica, cognitiva e metalinguística (género, idade em meses, habilitações académicas dos pais, capacidades cognitivas, conhecimento do alfabeto, consciência silábica, consciência fonémica). Para a aplicação de medidas de literacia (escrita/leitura de palavras, escrita/leitura de pseudopalavras, fluência leitora, compreensão leitora), estabeleceram-se pontos de avaliação e recolha de dados antes e após a fase de intervenção. O programa de intervenção de escrita inventada foi realizado com as crianças participantes na condição experimental durante um período de 2 meses, ao longo de 10 sessões com frequência bissemanal. Em sessões com periodicidade e regularidade semelhantes, os grupos de controlo participaram em atividades didáticas, como leitura ou conto de histórias infantis. As sessões decorreram em grupos de quatro crianças, heterogéneos no que respeita aos conhecimentos de literacia e competências metalinguísticas e foram desenvolvidas com mediação do adulto e cooperação inter-pares. Os dados recolhidos foram analisados com recurso ao software SPSS, sendo gravadas as dinâmicas interativas e o discurso verbal de alguns grupos para complementar o tratamento estatístico com análises qualitativas. As evidências empíricas sugeriram resultados pertinentes para a investigação científica e a atuação no panorama educativo. De uma forma genérica, verificou-se que, comparativamente com os grupos de controlo, as crianças que participaram nos programas de escrita inventada: 1) obtiveram desempenhos superiores em correspondências grafo-fonológicas na escrita e leitura de palavras, medidas num prazo imediato, no período pré-escolar, em contexto português e brasileiro; 2) demonstraram resultados mais elevados no 1º ano de escolaridade em variáveis de escrita, leitura e fluência leitora, tanto com itens de palavras como de pseudopalavras; 3) alcançaram um progresso significativo até ao 3º ano de escolaridade, em medidas de acuidade de escrita e leitura de palavras e em medidas de leitura mais complexas, nomeadamente a fluência leitora e a compreensão de frases; 4) foram capazes de incorporar procedimentos de internalização e resolução da tarefa específicos através de estratégias de mediação do adulto e de colaboração inter-pares. Em síntese, estas atividades, centradas na promoção da discussão ativa e participativa das crianças sobre a escrita de palavras, surgem como uma prática benéfica no processo de aquisição inicial de literacia, podendo ser integradas no enquadramento escolar e atuar como estratégia didática em sala de aula, no período antecedente à escolaridade formal.
- Aprendizagem da linguagem escrita nos dois primeiros anos de escolaridade e sua relação com o conhecimento metalinguísticoPublication . Gaiolas, Mónica Isabel Sampaio; Martins, Margarida AlvesEsta investigação teve como objetivo estudar a relação entre conhecimento metalinguístico (consciência fonológica, morfológica e sintática) e o desempenho em leitura e escrita, nos dois primeiros anos de escolaridade. Participaram 83 crianças de língua portuguesa de dois Agrupamentos de Escola seguidas do início do primeiro ano ao final do segundo ano de escolaridade. As mesmas foram avaliadas no início de cada ano letivo (provas de consciências fonológica, morfológica e sintática) e no final de cada ano letivo (leitura - fluência e compreensão e escrita de palavras e escrita de texto - esta última apenas foi avaliada no final de 2º ano). Após realizadas análises de regressão e após a elaboração de um modelo de equações estruturais, os resultados demonstraram que quando controlados o desenvolvimento cognitivo, a memória verbal e as habilitações da mãe, os melhores preditores da fluência de leitura foram a consciência fonológica e nomeação de letras no 1º ano e a consciência fonológica e a fluência leitora no 2º ano. Os melhores preditores da compreensão leitora foram a consciência sintática e a fluência leitora no 1º e 2º ano. A respeito da escrita de palavras, os melhores preditores foram a consciência fonológica e a sintática no 1º ano e a consciência fonológica e a escrita de palavras no 2º ano. Por último, os melhores preditores da escrita de texto foram a consciência sintática e a escrita de palavras. As provas de consciência morfológica não influenciaram diretamente nenhuma das medidas de leitura e escrita para além da já referida influência das variáveis mencionadas. Face aos resultados obtidos verificamos que o conhecimento metalinguístico tem um papel diferenciado no que respeita à sua influência nas medidas de leitura e escrita, parecendo a consciência fonológica influenciar mais diretamente a leitura e a escrita de palavras e a consciência sintática a compreensão leitora e escrita de texto. Por outro lado, verificamos que não só o conhecimento metalinguístico influencia a linguagem escrita como também a própria leitura e escrita medidas no final de primeiro ano influenciam a linguagem escrita medida um ano depois.
