PFOR - Dissertações de Mestrado
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Entradas recentes
- Relação entre formato de visualização, técnicas de entrevista e testemunhoPublication . Brás, Beatriz Lopes; Almeida, Telma SousaO objetivo principal deste estudo foi investigar o impacto do uso da Realidade Virtual (RV) em comparação com o uso de meios radicionais (2D), relativamente à precisão e quantidade de unidades de informação recordadas por testemunhas oculares. Adicionalmente, foi analisada a eficácia da técnica de entrevista Recuperação por Categorias Fornecidas (RCF) em comparação com o Relato Livre (RL), num intervalo de retenção de 48 horas. Uma amostra de 160 participantes, entre os 18 e os 46 anos, foram colocados aleatoriamente numa de quatro condições experimentais: RV-RL (N = 40), RV-RCF (N = 40), 2D-RL (N = 40), 2D-RCF (N = 40). Os resultados obtidos demonstraram que o formato 2D levou a uma maior quantidade de detalhes recordados, comparativamente com a RV, embora não tenham surgido diferenças significativas ao nível da precisão da informação recordada. Relativamente às técnicas de entrevista, o RL revelou resultar numa maior precisão nos~detalhes recordados, comparativamente à RCF, no entanto, não foram identificadas diferenças significativas no que concerne a quantidade dos detalhes recordados, entre as duas técnicas de entrevista investigativa. Não se observou um efeito de interação entre o modo de visualização e a técnica de entrevista, sugerindo que os processos de codificação e recordação da memória poderão ser regulados por diferentes processos cognitivos. Estes resultados reforçam a relevância de analisar as técnicas de entrevista investigativa, tendo em conta múltiplos contextos (culturais, populacionais, entre outros), de modo a adaptar as técnicas utilizadas às testemunhas, para que o relato seja o mais completo e fidedigno possível.
- O impacto da relação entre job crafting e autoeficácia sobre o bem-estar dos guardas prisionais portugueses.Publication . Morais, Marta Vanessa Costa; Rodrigues, Andreia de CastroO presente estudo investigou de que forma a autoeficácia e o job crafting influenciam o bem-estar afetivo no trabalho dos guardas prisionais portugueses. A pertinência da investigação é extrema, visto que a categoria profissional de guarda prisional em Portugal é reconhecida mundialmente como uma das atividades ocupacionais mais exigências, apresentando um elevado risco para a saúde mental e física dos profissionais. O estudo propõe-se a identificar a autoeficácia e o job crafting como recursos pessoais que podem mitigar este impacto negativo. O estudo adotou uma abordagem quantitativa e exploratória para testar as hipóteses propostas, incluindo um modelo de mediação. A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência e consistiu em 93 guardas prisionais portugueses de diversos estabelecimentos prisionais. As variáveis foram medidas por instrumentos validados: a Escala de Bem Afetivo no Trabalho para o bem-estar afetivo no trabalho, a Escala de Autoeficácia Geral (EAG) para a autoeficácia e o Job Crafting Questionnaire para o job crafting. As relações diretas foram testadas através de Correlações de Pearson, e o efeito mediador da autoeficácia foi examinado recorrendo ao Modelo 4 da macro PROCESS, utilizando 5000 reamostragens bootstrapping. Os guardas prisionais da amostra apresentaram níveis médios de autoeficácia, job crafting e bem-estar ocupacional, os testes de correlação foram estatisticamente significativos e positivos, sustentando as H1, H2 e H3. Verificou-se que a autoeficácia se correlaciona positivamente com o job crafting (r = .344, p = < .001), e que ambos predizem níveis superiores de bem-estar afetivo no trabalho. No caso da mediação, não se verificou um efeito da mediação da autoeficácia na relação entre o job crafting e o bem-estar, uma vez que o efeito indireto não foi estatisticamente diferente de 0. O estudo destaca a importância dos recursos pessoais e das práticas de redesenho do trabalho para promover o bem-estar num contexto profissional altamente exigente. A inexistência da mediação (H4) sugere que, no ambiente prisional, a força do contexto (exigências externas e conflito de papéis) pode ser tão dominante que o efeito mediado pela autoeficácia não se manifeste estatisticamente, deixando as relações diretas como os caminhos primários. Os resultados contribuirão para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no sistema prisional português.
