PSAU - Tese de doutoramento
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- Foodlit-pro: Food literacy project food literacy conceptualisation, assessment, and intervention with portuguese adultsPublication . Rosas, Raquel Alexandra Ferreira; Leal, Isabel Pereira; Pimenta, Filipa; Schwarzer, RalfIndividuals’ food-related education and empowerment is crucial not only to transform knowledge, competencies, and behaviours towards healthier and more sustainable food choices, but also to provide for skills that allow consumers to successfully navigate within food systems. The central aim of this dissertation was to contribute to further advancements in the field of food literacy by exploring its conceptual understanding, facilitate its assessment, and developing a theory-supported intervention. To this end, we developed a mixed-methods and sequentially designed project entitled ‘FOODLIT-PRO: Food Literacy Project’ that comprises three stages described in five chapters. Presented in chapters 2 and 3, Stage 1 demonstrated a wider outlook on the comprehension of food literacy, providing for a conceptual and empirical framework with a multidimensional definition of the construct, a characterisation of its determinants, and the identification of inter-sectorial fields of action. Described in chapter 4, Stage 2 allowed to translate the multifaceted conceptualisation of food literacy into a quantitative assessment tool, providing for an adaptable and validated measure to assess food literacy, its determinants, and influential factors in Portuguese adult samples. Presented in chapter 5 and 6, Stage 3 enabled the first known mapping of food literacy content into digitally delivered behaviour change techniques and allowed to verify the theoretical suitability of the Health Action Process Approach in predicting food literacy outcomes. These findings suggest that a broader approached should be taken when striving to promote food literacy, acknowledging the impact of surrounding areas and identified determinants. Emphasising the synergy between consumers’ food literacy and wider fields of action, the FOODLIT-PRO underlines the need to consider multidisciplinary approaches towards global food-related sustainability.
- O mundo dos intergaláticosPublication . Antunes, Rita Alexandra RosaA perspetiva organizacional e hierárquica de desenvolvimento socioemocional (Sroufe, 2005; Sroufe et al., 2005) e a investigação longitudinal (e.g., Bornstein et al., 2010; Jones et al., 2015; Trentacosta & Fine, 2010) reconhecem a importância das competências socioemocionais desenvolvidas na infância para a adaptação futura. As potencialidades da intervenção na infância média (Lucas & Soares, 2013) e a necessidade de programas de prevenção universais de menor duração conduziram ao desenvolvimento d’O Mundo dos Intergalácticos. Esta dissertação teve como objetivos: (1) avaliar as perceções dos psicólogos portugueses acerca da aceitabilidade d’O Mundo dos Intergalácticos (estudo empírico I); e (2) avaliar os benefícios da participação n’O Mundo dos Intergalácticos ao nível da redução dos problemas emocionais e comportamentais e da promoção de competências socioemocionais, na perspetiva de pais, professores e crianças (estudos empíricos 2 e 3). O estudo empírico 1 envolveu 19 psicólogos que foram distribuídos em quatro grupos focais. A análise temática dedutiva conduzida por dois investigadores independentes revelou que os psicólogos portugueses percecionaram as dinâmicas, conteúdos e materiais como aceitáveis, sugerindo apenas modificações menores no sentido de: (1) maximizar a generalização de competências, (2) acompanhar os progressos das crianças ao longo do tempo, e (3) atender às especificidades desenvolvimentais e às barreiras práticas ao envolvimento de pais e professores durante a implementação do programa de intervenção. No estudo empírico 2, participaram 11 professores de 171 crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos que preencheram o Teacher’s Report Form, antes e após os seus alunos participarem no novo programa de intervenção. Participaram ainda 43 mães de crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 11 anos que completaram o Child Behavior Checklist, em momentos de avaliação análogos aos dos professores. Os resultados mostraram que os professores percecionaram uma redução de magnitude pequena ao nível da psicopatologia geral, dos problemas de internalização e outros problemas (sociais e de atenção) e uma melhoria de magnitude pequena ao nível do rendimento escolar e da felicidade das crianças do pré para o pós-teste. Por sua vez, as mães percecionaram uma redução ao nível da psicopatologia geral e dos problemas externalizantes do pré para o pós-teste. O estudo empírico 3 incluiu 95 crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos, que preencheram a Escala de Depressão, Ansiedade e Stresse para Crianças e a escala Para mim é fácil. Os resultados mostraram que a participação no programa é percecionada como benéfica para a redução da sintomatologia psicopatológica e para a promoção das competências socioemocionais globais pelas crianças mais novas (8-9 anos) e mais velhas (10-12 anos) de ambos os sexos. Os resultados preliminares d’O Mundo dos Intergalácticos são promissores, quer no que se refere à sua aceitabilidade pelos profissionais que trabalham com o público-alvo, quer no que se refere aos seus benefícios, na perspetiva de diferentes informantes.