- Conhecimento metalinguístico e compreensão da leitura em alunos surdos do 2º e 3º ciclosPublication . Marcelo, Anabela Isabel Coelho; Martins, Margarida AlvesO presente estudo inscreve-se na área das literacias e educação e teve como objetivo central avaliar a consciência morfossintática de alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico com surdez severa ou profunda e avaliar a sua relação com a compreensão leitora. A investigação tem revelado que os alunos surdos apresentam um baixo desempenho em leitura, refletindo-se em resultados abaixo do expectável para a faixa etária em que se encontram. Existem também diversos estudos internacionais que referem a existência de dificuldades destes alunos no processamento morfossintático. Neste contexto, procurámos responder às seguintes questões: i) Será que estes alunos adquiriram o vocabulário indicado no programa de PL2 para o 1.º ciclo? ii) Quais as suas principais dificuldades ao nível do processamento morfossintático? Haverá diferenças a este nível entre os dois ciclos de ensino? iii) Qual o seu desempenho ao nível da compreensão leitora? iv) Haverá uma relação entre a consciência morfossintática e a compreensão leitora nos dois ciclos de ensino? Participaram nesta investigação 35 alunos com surdez severa a profunda dos 2.º e 3.º ciclos, que frequentam o modelo de educação bilingue nas escolas de referência para a educação bilingue do Ministério da Educação, o que corresponde a cerca de 15% da população total com as mesmas características, a nível nacional. Construímos testes de conhecimento lexical, de consciência morfossintática e de compreensão leitora, que foram aplicados individualmente e cuja resolução apenas dependia da leitura, controlando a variável da capacidade auditiva. Os dados recolhidos foram analisados quantitativa e qualitativamente. Os principais resultados revelam que os alunos que participaram neste estudo apresentam um domínio razoável do vocabulário selecionado a partir do programa de PL2 para o 1.º ciclo, mas que existe uma grande variabilidade ao nível do processamento morfossintático. Mesmo em frases construídas com vocabulário que mostrou estar adquirido, os alunos continuam a manifestar dificuldade no processamento morfossintático, nomeadamente, em aspetos relacionados com flexão verbal, flexão de género e/ou número, preposição e conjunção, voz passiva, e predicativo do sujeito e modificador. Os resultados sugerem o recurso frequente à estratégia de selecionar uma palavra, considerada palavra-chave, fazendo a interpretação da frase a partir dessa palavra e do contexto criado. Verificou-se, ainda, a existência de uma correlação positiva e significativa entre a consciência morfossintática e a compreensão leitora, particularmente relevante no 3.º ciclo. Os resultados obtidos poderão contribuir para que os profissionais que trabalham com estes alunos tenham um melhor entendimento das dificuldades manifestadas e definam estratégias de trabalho adequadas e que potenciem o desenvolvimento do processamento dos aspetos morfossintáticos dos alunos. Os testes de conhecimento lexical e consciência morfossintática ficarão disponíveis online e poderão ser utilizados com diferentes populações e em diferentes momentos, sofrendo as alterações que se considerarem necessárias de acordo com os diferentes contextos.
