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- Rumo ao desejo: Narrativas sobre práticas, motivações e sexualidades BDSMPublication . Silva, Paulo Biscaia Frazão Ramos da; Duarte, EvaO estudo do BDSM, definido como um conjunto de práticas consentidas de roleplay de natureza física, psicológica e sexual, tem vindo a sofrer alterações profundas, focando-se progressivamente numa perspetiva não-patologizante destes fenómenos. Apesar deste crescente foco investigacional, várias questões mantêm-se em aberto, particularmente em relação às modificações que se operam nestas práticas ao longo do ciclo de vida. Objetivo: Assim, o presente estudo pretende aprofundar três temas distintos: as perceções das motivações que levam a estas práticas, o desenvolvimento das fantasias e atividades ao longo do ciclo de vida e as narrativas relativas a fatores facilitadores e inibidores de mudanças percebidas. Método: Foram realizadas entrevistas a nove praticantes de BDSM, com idades compreendidas entre os 25 e os 69 anos (M = 44,11; DP = 14,4), tendo estas sido posteriormente sujeitas a uma análise de conteúdo. Resultados: Os participantes destacaram um conjunto alargado de benefícios de natureza interpessoal e intrapessoal, abrangendo uma melhor comunicação, sensações de relaxamento e um maior grau de autoconhecimento. Destacou-se igualmente o papel do consentimento e da segurança na compreensão destas práticas e o papel preponderante que desempenham. As mudanças das práticas BDSM relatadas pelos participantes remeteram principalmente para a expansão do reportório de interesses ao longo do ciclo de vida e traduziram a forte influência das relações interpessoais neste processo. As crenças sobre a origem do interesse em BDSM relatadas refletiram o potencial para a ocorrência simultânea de narrativas essencialistas e construtivistas. Conclusão: Globalmente os resultados dão indicação do BDSM como um fenómeno heterogéneo, cuja modificação ao longo do ciclo de vida é profundamente influenciada por fatores interpessoais.
- Masculinidade tradicional e os seus efeitos no bem-estar emocional: Conformismo e atitudes de homens e mulheres em PortugalPublication . Cristóvão, Mariana dos Santos; Von Humboldt, SofiaAs normas tradicionais de masculinidade estão há muito associadas tanto às desigualdades interpessoais como às consequências psicológicas individuais. Objetivo: Baseado no Paradigma da Tensão dos Papéis de Género e no modelo Expectativa- Discrepância-Ameaça recentemente proposto, este estudo pretende analisar as relações entre a conformidade com as normas masculinas tradicionais, as atitudes sexistas e o bemestar emocional em adultos em Portugal. Metodologia: Um total de 191 participantes preencheram o Inventário de Conformidade com as Normas Masculinas (CMNI-22), o Inventário de Sexismo Ambivalente (ASI-22) e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI-18). Resultados: Os resultados indicaram que não se verificaram correlações significativas entre a CMNI-Total e o BSI_Total, tanto nos homens (ρ = – .038, p = .779) como nas mulheres (ρ = .104, p = .233). Contudo, observou-se uma associação positiva entre CMNI-22 e ASI-22, mais forte no grupo masculino (r = .476, p < .001) do que no feminino (ρ = .222, p = .010). No que respeita à correlação entre ASI_Total e BSI_Total, não foram encontradas resultados significativos nem nos homens (ρ = .056, p = .678) nem nas mulheres (ρ = .110, p = .206). Quanto à comparação entre sexos, verificou-se que as mulheres apresentaram níveis mais elevados de ansiedade e somatização, mas não de depressão. A análise em clusters identificou três perfis distintos: um grupo com baixa conformidade e baixos níveis de sexismo e sintomatologia; um grupo com elevada conformidade e sexismo e bem-estar emocional moderado; e um grupo com níveis mais elevados de sofrimento psicológico. Conclusões: Embora não se tenham verificado associações significativas entre a conformidade com as normas de masculinidade tradicional e o bem-estar emocional, verificou-se uma relação positiva entre esta conformidade e as atitudes sexistas, particularmente entre os homens. Estes resultados reforçam a influência das normas masculinas tradicionais na manutenção de crenças sexistas, ainda que não se traduzam diretamente em sofrimento psicológico. Tais dados podem refletir processos de minimização e negação emocional associados à socialização masculina e às normas de controlo emocional. No geral o estudo contribui para a compreensão das dinâmicas entre a masculinidade, o sexismo e o bem-estar emocional no contexto português, evidenciando a necessidade de promover modelos de masculinidade mais flexíveis e igualitários.
