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Estudo do suporte social e da qualidade de vida em doentes mentais crónicos a viverem em comunidade

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Abstract(s)

Com a publicação da Lei da Saúde Mental 36/98 e do Despacho Conjunto 407/98, possibilitou-se a criação de programas alternativos na comunidade para os doentes mentais crónicos e cuja implementação se iniciou no último trimestre de 1998. Estes programas encontram-se em execução pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), vocacionadas para a área da Saúde Mental Comunitária, prosseguindo fins estatutários de Saúde e Segurança Social, que desenvolvem os seguintes Programas: Fóruns Sócio-Ocupacionais - grupo A, (com 70 indivíduos) e Unidades de Vida (residências)- grupo B, (com 53 indivíduos). A amostra deste estudo é composta por 162 indivíduos que utilizam estes serviços comunitários, no Distrito de Lisboa, dos quais 123 participantes assinaram o consentimento informado (78 do sexo masculino e 45 do sexo feminino) e cuja média de idades é de 39,8 anos (variando entre os 18 e os 78 anos). Este estudo comparativo e de tipo exploratório, com uma amostra homogénea de casos raros, teve como objectivo verificar se existiam diferenças no suporte social e na qualidade de vida nestes doentes quando frequentam o Programa de Fórum Sócio-Ocupacional (grupo A) e quando frequentam o Programa de Unidades de Vida (grupo B), Pretendeu-se, por outro lado, analisar o impacto destes dois programas no suporte social e na qualidade de vida destes indivíduos. O material utilizado neste estudo é constituído por um questionário sócio -demográfico e clínico, por uma escala de satisfação com o suporte social (ESSS) e pela escala de qualidade de vida da OMS (na versão brasileira). À ESSS, já testada e aplicada na população portuguesa, foi acrescentada uma sub-escala que se denominou da "satisfação com os vizinhos", composta por dois itens. Para garantir a validade do conteúdo destes dois itens os mesmos foram inspeccionados e corrigidos por dois juízes. De seguida, procedeu-se à inspecção da consistência interna destes dois itens, tendo-se verificado haver uma boa consistência interna nesta sub-escala (α de Cronbach=0,756). Na QDV garantiu-se a validade do conteúdo do instrumento aplicado inspeccionado-o e corrigindo-o por dois juízes. De seguida, procedeu-se à inspecção da consistência interna (alfa de Cronbach), tendo-se verificado uma boa consistência interna em cada domínio (domínio físico α de Cronbach=0,748, domínio psicológico a de Cronbach=0,804, domínio das relações sociais α de Cronbach=0,670, e domínio do meio-ambiente α de Cronbach=0,751). A totalidade dos domínios desta escala apresenta um (α de Cronbach=0,897), e, quanto à escala global onde se inserem, igualmente as questões gerais 1 e 2 (α de Cronbach=O,908). O presente estudo demonstrou que existem diferenças significativas entre o grupo de doentes mentais crónicos que frequenta o programa de Fórum Sócio-Ocupacional (grupo A) e o grupo que frequenta o programa de Unidades de Vida (grupo B), quer no suporte social, quer na qualidade de vida destes doentes. Assim, na sub-escala de satisfação com actividades sociais, o grupo A, inserido num Fórum Sócio-Ocupacional, revelou mais satisfação com as actividades sociais do que o grupo que utiliza o programa residencial de Unidades de Vida (t= -2,22, p<0,028); na sub-escala de satisfação com os vizinhos, o grupo B, inserido num programa residencial de Unidades de Vida, revelou mais satisfação com o suporte fornecido pelos vizinhos do que o grupo A (t= 3,30, p<0,001). No que concerne à QDV, verificaram-se diferenças significativas, no domínio psicológico da QDV. O grupo B, que frequenta um programa residencial em Unidades de Vida apresentou um melhor desempenho ao nível do domínio psicológico do que os indivíduos que frequentam um Fórum -Sócio Ocupacional (t=l,57, p< 0,007); o grupo B, cujo programa incide nas Unidades de Vida, apresentou melhores scores no domínio relativo ao meio-ambiente (t= 3,50, p<0,001), e na satisfação com a saúde (questão geral 2). O estudo demonstrou que os indivíduos que frequentam o programa de Unidades de Vida têm mais satisfação com a sua saúde (t=3,47, p<0,001). Ainda, e no que concerne à escala total, o grupo inserido nas Unidades de Vida evidencia valores mais elevados de qualidade de vida (t=3,04, p<0,003). Detectou-se, ainda, que as variáveis demográficas (designadamente o sexo, idade, número de filhos, número de pessoas do agregado familiar, religião, fonte de rendimento e história laborai), e as variáveis clínicas (diagnóstico, n° de internamentos, tempo do último internamento, tempo de internamento, e o tipo de consulta a que se recorre) exercem influência significativa no suporte social e na qualidade de vida. Ficou ainda demonstrado que, nesta população de doentes mentais crónicos inseridos na comunidade, o suporte social se correlaciona com a qualidade de vida. Assim, verificou-se que existem diferenças significativas quanto ao sexo, no domínio psicológico da QDV (t=2,21, p<0,029). E ainda, uma forte associação negativa entre a anos de escolaridade e a satisfação com a saúde (r=-0,20, p<0,024). A análise de variância demonstrou que existem diferenças significativas no grupo A no que concerne ao factor estado civil no domínio físico (F=3,85, p<0,026)> O número de filhos correlaciona-se com a sub-escala da ESSS satisfação com as amizades (r=0,227, p<0,025).Quanto ao número de agregado familiar existe uma correlação entre o número de agregado e a avaliação da qualidade de vida (r=0,23, p<0,026). Quanto ao estado civil a análise de variância revela diferenças significativas no grupo B ao nível da escala geral de suporte social (F=2,77, p <0,049).

Description

Dissertação de Mestrado em Psicologia da Saúde

Keywords

Psicologia da saúde Suporte social Doença crónica Comunidade Qualidade de vida Instrumentos Health psychology Social support Chronic illness Community Quality of life Instruments

Pedagogical Context

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Publisher

Instituto Superior de Psicologia Aplicada

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