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- Crescimento pós-traumático e crenças centrais em mulheres com cancro da mama : Um programa de intervençãoPublication . Ramos, Ana Catarina Marques Barge; Leal, Isabel Pereira; Tedeschi, Richard G.O cancro da mama, compreendido como um acontecimento traumático, pode potenciar diversas reacções negativas como respostas individuais ao processo de doença. Porém, na literatura, aumenta a evidência de mudanças positivas que ocorrem como resultado do coping individual com o cancro da mama - Crescimento Pós-Traumático (CPT). Diversos factores contribuem para o desenvolvimento de CPT, tais como, stress do acontecimento, disrupção de crenças centrais, ruminação intrusiva e deliberada, suporte social e expressão emocional. A intervenção em grupo potencia a reconstrução cognitiva, a expressão emocional e a percepção de crescimento individual após a doença oncológica. A presente investigação foi desenvolvida com os seguintes objectivos: a) implementação e avaliação de uma intervenção em grupo para facilitar o CPT; b) estudo do modelo de CPT, introduzindo novas variáveis: o stress do acontecimento e a percepção de doença; c) exploração dos factores que predizem a disrupção de crenças centrais. A amostra foi constituída por 205 mulheres (M = 54,32 anos; DP = 10,05) com diagnóstico de cancro da mama não metastático, divididas em grupo de controlo (n = 147) e grupo experimental (n = 58). A intervenção em grupo teve uma duração de 8 semanas e periodicidade semanal, e teve como principal objectivo a promoção de CPT. A avaliação das variáveis psicossociais (CPT, stress do acontecimento, sintomas de Perturbação Pós-Stress Traumático, disrupção de crenças centrais, ruminação, suporte social e expressão emocional) ocorreu em três momentos: baseline, 6 meses (após intervenção) e 12 meses depois (followup). Os instrumentos não aferidos para a população portuguesa foram validados no presente estudo. Os resultados do Modelo de Crescimento Latente evidenciaram um crescimento significativo de CPT desde o primeiro para o terceiro momento de avaliação, sendo que a participação no grupo de intervenção determina o aumento de CPT. Os resultados do Modelo de Equações Estruturais demonstraram que o stress do acontecimento e a percepção de doença contribuem para o modelo de CPT. A disrupção de crenças centrais é o principal preditor de CPT, sendo mediado pela ruminação intrusiva e deliberada. No âmbito da análise dos factores preditores da disrupção de crenças centrais, os resultados demonstraram que o stress do acontecimento, sintomas de Perturbação Pós-Stress Traumático, percepção de doença e realização de mastectomia são factores que conduzem à disrupção de crenças centrais. Em conclusão, esta investigação com desenho longitudinal proporciona importantes evidências empíricas sobre a eficácia desta intervenção em grupo no aumento de CPT, repercutindo-se em possíveis implicações sobre a viabilidade da aplicação desta intervenção em contexto hospitalar. A inclusão do stress e da representação emocional e cognitiva da doença no modelo de CPT evidencia a relevância de considerar estas variáveis em futuros estudos sobre CPT.