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Entradas recentes

O impacto da relação entre job crafting e autoeficácia sobre o bem-estar dos guardas prisionais portugueses.
Publication . Morais, Marta Vanessa Costa; Rodrigues, Andreia de Castro
O presente estudo investigou de que forma a autoeficácia e o job crafting influenciam o bem-estar afetivo no trabalho dos guardas prisionais portugueses. A pertinência da investigação é extrema, visto que a categoria profissional de guarda prisional em Portugal é reconhecida mundialmente como uma das atividades ocupacionais mais exigências, apresentando um elevado risco para a saúde mental e física dos profissionais. O estudo propõe-se a identificar a autoeficácia e o job crafting como recursos pessoais que podem mitigar este impacto negativo. O estudo adotou uma abordagem quantitativa e exploratória para testar as hipóteses propostas, incluindo um modelo de mediação. A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência e consistiu em 93 guardas prisionais portugueses de diversos estabelecimentos prisionais. As variáveis foram medidas por instrumentos validados: a Escala de Bem Afetivo no Trabalho para o bem-estar afetivo no trabalho, a Escala de Autoeficácia Geral (EAG) para a autoeficácia e o Job Crafting Questionnaire para o job crafting. As relações diretas foram testadas através de Correlações de Pearson, e o efeito mediador da autoeficácia foi examinado recorrendo ao Modelo 4 da macro PROCESS, utilizando 5000 reamostragens bootstrapping. Os guardas prisionais da amostra apresentaram níveis médios de autoeficácia, job crafting e bem-estar ocupacional, os testes de correlação foram estatisticamente significativos e positivos, sustentando as H1, H2 e H3. Verificou-se que a autoeficácia se correlaciona positivamente com o job crafting (r = .344, p = < .001), e que ambos predizem níveis superiores de bem-estar afetivo no trabalho. No caso da mediação, não se verificou um efeito da mediação da autoeficácia na relação entre o job crafting e o bem-estar, uma vez que o efeito indireto não foi estatisticamente diferente de 0. O estudo destaca a importância dos recursos pessoais e das práticas de redesenho do trabalho para promover o bem-estar num contexto profissional altamente exigente. A inexistência da mediação (H4) sugere que, no ambiente prisional, a força do contexto (exigências externas e conflito de papéis) pode ser tão dominante que o efeito mediado pela autoeficácia não se manifeste estatisticamente, deixando as relações diretas como os caminhos primários. Os resultados contribuirão para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no sistema prisional português.
O Papel dos professores de apoio na qualidade das aprendizagens dos alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico.
Publication . Nunes, Joana Isabel Pinto; Matos, Ana Isabel
O presente Relatório de Prática de Ensino Supervisionada (REPES) tem como tema “O Papel dos Professores de Apoio na Qualidade do Ensino”, tendo como principal objetivo compreender de que forma a atuação destes profissionais contribui para uma resposta educativa mais equitativa, diferenciada e inclusiva. O estudo desenvolveu-se numa escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico, localizada no concelho de Cascais, envolvendo uma turma do 4.º ano, composta por 24 alunos, quatro dos quais beneficiavam de medidas adicionais de suporte à aprendizagem. A metodologia adotada foi qualitativa, com recurso à observação direta participante e à realização de uma entrevista semi-estruturada à professora titular. Estas técnicas permitiram recolher dados sobre as dinâmicas de colaboração entre o professor titular e o professor de apoio, bem como sobre os desafios enfrentados no quotidiano escolar. Os principais resultados evidenciam que a colaboração eficaz entre docentes tem um impacto significativo na inclusão e no sucesso dos alunos, sobretudo quando há planificação conjunta e apoio contínuo na sala de aula. No entanto, também foram identificadas limitações, como a falta de tempo, a sobrecarga de funções do professor de apoio e a ausência de momentos formais de articulação. Conclui-se que, apesar das dificuldades, o trabalho colaborativo entre professores é essencial para a construção de uma escola mais inclusiva, sendo necessário repensar a organização escolar e reforçar a valorização do papel dos professores de apoio.
Recuperação por categorias, relato livre e efeito protetor da memória
Publication . Feio, Marcelo José Tavares Abreu de Faria; Almeida, Telma de Sousa
O testemunho ocular é uma peça central na investigação criminal, mas a sua fiabilidade é ameaçada pela degradação natural da memória e pela contaminação pós-evento. O efeito protetor da memória sugere que uma recordação inicial pode fortalecer o traço mnésico. O presente estudo teve como principal objetivo explorar um potencial efeito protetor da memória no relato de testemunhas oculares, através da comparação de um grupo de participantes submetidos a uma tentativa inicial de recordação 48 horas após o evento (Grupo CE) e participantes que não tiveram acesso à mesma (Grupo SE), analisando a quantidade e precisão do seu relato um mês após o evento. Paralelamente, pretendeu-se explorar potenciais diferenças entre o contributo da técnica de Recuperação por Categorias Fornecidas (RCF) e a técnica do Relato Livre (RL) para a existência deste efeito protetor. Para tal, 151 participantes assistiram a um vídeo de um crime não-violento e foram aleatoriamente divididos em três grupos: Grupo CE – RCF, Grupo CE – RL e Grupo SE. Os resultados revelaram que ao fim de um mês, o Grupo SE recordou uma quantidade de detalhes significativamente maior do que o Grupo CE. Contudo o Grupo CE evidenciou uma precisão do relato significativamente maior do que o Grupo SE. Na análise comparativa para as contribuições das técnicas entre os grupos CE – RCF e CE – RL, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas, nem na quantidade nem na precisão dos relatos obtidos um mês após o evento.
