| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 9.74 MB | Adobe PDF |
Orientador(es)
Resumo(s)
O presente estudo "atitudes de professores do ensino básico (EB) face à inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) na sala de aula", aborda os conceitos de Atitude, Educação Especial, Inclusão Escolar e Qualidade na Educação.
Foi realizada uma revisão da literatura, envolvendo o conceito de atitude e a sua relação com a inclusão dos alunos com NEE. Embora alguns estudos contradigam outros, parece possível afirmar que as atitudes dos professores quando positivas facilitam a inclusão dos alunos com NEE na escola e na sala de aula.
Fizemos também um percurso pela evolução do atendimento às crianças com NEE, até chegarmos à caminhada para a escola inclusiva. Poderemos dizer que existe uma grande evolução mas muito ainda terá que ser feito, sobretudo nos aspectos referentes à qualidade na educação e à formação dos profissionais como promotores dessa qualidade e duma escola que se pretende realmente inclusiva.
Definimos como primeiro objectivo do estudo, caracterizar as atitudes dos professores do EB, face à inclusão dos alunos com NEE na sala de aula, identificando as diferentes
variáveis que interferem nas atitudes manifestadas.
Como segundo objectivo verificar a natureza das dificuldades que os professores sentem para promover a educação inclusiva e relacioná-las com o tipo de atitudes que manifestam.
Em termos de metodologia, utilizámos uma escala Atitudes Face à Inclusão (AH) já validada. Colocámos esta escala num site on line e solicitámos aos professores que a preenchessem e fossem passando a informação a outros. Constituímos assim uma amostra não probabilística. de conveniência tipo bola de neve. Responderam-nos 130 professores, mas apenas estavam completos e puderam ser utilizados 108 questionários
Este questionário numa primeira parte caracterizava os respondentes, da segunda parte constava a escala já referida. No fim da segunda parte os sujeitos poderiam responder a duas
questões, uma fechada e uma aberta.
Como variáveis independentes definiram-se: Idade, Tempo de docência, Grau Académico, Nível de Ensino, Situação na profissão, Tipo de formação e Experiência com
alunos com NEE.
Os dados foram tratados de forma quantitativa através do programa SPSS e de forma qualitativa, através de análise de conteúdo.
Para responder ao segundo objectivo foram feitas entrevistas, que foram tratadas de forma qualitativa.
No que se refere à avaliação efectuada pela escala, como resultados mais significativos obtidos nesta investigação, tendo em conta as variáveis, poderíamos salientar o seguinte:
Idade: Não parece ser muito significativa a relação existente entre a idade dos docentes e as atitudes face à inclusão. Das 27 questões da escala apenas em duas se encontraram diferenças estatisticamente relevantes.
Tempo de serviço docente: também não se verifica relação significativa entre esta variável e as atitudes face à inclusão. Apenas numa questão merece relevo em termos estatísticos.
Grau académico: A relação existente entre o grau académico e a atitude face à inclusão não é
significativa.
Nível de ensino: os professores do 1o ciclo apresentam atitudes mais favoráveis face à
inclusão do que os professores dos 2o e 3o ciclos.
Situação na profissão: encontramos uma relação significativa entre a situação na profissão e o direito à inclusão. Assim os professores com vínculo efectivo têm atitude mais positiva face
à inclusão do que os que não têm.
Formação: esta é a variável onde encontrámos resultados mais significativos. Existe uma relação evidente entre a formação em Necessidades Educativas Especiais e as atitudes face à inclusão. Assim os professores sem formação nesta área mostram atitudes mais negativas face ã inclusão dos alunos com NEE.
Experiência com alunos com NEE: não foi possível verificar esta variável, já que apenas
dois dos sujeitos nunca tinham trabalhado com crianças com NEE. Pensamos que esta situação se deve ao facto de em Portugal a maior parte das escolas terem crianças em integração escolar
n° de alunos por turma: encontrámos uma relação significativa existente entre esta variável e as atitudes face à inclusão. Assim os professores com turmas até 20 alunos manifestam atitudes mais positivas do que os que têm turmas maiores.
Era solicitado também aos professores que das condições: Atitudes dos Professores; Técnicos especializados; Formação específica; Metodologias de ensino; Avaliação/acompanhamento dos alunos; Colaboração entre Professores e Materiais e recursos, escolhessem por ordem decrescente (da mais importante para a menos importante) as que consideravam mais importantes para um verdadeiro processo de inclusão. Chegámos aos seguintes resultados:
Para o total dos sujeitos que responderam, os professores atribuem mais importância à condição que depende exclusivamente deles: As atitudes.
É relevante que das 4 condições que os professores consideram como mais importantes 3, referem-se a situações que são da responsabilidade dos próprios: Atitudes, Formação e Metodologias de Ensino.
Também gostaríamos de salientar que a colaboração entre professores referida por toda a literatura como fundamental para o processo de inclusão dos alunos aparece apenas referida em 6o lugar.
Quer os professores do 1o ciclo, quer os de educação especial mantêm esta tendência. Apenas os professores do 2o e 3o ciclos, escolhem em 1o lugar a condição técnicos especialistas, em 2o lugar a Formação específica, em 3o lugar colocam a questão das metodologias de ensino e só em 4o lugar as atitudes.
Consideramos muito relevante a atribuição que os docentes fazem às condições que
têm a ver consigo e não com situações externas.
Poderíamos inferir que os docentes têm maior consciência de que a inclusão dos alunos com
NEE, depende mais de si e da sua formação.
Na questão que era colocada de forma aberta aos docentes e após tratamento dos dados recolhidos (tratamento através de análise de conteúdo) queremos salientar que:
58% dos professores reconhece os benefícios da inclusão e 47% não atribui à heterogeneidade nenhum malefício para o sucesso escolar dos alunos, considerando 45% dos docentes que a situação de inclusão proporciona novas situações de aprendizagem para os outros alunos.
É interessante salientar ainda a importância que os professores atribuíram à responsabilidade e ao envolvimento da comunidade educativa no processo de inclusão dos alunos com NEE (33% ).
No que se refere aos resultados obtidos nas entrevistas podemos referir que os professores continuam a valorizar o benefício da inclusão para todos os alunos e referem
como maiores dificuldades para a promoção da educação inclusiva, as características dos próprios alunos, nomeadamente a etiologia da deficiência, a dimensão pessoal do professor, onde incluem as atitudes negativas, a falta de colaboração entre os profissionais e a falta de formação na área das necessidades educativas especiais
Como conclusão o nosso estudo aponta como causas mais evidentes das atitudes mais positivas ou mais negativas face à inclusão, a formação dos professores e a dimensão pessoal. Poderíamos terminar dizendo que a inclusão estará mais dependente dos próprios professores
(factores pessoais) do que de factores contextuais.
Descrição
Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional
Palavras-chave
Psicologia educacional Necessidades especiais Inclusão Professores Ensino Interacção nas salas de estudo Spetial needs Inclusion Teachers Teaching Classroom interaction
