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Entradas recentes

Estatuto Socioeconómico e Prevalência de Dependência: Um Estudo Empírico sobre as Dimensões Sociais das Dependências Químicas e Comportamentais em Portugal
Publication . Teixeira, Mafalda Mendonça de Jesus de Assis; Martins, Jorge Simões
Vários estudos sugerem a existência de uma relação entre o nível socioeconómico e a prevalência de dependências químicas e comportamentais. Partindo da premissa de que a classe social é um determinante estruturante da saúde mental e do comportamento aditivo, o presente estudo procedeu a uma análise empírica da prevalência das dependências químicas e comportamentais em função do nível ou estatuto socioeconómico. A amostra foi composta por 207 adultos residentes em Portugal, com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos (M = 29,98; DP = 11,43), recrutados através de plataformas online, nomeadamente redes sociais como Facebook, Instagram e grupos de Whatsapp. Os participantes completaram um questionário online programado no GoogleForms, o qual foi composto por questões sociodemográficas e perguntas formuladas, com base nos critérios de diagnósticos do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) para determinar dependências químicas e comportamentais. Os resultados do presente estudo indicam que os indivíduos de nível socioeconómico mais baixo apresentam, em média, uma maior prevalência de dependências químicas e comportamentais, bem como uma maior severidade em alguns casos específicos, como no caso do consumo de tabaco e sedativos, hipnóticos e ansiolíticos (SHA). De destacar que se observam tendências consistentes, embora estatisticamente não significativas, que sugerem uma relação entre vulnerabilidade social e padrões mais severos de dependência. Este estudo suporta o papel crucial que as desigualdades estruturais e a exclusão social podem exercer na iniciação e manutenção das dependências químicas e comportamentais, defendendo assim uma abordagem multidimensional e integrada assente em políticas de saúde públicas e práticas clínicas que tenham em consideração o impacto que a vulnerabilidade socioeconómica pode ter na prevalência das mesmas. Assim, este estudo pretende contribuir para uma compreensão mais ampla da relação entre desigualdades sociais e saúde mental, nomeadamente no contexto de perturbações por consumo de substâncias químicas e outros comportamentos aditivos, oferecendo orientações para programas de intervenção sensíveis ao contexto social e mais adequadas, eficazes e alinhadas com as realidades sociais e económicas dos indivíduos.
Quiet quitting e desempenho contextual: O papel moderador da anti-work orientation
Publication . Simões, Ana Patrícia Felgueiras; Cesário, Francisco
O presente estudo teve como objetivo principal analisar a relação entre o fenómeno do Quiet Quitting e o Desempenho Contextual dos colaboradores, procurando compreender de que forma a Anti-work Orientation influencia ou modera esta relação. Procurando explorar como é que as atitudes face ao trabalho e os níveis de envolvimento se refletem em comportamentos organizacionais. A amostra foi constituída por 454 participantes, ativos no mercado de trabalho. Os resultados demonstraram uma relação negativa e significativa entre o Quiet Quitting e o Desempenho Contextual, confirmando parcialmente a hipótese inicial. Observou-se ainda um efeito de moderação da Anti-work Orientation na dimensão Amotivação do Quiet Quitting, reforçando o impacto negativo desta dimensão sobre o desempenho contextual. Por outro lado, a dimensão Falta de Iniciativa revelou um efeito negativo direto, mas não moderado. Estes resultados evidenciam a importância de compreender as novas atitudes face ao trabalho e os seus efeitos sobre os comportamentos organizacionais. Destacam-se implicações práticas para a gestão de recursos humanos, nomeadamente a necessidade de promover ambientes laborais que valorizem a motivação intrínseca, a autonomia e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, de modo a reduzir a propensão do Quiet Quitting e a potenciar o Desempenho Contextual.
Influência de variáveis ambientais nas atividades dos golfinhos-roazes (tursiops truncatus) na região do estuário do sado
Publication . Ferreira, Joana Cristina dos Santos; Santos, Manuel Eduardo dos
A população residente de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) do Estuário do Sado é uma das poucas comunidades estuarinas desta espécie na Europa, apresentando elevada importância ecológica e vulnerabilidade face a pressões antropogénicas. Este estudo analisou a relação entre variáveis ambientais locais e as atividades dominantes (alimentação, deslocação, socialização e repouso), visando compreender como o meio físico influencia o uso do habitat por esta população. A recolha de dados decorreu entre março e agosto de 2025, ao longo de 15 saídas de campo realizadas com a equipa da Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES). Foram registadas 151 observações comportamentais durante 40 h 42 min de esforço de amostragem, com golfinhos presentes em 73,3% dos dias. As posições dos grupos foram georreferenciadas e associadas a variáveis ambientais processadas em QGIS, sendo a influência destas avaliadas através de uma regressão logística multinominal. A profundidade, a distância à costa e o período do dia foram as variáveis que melhor explicaram as diferenças comportamentais. A deslocação foi a atividade mais frequente (52,7%), seguida da alimentação (25,3%) e da socialização (22,0%), enquanto o repouso foi registado apenas uma vez. A socialização ocorre preferencialmente em águas mais rasas, ligeiramente afastadas da margem e durante a tarde, enquanto a deslocação se associa a zonas mais profundas, próximas da costa e durante a manhã. A alimentação não revelou associações significativas com as variáveis testadas. Os resultados evidenciam o papel da heterogeneidade ambiental na organização espacial e temporal desta população, reforçando a importância de integrar dados espaciais e comportamentais em estratégias de conservação direcionadas a populações pequenas e isoladas.
