PFOR - Dissertações de Mestrado
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Percorrer PFOR - Dissertações de Mestrado por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "16:Paz, Justiça e Instituições Eficazes"
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- Alienação parental: Perceções de profissionais que intervêm com menores em perigoPublication . Varela, Filipa Alexandra Marques; Almeida, Telma SousaA Alienação Parental tem sido amplamente reconhecida como um fenómeno com consequências significativas para a saúde mental das crianças e dos progenitores rejeitados. Tem sido um termo apontado como controverso, apesar da crescente investigação sobre o fenómeno, devido à ausência de consenso em termos de definição e medidas para identificar o fenómeno. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo avaliar a autoperceção dos profissionais relativamente ao seu grau de familiaridade com o conceito de Alienação Parental e verificar se a familiaridade autopercecionada dos profissionais corresponde ao conhecimento real sobre o fenómeno e as suas crenças sobre o impacto do fenómeno. Adicionalmente, verificar de que forma as perceções e conhecimentos descritos variam consoante características sociodemográficas, como o sexo e os anos de experiência profissional na intervenção com crianças e jovens em risco. A amostra foi constituída por 188 participantes com idades compreendidas entre os 26 e os 67 anos e a recolha de dados teve por base um questionário sobre a Alienação Parental. Os resultados evidenciaram que a maior parte dos participantes se autopercecionam como familizarizados com o conceito. Não obstante, os participantes familizarizados e não familiarizados não diferiam em termos de conhecimento real do fenómeno. Adicionalmente, a Alienção Parental foi percecionada como uma forma de violência.
- As características psicossociais em função da natureza das condenações criminaisPublication . Lopes, Diogo Filipe Cavaco; Pereira, Miguel BastoO comportamento criminal é um fenómeno com características heterogéneas em termos de perpetuação e das necessidades de intervenção para a prevenção da reincidência. Nesse sentido, diferentes estudos apontam para a pertinência da exploração das características psicossociais e individuais em sujeitos com comportamentos criminais, de forma a compreender que fatores predispõem a atividade criminal e promovem a manutenção deste comportamento. Neste sentido, o presente estudo procura analisar e comparar as competências socias e emocionais e o autocontrolo em quatro grupos com diferentes condenações, consoante a sua tipologia e gravidade. A amostra foi constituída 367 indivíduos do sexo masculino, com idades entre 18 e 83 anos, a cumprir pena em 12 Estabelecimentos Prisionais de Portugal continental. Os participantes foram distribuídos por quatro grupos, segundo a natureza do crime cometido: 1) crimes não violentos; 2) crimes violentos (excluindo homicídio e crimes sexuais), 3) crimes sexuais e; 4) homicídios. Os resultados sugerem não existirem diferenças significativas nas competências sociais e emocionais entre os grupos de condenados. No entanto, foram encontradas diferenças nos níveis de autocontrolo. Indivíduos condenados por crimes violentos (excluindo homicídio e crimes sexuais) apresentaram um menor autocontrolo em comparação com os outros grupos. Esta investigação reforça a importância de uma avaliação e intervenção individualizada dos reclusos, tendo em consideração o tipo e natureza do crime cometido, e a necessidade de desenvolver programas de promoção do autocontrolo e regulação emocional.
- Autismo e o sistema de justiça: O impacto da empatia nas decisões de atribuição de penaPublication . Santos, Cláudia Filipa Machado; Almeida, Telma SousaO presente estudo teve como objetivo investigar o impacto da empatia dos jurados e do conhecimento sobre a identificação de condição de Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) na sua tomada de decisões sobre a severidade da pena atribuída a um ofensor acusado de violação. Participaram, no total, 202 indivíduos, que foram divididos em dois grupos: um que foi informado sobre a identificação de condição de autismo do réu, enquanto o outro não recebeu essa informação. Adicionalmente, todos os participantes completaram uma escala de empatia. Os resultados indicaram que a empatia foi significativamente associada à atribuição de penas menos severas, enquanto a informação sobre a identificação de condição de autismo não impactou significativamente a severidade da pena. Além disso, não foi observada interação significativa entre empatia e identificação de condição de autismo nas decisões de pena. Estes resultados sugerem que, em casos de alta carga moral, como crimes sexuais, a empatia dos jurados pode moderar a severidade da pena, contribuindo para a compreensão de como a empatia e informações sobre saúde mental influenciam resultados judiciais, destacando implicações para práticas judiciais mais justas.
