PSOC - Dissertações de Mestrado
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Percorrer PSOC - Dissertações de Mestrado por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "03:Saúde de Qualidade"
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- Agentes fictícios: Inferência espontânea de traço e suspensão da descrençaPublication . Almeida, Diogo Alberto Dinis; Garcia-Marques, TeresaQuando interagimos e percecionamos outros, inferimos de forma automática e inconsciente traços de personalidade; um processo conhecido como inferência espontânea de traços. Os estudos documentam a ocorrência de inferências espontâneas de traço sobre atores humanos mas não sobre personagens de livros, filmes de fantasia e ficção científica com os quais nos envolvemos, ou figuras mitológicas. Neste trabalho colmatamos este facto contrastando o processo de inferência de traços de personalidade em relação a humanos com a sua ocorrência face a agentes fictícios. Para o efeito, utilizou-se o paradigma da recordação com pistas para ambos os atores, junto de uma amostra de 92 participantes recrutados em contexto laboratorial e online. Os participantes leram um conjunto de frases implicativas de traços, que podiam ter uma contextualização real (e.g., “A Mariana acertou em todas as respostas do teste de matemática”) ou fictícia (e.g., “A medusa acertou em todas as respostas do teste de alquimia”) e foram solicitados a recordarem-se das frases. A recordação foi apoiada por uma pista disposicional (“inteligente”) ou semântica (“testagem”). Os resultados sugerem a ausência de diferenças entre humanos e agentes fictícios. Porém, quando se controlou para a capacidade dos participantes suspenderem a sua descrença, que é fundamental para o nosso envolvimento com mundos fictícios, os dados sugerem que a frequência desta suspensão não modera a ocorrência de inferências para agentes presentes nestes contextos, mas provoca uma melhor memorização das frases. Os dados são discutidos à luz de processos de perceção social enquanto interagimos com narrativas e da antropomorfização de personagens
- Entre turnos e sirenes: A influência dos cronótipos e da saúde do sono na perceção de risco e no estado emocional de bombeiros sapadoresPublication . Santos, Carolina Almeida Oliveira; Loureiro, FilipeA presente investigação pretendeu estudar se a perceção de risco poderia ser explicada pela condição de sincronia/assincronia, mediada pelos estados de humor e se variava de acordo com a saúde do sono. Participaram 449 bombeiros profissionais, 432 eram do sexo masculino e 17 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 21 e os 62 anos (M = 39.45, DP = 9.12). Utilizou-se a versão reduzida do Morningness Eveningness questionnaire (rMEQ) (Loureiro & Garcia-Marques, 2015) para medir os cronótipos, para avaliar a saúde do sono recorreu-se à Satisfation Alerttness Timing Efficiency Duration (SATED) (Martins, 2017), a Profile of Mood States (POMS) (Faro Viana et al., 2001) para avaliar a perturbação de humor e por fim aplicou-se Escala de Perceção de Risco (Portell & Solé, 2001). Os resultados obtidos indicam que a escala de saúde do sono se correlaciona de forma significativa e positiva com a subescala Vigor (POMS) e de forma negativa com as restantes subescalas e escala total. Foram encontradas relações estatisticamente significativas tanto negativas como positivas entre a escala de perturbação de humor e a escala de perceção de risco. Os bombeiros em condição assíncrona, com baixos níveis de saúde do sono apresentam maior perturbação de humor nas subescalas de tensão, confusão, hostilidade, fadiga e depressão e menor sensação de vigor. Trabalhadores no turno de 24H apresentam uma maior perceção de risco geral do que os colegas nos turnos da manhã e uma maior sensação de que o trabalho pode prejudicar a sua saúde a longo prazo do que os outros turnos. Os resultados destacam a importância de alocar os trabalhadores aos turnos adequados ao seu cronótipo, de forma a potenciar o seu sono, que por sua vez melhora o humor. Adicionalmente propõe-se a redução da jornada laboral dos turnos de 24 horas de forma a evitar os impactos negativos na saúde.
