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- Que mundo vou deixar?: impacto psicológico do crescimento de movimentos de extrema-direita em mulheres torturadas pela pidePublication . Camões, Carolina Marques Vicente Dias; Matos, LisaIntrodução. O crescimento de movimentos de extrema-direita na atualidade constitui uma ameaça aos princípios democráticos e um potencial fator de risco para a coesão social e para a saúde mental da população. Em Portugal, este fenómeno político é percebido como especialmente ameaçador por ativistas que lutaram contra a ditadura do Estado Novo (1933-1974). Objetivo. Este estudo qualitativo explorou o impacto psicológico do atual contexto político português, caracterizado pela ascensão de partidos políticos de extrema-direita, nas visões do mundo de mulheres presas e torturadas pela PIDE pré-1974. Método. Dez mulheres ex-presas políticas, com idades entre 68 e 89 anos, foram entrevistadas entre fevereiro e maio de 2025. Resultados. Os dados foram analisados recorrendo à análise temática, tendo sido identificados três temas: (1) Desilusão democrática, associado à perceção da perda de pensamento crítico e do coletivo; (2) “Que mundo vou deixar?”, relacionado à aliança entre maternidade e ativismo político, e adaptação da luta ao envelhecimento; e (3) O legado da luta, associado com preocupações sobre transmissão da memória da resistência e desilusão com uma juventude que percecionam como distante dos valores democráticos. Discussão. Os resultados, interpretados segundo o modelo teórico de atribuição de sentido de Park (2010), sugerem que o ajustamento psicológico das participantes envolve um processo contínuo de reorganização de sentido perante o presente contexto político. A perceção de ameaça à democracia é seguida por estratégias de reafirmação de valores e preservação identitária, com implicações clínicas e sociais para a compreensão dos processos de ajustamento psicológico e preservação da memória coletiva.
