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- Além da primeira infância: Funções psíquicas do objeto transicional na latênciaPublication . Eduardo, Taísa Filipa dos Santos; Afonso, José de AbreuA presente dissertação tem como objetivo compreender o sentido e a função do objeto transicional na fase da latência, a partir do estudo de caso de uma criança, Maria, e da sua relação com a boneca Lili. Partindo da teoria de Winnicott (1953) sobre os fenómenos transicionais, o trabalho procura explorar de que modo o objeto pode assumir novas funções psíquicas para além da primeira infância, especialmente em contextos de fragilidade vincular e de dificuldades nos processos de separação e individuação. A investigação baseou-se na aplicação da entrevista FANI (Free Association Narrative Interview), realizadas separadamente com Maria e com a sua mãe, Júlia, de modo a garantir que cada participante pudesse expressar-se livremente, sem influência direta da presença do outro. Esta estratégia metodológica permitiu captar as representações subjetivas individuais, tanto da criança como da mãe. Os resultados indicam que, no caso de Maria, o objeto não opera como transicional no sentido clássico, mas como objeto substitutivo e reparador, investido de uma função identitária e de contenção emocional. A boneca surge como um prolongamento do self e como tentativa de compensar falhas na relação primária com a mãe. Através da Lili, Maria cria simbolicamente um espaço de pertença e de origem, elaborando, no campo do brincar, uma história possível para si própria. O estudo oferece contributos teóricos e metodológicos relevantes: amplia a compreensão dos fenómenos transicionais para a fase da latência e demonstra a potencialidade do método FANI na escuta clínica de crianças. Apesar das limitações inerentes ao estudo de caso único e à sequência metodológica, a dissertação sublinha a importância de considerar o objeto transicional como um instrumento psíquico dinâmico, que acompanha o sujeito ao longo do desenvolvimento, sustentando o seu trabalho interno de simbolização, reparação e construção identitária.
- Um triângulo a dois?: Triangulação psíquica em crianças de famílias monoparentais femininasPublication . Baltazar, Matilde Couchinho; Afonso, José AbreuAs famílias monoparentais femininas por opção têm vindo a aumentar nas últimas décadas. Ao não corresponderem às ideologias da família nuclear tradicional (casal heterossexual com filhos biológicos), levantam uma série de preocupações relacionadas com o bem-estar e com o ajustamento psicológico das crianças que crescem sem uma figura paterna. O Complexo de Édipo constitui-se como a fase primordial do desenvolvimento sexual infantil permitindo que a criança aceda aos objetos de desejo e às identificações. A criança compete com o objeto de identificação pelo objeto de desejo, concretizando um movimento psíquico triangular. O desenvolvimento do Complexo de Édipo é, portanto, necessário para o acesso à triangulação psíquica e para um funcionamento psíquico saudável. Face à escassez de literatura psicanalítica nesta temática, o presente estudo teve como objetivos principais descrever os processos intrapsíquicos das crianças de famílias monoparentais femininas por opção e explorar os papéis parentais destas famílias. Para tal, foram avaliados a diferenciação psíquica, a relação com o Terceiro, as identificações objetais, o acesso aos interditos, os objetos de desejo e os objetos de rivalidade. Neste estudo de tipo qualitativo, foram entrevistadas seis mães e seis crianças de famílias monoparentais femininas por opção e foi realizada uma Análise Temática reflexiva. Foram identificados sete temas principais e nove subtemas nas narrativas dos participantes. Os resultados sugerem que as crianças de famílias monoparentais femininas por opção acedem à triangulação psíquica e concretizam os conflitos edipianos e que as funções parentais não se encontram exclusivamente atribuídas a papéis familiares específicos. São discutidas as implicações teóricas e clínicas, assim como as limitações do estudo e sugestões para investigações futuras.