- Recuperação por categorias, relato livre e efeito protetor da memóriaPublication . Feio, Marcelo José Tavares Abreu de Faria; Almeida, Telma de SousaO testemunho ocular é uma peça central na investigação criminal, mas a sua fiabilidade é ameaçada pela degradação natural da memória e pela contaminação pós-evento. O efeito protetor da memória sugere que uma recordação inicial pode fortalecer o traço mnésico. O presente estudo teve como principal objetivo explorar um potencial efeito protetor da memória no relato de testemunhas oculares, através da comparação de um grupo de participantes submetidos a uma tentativa inicial de recordação 48 horas após o evento (Grupo CE) e participantes que não tiveram acesso à mesma (Grupo SE), analisando a quantidade e precisão do seu relato um mês após o evento. Paralelamente, pretendeu-se explorar potenciais diferenças entre o contributo da técnica de Recuperação por Categorias Fornecidas (RCF) e a técnica do Relato Livre (RL) para a existência deste efeito protetor. Para tal, 151 participantes assistiram a um vídeo de um crime não-violento e foram aleatoriamente divididos em três grupos: Grupo CE – RCF, Grupo CE – RL e Grupo SE. Os resultados revelaram que ao fim de um mês, o Grupo SE recordou uma quantidade de detalhes significativamente maior do que o Grupo CE. Contudo o Grupo CE evidenciou uma precisão do relato significativamente maior do que o Grupo SE. Na análise comparativa para as contribuições das técnicas entre os grupos CE – RCF e CE – RL, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas, nem na quantidade nem na precisão dos relatos obtidos um mês após o evento.
- A perceção dos guardas prisionais acerca da relação estabelecida com os reclusos e a sua influência no processo de ressocializaçãoPublication . Francisco, Bruna Alexandra Marques; Rodrigues, Andreia de CastroA relação estabelecida entre guardas prisionais e reclusos constitui um elemento central no funcionamento das prisões e no processo de adaptação dos indivíduos privados de liberdade. A forma como os guardas percecionam e gerem essa relação pode influenciar não apenas o clima prisional, mas também o percurso de ressocialização dos reclusos. Assim, compreender a perceção dos guardas sobre esta relação torna-se essencial para refletir sobre o papel que desempenham no equilíbrio entre a segurança, a disciplina e o apoio à reintegração social. O presente estudo teve como objetivo compreender a perceção dos guardas prisionais acerca da relação estabelecida com os reclusos e como esta pode impactar no processo de ressocialização. Neste sentido, foi utilizado um guião de entrevista com 21 perguntas, administrado a uma amostra de 17 Guardas Prisionais do contexto português. Os resultados obtidos demostraram uma dualidade de perceções relativas ao papel do guarda prisional: alguns consideram que a sua função se limita à vigilância e à segurança, enquanto outros reconhecem a importância de um envolvimento mais próximo no processo de ressocialização dos reclusos. Este estudo destaca também a influência da experiência profissional e da postura individual na forma como o respeito é construído e mantido dentro do contexto prisional. Além disso, verificou-se que fatores institucionais, como a escassez de recursos humanos e a cultura organizacional, condicionam o desenvolvimento de relações mais humanas e colaborativas com os reclusos. Evidencia, ainda, a importância de formações adequadas, de modo facilitar o sucesso de ressocialização da população reclusa.
- Identificação de tipologias de comportamentos abusivos em ofensores sexuais de crianças com recurso à análise de classes latentesPublication . Gomes, Mariana Facote; Almeida, Telma SousaO abuso sexual de crianças constitui um grave problema de saúde pública, com elevada prevalência e consequências duradouras. Este estudo teve como objetivo identificar perfis de ofensores sexuais de crianças com base nas características dos comportamentos abusivos descritos em processos judiciais, e explorar a associação entre esses perfis e variáveis contextuais. A amostra foi composta por 203 processos-crime de abuso sexual de crianças arquivados em tribunais portugueses. Os dados foram analisados através de Análise de Classes Latentes, uma técnica estatística que permite identificar subgrupos homogéneos a partir de padrões comportamentais. Os resultados revelaram três perfis distintos: ofensores altamente intrusivos, caracterizados por comportamentos penetrativos e de elevada gravidade; ofensores moderadamente intrusivos, centrados em contacto físico não penetrativo; e ofensores minimamente intrusivos, nos quais predominam práticas como exposição sexual ou carícias corporais. Apenas a variável relativa à relação entre ofensor e criança revelou-se significativamente associada aos perfis, verificando-se que contextos de maior proximidade relacional estão ligados a padrões mais intrusivos. Este estudo constitui a primeira aplicação da Análise de Classes Latentes a processos judiciais de abuso sexual de crianças em Portugal, oferecendo contributos empíricos relevantes para a avaliação de risco, prevenção e intervenção diferenciada no contexto forense e clínico.