- Vinculação, regulação emocional e sintomas psicopatológicos dos cuidadores familiares no contexto de doença avançadaPublication . Fino, Leonor Sequeira; Coelho, Alexandra MouraOs estudos existentes avaliam o papel da regulação emocional na relação entre os estilos de vinculação e sintomatologia ansiosa e somatização, contudo, nenhum destes estudos é focado nos cuidadores familiares. Por isso, este trabalho centra-se especificamente nos cuidadores familiares adultos de pessoas com doença avançada. Apresenta como objetivo compreender o papel da regulação emocional enquanto variável mediadora na relação entre os estilos de vinculação e os sintomas psicopatológicos (ansiedade, depressão, somatização, trauma e luto antecipatório) nos cuidadores familiares adultos de pessoas com doença avançada. Método: Os participantes são cuidadores familiares adultos de pessoas com doença avançada. Alguns cuidadores familiares foram recrutados de forma presencial, enquanto outros cuidadores familiares foram recrutados no formato online, seguindo-se o modelo de amostragem por conveniência e snow-ball. A recolha realizou-se no Hospital de Santa Maria, Clínica São João de Ávila e no Hospital Garcia da Horta. Os estilos de vinculação foram avaliados através da Escala de Vinculação do Cuidador Familiar (EVCF), os sintomas de ansiedade e depressão foram avaliados através da Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar (HADS), a regulação emocional avaliada através do Questionário de Regulação Emocional (QRE), a somatização foi avaliada através do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BS1-18), o trauma foi avaliado através da Escala do Impacto Revista (IES-R 6) e, por último, o luto antecipatório foi avaliado através do PG-12. Resultados: A supressão emocional encontra-se correlacionada positivamente com toda a sintomatologia psicopatológica enquanto a reavaliação cognitiva apenas se correlaciona positivamente com a sintomatologia depressiva. Em relação aos cuidadores com um estilo de vinculação seguro, não se confirmou que recorriam mais à reavaliação cognitiva. Já os indivíduos com um estilo de vinculação inseguro, confirmou-se que recorriam mais ao uso da supressão emocional. Relativamente ao papel mediador da regulação emocional, a supressão emocional medeia a relação entre os estilos de vinculação e a sintomatologia ansiosa e o trauma, uma vez que apenas apresentou significância estatística nestes sintomas. Na reavaliação cognitiva, não se confirmou o seu papel mediador entre os estilos de vinculação e a sintomatologia.
- Envelhecimento a dois: A satisfação conjugal ao longo do ciclo vital da família e o coping diádico em casamentos de longa duraçãoPublication . Amaral, Michelle Gurgel; Von Humboldt, SofiaObjetivos: Este estudo qualitativo tem como objetivo geral explorar as perspetivas de cônjuges em casamentos de longa duração a respeito da satisfação conjugal ao longo do ciclo vital da família e do coping diádico. Os objetivos específicos são: 1) explorar os significados atribuídos pelos cônjuges à satisfação conjugal; 2) analisar as perspetivas dos mesmos sobre o percurso da satisfação conjugal ao longo do ciclo vital da família, com foco na fase atual; 3) compreender as estratégias de coping diádico em casamentos de longa duração, considerando a sua manifestação ao longo do tempo; e 4) explorar de que forma essas estratégias podem influenciar a satisfação conjugal. Método: A amostra é constituída por 40 participantes, correspondentes a 20 casais em casamentos de longa duração. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas individuais, gravadas em áudio e, posteriormente, transcritas. Para a análise de dados, recorreu-se à análise temática reflexiva. Resultados: Foram desenvolvidos nove temas: 1) O percurso conjugal como conquista; 2) Realizações dos descendentes como fonte de satisfação conjugal; 3) Construção da satisfação conjugal em parceria; 4) Trajetórias da satisfação conjugal ao longo do ciclo vital da família; 5) Significados da satisfação conjugal e sentimentos em transformação; 6) Coping diádico em conjunto; 7) Autoperceção vs. perceção do outro acerca do coping diádico; 8) O coping diádico através do tempo; e 9) Efeitos prolongados vs. efeitos pontuais do coping diádico. Conclusões: Este estudo evidenciou a subjetividade das perspectivas dos cônjuges em casamentos de longa duração, destacando o caráter dinâmico da satisfação conjugal e das estratégias de coping diádico.