Tendências motivacionais de aproximação ao álcool e a recompensas naturais: Implicações para a vulnerabilidade ao consumo problemático
Publication . Pinho, Raquel da Silva; Martins, Jorge Simões
A melhor compreensão dos mecanismos subjacentes ao consumo problemático de álcool e a dependência alcoólica, revela-se essencial para a criação e desenvolvimento de intervenções mais eficazes. A investigação recente em neurociências da adição tem demonstrado que o comportamento de consumo de álcool e outras drogas é regulado pela competição entre sistemas de processamento de recompensas, os quais se mostram implicados nas atividades essenciais à sobrevivência. No entanto, o consumo de álcool e outras drogas leva a um conjunto de neuroadaptações que interferem com a função destes circuitos, produzindo reforço e contribuindo para o desenvolvimento da dependência. O presente estudo centrou-se na compreensão que a sobrevalorização da recompensa associada ao consumo de álcool, em detrimento de recompensas naturais, pode acarretar para o consumo típico e problemático de álcool em indivíduos sem diagnóstico de perturbação ou dependência por consumo de álcool. A amostra foi composta por 750 estudantes universitários, a frequentar o Ensino Superior na Universidade de Missouri-Columbia (EUA) (M = 18,95 anos, DP = 1,69, 61,5 % mulheres, 595 Caucasianos). Os participantes preencheram um questionário online e realizaram uma versão da Approach-Avoidance Task (AAT), durante a qual foram expostos a imagens de bebidas alcoólicas, bebidas não alcoólicas e imagens neutras. Os resultados indicaram a existência de associações significativas entre as tendências motivacionais (ou viés) de aproximação do álcool, relativamente a recompensas naturais, e o consumo de álcool, binge drinking e consumo excessivo de álcool. Os resultados obtidos sugerem a importância de considerar as tendências motivacionais de valorização do álcool, relativamente à valorização de outras recompensas naturais, para possibilitar uma deteção precoce do risco de consumo problemático de álcool, e para informar o desenvolvimento de intervenções mais eficazes.
Entre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativa
Publication . Sampaio, João Loureiro; Ornelas, José Henrique
A presente dissertação, intitulada “Entre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativa”, tem como objetivo compreender as funções e significados atribuídos aos comportamentos autolesivos (CAL), tendo em conta os sentimentos e emoções associados aos momentos antes e depois da sua ocorrência, bem como a influência de experiências traumáticas, nomeadamente o abuso sexual, na génese e manutenção destes comportamentos. Partindo de uma abordagem qualitativa, o estudo baseia-se na realização de cinco entrevistas a jovens em acompanhamento psicoterapêutico com histórico de autolesão não suicida. A análise dos dados foi conduzida segundo o método de análise de conteúdo categorial-temática, que permite identificar padrões e dimensões emergentes a partir dos discursos dos participantes. Os resultados evidenciam a predominância das funções intrapessoais sobre as funções interpessoais, destacando-se a regulação do afeto, a autopunição, a substituição do sofrimento e o mecanismo de fuga como as mais frequentes. Estas funções traduzem uma tentativa de lidar com emoções negativas intensas, sentimentos de culpa, frustração e vazio, que atuam como mecanismos disfuncionais de regulação emocional. As funções interpessoais, como a influência interpessoal, surgem de forma menos expressiva, mas refletem a dimensão comunicacional e relacional do comportamento autolesivo. A análise sugere ainda que experiências traumáticas precoces, particularmente abusos físicos ou sexuais e relações familiares disfuncionais, constituem fatores de vulnerabilidade significativos, reforçando a relação entre trauma, desregulação emocional e autoagressão. O comportamento autolesivo emerge assim como uma forma de substituir a dor emocional por dor física e de restabelecer um sentido de controlo sobre o corpo e sobre as emoções. O estudo confirma a relevância clínica de compreender as funções psicológicas e comunicacionais dos CAL, sublinhando a necessidade de intervenções terapêuticas que privilegiem a regulação emocional, o reconhecimento do sofrimento subjetivo e a reconstrução da narrativa pessoal do trauma. As conclusões apontam para a importância de uma abordagem multidimensional e preventiva, que integre fatores biológicos, psicológicos e sociais, e para a valorização do papel da psicoterapia como espaço de simbolização e elaboração da dor.