- Saúde digital para a gestão de peso : Investigação dos mecanismos psicológicos baseados na teoria envolvidos no impacto de uma intervenção digital na atividade físicaPublication . Paulo, Jorge Eduardo Conde Encantado; Gouveia, Maria João Pinheiro Morais; Marques, Marta Moreira; Palmeira, António LabisaA maioria dos adultos tende a recuperar o peso perdido ao fim de um ano, anulando os efeitos positivos da perda inicial (Avenell et al., 2004). A manutenção da perda de peso requer alterações comportamentais sustentadas como a prática regular de atividade física (Butryn et al., 2021; Reiner et al., 2013). As tecnologias digitais, como aplicações para telemóvel, constituem uma alternativa de intervenção para a promoção da gestão de peso com elevada escalabilidade e custo-benefício (Arigo et al., 2019; Wadden et al., 2020). As intervenções digitais são intervenções que utilizam estas novas tecnologias como meio facilitador da promoção da mudança de comportamentos com impacto na saúde (Michie & West, 2016). Para desenvolvermos intervenções mais eficazes, é necessário investigar minuciosamente quais os mecanismos de ação psicológicos que promovem a mudança e como o fazem (Arigo et al., 2019). No entanto, até ao momento, poucas intervenções de manutenção do peso perdido que promovem a atividade física reportam uma base teórica clara (i.e., um modelo lógico) baseado em teorias de mudança de comportamento. Neste contexto, o presente doutoramento elaborou três estudos que interligam: i) identificação dos componentes de intervenção usados em intervenções digitais e mapeamento das suas ligações (técnicas de mudança comportamental, dose, modo de entrega, personalização); ii) desenvolvimento de um questionário sobre o Conteúdo dos Objetivos para a gestão de peso, constructo conceptualizado na Teoria da Auto-determinação (Ryan & Deci, 2017); e iii) testagem de um modelo lógico elaborado no âmbito do estudo europeu NoHoW (M. M. Marques et al., 2020; Scott et al., 2019) que hipotetiza o impacto de uma intervenção digital nos mecanismos de ação psicológicos motivacionais e autorregulatórios, explorando assim como essas influências preveem os níveis de atividade física em adultos que tentam manter a perda de peso. Quanto à revisão da literatura realizada no primeiro estudo, encontrámos uma falha na sistematização do reporte de informações nos artigos que descrevem intervenções digitais, especialmente nas informações sobre as ligações entre as técnicas usadas e os outros componentes centrais da intervenção. Este facto pode dificultar a comparabilidade entre intervenções digitais e limita a interpretação dos seus resultados pois desta forma não sabemos com clareza que fatores contribuíram para o (in)sucesso da intervenção. Quanto ao terceiro estudo, o modelo lógico explicou uma pequena parte da variação nas mudanças pós-intervenção na atividade física. Encontrámos diferentes vias de influência nos mecanismos baseados na teoria, mas evidências limitadas de que estas relações entre os construtos impactam na mudança real de comportamento. Ao longo desse processo, um novo instrumento foi desenvolvido (estudo dois) para avaliar o conteúdo dos objetivos para a gestão de peso (i.e., intrínsecos ou extrínsecos) sendo que as propriedades psicométricas foram testadas e confirmadas, suportando a fiabilidade e a invariância multi-grupo da estrutura proposta de quatro fatores. Com este projeto foram identificadas lacunas na literatura sobre intervenções digitais de manutenção da perda de peso com promoção de atividade física. As conclusões apresentadas neste projeto são um passo importante para o desenvolvimento do processo de entendimento do que funciona ou não, como funciona e porquê. São necessárias novas abordagens para a padronização do reporte de informações sobre os componentes das intervenções digitais utilizando as recentes ontologias desenvolvidas, e também para a testagem das relações entre os mecanismos de ação e a atividade física. Várias alternativas são sugeridas e discutidas.
