Repositório do ISPA
Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário
Entradas recentes
Sobrecarga de luto profissional, burnout e necessidades formativas em profissionais de saúde
Publication . Gonçalves, Carolina Jorge; Coelho, Manuela Alexandra de Moura
Diversos estudos referem que a educação no luto nos profissionais de saúde é limitada apesar de estes estarem diariamente expostos à morte de pacientes e lidarem com familiares enlutados. A formação no luto tem sido considerada fundamental para minimizar as suas consequências e capacitar os profissionais para um melhor desempenho dos cuidados no luto, beneficiando tando os profissionais como as famílias enlutadas. O presente estudo tem como objetivos verificar a relação entre os níveis de sobrecarga de luto profissional, o burnout, as atitudes acerca da morte e as necessidades formativas no luto; e verificar o efeito de um programa de formação no luto na satisfação das necessidades formativas. Os participantes são profissionais de saúde portugueses e foi utilizado um questionário sociodemográfico, a Escala de Sobrecarga de Luto Profissional (SLP), o Inventário de Burnout de Maslach (MBI-HSS), a Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes acerca da Morte (EAPAM) e a Escala das Necessidades de Formação no Luto (ENFL). Os resultados demonstram que profissionais com maiores níveis de sobrecarga de luto, burnout e atitudes de medo e evitamento da morte apresentam menos motivação para a formação e menos competências de intervenção no luto. A formação mostrou ser eficaz no aumento das competências no luto e diminuição das necessidades de formação no luto. Considera-se essencial a realização de mais estudos nesta área e a promoção de mais oportunidades de formação no luto.
Caracterização da microbiota gastrointestinal de delphinus delphis arrojados na costa portuguesa: influência da causa de morte e do estado de decomposição
Publication . Pimpão, Catarina Sofia Baptista; Robalo, Joana; Grilo, Miguel
O golfinho-comum (Delphinus delphis, Linnaeus, 1758) constitui uma das espécies de cetáceos mais amplamente distribuídas e abundantes a nível global, desempenhando um papel ecológico essencial como predador de topo nos ecossistemas marinhos. Apesar da sua ampla distribuição, esta espécie enfrenta diversas pressões de origem antropogénica e ambiental, tais como capturas acidentais (bycatch), poluição química e sonora e alterações climáticas. Estas pressões podem afetar a homeostase, o estado de saúde e o equilíbrio fisiológico dos indivíduos, o que pode refletir-se na composição da microbiota gastrointestinal, considerada um indicador promissor da condição fisiológica e ecológica dos organismos marinhos. O presente estudo teve como principal objetivo caracterizar a composição e diversidade da microbiota gástrica e intestinal de D. delphis arrojados ao longo da costa portuguesa, analisando a influência de fatores biológicos e ambientais, nomeadamente a causa de morte (natural vs. antropogénica) e o estado de decomposição (carcaças frescas vs. carcaças em decomposição).
A caracterização microbiana foi realizada através de uma abordagem de metabarcoding do gene ribossómico 16S (16S rRNA). Os resultados revelaram uma elevada diversidade bacteriana, com predomínio dos filos Firmicutes, Proteobacteria e Fusobacteria. Verificaram-se variações na composição e na abundância relativa das comunidades microbianas entre compartimentos e em função dos fatores analisados, embora sem diferenças estatisticamente significativas. Este trabalho constitui a primeira caracterização aprofundada da microbiota gastrointestinal de D. delphis em Portugal, contribuindo para uma melhor compreensão das interações entre ecologia, fisiologia e microbiologia em cetáceos e estabelecendo uma base de referência para futuros estudos sobre saúde e conservação da espécie.
Entre o silêncio e o pedido de ajuda: Quais os motivos que levam tantos adolescentes aos comportametos autolesivos e tão poucos a procurarem ajuda
Publication . Gonçalves, Inês de Campos Malo Almeida; Gouveia-Pereira, Maria
Dissertação de Mestrado apO presente estudo teve como principal objetivo compreender os fatores que influenciam
a perceção de obstáculos à procura de ajuda em adolescentes com comportamentos autolesivos
(CAL). Procurou-se analisar o papel do estigma e explorar o possível efeito moderador da
sintomatologia depressiva, da ideação suicida e da coesão familiar nesta relação.
Participaram 438 adolescentes, com idades entre os 12 e os 21 anos (M=16.56;
DP=1.95), com história de comportamentos autolesivos. Foram utilizados o Questionário de
Barreiras à Procura de Ajuda para Comportamentos Autolesivos (QBH-DSH), o Inventário de
Sintomas Psicopatológicos (BSI), o Questionário de ideação Suicida (SIQ), a Escala de
Estigma e a Escala de Coesão Familiar (FACES IV). Os resultados revelaram que o estigma se
destacou como o fator mais consistente na explicação dos obstáculos à procura de ajuda,
apresentando associações positivas com todas as dimensões de barreiras. A depressão e a
ideação suicida exerceram efeitos diretos significativos, mas não moderadores, na relação entre
estigma e barreiras. Já a coesão familiar revelou-se um fator protetor, associando-se
negativamente à maioria das barreiras e moderador na relação entre o estigma e as barreiras
familiares, atenuando o impacto negativo do primeiro.