- A perceção de magistrados portugueses acerca de crimes de géneroPublication . Ferreira, Andreia Santos; Rodrigues, Andreia de CastroO presente estudo teve como objetivo explorar as perceções de magistrados portugueses relativamente aos crimes de género. Procurou-se compreender de que forma a legislação é interpretada e aplicada, quais são os fatores que influenciam as decisões judiciais e que barreiras institucionais interferem no processo judicial. Foram realizadas 10 entrevistas semiestruturadas a magistrados das Varas Criminais de Lisboa, analisadas segundo a metodologia de Análise Temática de Braun e Clarke (2006). Os resultados revelaram que as decisões judiciais são influenciadas por fatores legais, extralegais e socioculturais, embora os magistrados procurem manter uma postura imparcial. Destacaram-se a fragilidade da prova, a revitimização e a morosidade processual como obstáculos significativos, bem como a existência de estereótipos de género que influenciam a perceção de vítimas e de ofensores. Conclui-se que uma justiça equitativa exige uma transformação sociocultural e institucional, além de reformas legislativas e uma formação contínua e crítica dos magistrados, capaz de desconstruir estereótipos e promover decisões mais justas e sensíveis às dinâmicas de género.
- Mulheres vítimas de violência doméstica: Fatores facilitadores da permanência na relação abusivaPublication . Roque, Joana Filipa dos Santos; Basto Pereira, MiguelA presente investigação teve como objetivo principal mapear, explorar e avançar no conhecimento e evidência científica sobre os fatores que determinam a permanência da vítima de violência doméstica, do sexo feminino, na relação abusiva. Concretamente, procurou-se perceber e explorar o conceito de violência doméstica, analisando os fatores preditores da permanência na relação abusiva. Estes objetivos foram prosseguidos através de um estudo qualitativo, que envolveu a revisão sistemática sobre o tema central da dissertação. Para tal, usou-se as bases de dados (APA PsycINFO, APA PsycArticles, MEDLINE e Web of Science), com os seguintes descritores: Domestic violence, Intimate partner violence, Domestic abuse, Spousal abuse, Stay, Persist, End, Return, Remain e Battered Women. Os resultados obtidos sugerem que fatores como dependência emocional e económica, nível de escolaridade, empregabilidade, número de dependentes (filhos), perturbações mentais e distorções cognitivas afetam a decisão de permanência na relação abusiva. Procedeu-se à discussão dos resultados, atendendo às investigações empíricas no tema. Por fim, são identificadas as limitações deste estudo e apontadas direções relevantes para estudos futuros
- Cicatrizes invisíveis: Perceção de discriminação e Saúde mental em ex-reclusosPublication . Santos, Telma Filipa Botelho Falcão dos; Basto Pereira, MiguelVários estudos mostram que os ex-reclusos experienciam níveis mais altos de discriminação em diversas áreas, do que a população geral, o que pode originar um impacto significativo na vida dos mesmos. A presente dissertação pretende examinar as diferenças entre um grupo de ex-reclusos e um grupo da população geral com características similares, em relação à discriminação percecionada e a indicadores de sofrimento psicológico. Na segunda parte do estudo serão analisadas as relações entre a discriminação percecionada, o sofrimento psicológico e os comportamentos autolesivos, no grupo de ex-reclusos. A amostra é composta por 34 indivíduos do sexo masculino, distribuídos por dois grupos: 17 ex-reclusos e 17 elementos da comunidade, com idades compreendidas entre os 30 e os 76 anos (M = 49.62; DP = 10,27) e com características etárias e étnicas similares. Os participantes responderam a um questionário sociodemográfico, ao Questionário de Estigmatização e Discriminação sobre Ex-Reclusos, à Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21) e ao Inventário de Comportamentos Autolesivos (ICAL). Os resultados não indicaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos na discriminação percecionada, contudo nas restantes variáveis, i.e., os comportamentos autolesivos e a sintomatologia psicopatológica, verificou-se diferenças entre os grupos, destacando-se níveis de ansiedade e comportamentos autolesivos superiores no grupo de ex-reclusos. As conclusões deste estudo reforçam a evidência de que a perceção de discriminação constitui um fator de risco relevante para a saúde mental dos ex-reclusos, em particular no aumento dos níveis de ansiedade e na maior prevalência de comportamentos autolesivos. Os resultados estão em linha com os estudos anteriores que apontam a discriminação como um fator de stress que agrava o sofrimento psicológico e conduz frequentemente ao recurso a estratégias de coping desadaptativas.
