PEDU - Dissertações de Mestrado
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- Bem-estar docente: uma teia da sua multidimensionalidadePublication . Nogueira, Rita de Carvalho Cruz; Silva, José CastroO bem-estar docente necessita de ser mais bem compreendido, não só porque existem diversos desafios nos sistemas de educação atuais, mas também devido ao impacto que tem na qualidade do ensino e, consequentemente, na aprendizagem dos alunos. No entanto, não existe um consenso sobre a sua definição e as dimensões que o compõem. O presente estudo teve como objetivo descrever a multidimensionalidade do bem-estar docente e avaliar a reciprocidade e força das relações entre as variáveis das suas dimensões (bem-estar social, bem-estar físico e mental, bem-estar cognitivo e bemestar subjetivo). Com este intuito, obteve-se a participação voluntária de 1822 docentes portugueses, desde o ensino pré-escolar ao fim do ensino secundário, 81,9% do género feminino e 18,1% do género masculino, que responderam a um questionário de oito escalas relativas às dimensões do bem-estar docente. Os resultados comprovaram que todas as variáveis estavam significativamente correlacionadas e, com recurso à análise de redes, foi possível ilustrar as diversas conexões entre variáveis, o que suportou a estrutura teórica de dimensões do bem-estar docente. Além disso, a variável Envolvimento dos Estudantes destacou-se como sendo uma variável chave na rede do bem-estar, devido à sua elevada centralidade de força, seguida da Relação com o Diretor – também se confirmou que ambas as variáveis eram preditoras significativas do bem estar mental. Em suma, comprovou-se a multidimensionalidade do bem-estar docente, a reciprocidade das relações das suas variáveis e revelaram-se variáveis chave que podem ser relevantes para investigações futuras.
- Retenção escolar, mindset e diferenciação pedagógica: crenças dos professores do ensino básicoPublication . Augusto, Margarida Marques Camacho Lopes; Pipa, JoanaA escola desempenha um papel central na promoção do sucesso educativo e no desenvolvimento integral dos alunos. No entanto, a diversidade das características e dos perfis de aprendizagem constitui um desafio para as escolas, exigindo respostas educativas que garantam equidade e inclusão. Entre as medidas tradicionalmente adotadas, a retenção escolar é uma das práticas mais discutidas e controversas, que não depende apenas de políticas nacionais ou de evidência científica, mas também das crenças e atitudes dos professores. Assim, compreender como as crenças sobre retenção escolar e o mindset docente se relacionam com a adoção de práticas de diferenciação pedagógica é fundamental para delinear caminhos pedagógicos mais ajustados à realidade das escolas e às exigências da inclusão. O presente estudo correlacional analisa as relações entre as crenças dos professores acerca da retenção escolar, o seu mindset relativamente à inteligência dos alunos e a adoção de práticas de diferenciação pedagógica. Pretende-se, ainda, explorar o impacto da experiência docente e do conhecimento científico acerca dos efeitos da retenção escolar nessas crenças. Participaram 426 professores do ensino básico (79.6% do sexo feminino), com experiência docente entre 0 e 44 anos (M = 24.62, DP = 11.2). O questionário aplicado consistia num conjunto de escalas adaptadas da literatura, que avaliavam as crenças acerca da Retenção Escolar, o Mindset e Práticas de Diferenciação Pedagógica. Os resultados revelaram algumas associações estatisticamente significativas, embora de magnitude fraca, entre determinadas crenças sobre a retenção escolar e a adoção de práticas de diferenciação pedagógica, bem como entre o mindset de desenvolvimento e a frequência dessas práticas. O conhecimento científico sobre os efeitos da retenção escolar não apresentou relação significativa com as crenças docentes. Quanto à experiência docente e às diferenças entre ciclos de ensino a lecionar, observaram-se variações em algumas dimensões das crenças sobre a retenção escolar. Este estudo contribui para a compreensão do papel das crenças e do mindset na adoção de práticas de diferenciação pedagógica, destacando implicações relevantes para a formação de professores e para a definição de políticas educativas que privilegiem alternativas à retenção escolar.
