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Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário

 

Entradas recentes

O que não se vê não existe? Qual é a perceção dos estudantes universitários com necessidades educativas especiais em relação ao ensino superior
Publication . Poupinho, Erica Anok; Silva, José Castro
A inclusão de estudantes com Necessidades Educativas Especiais (NEE) no ensino superior português constitui um desafio multifacetado que persiste apesar dos avanços legislativos recentes. Esta dissertação analisa as perceções de estudantes universitários com NEE sobre as suas experiências académicas, sociais e pessoais, focando-se nas barreiras encontradas e na eficácia das medidas de apoio institucionais. Através de metodologia qualitativa exploratória, realizaram-se entrevistas semiestruturadas a doze estudantes de diferentes instituições da região de Lisboa, com diagnósticos diversos: Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e Dificuldades de Aprendizagem Específicas. A análise de conteúdo identificou três temas principais: experiência académica e social; medidas de apoio e acomodações; perceções de inclusão e pertença. Os resultados revelam barreiras significativas de natureza física, curricular, atitudinal, administrativa e epistémica. Destaca-se a discrepância entre a existência formal de acomodações e a sua implementação prática, assim como os obstáculos burocráticos e financeiros no acesso ao diagnóstico. Os participantes enfatizaram a necessidade de formação docente, sensibilização institucional e adoção de princípios de Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Conclui-se que a plena inclusão no ensino superior português permanece por concretizar, exigindo transformação cultural e pedagógica que transcenda o cumprimento formal e promova ambientes verdadeiramente equitativos e valorizadores da neurodiversidade.
Estudo das redes sociais de pessoas com doença mental em contexto de mercado competitivo de trabalho
Publication . Albuquerque, Tatiana Isabel Garrido Medeiros Seabra; Ornelas, José Henrique
O presente estudo teve como objetivo analisar de que modo a integração de pessoas com doença mental em contexto de trabalho competitivo, no âmbito de programas de emprego apoiado, influencia a frequência, a qualidade e a natureza das suas interações sociais. Pretendeu-se compreender se esta integração funciona não apenas como uma estratégia de inserção profissional, mas a um aumento e reforço das redes sociais, como um dispositivo de promoção da participação social, da inclusão comunitária e de recovery. Realizou-se um estudo quantitativo, de natureza transversal, com uma amostra de 31 participantes com diagnóstico psiquiátrico, inseridos em emprego competitivo através de um projeto de emprego apoiado. Recolheram-se dados sociodemográficos, clínicos e profissionais, bem como informações relativas à perceção de disponibilidade e adequação das relações sociais e ao nível de participação em interações informais com colegas de trabalho e ao afeto positivo associado a essas interações. Os resultados apresentaram uma perceção globalmente positiva da sua rede social, com níveis elevados de acesso a relações sociais e de satisfação com o apoio emocional disponível. Verificou-se também que, embora o nível de participação em interações sociais informais no local de trabalho tenha sido moderado, o afeto associado a essas interações foi elevado, sugerindo que as ocasiões de contacto informal no trabalho são vividas como experiências emocionais positivas e potencialmente integradoras. Constatou-se, adicionalmente, a existência de associações positivas e estatisticamente significativas entre a perceção de suporte social, sobretudo no domínio emocional, e o envolvimento em interações informais no trabalho, o que indica que redes sociais mais sólidas tendem a associar-se a maior participação social em contexto laboral. De forma geral, os resultados obtidos sustentam a relevância do emprego apoiado enquanto contexto de inclusão social, ao evidenciar que o trabalho competitivo, pode contribuir para o reforço das redes suporte, para o aumento das oportunidades de contacto social significativo e, consequentemente, para a promoção do bem-estar e da integração comunitária de pessoas com doença mental.
Autoestima, aparência e visualização de conteúdos de beleza nas redes sociais: impacto no comportamento alimentar
Publication . Mendes, Liane Filipa Sequeira
