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Intimidade com chatbots: Personalidade, pertença e antropomorfismo em jovens portugueses
Publication . Romeu, Joana Gonçalves de Menezes Montenegro; Pimenta, Filipa
Introdução: A evolução dos chatbots tem oferecido respostas rápidas e personalizadas,
que poderão ser valorizadas por adultos emergentes, que exploram relações e privilegiam
o contacto virtual. Este estudo teve como objetivos:1) explorar como traços de
personalidade, necessidade de pertença e antropomorfismo predizem a perceção de
intimidade com chatbots;2) adaptar instrumentos de avaliação para a interação humanochatbot.
Método: Participaram 480 adultos emergentes portugueses (18-29 anos; Midade=23,18;
DP=3,35) que responderam a um questionário sociodemográfico, de saúde e uso de
chatbot, seguido do Inventário de Personalidade, Need to Belong Scale, Questionário de
Antropomorfismo, Human-Robot Interaction Evaluation Scale e Functional Analytic
Psychotherapy Intimacy Scale.
Resultados: Sexo Masculino (β=-0,081; p=0,020), maior Frequência de Uso (β=0,177;
p<0,001), Necessidade de pertença (β=0,135; p=0,003), Sociabilidade (β=0,306;
p<0,001) e Vivacidade (β=0,242; p<0,001) predisseram maior Honestidade e
Genuinidade na interação com o chatbot. Maior Frequência de Uso (β=0,114; p=0,004),
Abertura à Experiência (β=0,107; p=0,011), Necessidade de pertença (β=0,092;
p=0,041), Sociabilidade (β=0,247; p<0,001), Estranheza (β=0,098; p=0,007) e
Vivacidade (β=0,385; p<0,001) predisseram maior Expressão de Sentimentos Positivos
com o chatbot. Sexo masculino (β=-0,167; p=0,001) predisse menos Pensamentos e
Sentimentos Escondidos e maior Estranheza (β=-0,225; p<0,001) predisse mais
Pensamentos e Sentimentos Escondidos na interação com a inteligência artificial.
Conclusão: Características individuais e pistas situacionais influenciam a perceção de
intimidade, aproximando as relações humanas às interações humano-chatbot e reforçando
a importância de um maior investimento na investigação nesta área que implica múltiplos
desafios ao nível do impacto sobre as interações, proteção de dados, entre outros, e sobre
a qual a literatura é ainda escassa.
Sentir para comer ou comer para sentir? A influência do stress percebido, alexitímia e interocepção no comportamento alimentar
Publication . Lemos, Maria Teresa de Noronha Loff Mascarenhas de; Oliveira, Gonçalo
O stress percebido tem sido identificado como um fator determinante na adoção de comportamentos alimentares mal adaptativos, juntamente com as dificuldades na regulação emocional presentes em indivíduos alexitímicos com baixos níveis de interocepção. O presente estudo pretende analisar de que forma estes três fatores predizem e influenciam o comportamento alimentar. A amostra foi constituída por 253 participantes da população geral, que completaram um questionário divulgado através de grupos e plataformas online, composto pelo: Consentimento Informado, por um Questionário Sociodemográfico, e pelas escalas de Perceived Stress Scale (PSS-10), Toronto Alexithymia Scale (TAS-20), Multidimensional Assessment of Interoceptive Awareness (MAIA) e Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ-21). Os resultados foram de encontro às hipóteses propostas, revelando que níveis mais elevados de stress percebido estão associados a uma maior tendência para um tipo de alimentação emocional e descontrolada, bem como a níveis superiores de alexitímia e inferiores de interocepção. Verificou-se ainda que o stress percebido e o índice de massa corporal (IMC) foram preditores significativos do comportamento alimentar mal adaptativo. Esta dissertação pretende reforçar a importância da consciência corporal e da regulação emocional na prevenção do desenvolvimento de perturbações de comportamento alimentar.
