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- Traços de autismo e comportamentos pró-sociais: O papel mediador da empatiaPublication . Silva, Ana Leonor Santos; Mares, InêsA empatia é um componente importante dos comportamentos pró-sociais. No entanto, indivíduos com traços de autismo tendem a apresentar alterações nesse domínio, o que pode interferir nos comportamentos pró-sociais. O estudo atual teve como objetivo, investigar a relação entre os traços de autismo e os comportamentos pró-sociais, explorando o possível papel mediador da empatia nesta relação. A amostra do estudo constitui-se por 104 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, que completaram uma medida de pró-socialidade, um questionário de autorrelato, Self Report Altruism Scale (SRA), bem como uma medida relacionada com a empatia, Índice de Reatividade Interpessoal (IRI), que avalia quatro subescalas (Desconforto Pessoal, Tomada de Perspetiva, Preocupação Empática e Fantasia) e por fim, uma medida que avalia os traços de autismo, Quociente do Espetro do Autismo (AQ). Os resultados não revelaram uma associação entre os traços de autismo e a pró-socialidade, nem quando considerando um possível papel mediador da empatia. No entanto, observou-se duas associações entre os comportamentos pró-socias e duas subescalas da empatia, nomeadamente, uma relação positiva entre comportamentos pró-sociais e a preocupação empática, bem como uma associação negativa entre os comportamentos pró-sociais e o desconforto pessoal. Estas associações sugerem que a preocupação empática e o desconforto pessoal apresentam influência na pró-socialidade. Este estudo contribui para a literatura, ao aprofundar a compreensão das interações sociais, nomeadamente dos comportamentos pró-sociais, ao longo de um contínuo de traços de autismo, evidenciando a complexidade da relação entre a empatia e a pró-socialidade
- Atitudes e estigma relativamente ao luto: Estudo transcultural entre Portugal e Brasil.Publication . Araújo, Bárbara Alexandra Abreu Melo de; Coelho, Manuela Alexandra de MouraIntrodução: O luto é uma experiência universal que é vivida de forma única por cada sujeito e pode ser influenciada por variáveis individuais, sociais, culturais e espirituais. O estigma, tende a agravar o sofrimento vivido durante o luto. Muitas vezes, normas sociais impõem restrições sobre a forma como a pessoa pode expressar as suas emoções ou procurar ajuda, o que pode dificultar o processo de adaptação à perda. Objetivo: Comparar as perceções e formas de vivência do luto entre as populações portuguesa e brasileira, analisando as atitudes, o bem-estar espiritual e os estigmas associados. Método: Trata-se de um estudo comparativo, de natureza descritiva, com um desenho transversal. A amostra é constituída por 120 adultos, sendo estes 82 sujeitos de nacionalidade portuguesa e 38 de nacionalidade brasileira. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online na plataforma Qualtrics, que esteve aberto entre fevereiro e maio de 2025. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes face à Morte (EAPAM), Questionário de Bem-Estar Espiritual e uma versão adaptada da subescala de estigma do Grief Experience Questionnaire. Resultados Verificaramse diferenças estatisticamente significativas na dimensão “medo” da Escala EAPAM entre as populações portuguesa e brasileira (t (120) = 2,883, p = 0,005). Verificou-se uma diferença significativa entre os grupos etários ao nível do estigma (F (120) = 4.467; p = 0.013), sendo os participantes mais jovens (<30 anos) aqueles que apresentaram uma maior estigmatização. Foi possível também observar uma correlação negativa entre a idade e o medo da morte, (r (120) = –.245, p = .007). Além disso, o bem-estar espiritual apresentou correlações positivas e significativas com a dimensão “aceitação” (r (120) = .405, p < .001) e a neutralidade (r (120) = .302, p < .001), e correlações negativas com o medo (r (120) = –.253, p = .005) e o evitamento (r (120) = –.216, p = .018). Conclusão: O presente estudo aumenta a compreensão do luto em diferentes culturas, sendo estas, portuguesa e brasileira, salientando a relevância de variáveis como a espiritualidade, a idade e o género. Reforça também a importância de considerar estes fatores na prática clínica com indivíduos em luto, de forma a respeitar as diferenças individuais e culturais.
- A influência da cultura na relação da regulação emocional e a perturbação do jogoPublication . Piteira, Diogo Duarte do Amaral; Neto, DavidIntrodução: A perturbação do jogo tem aumentado de prevalência. Indivíduos com sintomas da perturbação têm revelado dificuldades no processo de regulação emocional e um reportório de estratégias pouco eficazes. Esta relação pode ser influenciada por fatores culturais, como o individualismo e o coletivismo, pela forma como se percecionam as emoções. Objetivo: Este estudo tem como objetivos: 1) explorar diferenças na regulação emocional entre indivíduos com e sem sintomas da perturbação do jogo; 2) Explorar o impacto da orientação cultura nas diferenças da regulação emocional; 3) analisar a interação entre cultura e a perturbação na previsão das dificuldades na regulação emocional. Método: Este estudo teve como amostra um total de 1380 participantes, 1348 não apresentaram sintomas do uso problemático de vídeo-jogos, por outro lado, 32 apresentaram sintomas. De forma agrupar os participantes segundo orientação cultural do seu país de origem, foi utilizado o Índice de Hofstede e o GCI. Resultados: Os participantes que apresentaram sintomas da perturbação demonstraram maiores dificuldades em todas as subescalas, exceto Awarness. A cultura teve um efeito significativo na subescala “Clarity”, sendo que foi a única correlação significativa entre o grupo com sintomas e a cultura. Discussão: Embora o efeito da cultura tenha sido limitado, podemos concluir que existiu uma repercussão na forma como indivíduos de culturas coletivistas tem dificuldades em compreender as suas próprias emoções devido à necessidade de regular as suas emoções em prol do bem-estar coletivo.
- Impacto da vinculação e qualidade da relação no luto antecipatório dos cuidadores de doentes oncológicos vs. Doentes com demênciaPublication . Marques, Bárbara Rato; Coelho, Alexandra MouraBackground: Nos cuidados paliativos e cuidado informal de doentes terminais, um dos tópicos centrais é o processo de luto, pré e pós-morte do doente. O luto antecipatório já foi explicado pela literatura, assim como o impacto da vinculação e da qualidade da relação nos sintomas de luto prémorte, mas ainda pouco se sabe acerca do impacto das características do diagnóstico do doente no processo de cuidado e de luto pré-morte. Objetivo: Este estudo pretende perceber a relação entre a vinculação, a qualidade da relação e os sintomas de luto pré-morte dos cuidadores e perceber se existem diferenças nos preditores e nos sintomas de luto pré-morte entre os cuidadores. Método: Trata-se de um estudo quantitativo e comparativo, onde foram aplicadas as escalas Escala de Vinculação do Adulto, Escala de Vinculação do Cuidador Familiar para medir a vinculação, PG- 12 (versão dos cuidadores), a 105 participantes, cuidadores de doentes oncológicos e cuidadores de doentes com demência, para medir os sintomas de luto, a Escala da Qualidade de Relação para medir a qualidade da relação. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas no impacto da vinculação e qualidade da relação entre grupos de diagnóstico nos sintomas de luto pré-morte. Contudo observaram-se sintomas de luto pré-morte ligeiramente mais acentuados no grupo de diagnóstico de demência em comparação com o diagnóstico de doença oncológica. Conclusão: Não foram observadas diferenças nos preditores de luto pré-morte – ansiedade e dependência – entre os grupos de diagnóstico, o que indica que o diagnóstico do doente não tem um impacto relevante nos preditores dos sintomas de luto-pré-morte.