- Contributos para a validação da prova de leitura com recurso a imagens (plim) em crianças do 1.º ano do ensino básicoPublication . Abrantes, Beatriz Filipa Marques; Salvador, LilianaCom este estudo pretendemos contribuir para a validação da Prova de Leitura com recurso a Imagens (PLIm) na avaliação da competência inicial de leitura e identificação de crianças que se encontram em risco de desenvolver dificuldades na aprendizagem da leitura. Pretendemos, igualmente, analisar as associações entre a prova principal, as competências psicolinguísticas e outras duas provas de avaliação da leitura. Neste estudo participaram 107 crianças a frequentar o 1º ano do Ensino Básico de escolas públicas do concelho de Oeiras. Os dados relativos às competências psicolinguísticas, à prova principal e a uma outra prova de leitura foram recolhidos no início do 2º semestre e no final do ano letivo aplicou-se uma prova de leitura final. Foi realizada uma análise dos itens que compõem a prova, dos perfis de leitura definidos e das associações entre as competências psicolinguísticas e as provas de leitura. Realizamos também análises de regressão hierárquica para identificar as variáveis preditoras do desempenho em leitura no final do ano. Os resultados obtidos mostram que: (1) existem quatro perfis de leitura distintos; (2) a prova PLIm mostrou-se sensível na identificação de baixos desempenhos; (3) a prova PLIm apresentou associações positivas com as competências psicolinguísticas e as outras provas de leitura; (4) a prova PLIm foi a variável que melhor previu a leitura no final do ano letivo. Estes resultados permitem-nos evidenciar que o conhecimento das letras e a consciência fonémica são as competências mais relacionadas com a aquisição da leitura e que o desempenho na prova PLIm conseguiu predizer significativamente a leitura no final do ano letivo, demonstrando-se uma prova eficaz para a identificação de possíveis casos de crianças em risco.
- Relação entre as práticas de avaliação formativa dos professores e a autorregulação dos alunos, do 2º e 3º Ciclo, na aprendizagem da MatemáticaPublication . Neuparth, Guilherme Maria Tavares Sottomayor; Monteiro, VeraO presente estudo pretende analisar de que forma a avaliação formativa e a autorregulação da aprendizagem na aprendizagem da matemática se relacionam com o sexo e o ano de escolaridade dos alunos, bem como explorar a relação existente entre estas duas variáveis principais. Para tal, foi escolhido um método de recolha de dados comparativo e correlacional. Para a avaliação dos conceitos a serem trabalhados, foram desenvolvidas duas escalas, uma da avaliação formativa e outra da autorregulação, sendo que estes instrumentos foram aplicados a 625 alunos do 6º, 7º, 8º e 9º anos de escolaridade. Quanto às dimensões da avaliação formativa os resultados revelaram não existir diferenças entre rapazes e raparigas, mas observaram-se diferenças entre anos de escolaridade: os alunos do 6.º ano percecionaram mais práticas de Feedback e Envolvimento, enquanto os do 9.º ano valorizaram mais o Planeamento e a Monitorização. Relativamente à autorregulação da aprendizagem, os alunos destacaram usar mais estratégias comportamentais, enquanto a dimensão Motivacional Controlada apresentou valores mais baixos. As raparigas revelaram níveis ligeiramente mais elevados de autorregulação, e não se observaram diferenças significativas entre anos de escolaridade, exceto na dimensão Motivacional Controlada, que diminuiu à medida que o nível escolar aumentava. Por fim, constataram-se correlações significativas, positivas, entre a perceção das práticas de avaliação formativa e as estratégias de autorregulação, sugerindo que a avaliação formativa pode favorecer o desenvolvimento da autorregulação dos alunos na aprendizagem da matemática e vice-versa.
- As experiências de inclusão de famílias de alunos com medidas adicionais em pré-escolar e 1º cicloPublication . Carvalho, Patricia Brito; Monteiro, VeraA inclusão educativa constitui, atualmente, um dos maiores desafios e compromissos das escolas, ao procurar assegurar a equidade, a participação e o direito à aprendizagem de todas as crianças. No contexto português, o Decreto-Lei n.º 54/2018 veio consolidar um paradigma de educação inclusiva, promovendo a colaboração entre a escola e a família e salientando medidas que respondem à diversidade dos alunos. Contudo, a forma como estas medidas são vivenciadas pelas famílias permanece pouco explorada, sobretudo relativamente a crianças com medidas adicionais no Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico. O presente estudo teve como objetivo compreender as experiências das famílias no processo de inclusão escolar, analisando as suas perceções acerca da participação no percurso educativo dos filhos, das práticas de inclusão e dos desafios enfrentados. Assim sendo, foi adotada uma metodologia qualitativa, realizando uma entrevista semi-estruturada a 30 famílias (nove do Pré-Escolar e 21 do 1.º Ciclo). Os dados foram sujeitos à análise de conteúdo de Bardin (2013), organizada em categorias e subcategorias que refletiram as dimensões centrais da investigação. Os resultados enfatizaram quatro aspetos principais: (1) a valorização da inclusão como um direito essencial, associado à equidade, ao sentimento de pertença e à valorização da diversidade; (2) a insuficiência de recursos e as dificuldades na comunicação escola – família; (3) a participação parental limitada em processos de decisão; e (4) a necessidade de práticas pedagógicas flexíveis e de uma relação colaborativa com os docentes. Em suma, este estudo reforça a relevância da voz das famílias na construção de uma escola verdadeiramente inclusiva. Valorizar as suas perspetivas permite não apenas compreender os obstáculos ainda presentes, mas também identificar caminhos que promovam práticas pedagógicas mais equitativas, colaborativas e centradas nas necessidades reais dos alunos. Assim, reforça-se a necessidade de transformar o quadro legislativo em práticas consistentes no quotidiano escolar, assegurando a todas as crianças oportunidades efetivas de participação, de aprendizagem e de desenvolvimento.