- Os discursos de género em educaçãoPublication . Nunes, Cristina Maria Fernandes; Morgado, JoséEsta investigação teve como principal desiderato verificar se existem diferenças de discurso por parte de educadores e por parte da família em relação aos meninos e meninas, ou seja, que conceções de género são manifestadas no seio da família e na escola e que implicações tem na socialização das crianças, que frequentam o pré-escolar ou o 1º ciclo do ensino básico em Lisboa e Santarém. A construção de género é iniciada antes do nascimento de cada criança no seio da respetiva família, trata-se de uma construção social que se rege por regras criadas também pela sociedade que acolhe a criança e que estabelece diferenças entre o que é próprio para homens e para mulheres. Por seu turno, as crianças iniciam na mais tenra idade a sua própria identidade de género, que lhe permite ser aceite pelos seus pares e pela sociedade que a rodeia. Quer isto dizer que cada sociedade impõe determinados estereótipos de género e que as crianças são influenciadas e produtos destes mesmos estereótipos. Com objetivo de investigar que discursos são frequentemente utilizados por educadores e pelas famílias no que respeita ao género foi desenhada uma entrevista para os educadores e professores do pré-escolar e do 1º ciclo e ainda um inquérito para ao pais e mães com crianças destas idades. Foram entrevistados 8 educadores de infância e 22 docentes do 1º ciclo e ainda validados 641 inquéritos. Os resultados apontam que as perceções dos professores e das famílias são diferentes nos companheiros de brincadeira das crianças, mas similares no que respeita ao tipo de brincadeiras. Por seu turno encontramos representações de feminilidade e masculinidade no tipo de vestuário, calçado, acessórios, brinquedos e no material escolar escolhido ou adquirido para as crianças. Não foram percecionadas diferenças no processo de aprendizagem das meninas e dos meninos, mas foram percecionadas diferenças no comportamento em sala de aula, sendo ainda necessário continuar a investigar as diferenças nos percursos que podemos ou não relacionar com o abandono a nível escolar, uma vez que existem desigualdades de género a este nível.
- Formação inicial docente para o envolvimento da família na educaçãoPublication . Cabral, Sónia Maria Costa; Peixoto, FranciscoNas últimas décadas, o envolvimento das famílias na educação tem sido amplamente reconhecido como essencial para o sucesso e bem-estar das crianças, exigindo que os profissionais de educação estejam preparados para estabelecer relações de qualidade com as suas famílias. Contudo, a investigação evidencia que a formação inicial docente em Portugal continua a conferir um espaço reduzido e pouco sistemático a esta temática, o que levanta interrogações sobre a forma como os futuros educadores e professores desenvolvem competências para promover o envolvimento e participação das famílias na educação. Foi a partir deste enquadramento que se desenvolveu a presente investigação, que teve como objetivo compreender o modo como a formação inicial prepara os futuros docentes, em particular educadores de infância, para promover a participação das famílias. Pretendeu-se, ainda, explorar as perceções de estudantes e docentes relativamente à relevância, às dificuldades e à eficácia percebida das práticas de envolvimento, bem como analisar relações entre a formação recebida e a perceção de autoeficácia para envolver as famílias. A investigação adotou um desenho misto, articulando abordagens qualitativas e quantitativas. Foram realizados estudos empíricos complementares: (i) análise documental dos planos de estudo e das unidades curriculares de cursos de formação inicial; (ii) entrevistas a docentes e coordenadores responsáveis pela formação; (iii) aplicação de questionários a estudantes de mestrado em Educação Pré-Escolar e em Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico, incluindo escalas validadas de dificuldades antecipadas, autoeficácia e formação recebida; (iv) identificação de perfis de estudantes com base na avaliação da formação recebida e análise da relação entre os perfis e as perceções de dificuldades e de autoeficácia. Os resultados obtidos evidenciam três dimensões principais de dificuldades antecipadas na promoção do envolvimento: comunicação, envolvimento formal e apoio à parentalidade, e envolvimento diferenciado. Verificou-se igualmente que os estudantes que percecionam ter recebido uma formação mais consistente tendem a reportar maior autoeficácia e menores dificuldades antecipadas. A análise de perfis permitiu distinguir grupos de estudantes com trajetórias formativas diferenciadas, confirmando que a qualidade da formação inicial constitui um fator relevante na forma como os futuros profissionais encaram a relação escola-família. Do ponto de vista qualitativo, emergem narrativas que sublinham a ausência de uma abordagem transversal e integrada do tema ao longo dos cursos, coexistindo experiências pontuais valorizadas pelos estudantes, sobretudo quando envolvem atividades práticas de aproximação à realidade educativa. Os docentes e coordenadores reconhecem a pertinência do tema, mas identificam limitações curriculares e estruturais que condicionam a sua inclusão efetiva. Em síntese, a tese evidencia a necessidade de reforçar, na formação inicial docente, a preparação para o trabalho com famílias, indo além de perspetivas normativas e centradas no cumprimento de formalidades. Recomenda-se a integração explícita e transversal desta dimensão nos currículos, através de experiências formativas diversificadas, práticas reflexivas e oportunidades de contacto direto com contextos reais. Assim, a investigação contribui para o debate sobre políticas de formação docente e para a construção de uma cultura educativa que reconhece as famílias como parceiras fundamentais na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento integral das crianças.
