PCLI - Dissertações de Mestrado
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Percorrer PCLI - Dissertações de Mestrado por orientador "Afonso, José Abreu"
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- Hipoatividade/Impulsividade sexual em adultos vítimas de abuso sexual infantilPublication . Modesto, Mafalda Raquel da Silva; Afonso, José AbreuO abuso sexual na infância continua a ser uma realidade difícil de enfrentar, muitas vezes vivida em segredo, mas com um impacto profundo na sexualidade adulta. Este estudo procurou perceber se existem diferenças significativas — ao nível da hipoatividade e da impulsividade sexual — entre adultos que passaram por este tipo de trauma e aqueles que não, considerando as diferenças entre sexos. A investigação baseou-se numa amostra comunitária portuguesa de 70 participantes adultos (+18), aos quais foram aplicados instrumentos validados para recolher informações sobre o historial de abuso, o comportamento sexual e dados socioemográficos. Estamos perante um estudo quantitativo, correlacional e comparativo, onde foram utilizados os questionários Sexual Inhibition/Sexual Excitation Scales (SIS/SES) e Sexual Sensation Seeking Scale (SSSS). As análises foram realizadas com recurso ao SPSS (v27), através de testes paramétricos, e através de uma leitura teórica de enquadramento psicanalítico. Apesar de os resultados não terem revelado diferenças estatisticamente significativas, observou-se tendências descritivas relevantes: mulheres com historial de abuso sexual infantil apresentaram maior inibição sexual, enquanto os homens com historial revelaram maior tendência para impulsividade sexual. A maioria das vítimas não revelou o abuso na infância, tendo ocorrido sobretudo entre os 6 e os 12 anos. Por fim, podemos indicar algumas limitações neste estudo, nomeadamente o tamanho reduzido da amostra; a predominância de participantes do sexo feminino; entre outros. Ainda assim, podemos olhar para os dados obtidos como sendo pistas importantes para futuras investigações e reforçam a importância de compreender o impacto que um trauma destes pode ter na vida adulta.
- O impacto da dismorfia corporal no eu corporalPublication . Moreira, Cátia Alexandra Saíba; Afonso, José AbreuObjetivo: Analisar o impacto da dismorfia corporal no Eu Corporal. Revisão bibliográfica: A dismorfia corporal é definida como uma preocupação excessiva com um defeito corporal imaginário por parte da pessoa provocando sofrimento de forma incongruente, exigindo acompanhamento clínico. Este quadro fomenta no indivíduo a necessidade de esquivar este defeito ou da sua perceção, distorcida pelo sujeito, com acessórios, maquilhagem, gestos, bem como a necessidade extrema de verificar se o defeito se encontra presente através da observação repetida ao espelho. Este quadro leva a um afastamento da vida social pela vergonha e medo de ser descoberto. A compreensão do corpo na psicanálise, especialmente em casos de dismorfia corporal, envolve um olhar para além do aspeto físico. O foco, nestes casos, está antes dinâmicas inconscientes que moldam a perceção corporal, os comportamentos alimentares e a experiência da dor física como algo prazeroso. Por outro lado, à luz das neurociências, a dismorfia corporal remete para capacidade do cérebro atualizar a imagem corporal face às mudanças sensoriais, com base no fenómeno dos “membros fantasma”. O intuito deste trabalho é de entender o quão estão relacionados os padrões de beleza corporal em atletas com a relação entre as conexões cerebrais e o Eu Corporal. Metodologia: O trabalho consiste num estudo transversal, com evolução para um estudo longitudinal, com uma amostra de 30 participantes de atletas federados, de ambos os sexos que preenchem um questionário online com as seguintes provas: Escala de Autoestima de Rosenberg; BREQ-4; escala de CARSAL/CARVAL; DAS-14 e a aplicação do teste de Rorschach presencialmente.