- Trabalhar à sombra do erro: Perfecionismo, síndrome do impostor e o efeito mediador do medo de falhar em treinadoresPublication . Leonel, Ana Beatriz Meneses; Almeida, PedroA presente dissertação tem como objetivo estudar a relação entre Perfecionismo e a Sindrome do Impostor, e o efeito mediador do Medo de Falhar nesta relação. Participaram 231 treinadores, com idades entre 18 e 73 anos (M = 37.21, DP = 13.27), maioritariamente homens (81.8%), de 22 modalidades, sobretudo em contexto amador (75.3%). Para a recolha de dados, foram utilizados como instrumentos, a Sport Multidimensional Perfectionism Scale (Sport-MPS-2) (Gotwals et al., 2010), validada e adaptada para a população portuguesa por Laranjeira (2020) e adaptada neste estudo para treinadores, a versão adaptada por Ruivo (2022) da Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS) (Clance, 1985) e a versão adaptada por Correia et al. (2016) da Performance Failure Appraisal Inventory (PFAI) (Conroy, et al. 2002). Os resultados mostram que existe uma associação positiva e estatisticamente significativa entre perfecionismo e síndrome do impostor. O mesmo se encontrou entre perfecionismo e medo de falhar, e medo de falhar e síndrome do impostor. Para além disto, verificou-se um efeito mediador do medo de falhar entre o perfecionismo e a síndrome do impostor. Os resultados apontam ainda para a importância de se trabalhar a reinterpretação do erro e a valorização do eu, reduzindo crenças de desvalor e vergonha de errar em treinadores.
- Vivências de sexualidades kinky: Autoidentificação e sentimento de pertença comunitária em adultos portuguesesPublication . Duarte, Mariana Rita Serra; Duarte, EvaApesar da sexualidade constituir uma dimensão central da experiência humana, expressões como kink continuam a ser alvo de estigma e invisibilidade social. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre fantasias, atividades e papéis kinky, explorando o papel da autoidentificação como kinky e do sentimento de pertença comunitária. Os participantes (N=430), com idades entre 18 e 63 anos (M=29.2), responderam ao Inventário de Fantasias e Atividades Kinky (IFAKBDSM), ao Índice de Sentimento de Comunidade II (versão adaptada) e a um questionário complementar sobre práticas, papéis e pertença comunitária. Os resultados indicam uma prevalência muito elevada de fantasias (91.6%) e atividades (87.4%), destacando-se submissão, dominação, masoquismo e fetichismo como as mais comuns. Verificaram-se diferenças significativas em função do género e da orientação sexual, bem como maior envolvimento em participantes residentes em meios urbanos. A autoidentificação como kinky associou-se a maior frequência de fantasias e atividades, maior concretização e diversidade de práticas, embora a consistência dos papéis tenha sido superior nos não identificados como kinky. A pertença comunitária, reportada por 10.9% da amostra, associou-se a maior concretização e frequência de práticas, mas também a maior fluidez dos papéis. As implicações para a prática clínica, limitações e direções futuras serão discutidas, com foco na necessidade de abordagens kink-affirmative e despatologizantes.
- O papel da vinculação na dependência emocional. O efeito mediador da autoestima.Publication . Esteves, Diana Franco; Trigo, MiguelApesar de a vinculação ser um tema abundantemente investigado, o estudo da sua relação com a dependência emocional é mais escassa. A dependência emocional, por seu turno, também é um tema atual que engloba comportamentos socio emocionais de grande importância para a educação social, uma vez que pode desencadear outras perturbações ao longo do ciclo de vida. A presente investigação tem como objetivo perceber como é que na idade adulta os padrões de vinculação previamente estabelecidos podem contribuir para o desenvolvimento de dependência emocional, considerando o impacto mediador que a autoestima pode ter. Trata-se de um estudo quantitativo e correlacional, com corte transversal. A amostra constitui-se por 223 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos. Foram aplicados cinco instrumentos, entre eles, o questionário sociodemográfico, um questionário de caracterização dos relacionamentos, o Questionário de Dependência Emocional (QDE), a Escala de Vinculação em Adultos (EVA), a Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR). Os resultados indicaram que níveis mais elevados de ansiedade vincular se associam a maior dependência emocional, enquanto o conforto com a proximidade e a confiança nos outros se relacionam com padrões mais seguros e menos dependentes. Verificou-se ainda que a autoestima desempenha um papel mediador parcial nestas relações, reforçando a sua importância como fator de vulnerabilidade ou de proteção nas dinâmicas afetivas. Em conjunto, estes resultados sugerem que intervenções focadas no fortalecimento da autoestima e na promoção de vínculos seguros podem contribuir para a redução de comportamentos de dependência emocional e para o desenvolvimento de relações mais equilibradas e satisfatórias.
