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- O Tempo de Estudo Autónomo (TEA) numa turma de 1.º ciclo: o papel do professor.Publication . Mesquita, Carolina Castro; Gaitas, SergioO presente Relatório foi desenvolvido no âmbito da unidade curricular Prática Supervisionada em 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB), lecionada no mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. O estágio decorreu numa escola pública no centro de Lisboa, com uma turma de 2.º ano constituída por 21 crianças. Este trabalho de investigação tem como objetivos analisar a implementação do Tempo de Estudo Autónomo (TEA), um dos módulos de diferenciação pedagógica do modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna (MEM), na rotina semanal de uma turma de 1.º CEB e compreender a ação do docente nestes momentos da semana. Recorreu-se à metodologia qualitativa, sustentada pela observação do contexto educativo durante o TEA, pela entrevista realizada à professora titular e pelas entrevistas realizadas a seis alunos. A análise de conteúdos realizada de seguida permitiu organizar os dados recolhidos em função das questões de investigação inicialmente formuladas. A análise reflexiva permitiu obter uma visão abrangente sobre o TEA do ponto de vista do docente, desde a preparação e organização até à sua implementação e manutenção em sala de aula. A professora titular adaptou este módulo do MEM às necessidades e características da turma, sem que a intencionalidade pedagógica se perdesse. O “cenário pedagógico”, mencionado por Santana (2000, p. 31), foi cuidadosamente preparado e organizado, o que favoreceu a implementação e manutenção do TEA ao longo das semanas. Constatou-se ainda que a postura da docente, marcada por ações intencionais e conscientes, coincidiu com as práticas pedagógicas promotoras de autonomia em contexto escolar, intituladas Autonomy-Supportive Instructional Behaviors (ASIBs) e expostas por Reeve e Cheon (2021).
- Comportamentos autolesivos na era digital: Os riscos do online e o papel da mediação parental restritivaPublication . Ferreira, Mónica Raquel Gaspar Alvela; Gouveia-Pereira, MariaAs atividades online relacionadas com comportamentos autolesivos (CALOn) têm vindo a aumentar, constituindo um fenómeno relevante, pois podem contribuir para o aumento dos comportamentos autolesivos (CAL) e do estigma associado. A mediação parental restritiva (MPROn) parece desempenhar um papel importante, ao diminuir o tempo online, aumentar perceção de perigo nos filhos, e aumentar o conhecimento parental, mesmo quando a relação entre pais e filhos é distante, como é comum na adolescência. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre as CALOn e o estigma em relação aos CAL, explorando a frequência dos CAL como variável mediadora e a MPROn como moderadora. Uma amostra de conveniência composta por 544 adolescentes, com idades entre os 12 e os 20 anos respondeu a questionários de autorrelato que avaliaram a frequência de CAL, a frequência em CALOn, a perceção de MPROn e o estigma associado aos CAL. Os resultados indicaram que as CALOn predizem significativamente a CAL e associam-se a níveis mais elevados de estigma. Verificou-se igualmente um efeito indireto significativo das CALOn sobre o estigma, mediado pelos CAL, com magnitude média. A MPROn moderou esta relação, sendo o efeito indireto mais forte em níveis baixos e médios. Foram conduzidas análises exploratórias para aprofundar a compreensão do fenómeno. Este estudo contribui para a compreensão do impacto das CALOn em variáveis psicológicas e sociais e do papel dos pais na atenuação desse impacto. Destaca ainda a importância de intervenções na regulação emocional na adolescência, literacia digital parental e redução do estigma.
- Pensamentos auto-lesivos não suicidas em adultos com história de auto-lesão não suicida: Caracterização e processo de resistênciaPublication . Hilário, Leonor Maria Payan Carreira da Silva; Duarte, EvaDiversos indivíduos que realizam auto-lesão não suicida (ALNS), relatam a presença de pensamentos auto-lesivos não suicidas (PALNS) previamente ao ato ou no quotidiano, identificando-os como precursores importantes dos comportamentos, sendo estes complicados de resistir. Diversas vezes, as características destes pensamentos, como a frequência e a intensidade, podem influenciar a ALNS. O presente estudo teve como objetivo caracterizar os PALNS em adultos com história de ALNS e analisar a sua relação com diferentes dimensões dos comportamentos. Paralelamente, explorou-se o processo de resistência aos PALNS, incluindo intenção, capacidade percebida, estratégias utilizadas e sentimentos associados. Participaram 126 adultos, que responderam ao Inventário de Comportamentos Auto-lesivos – Versão Expandida (ICAL+) e a perguntas formuladas pelos investigadores, seguindo uma metodologia mista, agrupando tanto uma abordagem quantitativa como qualitativa. Os resultados mostraram que a frequência e a intensidade dos PALNS se associam significativamente à frequência da ALNS e à diversidade de métodos, enquanto apenas a frequência se relacionou com a severidade. Já a duração e o intervalo de tempo entre pensamento e comportamentos não se revelaram tão relevantes. Quanto à resistência, a intensidade dos PALNS correlacionou-se negativamente com a capacidade de resistir, porém positivamente com a intenção de tal. Ainda, foram identificadas estratégias de resistência utilizadas pelos participantes, como o evitamento, e sentimentos positivos e negativos associados aos episódios de resistência. Por fim, o estudo apresenta implicações clínicas, limitações e sugestões para pesquisas futuras.
- Os traços antissociais e os comportamentos de risco para a saúde em reclusos do sexo masculinoPublication . Prazeres, Bruna Cristiana Costa; Basto-Pereira, MiguelA presente dissertação explora a relação entre os traços antissociais e os comportamentos de risco para a saúde em reclusos do sexo masculino, analisando o impacto destes fatores no ambiente prisional e as suas implicações para a saúde e a reincidência criminal. Partindo da elevada prevalência de Perturbação de Personalidade Antissocial (PPA) nas populações prisionais, o estudo destaca a influência de dimensões como a impulsividade, a irresponsabilidade e a ausência de empatia. Em particular, o estudo avalia a associação entre os traços antissociais e os comportamentos de risco para a saúde. Especificamente, pretende-se caracterizar os diferentes tipos de comportamentos de risco nesta população e avaliar a presença e intensidade dos traços antissociais nos reclusos, utilizando instrumentos adaptados ao contexto prisional. Com uma amostra de 404 reclusos de 16 estabelecimentos prisionais, foram aplicados instrumentos específicos para a avaliação destas variáveis. Os resultados evidenciam que as dimensões de impulsividade/irresponsabilidade e relações interpessoais do Antisocial Spectrum são preditores significativos de comportamentos de risco para a saúde. Estas descobertas sublinham a importância de programas de intervenção integrados que promovam o autocontrolo e a saúde como pilares da reabilitação e da reintegração social. As limitações metodológicas são discutidas, e recomenda-se a realização de estudos futuros com amostras mais amplas e representativas do contexto prisional português.