- Gosto de pensar, logo acredito: Dois estudos correlacionais entre necessidade de cognição e suspensão da descrençaPublication . Ferreira, Inês Sofia Diogo; Loureiro, FilipeA suspensão da descrença (SdB), entendida como a disposição para aceitar temporariamente premissas irreais de modo a manter uma experiência de entretenimento (Gerrig, 1993; Vorderer et al., 2003, 2004; Coleridge 1817, cit. por Tomko, 2007), tem sido amplamente discutida em contextos ficcionais, mas raramente explorada como traço disposicional e na sua relação com outras variáveis cognitivas. Esta investigação analisou a relação entre a SdB e a necessidade de cognição (NFC), examinando se níveis mais elevados de SdB se associam a uma maior disposição para apreciar e envolver-se em atividades cognitivamente exigentes (Cacioppo & Petty, 1982). Foram realizados dois estudos com medidas de autorrelato, utilizando a Escala de Necessidade de Cognição (Cacioppo et al., 1984) e a sua adaptação portuguesa (Silva & Garcia-Marques, 2006), bem como a Escala de Cronicidade da Suspensão da Descrença (Loureiro et al., 2025), nas versões portuguesa e inglesa. No estudo 1 participaram 326 estudantes universitários portugueses, enquanto que no estudo 2 participaram 218 norte-americanos da população geral. Os resultados de ambos os estudos indicaram uma correlação positiva e moderada entre NFC e SdB, com valores mais elevados na dimensão Social da SdB do que na dimensão Ficcional. Estes resultados sugerem que indivíduos com maior NFC, que gostam mais de pensar, tendem a suspender mais frequentemente a descrença, possivelmente devido à sua maior abertura cognitiva e motivação para explorar perspetivas alternativas. Esta investigação contribui assim para reforçar a SdB como um traço disposicional, aprofundando o seu enquadramento no domínio das diferenças individuais e expandindo a sua rede nomológica.
- O riso que envolve segurança: Segurança psicológica como mediador do clima de humor com work engagementPublication . Rasteiro, Inês Batista; Andrade, José Luis NunesO presente estudo teve como propósito investigar o impacto da Segurança Psicológica na relação entre o Clima de Humor e o Work Engagement no contexto organizacional, adotando uma abordagem inovadora ao focar no clima de humor, em vez de analisar os estilos individuais de humor, como é comum na literatura. A amostra consistiu de 241 participantes de diversas empresas portuguesas, com predominância feminina (71%), sendo utilizados os seguintes instrumentos: Team Psychological Safety (Edmondson, 1999), Humor Climate Questionnaire (Cann et al., 2014) e Utrecht Work Engagement Scale (UWES-3) (Schaufeli et al., 2017). As análises estatísticas indicaram que a Segurança Psicológica exerce um papel mediador na relação entre o Clima de Humor e o Work Engagement, com diferentes direções de mediação: duas positivas e duas negativas, conforme as dimensões do clima de humor. Esses resultados evidenciam que um clima de humor positivo pode favorecer o envolvimento no trabalho, enquanto um clima negativo tende a reduzi-lo, ressaltando assim a importância de promover um ambiente de trabalho psicologicamente seguro. Uma limitação do presente estudo é a amostragem por conveniência, o que compromete a validade externa. Futuras pesquisas devem investigar as interações entre segurança psicológica e clima de humor em contextos culturais diversos, incluindo amostras não ocidentais ou então estudos longitudinais. Estudar o impacto do humor em relações transversais e bottom-up, são necessários para compreender melhor as dinâmicas organizacionais.
- Solidão e reconhecimento de expressões faciais: um estudo com base na teoria da deteção do sinalPublication . Drazynski, Jakub Jan; Almeida, PedroA solidão tem sido associada a diversas consequências negativas para a saúde física e mental, bem como a alterações cognitivas que afetam a perceção social. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre solidão e o reconhecimento de expressões faciais. A aplicação da Teoria da Deteção do Sinal (TDS) neste contexto permitiu ultrapassar limitações dos métodos tradicionais e distinguir entre diferentes componentes do processamento emocional. No estudo participaram 125 adultos, que completaram UCLA Loneliness Scale-16, Brief Symptom Inventory-18 (subescalas de depressão e ansiedade) e uma tarefa de reconhecimento facial com expressões de alegria, raiva, tristeza, medo e neutra em diferentes intensidades (20%, 40%, 60%). Os resultados revelaram um efeito da solidão na perceção emocional, verificando-se um aumento na atribuição incorreta de expressões como neutras. A análise com recurso à TDS mostrou que as diferenças encontradas não resultam de uma menor capacidade de discriminação entre estímulos, mas sim de uma tendência de resposta mais liberal para identificar expressões emocionais como neutras. Estas diferenças têm implicações relevantes para a compreensão das dificuldades sociais associadas à solidão e sugerem possíveis aplicações no desenvolvimento de intervenções direcionadas à melhoria do reconhecimento emocional e integração social.