- Avaliação dos factores psicossociais em cuidadores familiares: estudo comparativo Brasil - PortugalPublication . Delalibera, Mayra Armani; Barbosa, António; Leal, Isabel PereiraOs cuidadores familiares desempenham um papel muito importante ao realizar os cuidados complexos exigidos por um doente em situação de doença avançada, incluindo a gestão e administração de medicamentos, cuidados de higiene, alimentação, cuidados físicos, transporte e ainda, por muitas vezes, regem as tarefas domésticas. Entretanto, cuidar de um familiar com uma doença terminal pode acarretar riscos para a saúde física e psicológica do cuidador, levando-o a estados de fadiga física e mental, ansiedade, depressão, stress, isolamento social, deterioração da saúde e da qualidade de vida. Tanto a vivência de prestação de cuidados quanto a experiência de luto após à perda do ente querido são influenciadas pelo contexto sociocultural em que estão inseridas. O principal objetivo desta investigação foi identificar, através de um estudo prospectivo e longitudinal, fatores psicossociais que poderiam afetar o processo de cuidar e a fase inicial do luto de cuidadores familiares de doentes em cuidados paliativos. Como objetivos secundários pretendeu-se verificar as possíveis alterações na percepção da sobrecarga do cuidador, no funcionamento familiar, no suporte social e na sintomatologia psicopatológica em dois momentos de avaliação e comparar os resultados entre a população de cuidadores familiares brasileiros e portugueses. A investigação foi dividida e apresentada em cinco estudos empíricos. Primeiramente foi realizada uma revisão sistemática da literatura sobre a sobrecarga do cuidador, a validação do instrumento de avaliação da relações familiares FRI (Family Relationship Index), e em seguida foi descrito a pesquisa realizada com a população de cuidadores familiares brasileiros, com a população de cuidadores portugueses e finalmente o artigo que engloba a comparação entre os dados coletados com os cuidadores familiares brasileiros e portugueses. A amostra total do estudo foi constituída por 135 cuidadores familiares, sendo 60 brasileiros e 75 portugueses. Os participantes foram avaliados em dois momentos, a primeira avaliação (T0) decorreu durante a fase de prestação de cuidados e o segundo momento de avaliação (T1) decorreu entre o primeiro e o segundo mês após o óbito do doente. A maioria dos cuidadores era do sexo feminino, casados, filhos do doente e coabitava com o mesmo, dedicava mais de 16 horas do seu dia aos cuidados ao doente, e tinham a percepção de pouco suporte prático por parte dos familiares ou amigos. Os cuidadores portugueses apresentaram níveis mais elevados de sobrecarga do que os brasileiros, e em ambas as populações, o maior nível de sobrecarga estava associada a mais sintomatologia psicopatológica e menor apoio prático. Nos cuidadores portugueses, a elevada sobrecarga estava relacionada com a percepção de falta de apoio emocional, o que não acontece no caso dos brasileiros. Em ambos os países, a percepção de maior apoio está relacionada com melhor funcionamento familiar. Na fase aguda de luto, os níveis de ansiedade e somatização da população brasileira decresceram, já em Portugal, os valores de sintomatologia mantiveram-se, atingindo níveis de ansiedade, somatização e sintomas peritraumáticos significativamente mais elevados comparativamente aos dos cuidadores brasileiros. Estes resultados confirmam a existência de diferenças culturais que importa aprofundar em futuros estudos.
