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- Vinculação, Amizade e Solidão em Adolescentes Portugueses: Perspetivas no Contexto DigitalPublication . Almeida, Tomás Reis Prudêncio Dias deA adolescência constitui uma etapa crucial do desenvolvimento, marcada por profundas mudanças nas relações sociais que influenciam fortemente o ajustamento emocional e a formação da identidade. O presente estudo investigou as associações entre representações de vinculação, qualidade da amizade e solidão em adolescentes portugueses, considerando igualmente os comportamentos online. Participaram 72 adolescentes, com idades entre os 10 e os 15 anos que preencheram questionários de autorrelato sobre a vinculação aos pais - Security Scale Questionnaire (SSQ; Kerns et al., 2015; Fernandes et al., 2020), a qualidade da sua melhor amizade - Friendship Quality Questionnaire (FQQ; Parker & Asher, 1993; Freitas et al., 2013), a solidão percebida nos contextos familiar e dos pares - Relational Provision Loneliness Questionnaire (RPLQ; Hayden-Thomson, 1989; Ribeiro et al. 2019), e informações sobre o seu comportamento online. Os resultados indicaram que representações de vinculação seguras se associaram positivamente à qualidade da amizade e negativamente à solidão. Amizades de maior qualidade associaram-se a níveis mais baixos de solidão, tanto no contexto familiar como no dos pares. Verificou-se ainda que a frequência de conversas online com amigos se relacionou negativamente com a solidão percebida entre pares, evidenciando a relevância da comunicação digital no ajustamento social dos adolescentes. Estes resultados reforçam o papel protetor da vinculação segura e das amizades de qualidade na redução da solidão, sublinhando a importância de integrar o contexto digital na compreensão das experiências relacionais na adolescência.
- Checklist Final: Ajustamento psicológico à reforma em pilotos de aviação comercial.Publication . Afonso, Sofia Deira de Sousa Morbey; Matos , LisaO presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto psicológico da reforma em pilotos de aviação comercial em Portugal, analisando as implicações desta transição na identidade profissional, no bem-estar e ajustamento psicológico. A investigação seguiu uma metodologia qualitativa, de natureza exploratória, baseada em entrevistas semiestruturadas realizadas a 30 comandantes reformados (28 homens e duas mulheres), de diferentes companhias aéreas. Através de análise temática foram identificados quatro temas principais: As duas faces da reforma, Reaproximação à família, Restruturação de identidade e Despedimentos e reforma antecipada. Os resultados sugerem que a reforma é vivida de forma ambivalente, combinando sentimentos de alívio, liberdade e reencontro com a vida pessoal com experiências de perda, nostalgia e desorientação. A centralidade da identidade profissional e o forte investimento vocacional na carreira surgiram como fatores determinantes no ajustamento psicológico, tornando o abandono do papel de piloto uma experiência emocionalmente desafiante. Elementos como a voluntariedade da decisão, o suporte familiar e a manutenção de interesses pessoais revelaram-se protetores, enquanto a falta de planeamento, as reformas forçadas, sobretudo durante a pandemia de Covid-19, e as dificuldades de articulação com a Segurança Social se destacaram como fatores de stresse e frustração. Os resultados reforçam a importância de compreender a reforma como um processo contínuo de reconstrução identitária, em que a continuidade de papeis significativos e o reconhecimento institucional assumem um papel central na promoção do bem-estar psicológico.
- Traços de autismo e prossocialidade- Efeito mediador da empatia e moralidadePublication . Cabrita, Ana Catarina Nascimento de Amorim; Von Humboldt, Sofiamorte é um fenómeno universal, inevitável e profundamente simbólico, cuja compreensão é essencial para entender como é integrada pelos indivíduos na sua existência. As atitudes face à morte refletem dimensões cognitivas, emocionais e existenciais que influenciam o modo como os indivíduos lidam com a finitude e o sentido da vida, podendo ser moldadas por diferentes fatores. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar as atitudes face à morte em jovens adultos, explorando as dimensões de medo, evitamento e aceitação, bem como os significados atribuídos ao fenómeno e estratégias de enfrentamento associadas. Método: Participaram 253 jovens adultos portugueses, com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos, que preencheram a Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes Face à Morte (EAPAM), o State-Trait Anxiety Inventory (STAI-Y) e um questionário sociodemográfico, complementados por entrevistas semiestruturadas realizadas a uma subamostra qualitativa. Resultados: Os resultados quantitativos indicaram a predominância da aceitação neutra, revelando uma compreensão racional e serena da finitude. Verificaram-se associações significativas entre a aceitação como aproximação e a religião e espiritualidade, bem como entre a aceitação como escape e experiências de risco de vida. O medo da morte não apresentou preditores significativos, sugerindo uma dimensão mais existencial e intrínseca. A análise qualitativa reforçou a complexidade e ambivalência das atitudes face à morte, revelando coexistência de medo, curiosidade e serenidade. O medo surgiu sobretudo associado à perda de vínculos afetivos, enquanto a aceitação refletiu processos de integração simbólica e procura de sentido. As estratégias identificadas incluíram evitamento, apoio emocional e transcendência simbólica, cuja eficácia percebida variou em função do grau de integração entre razão e emoção. Conclusões: Os resultados evidenciam a importância de promover espaços de reflexão sobre a morte, de modo a favorecer a maturidade existencial e o bem-estar psicológico em jovens adultos.