- Coerência narrativa: Diferenças entre entrevistas com e sem protocolo NICHDPublication . Santos, Ana Catarina Costa; Almeida, Telma SousaO presente estudo pretende explorar como o recurso do protocolo do NICHD poderá influenciar a coerência narrativa das declarações infantis em declarações para memória futura. O estudo analisou 46 entrevistas com crianças entre os 3 e os 17 anos, alegadas vítimas de abuso sexual ou físico. Destas, 23 entrevistas foram conduzidas com base no protocolo do NICHD (Lamb et al., 2018) e 23 sem estrutura prévia. A investigação centrou-se na análise da coerência narrativa das recordações das crianças, considerando os componentes fundamentais da gramática da história e os elementos espaciais e temporais das suas declarações. A codificação foi realizada segundo o esquema de Brown et al. (2018), que define nove categorias: Cenário, Evento Inicial, Resposta Interna, Tentativa, Consequência, Reação, Marcadores Temporais Simples, Marcadores Temporais Complexos e Marcadores Descritivos, permitindo avaliar a presença e a organização dos elementos estruturais das narrativas infantis. A comparação entre os dois grupos de entrevistas revelou diferenças significativas na coerência narrativa. As entrevistas conduzidas com o protocolo do NICHD apresentaram níveis de coerência narrativa substancialmente superiores, incluindo um maior número de elementos da gramática da história, em comparação com as entrevistas não estruturadas. Assim, o uso do protocolo mostrou-se determinante para promover narrativas mais organizadas, completas e coerentes nas declarações das crianças. O estudo valida a eficácia do protocolo NICHD, promovendo entrevistas forenses mais coerentes, humanas e credíveis, e defende a sua implementação com formação, supervisão e práticas centradas na criança.
- “Defeito ou feitio?” O sexismo e a personalidade de estudantes universitários e a sua relação com crenças de violência sexualPublication . Franco, Rita Canteiro da Gama; Rodrigues, Andreia de CastroA Organização Mundial de Saúde define a violência sexual como um leque de ações, com vários graus, que pode variar deste o assédio verbal até à penetração forçada. Pode ocorrer a partir do uso de força física, intimidação, incapacidade da vítima para consentir, pressão social e coerção. A violência sexual trata-se de uma problemática de saúde pública, pode incorrer em qualquer contexto e tem como principal vítima, as mulheres. A presente investigação foi desenvolvida na tentativa de contribuir para a literatura desta temática a partir de um método quantitativo e foi conduzida com uma amostra de estudantes universitários (n = 166). Tem como objetivo entender os níveis de Sexismo Ambivalente, Traços de Personalidade e Crenças de Violência Sexual neste grupo, e a maneira como estas duas primeiras variáveis se podem relacionar com a terceira. Para tal, os dados utilizados foram recolhidos através da aplicação, via online, do Inventário de Personalidade de 10 Itens – Versão Portuguesa (TIPI-P), da Escala de Crenças de Violência Sexual (ECVS) e Inventário de Sexismo Ambivalente (ASI). Os resultados obtidos demonstraram que, houve diferenças entre sexos e cursos universitários, em todas as variáveis. Os homens apresentaram níveis superiores em todos os tipos de Sexismo, comparativamente às mulheres. Relativamente aos cursos, existem diferenças significativas, verificando-se que Economia apresenta níveis superiores de Sexismo Ambivalente, comparativamente a Psicologia e que Engenharia apresenta níveis superiores de Sexismo Hostil, comparativamente a Psicologia. Nos Traços de Personalidade, existem diferenças significativas entre sexos, sendo que as mulheres apresentaram níveis superiores de Amabilidade e os homens níveis superiores de Neuroticismo. Nos cursos, Psicologia apresentou níveis inferiores de Extroversão, comparativamente a Direito. No que toca às Crenças de Violência Sexual, os homens apresentaram mais crenças legitimadoras de violência sexual. No que concerne aos cursos, foram encontradas diferenças significativas em vários cursos, tanto no score total como nos cinco fatores da escala. Por fim, tanto o Sexismo Ambivalente como os Traços de Personalidade apresentaram relação com as Crenças de Violência Sexual. No entanto, a variável do Sexismo Ambivalente foi a única que revelou capacidade preditiva para as mesmas.