- Gravidez e diagnóstico pré-natal: Impacto da realização de uma amniocentese em homens e mulheres grávidasPublication . Reis, Nuno Miguel Nunes da Rosa Freitas; Sá, EduardoInexistente
- Fatores determinantes no ajustamento psicológico ao desfiguramento facial adquirido : Importância da autorregulação, representação cognitiva, emoções e autoconceitoPublication . Mendes, José Carlos da Silva; Figueiras, Maria João; Moss, Timothy PeterA face desempenha um importante papel no quotidiano de todos os indivíduos, e a presença de um desfiguramento facial (diferenças visíveis na face), pode encaminhar o indivíduo a comportamentos de evitamento social, sofrer de ansiedade, depressão, vergonha, raiva, humilhação e isolamento. Apesar de o desfiguramento facial adquirido ter sido alvo de várias investigações na última década, são desconhecidos estudos realizados em Portugal. Pretendeu-se com este estudo, contextualizar o desenvolvimento do desfiguramento facial adquirido causado por doença (cancro cabeça e pescoço) ou originado pelo trauma (queimados, agressão, outros), apontando as teorias e modelos com maior contributo na avaliação e intervenção em indivíduos com diferenças visíveis na face. Foi ainda objetivo deste estudo, apresentar as propriedades psicométricas da Escala de Avaliação da Aparência de Derriford (DAS-24), considerado um instrumento de elevada pertinência na avaliação do sofrimento e dificuldades sentidas com a aparência. Por fim, pretendeu-se compreender a possível influência dos traços de personalidade no investimento esquemático e autoconsciência da aparência em indivíduos sem diferenças visíveis e por último, investigar e contribuir para uma melhor compreensão do ajustamento às diferenças visíveis na face, considerando as características da personalidade (neuroticismo, extroversão, abertura à experiência, amabilidade, conscienciosidade, afeto negativo/positivo e otimismo); autoconceito; perceção da satisfação com o suporte social; investimento esquemático e autoconsciência da aparência. Uma amostra de 508 participantes com idades compreendidas entre os 17 e 89 anos, preencheram um questionário para recolha de informação sociodemográfica, investimento esquemático e autoconsciência da aparência, permitindo apresentar a DAS-24 como uma escala psicometricamente robusta na avaliação da autoconsciência da aparência. Uma amostra de 214 participantes, com idades compreendidas entre os 17 e 64 anos, responderam a um questionário para recolha de informação sociodemográfica, dimensões da personalidade, investimento esquemático e autoconsciência da aparência. Por último, uma amostra de 67 participantes sujeitos a uma intervenção cirúrgica na face, responderam a um questionário para recolha de informação sociodemográfica; características da personalidade; perceção com o suporte social; autoconceito; investimento esquemático e autoconsciência da aparência, em dois momentos distintos de avaliação (durante o internamento e 12 meses após a cirurgia). Os resultados apresentam uma relação entre as características da personalidade e o investimento esquemático e a autoconsciência da aparência, quer na amostra clínica como na não clínica, onde a autoconsciência da aparência se expressa como um atributo relevante no ajustamento ao desfiguramento facial. Considera-se ainda que o autoconceito sofre também uma alteração por influência das crenças relacionadas com as preocupações com a aparência. Observou-se que a autoconsciência da aparência é influenciada por diversas variáveis, onde o indivíduo perante as diferenças visíveis na face regula os seus pensamentos e emoções. Salientase que o otimismo tem um efeito direto sobre a autoconsciência da aparência quando surgem as diferenças visíveis, sendo esse efeito direto substituído pelo afeto negativo ao longo do tempo. Esta investigação permitiu concluir que as características da personalidade; alteração do autoconceito e a regulação dos afetos, influenciam o investimento esquemático e autoconsciência da aparência, confirmando-se a complexidade e a diversidade de fatores que influenciam o ajustamento psicológico ao desfiguramento facial.