De repente, fico sem palavras: Impacto psicológico do trabalho com refugiados em profissionais na linha da frente
Publication . Pinto, Mateus Barbosa Osório; Matos, Lisa
Nos últimos anos, o número de pessoas a cruzarem fronteiras internacionais para fugir de situações de conflito, pobreza e perseguição tem crescido exponencialmente e, com esse crescimento, o papel dos países que têm acolhido estas populações também tem aumentado significativamente. Os e as profissionais que trabalham no acolhimento e integração de populações refugiadas estão expostos a uma multiplicidade de stressores e desafios passíveis de comprometerem o seu bem-estar e saúde mental. O presente estudo qualitativo visou compreender o impacto psicológico do confronto com os desafios do dia a dia do acolhimento e integração de pessoas refugiada em Portugal. Foram entrevistados 32 profissionais, a trabalhar sobretudo na região de Lisboa, entre fevereiro e março de 2025. Através da análise temática, foram identificados seis temas relacionados com: motivações (Tema 1: Desejo de contribuir para um mundo melhor); stressores (Tema 2: Confronto com os desafios do dia a dia e Tema 3: “De repente, fico sem palavras”); e impacto na saúde mental (Tema 4: Desidealização da profissão, Tema 5: Alteração das visões do mundo e Tema 6: “Quando terminas o dia, sais totalmente vazio”). Os resultados sugerem descrença no sistema de acolhimento português, alteração das visões do mundo dos e das profissionais e elevado desgaste emocional, com sintomas de stress traumático secundário e trauma vicariante. O presente estudo demonstra a necessidade de alteração de medidas políticas e do sistema de acolhimento, assim como a promoção de contextos de trabalho mais protetores da saúde mental e bem-estar dos profissionais.
Ensino dialógico e feedback: Contributos para uma prática reflexiva no 1º ciclo
Publication . Real, Catarina Esteves; Monteiro, Vera
This report is based on research that seeks to understand the relationship between dialogic teaching and oral feedback in the context of primary education. This study was developed as part of an internship, together with a third-year class comprising fifty-three children and three teachers. The purpose of this research is to understand which strategies promote a dialogic approach and what type of oral feedback a primary school teacher used and whether this is associated with dialogic principles.
The research was carried out in a private institution that valued formative assessment and co-teaching. Thirty-five children and two teachers participated in the study, which adopted a qualitative ethnographic methodology based on observations recorded in grids and field notes, and structured interviews with the classroom teachers. Data analysis was based on observation records from the different instruments and recordings of two interviews.
The results of this research indicate that, in the context observed, dialogic practices were developing: there were moments of participation and joint construction, on an ad hoc basis in specific situations. Teacher-led interactions predominated, and there was frequent use of product/person-centred feedback, but when dialogic strategies were employed, they showed potential for promoting reflection and self-regulation. Overall, the study points to the need for time, close monitoring and intentional planning to consolidate these practices, recommending longer-term research to evaluate their implementation.
Estilos parentais de mães durante a pandemia covid-19: Interseções entre sociodemografia e stress parental
Publication . Ferreira, Bianca Baptista; Miranda, Mariana Pires de
Este estudo investigou a relação entre stress parental e estilos parentais em mães portuguesas durante a pandemia de COVID-19, examinando ainda o papel moderador da profissão (carreira geral vs. profissionais de saúde) e da idade dos filhos (pré-escolar vs. escolar). Participaram 511 mães com idades compreendidas entre os 24 e 56 anos, com filhos entre os dois e os 18 anos. Os resultados mostram que níveis mais elevados de stress parental se associam a estilos parentais menos adaptativos, em particular ao estilo autoritário. Diferenças de idade dos filhos revelaram que mães de crianças em idade pré-escolar recorrem com mais frequência a práticas permissivas. Embora o efeito principal da profissão não tenha sido significativo, moderou a ligação entre stress e permissividade: a associação foi mais forte nas mães de carreira geral do que nas profissionais de saúde. Conclui-se que o stress parental, exacerbado pelo contexto pandémico, influencia negativamente as práticas parentais, sobretudo em termos de rigidez ou permissividade. A interação entre stress e profissão destaca o impacto na sobrecarga das mães de carreira geral, enquanto a fase de desenvolvimento dos filhos continua a ser um factor crítico para compreender variações nas respostas parentais. Estas evidências sublinham a necessidade de políticas de conciliação trabalho-família e de programas de apoio focados na regulação do stress parental em situações de crise.