- Abordagem steam, bem-estar laboral e compromisso profissional: Um estudo exploratório com docentes do ensino secundário em portugalPublication . Santos, Maria do Mar Fernandes dos; Silva, José CastroA abordagem STEAM tem sido promovida como uma abordagem pedagógica capaz de responder às exigências do século XXI, ao integrar as artes nas áreas técnico-científicas. A sua implementação no ensino secundário português ainda é limitada, e pouco se sabe sobre o papel das perceções dos professores nesse processo. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre as perceções de professores do ensino secundário sobre STEAM, o Bem-Estar Laboral e o Compromisso Profissional dos Docentes. Procurou-se também perceber se estas variáveis variam consoante a oferta educativa (científico-humanística vs. artística), a rede de ensino (pública vs. privada/cooperativa) e a área disciplinar. A investigação envolveu 105 professores do ensino secundário em Portugal. Os dados foram recolhidos através de um questionário online, que incluiu escalas para avaliar perceções sobre a STEAM (Familiaridade, Atitudes e Confiança), Bem-Estar Laboral e Compromisso Profissional. Os resultados mostraram correlações positivas entre as perceções sobre STEAM, o Bem-Estar Laboral e o Compromisso dos docentes. Estes dados sugerem que professores com maior bem-estar e compromisso estão mais recetivos à adoção de práticas STEAM. O estudo reforça a importância de investir na formação contínua dos docentes e em condições de trabalho que favoreçam a inovação. Os resultados contribuem para a compreensão dos fatores que influenciam a implementação da abordagem STEAM no ensino secundário português.
- Envolvimento parental, sentimento de pertença à escola e desempenho académico de alunos dos 2º e 3º ciclos do Ensino BásicoPublication . Osório, Tatiana Werneck Sabatié Tavares; Salvador, LilianaO percurso escolar dos alunos é influenciado por um conjunto de fatores individuais, familiares e contextuais, que interagem e impactam o processo de ensino e aprendizagem. Entre esses fatores, o desempenho académico se destaca como uma variável central, comummente utilizada como um indicador de sucesso educativo e adaptação escolar. Contudo, o desempenho académico dos alunos, não pode ser compreendido de forma isolada, sendo influenciado por dimensões afetivas e psicológicas como o envolvimento parental e o sentimento de pertença à escola. O presente estudo teve como principal objetivo analisar as relações entre o envolvimento parental, o sentimento de pertença à escola e o desempenho académico dos alunos dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico em Portugal. Adicionalmente, procurou-se compreender se essas relações diferem consoante o estatuto migrante dos alunos. Participaram neste estudo 463 estudantes, dos quais 121 eram migrantes, que responderam a “Escala de Avaliação do Sentimento de Pertença à Escola” de (Ventura & Lima, 2016), a Escala de Perceção de Práticas de Envolvimento Parental na Escolaridade: “Os meus pais e a minha escolaridade”, e subescala “Sentimentos/ atitudes em relação ao envolvimento parental” (Pereira & Monteiro, 2014), além de um questionário sociodemográfico. Os resultados revelaram que tanto o envolvimento parental, como o sentimento de pertença à escola estão relacionados positivamente com o desempenho académico dos alunos, sendo os alunos com melhor desempenho académico, aqueles com maiores níveis de envolvimento parental e sentimento de pertença à escola. Além disso, os alunos migrantes apresentaram níveis ignificativamente mais baixos em todas as variáveis analisadas, quando comparados com os alunos não migrantes. Por fim, os resultados sublinham a importância do envolvimento parental e do sentimento de pertença à escola como fatores promotores do sucesso académico e do bem-estar dos alunos, e a emergência de práticas escolares mais inclusivas e sensíveis à diversidade cultural.