- Identificação de tipologias de comportamentos abusivos em ofensores sexuais de crianças com recurso à análise de classes latentesPublication . Gomes, Mariana Facote; Almeida, Telma SousaO abuso sexual de crianças constitui um grave problema de saúde pública, com elevada prevalência e consequências duradouras. Este estudo teve como objetivo identificar perfis de ofensores sexuais de crianças com base nas características dos comportamentos abusivos descritos em processos judiciais, e explorar a associação entre esses perfis e variáveis contextuais. A amostra foi composta por 203 processos-crime de abuso sexual de crianças arquivados em tribunais portugueses. Os dados foram analisados através de Análise de Classes Latentes, uma técnica estatística que permite identificar subgrupos homogéneos a partir de padrões comportamentais. Os resultados revelaram três perfis distintos: ofensores altamente intrusivos, caracterizados por comportamentos penetrativos e de elevada gravidade; ofensores moderadamente intrusivos, centrados em contacto físico não penetrativo; e ofensores minimamente intrusivos, nos quais predominam práticas como exposição sexual ou carícias corporais. Apenas a variável relativa à relação entre ofensor e criança revelou-se significativamente associada aos perfis, verificando-se que contextos de maior proximidade relacional estão ligados a padrões mais intrusivos. Este estudo constitui a primeira aplicação da Análise de Classes Latentes a processos judiciais de abuso sexual de crianças em Portugal, oferecendo contributos empíricos relevantes para a avaliação de risco, prevenção e intervenção diferenciada no contexto forense e clínico.
- Impacto das estratégias de estabelecimento de relação nos relatos de crianças vítimasPublication . Barbosa, Inês Monteiro; Almeida, Telma SousaO presente estudo investigou a influência do estabelecimento de relação (rapport-building) na quantidade de detalhes fornecidos por crianças vítimas, durante entrevistas realizadas no âmbito do procedimento das Declarações para Memória Futura (DMF), uma medida específica do sistema judicial português. A literatura enfatiza a importância do estabelecimento de relação em entrevistas investigativas como facilitador da comunicação, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Este estudo centrou-se em analisar o impacto de diferentes estratégias de estabelecimento de relação na quantidade de detalhes fornecidos pelas crianças, assim como a influência de fatores individuais e relacionais, incluindo a idade e sexo da criança, e a sua relação com o alegado ofensor (intrafamiliar vs. extrafamiliar). A amostra foi composta por 146 entrevistas de crianças entre os 3 e os 17 anos de idade, conduzidas em vários Tribunais Criminais Portugueses. Os resultados indicaram que o reforço positivo e o apoio emocional foram preditores significativos no aumento dos detalhes reportados, enquanto variáveis como a idade e o sexo da criança, assim como a sua relação com o alegado ofensor não demonstraram efeitos significativos na quantidade de informações fornecidas. Estes resultados sugerem que algumas estratégias de estabelecimento de relação parecem contribuir para uma maior riqueza de detalhes nos testemunhos infantis, independentemente de variáveis demográficas e relacionais. Este estudo reforça assim a importância do uso estruturado de estratégias de estabelecimento de relação em entrevistas investigativas com crianças, com implicações para o desenvolvimento de práticas de entrevista e políticas que garantam o apoio adequado a testemunhas infantis em contextos judiciais.
- O impacto do diagnóstico de autismo na credibilidade do testemunhoPublication . Júlio, Daniela Alexandra Bastos; Almeida, Telma SousaO presente estudo investigou o impacto do diagnóstico de autismo na credibilidade atribuída ao testemunho de uma alegada vítima de violação, analisando a influência da informação do diagnóstico e do sexo de jurados fictícios. O estudo contou com 261 participantes, distribuídos em três condições experimentais, onde leram vinhetas com relatos de vítimas com e sem diagnóstico de autismo e com e sem informação adicional acerca dessa condição. A análise de variâncias revelou que a condição “Sem Autismo” resultou numa maior credibilidade atribuída à vítima por parte dos participantes, e que a presença de informação diagnóstica apesar de ter tido um efeito positivo na credibilidade, não foi estatisticamente significativa. Além disto, verificou-se que as mulheres atribuíram uma maior credibilidade ao testemunho da vítima de uma maneira geral, em comparação com os homens, mas estas diferenças também não foram estatisticamente significativas. Os resultados evidenciam que comportamentos alinhados com expectativas sociais de reação à violação influenciam a perceção de credibilidade do testemunho da vítima de violação.
