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- Inteligência Artificial Generativa no ensino superior: Perceções, crenças e desafios éticos dos estudantes de Psicologia e da EducaçãoPublication . Lopes, Carlos; Antunes, Maria da Luz; Sanches, TatianaIntrodução: O impacto da Inteligência Artificial Generativa (IA-Gen) está a remodelar o ensino da psicologia e da educação. Este estudo explora as perceções de estudantes destas áreas do conhecimento sobre o uso de ferramentas de IA-Gen no apoio à aprendizagem, focando-se em três dimensões fundamentais: a) facilidade de uso e utilidade percebidas; b) personalização, interatividade e confiança; e c) inteligência percebida e intenção de adoção. Método: Foi adotado um delineamento quantitativo descritivo e uma análise qualitativa a duas questões abertas sobre a IA, envolvendo uma amostra de 272 estudantes (84,93% do género feminino; M = idades=19,78 anos, Med=18 anos) a frequentar o primeiro ano de estudos universitários em três instituições de ensino superior portuguesas (Ispa-Instituto Universitário, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e FCSH da Universidade Nova de Lisboa). A amostra é predominantemente composta por estudantes das licenciaturas em Psicologia (73,2%) e Ciências da Educação (12,13%). Os participantes responderam a um questionário de 49 itens, elaborado especificamente pelos autores com base em instrumentos recentes de avaliação da adoção de IA-Gen (e.g., TAME-ChatGPT e a sua versão portuguesa da adoção do TAME-ChatGPT pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro [UTAD]). Resultados: Os resultados revelam que a IA-Gen é considerada uma tecnologia intuitiva e benéfica, com 68,9% dos estudantes a utilizá-la pelo menos semanalmente, sendo o ChatGPT (89%) a ferramenta dominante. As funções principais centram-se na compreensão de tópicos complexos (74,4%) e síntese de conteúdos (65,1%). Contudo, embora os estudantes se classifiquem maioritariamente como utilizadores de nível intermédio (65,4%), reconhecem que a eficácia depende da capacidade de formular boas perguntas (M=4,31). Persistem reservas significativas quanto à fiabilidade da ferramenta: a necessidade de validar a informação com fontes especialistas é quase unânime (M=4,64). Adicionalmente expressam-se preocupações com a erosão do pensamento crítico (M=3,94), o risco de plágio e a falta de segurança de dados (M=2,71). No plano macrossocial destaca-se uma consciência elevada sobre o impacto ambiental negativo da tecnologia (M=3,75). Discussão e Conclusões: Os estudantes manifestam uma postura de otimismo crítico, estando inclinados para a adoção tecnológica, mas conscientes das suas limitações éticas e cognitivas. A inteligência da IA é valorizada para funções explicativas, mas considerada inferior à dos docentes (M=2,44), sublinhando a importância da mediação humana. Estes resultados, contextualizados aos estudantes das áreas de Psicologia e Educação, ressaltam a urgência de estratégias de integração bem fundamentadas que alinhem o uso da IA-Gen com os princípios da Ciência Aberta, garantindo a transparência, a fiabilidade e o acesso livre a dados verificáveis. Diretrizes institucionais claras, o desenvolvimento profissional do corpo docente e iniciativas de formação em literacia em IA para estudantes são fundamentais para maximizar o potencial da IA-Gen e mitigar riscos como a dependência excessiva e a falta de originalidade académica.