- Investigação-intervenção nos cuidados de saúde primários : A acessibilidade pedonal percebida e as estratégias cognitivas-comportamentais na prática de actividade física em adultos maiores de 65 anosPublication . Morais, Vera Paisana; Carvalho, Cláudia Maria Constante Ferreira deCom base nos últimos desenvolvimentos na área cognitivo-comportamental e nas contribuições do modelo ecológico de comportamentos de saúde na área da actividade física em adultos maiores de 65 anos, o presente trabalho procurou investigar a influência da acessibilidade pedonal percebida e a eficácia de três diferentes estratégias no incremento da actividade física numa amostra de pessoas com idade superior a 65 anos. Na primeira parte deste trabalho apresentamos o resultado de um estudo exploratório onde se pretendeu contribuir para a tradução para português e validação de um instrumento que permite avaliar a acessibilidade pedonal percebida - a percepção do espaço envolvente como sendo seguro, atractivo, próximo de transportes públicos e de outras estruturas relevantes, e acessível para caminhar - em maiores de 65 anos. A pertinência da existencia de um instrumento desta natureza prende-se com a noção de que os atributos percebidos do meio envolvente estão positivamente associados à prática de actividade física (Trost et al., 2002), assumindo especial relevância nas pessoas com mais de 65 anos. O primeiro estudo apresentado teve o propósito de adaptar, explorar a estrutura factorial e características psicométricas de uma escala de percepção da acessibilidade pedonal para adultos na idade maior (PAP+65). Participaram neste estudo 79 pessoas, 44 mulheres e 35 homens, com uma média de idades de 72,15 anos (DP=6,23), não institucionalizados, recrutados em três associações de apoio a adultos maiores de 65 anos, da região de Lisboa. Constituíram critérios de exclusão de participação neste estudo, o não saber ler e escrever e o défice cognitivo, avaliado com a versão Portuguesa do Mini Mental State Examination (Guerreiro, 1994). A participação foi voluntária e não remunerada. As medidas foram obtidas numa entrevista semiestruturada com a duração de aproximadamente 60 minutos. As variáveis socio-demográficas incluiram sexo, idade e rendimento mensal líquido. A variável prática de actividade física resultou do compósito do relato da frequência semanal e duração das sessões das 3 actividades físicas mais frequentemente praticadas. Foram realizadas questões relativas à percepção do número de horas dispendido sentado, a ver TV e de sono. A existência de diagnóstico de comorbilidades foi avaliada por resposta Sim/Não. Altura, peso e perímetro da cintura (PC) foram medidos pelo investigador e o índice de massa corporal (IMC) foi obtido pela fórmula P/A2. A acessibilidade pedonal percebida do bairro para caminhar foi avaliada com recurso a uma escala de 15 itens (Merom et al. 2009) com possibilidade de resposta entre 1-Discordo totalmente e 4-Concordo Totalmente, concebida especificamente para adultos maiores de 65 anos, adaptada da versão NEWS Australiana (Cerin, Leslie, Owen & Bauman, 2008). Apresenta-se a estrutura factorial e as características psicométricas da PAP + 65, tendo a Análise factorial Exploratória (AFE) identificado 4 factores: Proximidade de destinos (e.g. distância entre a habitação e estabelecimentos comerciais); Estética (e.g. espaços verdes, estética do bairro), Segurança (e.g. grau de inclinação na rua, trânsito e criminalidade), e Condições físicas do bairro (e.g. existência de passadeiras e sinalização para peões, transportes públicos, iluminação durante a noite). A solução adoptada de 13 itens apresenta uma variância total explicada de 65,64%, KMO= 0,67, e os valores de consistência interna dos quatros factores variaram entre 0,58 (Segurança) e 0,78 (Estética). Os resultados sugerem que a PAP +65 pode ser útil na avaliação da acessibilidade pedonal percebida em adultos maiores de 65 anos, quer em contexto de investigação, quer em intervenção na promoção da actividade física. A análise dos resultados dos scores na PAP+65 e os indicadores de saúde revelou que a baixa acessibilidade pedonal percebida do ambiente envolvente está associada a estar mais horas sentado, o bairro ter um cenário esteticamente pouco aprazível está associado a passar mais horas a ver TV; a existência de destinos acessíveis a uma curta distância a pé (por exemplo lojas) e um cenário estético aprazível estão positivamente associados à incidência da diabetes; e o não existirem lojas e outros destinos acessíveis a uma curta distância a pé da habitação está associado a um índice de massa corporal e perímetro da cintura superiores. Na