- A perceção dos professores sobre o trabalho colaborativo e o papel da liderança na educação inclusivaPublication . Cândido, Sofia Ferreira; Silva, José CastroAs sociedades democráticas, baseadas em conceitos de equidade, igualdade e justiça, provocam nas escolas grandes transformações, pois permitem o acesso à educação de Todos os alunos exigindo uma constante busca de soluções para remover barreiras à aprendizagem. Neste sentido, alguns autores apresentam o trabalho colaborativo, como solução para potenciar o sucesso educativo de todos os alunos e a educação inclusiva. Assim sendo, esta investigação tem como objetivo descrever a perceção dos docentes sobre a frequência e a eficácia da colaboração, bem como, os benefícios, os entraves e o papel da liderança no desenvolvimento de práticas colaborativas. Da investigação fazem parte dois estudos. No primeiro estudo os dados foram apurados através de questionário, preenchido online, a 1064 professores portugueses do 1º, 2º, 3º ciclos e secundária e educação especial. Os dados revelaram que as práticas colaborativas de sala de aula são as que apresentam a frequência e a eficácia mais baixa, sendo a sua utilização mais frequente no grupo da educação especial, seguido do 1º, 2º e 3º ciclo e secundários. A correlação entre a frequência e a eficácia, no geral, oscilam entre o forte e o moderado. Quanto à correlação entre a frequência da colaboração e a escala da liderança os resultados são fracos ou muito fracos, o mesmo acontece quando se correlaciona a escala da eficácia com a da liderança. No segundo estudo os dados foram apurados através de entrevista semiestruturada, realizada por telefone, a 42 professores de Portugal Continental. O seu objetivo foi clarificar resultados, esclarecer a perceção dos professores face ao papel da liderança e, apurar os benefícios e entraves à colaboração. Os resultados foram explicados por fatores humanos, políticos, formativos, motivacionais e administrativos. Para os professores a colaboração permite partilhar e gerar motivação, para os alunos, melhora resultados escolares, gera conhecimento, motiva e impulsiona valores de cidadania. Os entraves são de ordem logística, pessoal, profissional e formativa. Quanto ao papel da liderança da escola, as orientações que emanam só se materializam se o professor sentirem que as mesmas são benéficas para os alunos. O envolvimento dos professores na colaboração é voluntário, uma vez que a maioria das práticas colaborativas acontecem fora do horário letivo ou dentro da sala de aula, local onde habitualmente a direção não interfere.