- Competências interpessoais e autoeficácia: Efeitos da prática deliberada em psicoterapiaPublication . Batista, Paula Cristina Marques; Sousa, Daniel Cunha Monteiro deProblema: A Prática Deliberada (PD) tem vindo a ganhar destaque como método de treino estruturado para o desenvolvimento de competências clínicas. Contudo, os seus efeitos na perceção de autoeficácia clínica e nas competências interpessoais facilitadoras (FIS) continuam pouco explorados, não sendo claros os benefícios para a autoperceção das competências clínicas por parte dos terapeutas em formação. Objetivos: Avaliar o impacto do treino de PD, na perceção da autoeficácia clínica (T-SES) e nas competências interpessoais facilitadoras (FIS-SR) de terapeutas em formação, bem como explorar a relação entre as melhorias percebidas nestas variáveis. Método: Estudo pré-experimental, com análise quantitativa e delineamento pré e pós-teste, envolvendo terapeutas em formação num curso de especialização avançada em psicoterapia (N = 22). A avaliação foi realizada através da Therapist Self-Efficacy Scale (T-SES) e do Facilitative Interpersonal Skills – Self-Report (FIS-SR). Paralelamente, efetuou-se a validação psicométrica preliminar da versão portuguesa da T-SES, incluindo a análise da consistência interna e a análise fatorial exploratória. Resultados: Verificou-se um aumento estatisticamente significativo na perceção da autoeficácia (p = .006; d = 0.65) após treino de PD, enquanto o FIS-SR não apresentou diferenças significativas (p = .099). Não se observaram correlações relevantes entre as melhorias nas duas medidas (p = .85). A T-SES apresentou excelente consistência interna (α = .92), embora a análise fatorial exploratória tenha indicado baixa adequação amostral (KMO = .198).
- Personalidade e influência do meio em suricatas: Implicações para a psicologia humanaPublication . Moreira, Luís Carlos Esteves; Carvalho, ConstançaEnquadramento: Nos suricatas, sabe-se que existem dois fatores de personalidade classificados como simpatia e agressividade, e um traço de personalidade classificado de exploração. Está por determinar se existem mais fatores de personalidade nomeadamente os Big Five que enquadram a personalidade humana. Tambem o enriquecimento ambiental de espécies em cativeiro é uma área de investigação relevante. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo avaliar se as dimensões de personalidade em suricatas são equivalentes às dimensões do modelo Big Five em humanos. Este estudo procurou tambem verificar se o enriquecimento ambiental diminui os comportamentos agressivos, e promove comportamentos pró sociais e de relevância adaptativa. Métodos: Foram observados sete indivíduos da espécie Suricata suricatta em cativeiro, com recurso à observação de comportamentos e registo dos mesmos no etograma da espécie. As observações foram feitas por amostragem focal rotativa com intervalos de 5 minutos, totalizando 10 horas de observação, divididas equitativamente entre pré e pós enriquecimento ambiental. Resultados: Verificaram-se diferenças significativas nos fatores de personalidade neuroticismo (X2KW(6)=14,894;p=0,021), agradabilidade (X2KW(6)=13,710;p=0,033) e abertura à experiência (X2KW (6)=13,446; p=0,036). A introdução do enriquecimento ambiental registou um aumento significativo nos comportamentos de forragear (Z=-3,846; p<0,001), escavar (Z=-3,813; p<0,001), descansar (Z=-3,548; p<0,001), locomoção (Z=-4,016; p<0,001), brincar (Z =-3,260; p<0,001) e agressividade (Z=-2,164; p=0,015). Conclusão: Os resultados indicam que os suricatas apresentam diferenças individuais estáveis compatíveis com quatro das cinco dimensões do Big Five, sugerindo a aplicabilidade deste modelo à espécie. O enriquecimento ambiental demonstrou impacto significativo em diversos comportamentos, reforçando a sua importância para o bem-estar animal.