Orientações hedónicas e eudaimónicas, propósito de vida e florescimento psicológico em adultos portugueses
Publication . Romão, Rodrigo Palma; Gouveia, Maria João
O bem-estar psicológico é um conceito multifacetado e influenciado por múltiplas dimensões, entre as quais se destacam as orientações hedónica e eudaimónica. Estas orientações refletem diferentes formas de estruturar a experiência e de procurar bem-estar, seja através da satisfação e prazer imediato (hedonia), seja pela busca de crescimento pessoal e sentido de vida (eudaimonia). Embora amplamente estudadas a nível internacional, as relações entre estas orientações, o propósito de vida e o florescimento psicológico permanecem pouco exploradas em Portugal, justificando a relevância deste estudo. O presente trabalho teve como objetivo analisar a relação entre as orientações hedónica e eudaimónica e o florescimento psicológico, testando o papel mediador do propósito de vida. Participaram 114 adultos portugueses, que responderam a um questionário composto por medidas sociodemográficas e pelas versões portuguesas da HEEMA (orientações hedónica e eudaimónica), da BEP (propósito de vida) e da MHC–SF (florescimento psicológico). Os resultados indicaram que apenas a orientação eudaimónica apresentou um contributo significativo para o florescimento psicológico, mediado totalmente pelo propósito de vida. A orientação hedónica, embora positivamente associada ao florescimento, não revelou efeitos significativos de mediação. Estes achados reforçam a importância do propósito de vida como mecanismo explicativo que liga motivações eudaimónicas ao bem-estar duradouro. Os resultados são discutidos à luz da literatura contemporânea sobre o florescimento e sugerem implicações relevantes para intervenções psicológicas focadas no desenvolvimento do sentido e da realização pessoal.
A relevância das TIC no 1º Ciclo do Ensino Básico: Perceções de docentes e alunos
Publication . Rodrigues, Xavier Alexandre Lourenço; Silva, José Castro
O presente estudo, suportado na prática de ensino supervisionada, tem como objetivo analisar a relevância e perceções sobre a importância da utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no 4º ano do 1º ciclo, do Ensino Básico (EB). Foca-se nas perceções dos principais atores do processo educativo – docentes e alunos – sobre o papel das TIC no ensino e aprendizagem, bem como nos desafios e oportunidades associados à sua implementação, com base em dados recolhidos por entrevistas, observação e análise documental. Em relação ao enquadramento teórico, procurou-se efetuar uma revisão das políticas e orientações nacionais e internacional, que sustentam a integração das TIC na edução escolar destacando programas como o Plano Tecnológico da Educação (PTE) e o Plano de Ação para a Transição Digital (PATD) que visam a capacitação tecnológica das escolas e a formação de professores e alunos. As TIC são entendidas como ferramentas cognitivas e transversais que devem contribuir para o esenvolvimento de competências digitais, pensamento crítico, criatividade e cidadania digital. São abordadas conceções pedagógicas que fundamentam a utilização das TIC, como o construtivismo, a pedagogia do desenvolvimento de competências e a pedagogia do aprender a aprender, que enfatizam o papel ativo do aluno na construção do conhecimento e a importância de metodologias inovadoras e integradoras. Discutem-se as dificuldades e deságios na prática docente para a integração das TIC, como a falta de tempo, a formação inadequada, a resistência à mudança e aos problemas Técnicos, além da necessidade de alinhamento entre o que está contemplado nos documentos oficiais e o que ocorre na prática. Os resultados demonstram que os docentes e alunos reconhecem que as TIC contribuem para aumentar a motivação e desenvolver competências digitais. Os professores destacam o seu valor pedagógico, mas apontam limitações como falhas técnicas, falta de equipamentos e necessidade de formação contínua. Já os alunos mostram entusiasmo pelas aulas que recorrem a ferramentas digitais, apreciando a diversidade de atividades, os jogos educativos e os projetos criativos, embora expressem receios relacionados com a dependência digital e as dificuldades técnicas. A análise evidencia pontos de consenso, como o impacto positivo das TIC na aprendizagem, mas também diferenças: os docentes defendem equilíbrio e foco, enquanto os alunos preferem maior autonomia no uso das tecnologias. Conclui-se que a integração das TIC no ensino básico é globalmente positiva, exigindo, contudo, investimento em recursos, formação e estratégias que conciliem autonomia dos alunos com orientação pedagógica eficaz