Estes resultados reforçaram o papel central do estigma como obstáculo à procura de
ajuda e evidenciaram a importância da coesão familiar como fator protetor no processo de pedir
ajuda. As implicações práticas sublinham a necessidade de promover uma maior literacia em
saúde mental, combater o estigma e envolver o contexto familiar e escolar na prevenção e
intervenção precoce junto dos adolescentes com CAL.resentada no ISPA – Instituto Universitário para a obtenção de grau de Mestre na especialidade de Mestre em Psicologia Clínica.
Autoestima e estratégias de regulação emocional em raparigas com PHDA: O papel da idade de diagnóstico
Publication . Freitas, Daniela Elizabeth-Anne de; Carvalheira, Ana Alexandra
Problema: A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é frequentemente subdiagnosticado em raparigas, o que pode atrasar o acesso a intervenções adequadas. Um diagnóstico tardio associa-se a efeitos adversos no desenvolvimento socioemocional, sobretudo na autoestima, aumentando a vulnerabilidade a ansiedade e depressão. Objetivo: Investigar se a idade de diagnóstico de PHDA em adolescentes do sexo feminino influencia a autoestima, ao comparar adolescentes com e sem PHDA. Método: Participaram neste estudo 103 raparigas (N=103), com idades situadas entre os 15 e os 18 anos de idade. Foram utilizados três instrumentos adaptados para a população portuguesa: a Escala de Autoconceito para Adolescentes de Susan Harter (SPPA), o Questionário de Regulação Emocional - Crianças e Adolescentes (QRE-CA), e o Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ). O estudo seguiu um desenho quantitativo, comparativo, correlacional e transversal. Resultados: As adolescentes com PHDA apresentaram níveis significativamente mais baixos de autoestima, maior recurso à supressão emocional e menor uso da reavaliação cognitiva. As diagnosticadas antes dos 12 anos reportaram níveis de autoestima mais elevados do que as diagnosticadas posteriormente, embora não se tenha verificado diferenças nas estratégias de regulação emocional. Observou-se ainda que maior uso da reavaliação cognitiva associa-se a níveis mais altos de autoestima, enquanto maior recurso à supressão emocional relaciona-se com níveis mais baixos. Conclusão: Os resultados demonstram que a idade do diagnóstico influencia a autoestima em raparigas com PHDA, com diagnósticos precoces associados a trajetórias mais positivas. As diferenças nas estratégias de regulação emocional esclarecem mecanismos que aumentam a vulnerabilidade socioemocional neste grupo.
A Influência da satisfação com a parentalidade no desenvolvimento infantil: O papel mediador da vinculação segura
Publication . Terrin, Maria Eduarda de Meris; Afonso, José Abreu
Nas últimas décadas, a parentalidade tem vindo a assumir um papel central na investigação psicológica, sendo reconhecida como um dos contextos mais determinantes para o desenvolvimento humano. Partindo da perspetiva da teoria da vinculação (Bowlby, 1969/1982) e do modelo processual de Belsky (1984, 2014), o presente estudo procurou analisar de que forma a satisfação com a parentalidade influencia o desenvolvimento infantil, considerando o papel mediador da vinculação segura. Pretendeu-se compreender se pais e mães que experienciam maior satisfação no seu papel parental tendem a estabelecer vínculos mais seguros com os filhos e se essa qualidade vincular se reflete em níveis mais elevados de desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças.
A amostra foi constituída por 60 cuidadores de crianças com idades compreendidas entre 1 e 6 anos, residentes em Portugal. Foram utilizados três instrumentos: a Parental Stress Scale (PSS; Berry & Jones, 1995), adaptação portuguesa de Algarvio et al., (2018); a Parent–Child Attachment Scale (PCAS; Cummings, 1980) e o Ages & Stages Questionnaires (ASQ-3; Squires et al., 2009). Os resultados indicaram uma associação negativa entre o stress parental e a vinculação, confirmando que cuidadores mais satisfeitos estabelecem vínculos mais seguros. Verificou-se ainda que a vinculação medeia parcialmente a relação entre satisfação parental e desenvolvimento infantil, sugerindo que a influência do bem-estar parental ocorre sobretudo através da qualidade da relação afetiva. A idade da criança e a escolaridade do cuidador emergiram como preditores significativos do desenvolvimento, reforçando o papel de fatores contextuais