segunda parte desta tese apresentamos os resultados de uma intervenção cognitivocomportamental com a duração de 24 semanas que visou promover a prática de actividade física com recurso à prescrição da prática de caminhada diária em pessoas maiores de 65 anos. Esta intervenção constituiu o âmago de um Projecto I&D financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia intitulado “Promoção da actividade física em idosos nos cuidados de saúde primários” (ref#PTDC/SAU-SAP/110799/2009). Participaram neste projecto 108 pessoas maiores de 65 anos, 61 mulheres e 47 homens, dos quais 44 entraram no estudo com o seu cônjuge. Os participantes eram utentes de cinco centros de saúde da região de Lisboa. A intervenção decorreu ao longo de 24 semanas, com seis sessões de acompanhamento face-a-face às 1ª, 4ª, 8ª, 16ª e 24ª semanas. Os participantes foram referenciados para o estudo pelos médicos de clínica geral do Agrupamento de Centros de Saúde de Oeiras- ACES Oeiras, com base nos seguintes critérios de inclusão: idade igual ou superior a 65 anos com necessidade de aumentar os seus níveis de actividade física e sem comorbilidade impeditiva da realização de caminhada diária. Foram referenciados 498 utentes de cinco centros de saúde, tendo sido admitidos no estudo 108 participantes, que foram distribuídos aleatoriamente pelas seguintes condições experimentais: Formulação de objectivos; Formulação de objectivos + Planos de acção e Formulação de objectivos + Planos de acção + Planos de coping para identificar e superar barreiras à practica da caminhada. Os participantes foram aleatorizados de acordo com o género e condição em que entravam no estudo (individual vs casal). Todos os participantes receberam um pedómetro e um caderno para registo diário do número de passos total do dia. A Análise Univariada de Covariância (ANCOVA) revelou que não houve diferenças entre as três condições experimentais, i.e, todas as estratégias foram igualmente eficientes no aumento do comportamento de caminhada diária. No total da amostra, o número total de passos realizados por dia aumentou 32,8% no final dos 6 meses face à baseline. Contudo a análise revelou que o comportamento de caminhada variou em função de ser realizado individualmente ou em casal. Para os participantes que realizaram a caminhada diária individualmente a Formulação de objectivos + Planos de acção + estratégias de coping foi a estratégia mais eficiente. Em contrapartida para os participantes que aderiram à intervenção enquanto casal, a estratégia mais eficiente foi apenas a de Formulação de objectivos. A acessibilidade pedonal percebida não revelou influência no comportamento de actividade física. Neste estudo obtivemos uma taxa de adesão de 72,2% e 27,8% de mortalidade experimental com uma distribuição equitativa entre a 4ª, 8ª, 16ª e 24ª semana.
- Agressão e vitimização em meio escolar : Contributos para a prevenção e intervençãoPublication . Rodrigues, Patrícia Andreia Gonçalves das Neves; Cardoso, Jorge Manuel Santos; Leal, Isabel PereiraObjetivo: Assente no modelo ecológico, este estudo pretendeu: investigar os fatores de risco e protetores para o desenvolvimento de comportamentos agressivos e de vitimização pelos pares; analisar a natureza das associações longitudinais entre as formas e funções da agressão, a vitimização e os sintomas internalizantes e, por fim; propor um programa interventivo, com estratégias multimodais, para o combate à agressão e vitimização no contexto escolar. Método: Adolescentes, entre os 11 e os 19 anos (M = 15, DP = 1,9), participaram em 4 estudos: dois em corte transversal: 1) caracterização das perceções de agressividade e estudo dos fatores de vulnerabilidade para as formas e funções da agressão, de acordo com o modelo ecológico (N= 851) e, 2) caracterização das perceções de vitimização, por tipo, frequência e severidade e identificação dos seus preditores, numa perspetiva ecológica (N=584); 3) um estudo transversal e longitudinal, onde se analisaram as relações entre a agressão, a vitimização, e o aumento de sintomas internalizantes (N=132); e, 4) um estudo prospetivo, orientado para análise dos resultados de um programa de intervenção desenvolvido para o combate à agressão e vitimização em meio escolar (N=132). As análises dos dados quantitativos foram realizadas com recurso a estatística descritiva, regressões lineares hierárquicas e aos testes t de Student para amostras emparelhadas e para amostras independentes. Todas as análises estatísticas foram efetuadas com o IBM SPSS Statistics. Resultados: Bons preditores do comportamento agressivo, o suporte social familiar e dos amigos, bem como o ambiente