- Discrepância do desejo sexual em relações lésbicas de longa duraçãoPublication . Câmara, Ágata Mafalda Bento Rodrigues da; Carvalheira, Ana AlexandraEm relações de longa-duração já é conhecido que o desejo sexual das mulheres vai diminuindo ao longo da relação (Arenella et al., 2024; Carvalheira, 2016; Ciritel, 2022; Gabb, 2019; Mark & Lasslo, 2018; Schmiedeberg, 2015; Štulhofer et al., 2022;), mas isto muitas vezes distingue aqueles que têm uma alta ou baixa satisfação com a relação. Há uma clara diferença quando a discrepância é vista pelo casal como problemática ou não e que, com isto, cause sofrimento pessoal a um ou os dois membros do casal. Como consequência, irá afetar e refletir na satisfação da relação. É importante ter em consideração que a forma como os casais expressam o desejo poderá ser muito diferente, uma vez que o desejo é multifacetado e as pessoas podem experienciá-lo de forma diferente e em diferentes contextos. No caso de casais lésbicos, existe uma ausência de scripts normativos e podem aqui ser influenciados os papéis de género, dentro da relação homossexual. Existem alguns gaps na literatura, especificamente no que diz respeito a casais lésbicos. Este estudo pretendeu investigar de que forma a discrepância impacta a satisfação sexual dentro do casal, sendo que esta questão difere de autor para autor. Realizou-se uma análise temática baseada em 14 entrevistas a 14 pessoas (5 casais e 4 pessoas individuais) para obter informações mais relevantes sobre as experiências dos casais. Os temas encontrados nesta análise prenderam-se com a satisfação sexual e na relação; motivações sexuais; frequência/discrepância do desejo sexual; discrepância do desejo sexual; conflito; mudança de fases de vida; saúde física e mental; turn-ons e turn-offs; papéis e expectativas de género; intimidade/cumplicidade; comunicação e estratégias.
- Behind gender dysphoria – A qualitative study on detransitionPublication . Soares, Noah Lobão Ribeiro; Von Humboldt, SofiaDespite increasing clinical attention, research on detransition remains in its early stages. This qualitative study aimed to explore clinicians’ experiences of working with detransitioners, focusing on the most recurrent themes and psychological patterns encountered in therapy and the patients’ emotional experience; and to examine aspects that may not be adequately addressed by the Gender-Affirming Care Model (GAMC) in light of the recent increase in detransition cases. Semi-structured interviews were conducted with five clinicians experienced in working with individuals who had detransitioned, and data was analyzed using Reflexive Thematic Analysis. Participants collectively reflected on 41 detransition cases. For the first objective, findings revealed that gender-related distress and core experiences of detransition are rooted in intersecting social (e.g. feelings of being different – 80%, relational patterns – 40%), psychological (e.g. negative emotional experiences – 100%, internalized rigid thinking patterns – 40%) and corporeal (e.g. same-sex attraction – 60%) dimensions. The results further suggest that, for some, adopting a transgender identity can serve as protective factor (80%) to manage psychic pain; and how medical transition can prove to be insufficient in addressing the underlying concerns resulting in the disintegration of the transgender identity (80%) over time. Still in relation to the first objective, the experience of detransition was described as not homogeneous (100%), encompassing emotional aspects (acceptance – 60%, experiences of grief and courage – 80%), reconnection with the natal sex (irreversibility of medical transition – 60%, well-being – 100%), and social impacts (80%). For the second objective, findings revealed two overarching themes: Gender Affirming Model of Care (e.g., profoundly flawed – 100%, disregards psychological dynamics – 80%, rigid – 60%, not prone to full consent – 20%, unethical and unregulated implementation – 20%) and Alternative approaches (e.g., exploration and individuality – 80%, relation and acceptance – 60%). Implications for clinical practice and future research are discussed, including the importance of integrating psychodynamic understanding into gender-related care and addressing the long-term impacts of medical transition.