- O impacto da relação entre job crafting e autoeficácia sobre o bem-estar dos guardas prisionais portugueses.Publication . Morais, Marta Vanessa Costa; Rodrigues, Andreia de CastroO presente estudo investigou de que forma a autoeficácia e o job crafting influenciam o bem-estar afetivo no trabalho dos guardas prisionais portugueses. A pertinência da investigação é extrema, visto que a categoria profissional de guarda prisional em Portugal é reconhecida mundialmente como uma das atividades ocupacionais mais exigências, apresentando um elevado risco para a saúde mental e física dos profissionais. O estudo propõe-se a identificar a autoeficácia e o job crafting como recursos pessoais que podem mitigar este impacto negativo. O estudo adotou uma abordagem quantitativa e exploratória para testar as hipóteses propostas, incluindo um modelo de mediação. A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência e consistiu em 93 guardas prisionais portugueses de diversos estabelecimentos prisionais. As variáveis foram medidas por instrumentos validados: a Escala de Bem Afetivo no Trabalho para o bem-estar afetivo no trabalho, a Escala de Autoeficácia Geral (EAG) para a autoeficácia e o Job Crafting Questionnaire para o job crafting. As relações diretas foram testadas através de Correlações de Pearson, e o efeito mediador da autoeficácia foi examinado recorrendo ao Modelo 4 da macro PROCESS, utilizando 5000 reamostragens bootstrapping. Os guardas prisionais da amostra apresentaram níveis médios de autoeficácia, job crafting e bem-estar ocupacional, os testes de correlação foram estatisticamente significativos e positivos, sustentando as H1, H2 e H3. Verificou-se que a autoeficácia se correlaciona positivamente com o job crafting (r = .344, p = < .001), e que ambos predizem níveis superiores de bem-estar afetivo no trabalho. No caso da mediação, não se verificou um efeito da mediação da autoeficácia na relação entre o job crafting e o bem-estar, uma vez que o efeito indireto não foi estatisticamente diferente de 0. O estudo destaca a importância dos recursos pessoais e das práticas de redesenho do trabalho para promover o bem-estar num contexto profissional altamente exigente. A inexistência da mediação (H4) sugere que, no ambiente prisional, a força do contexto (exigências externas e conflito de papéis) pode ser tão dominante que o efeito mediado pela autoeficácia não se manifeste estatisticamente, deixando as relações diretas como os caminhos primários. Os resultados contribuirão para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no sistema prisional português.
- Palavras que magoam: Um modelo preditivo da agressividade verbal com base em variáveis psicossociais numa amostra comunitáriaPublication . Cruz, Marta Sofia Pascoal; Rodrigues, Andreia de CastroNos últimos anos tem-se observado um aumento significativo do discurso de ódio por todo o mundo. Apesar do crescente interesse científico, a investigação nesta área apresenta limitações. Neste sentido, a agressividade verbal tem sido considerada uma manifestação aproximada do fenómeno. Não obstante, destaca-se uma lacuna relativamente aos fatores psicossociais que podem estar associados à expressão da agressividade verbal. A presente investigação objetivou determinar os níveis de agressividade geral e verbal, empatia, compaixão, preconceito (polimorfo/sexual e sexismo), atitude multicultural e comportamentos antissociais, numa amostra comunitária; verificar a existência de disparidades de género ao nível das variáveis supramencionadas; e explorar as relações entre estes construtos psicológicos com vista à composição de um modelo preditivo da agressividade verbal enquanto possível manifestação associada ao discurso de ódio. A amostra final contou com 104 mulheres e 54 homens da população geral. Os resultados evidenciaram diferenças significativas ao nível da empatia, compaixão, preconceito polimorfo e sexismo, atitude multicultural e comportamentos antissociais, com as mulheres a reportar valores mais elevados, à exceção dos preconceitos polimorfo e sexismo e comportamentos antissociais, onde as pontuações dos homens foram superiores. De um modo geral, apuraram-se associações significativas entre a agressividade global e a dimensão verbal, tanto para a amostra total, como para as subamostras feminina e masculina. Detetaram-se também correlações significativas entre a agressividade verbal e o preconceito sexual apenas para a amostra total e subamostra masculina. Observaram-se, ainda, associações significativas entre a agressividade verbal e a compaixão para a amostra total e subamostra feminina. Verificou-se o mesmo padrão para as correlações encontradas entre a agressividade verbal e os comportamentos antissociais. O modelo de regressão sugeriu que a compaixão e o preconceito sexual representam fatores protetores, ao passo que a empatia e os comportamentos antissociais representam fatores de risco para comportamentos verbalmente agressivos.
