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Fiction is the lie through which we tell the truth: the experience of fictional identification in adolescence

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Resumo(s)

This study examined how adolescents experience and interpret their identification with fictional characters and worlds. Anchored in an existential–phenomenological framework, fiction was approached as a symbolic arena where identity, morality, and belonging unfold. Using Interpretative Phenomenological Analysis (IPA), semi-structured interviews were conducted with eight adolescents aged 16 to 17 from an international school context. Findings revealed that adolescents engage with fiction as a developmental and existential space of becoming. Through identification, they revisited past selves, explored moral tensions, and rehearsed possible futures. Fiction was not experienced as separate from reality but as its extension—an “as-if” world where emotion, embodiment, and imagination converge. Themes of recognition, authenticity, and transformation emerged as central: fiction mirrored adolescents’ evolving identities, offered belonging where reality withheld it, and provided symbolic experiments in freedom and responsibility. Fictional identification thus appears as a lived, interpretative practice that allows adolescents to articulate who they already are in the process of becoming. Fiction is not an escape from reality but its most reflective continuation, mediating the dialogue between imagination and existence.
Este estudo examinou como os adolescentes experienciam e interpretam a sua identificação com personagens e mundos fictícios. Assente numa estrutura existencial-fenomenológica, a ficção foi abordada como uma arena simbólica onde se desenrola a identidade, a moralidade e a pertença. Recorrendo à Análise Fenomenológica Interpretativa (AFI), foram realizadas entrevistas semiestruturadas a oito adolescentes dos 16 aos 17 anos de um contexto escolar internacional. Os resultados revelaram que os adolescentes se envolvem com a ficção como um espaço existencial e de desenvolvimento do devir. Através da identificação, revisitaram os seus “eus” passados, exploraram tensões morais e ensaiaram futuros possíveis. A ficção não foi vivida como separada da realidade, mas como a sua extensão—um mundo "como se" onde convergem a emoção, a corporização e a imaginação. Temas de reconhecimento, autenticidade e transformação emergiram como centrais: a ficção espelhava as identidades em evolução dos adolescentes, oferecia pertença onde a realidade a negava e proporcionava experiências simbólicas de liberdade e responsabilidade. A identificação ficcional surge, portanto, como uma prática interpretativa vivida que permite aos adolescentes articular quem já são no processo de se tornarem. A ficção não é uma fuga à realidade, mas antes a sua continuação mais reflexiva, mediando o diálogo entre a imaginação e a existência.

Descrição

Dissertação de Mestrado apresentada no ISPA – Instituto Universitário para obtenção de grau de Mestre na especialidade de Psicologia Clínica

Palavras-chave

Fictional identification adolescence phenomenology meaning-making authenticity Identificação ficcional adolescência fenomenologia construção de sentido autenticidade

Contexto Educativo

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