- Programa de apoio à integração académica e social : mentoria entre paresPublication . Oliveira, Maria Edite de; Monteiro, VeraResumo não fornecido pelo autor / Abstract not provided by the author
- Psicólogo escolar nos institutos federais de educação : analisando a identidade, a autoeficácia e o engajamento no trabalhoPublication . Koehler, Solange Ester; Mata, LourdesEsta tese objetivou definir a identidade do psicólogo que atua em contexto escolar dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), perpassando pelo estudo da autoeficácia laboral e do engajamento no trabalho. Estes Institutos formam uma rede de instituições escolares distribuída por todo o território brasileiro, criada em 2008, com a oferta de cursos que vão do ensino médio técnico à pós-graduação voltada para a educação profissional e tecnológica. Inicialmente, procedeu-se a construção e validação da Escala de Crenças de Autoeficácia para Psicólogos em Contexto Escolar. Em seguida, elaborou-se um questionário com questões abertas e fechadas, para a caraterização da atuação dos psicólogos nos IFs, e incluiu-se a Escala Utrecht de Engajamento no Trabalho e a escala de autoeficácia indicada. Participaram da investigação 205 psicólogos de todos os estados brasileiros. Os resultados obtidos, revelaram que os psicólogos escolares dos IFs eram majoritariamente mulheres, com idade média de 35 anos, sendo que a grande maioria realizou curso de pós-graduação. Quanto as ações mais frequentes e o público prioritário de intervenção, verificou-se que os psicólogos dirigiam as suas ações, preferencialmente, para os estudantes, mas também, para a comunidade escolar (pais, docentes, demais colegas técnicos), observando-se uma intervenção alargada baseada na psicologia escolar crítica. No que se refere à autoeficácia laboral, identificaram-se níveis positivos nas três dimensões (Profissional, Relacional, Famíliar), embora os níveis mais baixos se relacionassem com a atuação com as famílias. Quanto ao engajamento no trabalho, os valores encontrados foram ajustados para as três dimensões: vigor, absorção, dedicação. Constatou-se que, a autoeficácia profissional e relacional foram preditores do engajamento no trabalho.
- A relação entre a aceitação/ rejeição parental, o ajustamento psicológico, o autoconceito académicos, a motivação para a aprendizagem e o desempenho académico do adolescentePublication . Reboredo, Ana Rita Soeiro Marinho; Monteiro, VeraA presente pesquisa fundamenta se maioritariamente na teoria da aceitação/rejeição (IPARTheory) de Rohner (1986, 2004). Esta teoria defende que a dimensão do afeto parental varia segundo um continuum cujos extremos são a aceitação e a rejeição parental (Rohner, 2004). O afeto físico e psicológico é uma característica da aceitação parental. Por outro lado, a ausência de afeto pode assumir a forma de hostilidade e agressão, indiferença e negligência e, ainda, de rejeição indiferenciada. Estas assumem se como características da rejeição parental. A rejeição parental tem sido associada na literatura a várias consequências negativas como a possibilidade de desenvolvimento de perturbações emocionais e/ou comportamentais e o insucesso académico (Ali, 2011; Khaleque & Ali, 2017; Rohner, 2004, 2016; Tulviste & Rohner, 2010). Pretende se assim explorar em que medida a perceção de aceitação/rejeição parental contribui para o desempenho académico de sujeitos escolares a frequentar o 3º ciclo de escolaridade e testar o papel de certas variáveis individuais nomeadamente do ajustamento psicológico, autoconceito académico e motivação para a aprendizagem, no contexto desta relação. Para tal procedemos ao estudo das propriedades psicométricos dos instrumentos que utilizámos, tendo o mesmo revelado bons valores. Analisámos um modelo hipotético de variáveis, com base nas relações que haviam sido encontradas na literatura. Em termos globais, os resultados por nós obtidos apontam para o efeito direto da perceção de aceitação parental no desempenho académico dos alunos, e para o efeito indireto da perceção de aceitação materna e do ajustamento psicológico dos alunos no seu desempenho académico. Os resultados sustentam, ainda, o efeito das perceções de aceitação/rejeição parental, pai e mãe, no ajustamento psicológico dos filhos e para um efeito do ajustamento psicológico no autoconceito académico. Por sua vez, o autoconceito académico revelou efeito na motivação para a aprendizagem e, especialmente, no desempenho académico. Procedemos, ainda, a análises diferenciais em função do género e do ano de escolaridade. Os alunos revelaram, a nível geral, níveis adequados quanto à aceitação parental, pai e mãe e relativamente ao ajustamento psicológico. As raparigas e os rapazes não revelaram diferenças significativas, quanto às perceções de aceitação/rejeição materna e paterna, nem concernentes ao ajustamento psicológico. Apesar disso, os rapazes demonstraram percecionar mais agressão por parte do pai do que as raparigas. As raparigas revelaram níveis mais elevados de instabilidade emocional que os rapazes. Os alunos do 9º refletiram percecionar maiores níveis de rejeição parental, paterna e materna, que os alunos dos restantes anos. Foram também aqueles que evidenciaram uma visão mais negativa do mundo.