escolar, mostraram-se fatores protetores de agressão e vitimização nos adolescentes em estudo. Verificámos uma tendência similar entre rapazes e raparigas para o envolvimento em comportamentos agressivos, mas as últimas apresentaram uma maior propensão para serem vítimas de agressão relacional. Prospectivamente a agressão e a vitimização não evidenciaram um papel significativo no desenvolvimento de sintomas internalizantes, mas os sintomas depressivos mostraram ser preditores explicativos da agressão e da vitimização reativa. O programa de intervenção atingiu os objetivos propostos, visto ter-se verificado uma redução no número de situações problemáticas sinalizadas. Constatámos ainda uma diminuição significativa dos comportamentos agressivos diretos reativos, bem como da vitimização (direta e direta reativa). Conclusões: Este estudo contribuiu para a análise dos fatores preditores da agressão e da vitimização ao procurar discriminar as funções da agressão e um leque mais alargado de tipos de vitimização, por comparação com outros estudos que se têm focado mais nas formas diretas e relacionais da agressão e da vitimização. Os resultados obtidos contribuíram para os estudos longitudinais, onde se relacionam estas variáveis na fase da adolescência. Por fim, o programa de intervenção assinalou a importância de uma ação universal, na prevenção da agressividade e vitimização em meio escolar, com recurso a múltiplas estratégias interventivas, que aumentem o suporte entre os jovens e as suas famílias, os pares e a escola.
- Crescimento pós-traumático e crenças centrais em mulheres com cancro da mama : Um programa de intervençãoPublication . Ramos, Ana Catarina Marques Barge; Leal, Isabel Pereira; Tedeschi, Richard G.O cancro da mama, compreendido como um acontecimento traumático, pode potenciar diversas reacções negativas como respostas individuais ao processo de doença. Porém, na literatura, aumenta a evidência de mudanças positivas que ocorrem como resultado do coping individual com o cancro da mama - Crescimento Pós-Traumático (CPT). Diversos factores contribuem para o desenvolvimento de CPT, tais como, stress do acontecimento, disrupção de crenças centrais, ruminação intrusiva e deliberada, suporte social e expressão emocional. A intervenção em grupo potencia a reconstrução cognitiva, a expressão emocional e a percepção de crescimento individual após a doença oncológica. A presente investigação foi desenvolvida com os seguintes objectivos: a) implementação e avaliação de uma intervenção em grupo para facilitar o CPT; b) estudo do modelo de CPT, introduzindo novas variáveis: o stress do acontecimento e a percepção de doença; c) exploração dos factores que predizem a disrupção de crenças centrais. A amostra foi constituída por 205 mulheres (M = 54,32 anos; DP = 10,05) com diagnóstico de cancro da mama não metastático, divididas em grupo de controlo (n = 147) e grupo experimental (n = 58). A intervenção em grupo teve uma duração de 8 semanas e periodicidade semanal, e teve como principal objectivo a promoção de CPT. A avaliação das variáveis psicossociais (CPT, stress do acontecimento, sintomas de Perturbação Pós-Stress Traumático, disrupção de crenças centrais, ruminação, suporte social e expressão emocional) ocorreu em três momentos: baseline, 6 meses (após intervenção) e 12 meses depois (followup). Os instrumentos não aferidos para a população portuguesa foram validados no presente estudo. Os resultados do Modelo de Crescimento Latente evidenciaram um crescimento significativo de CPT desde o primeiro para o terceiro momento de avaliação, sendo que a participação no grupo de intervenção determina o aumento de CPT. Os resultados do Modelo de Equações Estruturais demonstraram que o stress do acontecimento e a percepção de doença contribuem para o modelo de CPT. A disrupção de crenças centrais é o principal preditor de CPT, sendo mediado pela ruminação intrusiva e deliberada. No âmbito da análise dos factores preditores da disrupção de crenças centrais, os resultados demonstraram que o stress do acontecimento, sintomas de Perturbação Pós-Stress Traumático, percepção de doença e realização de mastectomia são factores que conduzem à disrupção de crenças centrais. Em conclusão, esta investigação com desenho longitudinal proporciona importantes evidências empíricas sobre a eficácia desta intervenção em grupo no aumento de CPT, repercutindo-se em possíveis implicações sobre a viabilidade da aplicação desta intervenção em contexto hospitalar. A inclusão do stress e da representação emocional e cognitiva da doença no modelo de CPT evidencia a relevância de considerar estas variáveis em futuros estudos sobre CPT.