Introdução: A frequente procura pelo corpo ideal é algo bastante presente nos sujeitos que, como consequência, pode resultar no possível desenvolvimento de comportamentos alimentares desajustados. O presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto da Autoestima, do Investimento Esquemático da Aparência (Saliência Autoavaliativa e Saliência Motivacional) e da Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais no Comportamento Alimentar (Descontrolo Alimentar, Restrição Cognitiva e Alimentação Emocional). Método: A amostra deste estudo é composta por 210 participantes entre os 18 e 69 anos de idade (Midade=34,71; DPidade=14,01). Primeiramente responderam a um Questionário Sociodemográfico e, de seguida, à Escala de Autoestima de Rosenberg; ao Inventário de Esquemas sobre a Aparência; ao Internet Addiction Test adaptado à Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais; e ao Three Factor Eating Questionnaire. Resultados: O modelo preditivo revelou um ajustamento aceitável à amostra (χ² = 1979,739, df = 1196, p < ,001; χ²/df = 1,655; CFI= ,870; TLI= ,861; RMSEA = ,056; SRMR= ,060). O Descontrolo Alimentar é impactado pela Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais (β= ,207; p= ,007) e pela Saliência Autoavaliativa (β= ,432; p< ,001); a Restrição Cognitiva é impactada pela Visualização de Conteúdos de Beleza nas Redes Sociais (β= ,288; p< ,001), pela Saliência Autoavaliativa (β= -,300; p= ,011) e pela Saliência Motivacional (β= ,509; p< ,001); e a Alimentação Emocional é impactada pela Saliência Autoavaliativa (β= ,497; p< ,001). Discussão: Destaca-se a importância de avaliar a relação das variáveis em estudo, para que exista uma maior compreensão, de modo a realizar uma prevenção e intervenção adequada e atempada no possível desenvolvimento de comportamentos alimentares desajustados.
Histórias que contam: A experiência de vida de adultos com dificuldade intelectual
Publication . Morais, Joana Filipa Pedroso; Ornelas, José Henrique
Enquadramento: Observa-se pouca evidência que sustente a participação de adultos com Dificuldade Intelectual no processo de produção de conhecimento, no que se refere à identificação dos seus desafios, necessidades, defesa dos seus direitos e construção de práticas que promovam a sua inclusão. Assim, surge a necessidade de desenvolver investigações que tenham como princípio a escuta e a construção de respostas mais ajustadas e humanizadas às suas vivências, contribuindo para a compreensão aprofundada e integrada da Dificuldade Intelectual. Objetivo: O objetivo central da presente investigação consiste em refletir sobre a experiência vivida e documentada por adultos diagnosticados com Dificuldade Intelectual, através do contacto com as suas histórias e de modo a compreender as necessidades face aos desafios, perspetivas e sentimentos associados à sua experiência de vida. Método: O presente estudo de natureza qualitativa, contou com a participação de 5 adultos com um diagnóstico de Dificuldade Intelectual, com idades compreendidas entre os 25 e os 61 anos, através da realização de entrevistas abertas para a composição de narrativas como dado para o desenvolvimento de uma análise temática reflexiva. Resultados: A recolha e análise dos dados resultou em quatro relevantes temas, entre eles, os Desafios à Igualdade de Oportunidades de Emprego, a Vida Independente como Expressão de Autodeterminação, o Desenvolvimento de Relacionamentos Interpessoais e a Participação Social e o Voluntariado enquanto Prática Inclusiva. Conclusão: Evidencia-se que a experiência de vida dos participantes é marcada por barreiras que dificultam a sua autodeterminação para atingir uma vida independente com os mesmos direitos e oportunidades de emprego, o desenvolvimento de relacionamentos interpessoais e a participação ativa na sociedade. Como resposta, o foco deve descentrar-se das dificuldades individuais e focar-se na qualidade de interação entre a pessoa e o seu desenvolvimento.
O uso das tecnologias digitais no processo de aprendizagem: benefícios para os alunos e os desafios para os professores
Publication . Ferreira, Ana Sofia Bernardo; Matos, Ana Isabel Rio Tinto de Matos
O presente relatório tem por base a prática pedagógica desenvolvida no âmbito da unidade curricular de Prática de Ensino Supervisionada no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no decurso do ano letivo de 2023/2024. O estágio foi realizado numa instituição de natureza jurídico-privada, numa turma do 1.º ano de escolaridade. Atendendo às especificidades do contexto educativo, nomeadamente a integração regular de tecnologias digitais nas práticas letivas da docente cooperante, desenvolveu-se um estudo com o objetivo de compreender de que forma a utilização dessas tecnologias pode atuar como facilitadora e potenciadora das aprendizagens numa sala do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Para a concretização deste estudo, adotou-se uma metodologia de investigação qualitativa, considerando a complexidade e a natureza interpretativa do fenómeno em análise. As técnicas e os instrumentos de recolha de dados incluíram a observação participante, entrevista semiestruturada à professora cooperante, análise documental do projeto educativo da instituição, bem como a utilização de instrumentos reflexivos, como o diário de bordo e o portefólio. Os resultados obtidos evidenciam o impacto positivo da integração das tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem, destacando-se a sua eficácia na promoção da motivação, do envolvimento ativo dos alunos e na consolidação dos conteúdos curriculares. A utilização intencional e pedagógica desses recursos digitais revelou-se um contributo significativo para a diversificação das metodologias e para a melhoria das práticas educativas, promovendo aprendizagens mais significativas e contextualizadas no contexto observado.