- Retenção escolar no 1º Ciclo de Educação Básica: Aspetos académicos, cognitivos e socioafetivos envolvidos na tomada de decisãoPublication . Santos, Natalie de Nóbrega dos; Monteiro, VeraUma prática pedagógica controversa utilizada no apoio aos alunos que apresentam dificuldades académicas é a retenção escolar. No entanto, de acordo com a literatura científica, a retenção não melhora, a longo prazo, o desempenho académico dos alunos ou o seu funcionamento socioemocional. Por esta razão, de acordo com a legislação portuguesa, esta medida deveria ser aplicada “a título excecional”. Contudo, as taxas de retenção no 1.º ciclo de educação básica, especificamente no 2.º ano de escolaridade, são elevadas, indicando que a decisão de retenção é mais frequente do que um caráter de excecionalidade faria prever. Todavia, existe pouca informação sobre como a decisão de reter um aluno é tomada na prática educativa. A presente tese pretendeu compreender o processo de tomada de decisão relativamente à retenção de alunos no 1.º ciclo do ensino básico. Mais especificamente estudamos quais as crenças dos professores que estão subjacentes à tomada de decisão da retenção, quais as características académicas, cognitivas e socioafetivas dos alunos consideradas nessa decisão e quais as políticas educativas que as escolas desenvolvem para ajudar aos professores nesse processo decisório. Dois estudos foram desenvolvidos para cumprir com estes objetivos: um estudo correlacional que contou com a participação de 449 professores do 1.º ciclo do ensino público de Portugal Continental e da Região Autónoma dos Açores, e um estudo misto convergente, onde participaram 358 professores de 68 escolas públicas e privadas da Região Autónoma da Madeira (RAM). Para a recolha da informação foram utilizados dois questionários online que avaliavam os constructos em estudo e foi realizada uma análise documental dos instrumentos de autonomia das escolas da RAM. Os resultados destes dois estudos, apresentados ao longo de cinco artigos científicos, indicaram que os professores portugueses acreditam, na sua maioria, na efetividade da retenção para a prevenção do insucesso escolar dos alunos. Estas crenças são mantidas num complexo sistema de crenças psicopedagógicas, estando relacionadas com as crenças sobre o processo de ensino/aprendizagem, avaliação e desenvolvimento da inteligência, assim como com as crenças sobre a efetividade e dificuldade de implementação de outras intervenções para promover o sucesso escolar, como a diferenciação pedagógica e o apoio individualizado. As crenças sobre a efetividade da retenção são, para muitos professores, centrais, sendo defendidas com um elevado grau de convicção, estando influenciadas principalmente pelas crenças da comunidade educativa, pela formação académica, e pela sua experiência profissional. Os resultados também mostraram que as crenças sobre a efetividade da retenção estão relacionadas com o seu uso da retenção, funcionando também como filtros de informação, influenciando quais as características dos alunos que são consideradas relevantes na tomada de decisão. Finalmente, também observamos que as políticas educativas das escolas parecem trazer alguma coerência às ações dos diferentes professores, mas a maioria das escolas da RAM não definem critérios ou procedimentos que guiem aos seus professores no processo de tomada de decisão da retenção. São discutidas algumas implicações para a investigação na área da cognição dos professores, para a formação docente e para o desenvolvimento de políticas educativas sobre a retenção escolar.