- Impacto diferencial dos traços antissociais na perpetração de crimes sexuaisPublication . Sousa, Mariana de Jesus; Basto Pereira, MiguelOs traços antissociais e a psicopatia constituem-se como fatores de risco significativos para a perpetração de crimes. Em particular, a investigação tem sugerido uma relação entre a perpetração de crimes sexuais e comportamentos impulsivos e irresponsabilidade, ainda que a investigação científica raramente inclua crimes sexuais cometidos em contextos online. Assim, a presente investigação propõe-se analisar o impacto dos traços antissociais e psicopatia na perpetração de crimes sexuais online e de contacto, explorando duas hipóteses de investigação. Este estudo conta com uma amostra de 316 participantes adultos da população geral. Os resultados deste estudo indicam que traços de Impulsividade/Irresponsabilidade e indicadores de traços de psicopatia secundária estão associados a uma maior probabilidade de incorrer em crimes sexuais. Estes resultados vão ao encontro da evidência empírica, que realça estes traços como os maiores preditores da prática destes crimes, uma vez que dificulta a capacidade de inibir comportamentos e a procura de gratificação imediata, o que consequentemente compromete a capacidade do indivíduo de refletir sobre as consequências das suas ações.
- Palavras que magoam: Um modelo preditivo da agressividade verbal com base em variáveis psicossociais numa amostra comunitáriaPublication . Cruz, Marta Sofia Pascoal; Rodrigues, Andreia de CastroNos últimos anos tem-se observado um aumento significativo do discurso de ódio por todo o mundo. Apesar do crescente interesse científico, a investigação nesta área apresenta limitações. Neste sentido, a agressividade verbal tem sido considerada uma manifestação aproximada do fenómeno. Não obstante, destaca-se uma lacuna relativamente aos fatores psicossociais que podem estar associados à expressão da agressividade verbal. A presente investigação objetivou determinar os níveis de agressividade geral e verbal, empatia, compaixão, preconceito (polimorfo/sexual e sexismo), atitude multicultural e comportamentos antissociais, numa amostra comunitária; verificar a existência de disparidades de género ao nível das variáveis supramencionadas; e explorar as relações entre estes construtos psicológicos com vista à composição de um modelo preditivo da agressividade verbal enquanto possível manifestação associada ao discurso de ódio. A amostra final contou com 104 mulheres e 54 homens da população geral. Os resultados evidenciaram diferenças significativas ao nível da empatia, compaixão, preconceito polimorfo e sexismo, atitude multicultural e comportamentos antissociais, com as mulheres a reportar valores mais elevados, à exceção dos preconceitos polimorfo e sexismo e comportamentos antissociais, onde as pontuações dos homens foram superiores. De um modo geral, apuraram-se associações significativas entre a agressividade global e a dimensão verbal, tanto para a amostra total, como para as subamostras feminina e masculina. Detetaram-se também correlações significativas entre a agressividade verbal e o preconceito sexual apenas para a amostra total e subamostra masculina. Observaram-se, ainda, associações significativas entre a agressividade verbal e a compaixão para a amostra total e subamostra feminina. Verificou-se o mesmo padrão para as correlações encontradas entre a agressividade verbal e os comportamentos antissociais. O modelo de regressão sugeriu que a compaixão e o preconceito sexual representam fatores protetores, ao passo que a empatia e os comportamentos antissociais representam fatores de risco para comportamentos verbalmente agressivos.