- A Influência da satisfação com a parentalidade no desenvolvimento infantil: O papel mediador da vinculação seguraPublication . Terrin, Maria Eduarda de Meris; Afonso, José AbreuNas últimas décadas, a parentalidade tem vindo a assumir um papel central na investigação psicológica, sendo reconhecida como um dos contextos mais determinantes para o desenvolvimento humano. Partindo da perspetiva da teoria da vinculação (Bowlby, 1969/1982) e do modelo processual de Belsky (1984, 2014), o presente estudo procurou analisar de que forma a satisfação com a parentalidade influencia o desenvolvimento infantil, considerando o papel mediador da vinculação segura. Pretendeu-se compreender se pais e mães que experienciam maior satisfação no seu papel parental tendem a estabelecer vínculos mais seguros com os filhos e se essa qualidade vincular se reflete em níveis mais elevados de desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças. A amostra foi constituída por 60 cuidadores de crianças com idades compreendidas entre 1 e 6 anos, residentes em Portugal. Foram utilizados três instrumentos: a Parental Stress Scale (PSS; Berry & Jones, 1995), adaptação portuguesa de Algarvio et al., (2018); a Parent–Child Attachment Scale (PCAS; Cummings, 1980) e o Ages & Stages Questionnaires (ASQ-3; Squires et al., 2009). Os resultados indicaram uma associação negativa entre o stress parental e a vinculação, confirmando que cuidadores mais satisfeitos estabelecem vínculos mais seguros. Verificou-se ainda que a vinculação medeia parcialmente a relação entre satisfação parental e desenvolvimento infantil, sugerindo que a influência do bem-estar parental ocorre sobretudo através da qualidade da relação afetiva. A idade da criança e a escolaridade do cuidador emergiram como preditores significativos do desenvolvimento, reforçando o papel de fatores contextuais
- A influência de ser estrangeiro no processo de individuaçãoPublication . Sandro, Irene De; Afonso, José AbreuA migração e o exílio constituem experiências de profunda rutura psíquica, que transcendem a sua dimensão factual para se tornarem eventos simbólicos de grande impacto. Com base na psicologia psicanalítica e analítica, esta dissertação investiga o efeito destes fenómenos no processo de individuação. O objetivo central é compreender as dinâmicas psíquicas e simbólicas inerentes à experiência migratória e o modo como influenciam a constituição do Si mesmo do sujeito migrante ou exilado. A análise interroga ainda o papel do estrangeiro enquanto projeção da Sombra coletiva e os desafios clínicos que emergem no encontro entre analista e paciente quando o “estranho” se manifesta na relação terapêutica. Adotando um método qualitativo, assente na análise psicodinâmica, simbólica e hermenêutica de obras mitológicas, literárias e cinematográficas, o estudo elege como paradigma a figura de Medeia — mulher, feiticeira e bárbara. A sua história questiona a possibilidade de transformar a migração numa oportunidade de integração das polaridades psíquicas. O fracasso de Medeia no seu percurso de individuação ilustra como a pressão das projeções coletivas e a ausência de ressonância interior constituem um limite à realização do Si Mesmo. A reflexão final sublinha que em cada um de nós habita um estrangeiro, cuja integração é essencial para que não seja projetado sobre o outro, transformando o encontro com a Alteridade numa via de autoconhecimento e não num motivo de discriminação.
- Um triângulo a dois?: Triangulação psíquica em crianças de famílias monoparentais femininasPublication . Baltazar, Matilde Couchinho; Afonso, José AbreuAs famílias monoparentais femininas por opção têm vindo a aumentar nas últimas décadas. Ao não corresponderem às ideologias da família nuclear tradicional (casal heterossexual com filhos biológicos), levantam uma série de preocupações relacionadas com o bem-estar e com o ajustamento psicológico das crianças que crescem sem uma figura paterna. O Complexo de Édipo constitui-se como a fase primordial do desenvolvimento sexual infantil permitindo que a criança aceda aos objetos de desejo e às identificações. A criança compete com o objeto de identificação pelo objeto de desejo, concretizando um movimento psíquico triangular. O desenvolvimento do Complexo de Édipo é, portanto, necessário para o acesso à triangulação psíquica e para um funcionamento psíquico saudável. Face à escassez de literatura psicanalítica nesta temática, o presente estudo teve como objetivos principais descrever os processos intrapsíquicos das crianças de famílias monoparentais femininas por opção e explorar os papéis parentais destas famílias. Para tal, foram avaliados a diferenciação psíquica, a relação com o Terceiro, as identificações objetais, o acesso aos interditos, os objetos de desejo e os objetos de rivalidade. Neste estudo de tipo qualitativo, foram entrevistadas seis mães e seis crianças de famílias monoparentais femininas por opção e foi realizada uma Análise Temática reflexiva. Foram identificados sete temas principais e nove subtemas nas narrativas dos participantes. Os resultados sugerem que as crianças de famílias monoparentais femininas por opção acedem à triangulação psíquica e concretizam os conflitos edipianos e que as funções parentais não se encontram exclusivamente atribuídas a papéis familiares específicos. São discutidas as implicações teóricas e clínicas, assim como as limitações do estudo e sugestões para investigações futuras.