- Fatores relacionados com as crenças dos docentes sobre educação inclusiva: Revisão sistemática com meta-análisePublication . Piteira, Sofia Raquel Piedade; Gaitas, SérgioA Educação Inclusiva (EI) foi uma das reformas mais significativas a nível global no caminho para a igualdade de direitos na educação. Os docentes desempenham um papel central nesta reforma, e diversos fatores podem estar relacionados com as suas crenças sobre a EI. A presente revisão sistemática com meta-análise procurou assim investigar a relação entre as crenças dos docentes sobre EI e (1) características sociodemográficas (sexo, idade); (2) características do seu percurso profissional (anos de experiência, formação específica em EI, experiência com alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE)); e (3) crenças de autoeficácia e conhecimento sobre EI (autoeficácia para a prática da EI, conhecimento percebido sobre EI). Foram incluídos na revisão 34 estudos, publicados em 22 países entre 2015 e 2024, totalizando 78 efeitos padronizados (d de Cohen). A meta-análise multinível revelou que as crenças dos docentes sobre EI estão relacionadas com os anos de experiência (β = 0.22, p = .019), a participação em formação específica (β = 0.20, p = .017) e a experiência com alunos com NEE (β = 0.24, p = .010), enquanto o sexo e a idade não apresentaram efeitos significativos. Devido ao número reduzido de estudos, as variáveis de autoeficácia e conhecimento percebido foram sintetizadas narrativamente, sugerindo uma associação entre as crenças dos docentes e a sua autoeficácia para a prática da EI. Conclui-se que os percursos profissionais dos docentes constituem preditores significativos das crenças inclusivas, destacando a importância de formações e experiências práticas para modificar sistemas de crenças e promover a EI.
- A relação entre a perceção dos docentes acerca da indisciplina em sala de aula, as crenças de autoeficácia para a gestão do comportamento, resiliência e compromisso com a profissãoPublication . Gonçalves, Catarina Lopes; Peixoto, FranciscoO presente estudo teve como objetivo analisar as relações entre as perceções dos professores acerca da indisciplina em sala de aula, as suas crenças de autoeficácia na gestão do comportamento, a resiliência profissional e o compromisso com a profissão docente. Participaram 818 professores do ensino básico ao ensino secundário, que responderam a um questionário online composto por duas partes: uma para recolha de dados sociodemográficos e outra com quatro instrumentos que avaliaram as variáveis em estudo. Os resultados indicaram que professores com maior perceção de resiliência tendem a apresentar crenças mais elevadas de autoeficácia na gestão do comportamento. Verificou-se também que níveis mais altos de autoeficácia se associam a um maior compromisso com a profissão docente. Além disso, a perceção da frequência de comportamentos indisciplinados relaciona-se negativamente com as crenças de autoeficácia, a resiliência e o compromisso profissional: quanto maior a perceção de indisciplina, mais baixas tendem a ser essas variáveis. Adicionalmente, os professores do terceiro ciclo percecionaram mais frequentemente comportamentos de indisciplina em comparação com os dos outros níveis de ensino. Por outro lado, os anos de serviço docente não demonstraram uma relação estatisticamente significativa com as crenças de autoeficácia na gestão do comportamento. Concluiu-se que uma maior perceção de comportamentos indisciplinados está associada a níveis mais baixos de autoeficácia, resiliência e compromisso profissional. Este estudo contribui para o conhecimento acerca da problemática da indisciplina escolar, destacando a importância de promover ambientes educativos mais saudáveis e eficazes.
- Ensinar em contexto prisional: Motivações e desafiosPublication . Fernandes, Ana Rita Soares Pinto; Gaitas, SérgioA investigação “Ensinar em Contexto Prisional: Motivações e Desafios” explora as motivações e desafios dos professores em contexto prisional. Pretende identificar os fatores que motivam os professores a escolherem e permanecerem neste contexto, compreender os desafios enfrentados e verificar se as suas perspetivas em relação ao contexto mudaram ao longo do tempo. Parte-se da hipótese de que os desafios impactam na motivação docente. O estudo fundamenta-se nas Teorias da Expectativa-Valor (e.g., Alston et al., 2017; Miner, 2015; Van Eerde & Thierry, 1996; Watt & Richardson, 2015) e da Autodeterminação (e.g., Cernev & Hentschke, 2012; Deci & Ryan, 1985; Savolainen, 2018; Watt & Richardson, 2015). Foram realizadas 13 entrevistas estruturadas via Zoom com professores de várias regiões do país que lecionavam no ano letivo 2023/2024. A análise dos resultados foi efetuada com base na Análise de Conteúdo proposta por Bardin (1977). Os resultados indicam que os professores são motivados pelo desejo de impactar positivamente na vida dos alunos, isto é, de fazer a diferença e por uma forte necessidade de realização pessoal e profissional. Embora enfrentem dificuldades, encontram gratificação no seu trabalho, sendo influenciados por Fatores Humanos, Pedagógicos, Contextuais, Organizacionais e Políticos e de Formação. Conclui-se que, para aumentar a motivação e enfrentar os desafios, são necessários investimentos em formação, recursos e reconhecimento