- Qualidade de vida, percepção de saúde, resiliência, auto-regulação e suporte social nos adolescentes portugueses com a doencça crónicaPublication . Santos, Teresa Cristina; Matos, Margarida Gaspar de; Simões, Maria Celeste; Machado, Maria do CéuThe impact of chronic disease on Quality of Life(QoL)/Health-related Quality of Life(HRQoL) and psychosocial functioning in adolescence is a complex phenomenon. This research work aimed to: 1) characterize QoL/HRQoL and psychosocial functioning in chronically ill adolescents at a national-representative level; 2) explore associations between chronic disease, QoL/HRQoL and psychosocial factors; and 3) characterize QoL/HRQoL and psychosocial functioning in chronically ill adolescents in a clinical context. This work comprised three phases. Phase I used cross-sectional data from the national study Health Behaviour in School-aged Children (2010), conducted in 5050 adolescents (52.3% girls, 14±1.85 years old). Comparisons between adolescents having/not having chronic disease were performed; afterwards within the chronically ill subgroup, adolescents feeling affected/not affected in school participation were compared. Individual-psychological variables (wellness perception, life satisfaction, psychological well-being) and also socio-contextual variables (satisfaction with family environment, perceived school performance, pressure with schoolwork and risk behaviours) were assessed. Phase II was a systematic review on the association between chronic disease, HRQoL and psychosocial factors. Phase III used crosssectional data collected in a clinical context in 135 adolescents (51.9% boys, 14±1.5 years old), with diabetes mellitus, allergic, or neurological diseases. Comparisons by type of chronic diseases were conducted, and then, between adolescents feeling affected/not affected in their school/social participation. HRQoL, psychosomatic health, resilience, self-regulation and social support were measured in this Phase. The main findings (set of nine scientific articles) suggested that: 1) at a national-representative level, adolescents with chronic diseases reported high risk on individual-psychological and socio-contextual outcomes, vs. healthy peers. The most vulnerable chronically ill adolescents were the older, girls, those with lower socioeconomic status and feeling affected in their school participation; 2) literature showed an association between having chronic disease in adolescence and negative HRQoL outcomes and psychosocial functioning, as well as lack of specific studies on adolescence as an independent age group; 3) in the clinical context, girls and adolescents who felt affected in their school/social participation, reported worse HRQoL outcomes and psychosocial functioning; no differences were observed by type of diseases. Considering the whole group, adolescents who felt affected in participation in school/social activities reported worse HRQoL, psychosomatic health, resilience, self-regulation and social support; girls had worse HRQoL and psychosomatic health, vs. boys. Psychosomatic health, resilience and self-regulation had a higher impact in some HRQoL’s dimensions for boys, whereas social support for girls. Overall, psychosomatic health, resilience, self-regulation and social support were positively associated with HRQoL, even when combined with clinical variables. These findings in Portuguese adolescents enhance the understanding of the impact of chronic disease on QoL/HRQoL and psychosocial functioning, underlining the role of protective factors on positive outcomes. It stressed as a current challenge for research and clinical practice, to include a routine assessment of these variables in adolescents, also suggesting a multidimensional and individualized approach, including self-reports to “give voice” to young people’s needs. Identifying impaired domains optimizes allocation of available resources and helps healthcare professionals to implement multidisciplinary and cost-effective interventions for psychosocial support. Ultimately, a wider framework with clinicians, schools, family, and peers is strongly suggested, particularly relevant for the Portuguese reality, since this assessment is not common and psychosocial interventions are still scarce.
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