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Recent Submissions

Orientações motivacionais e relações interpessoais: Contributos para o desempenho académico no ensino superior
Publication . Costa, Marta Carina Marques da; Gouveia, Maria João
O desempenho académico no Ensino Superior tem sido associado, na literatura, à interação entre fatores individuais e relacionais que contribuem para a adaptação e envolvimento dos estudantes. Este estudo teve como objetivo analisar de que forma as orientações motivacionais para o bem-estar, de natureza hedónica e eudaimónica, se associam à qualidade das relações interpessoais no contexto do Ensino Superior e ao desempenho académico percebido. Participaram 137 estudantes do Ensino Superior, que completaram medidas de orientação motivacional (HEEMA), relações interpessoais (FAR) e desempenho académico (autorrelato). Os resultados evidenciaram que a orientação eudaimónica se associa positivamente à qualidade das relações interpessoais, enquanto a orientação hedónica revelou associações mais circunscritas ao relacionamento com os colegas. Verificou-se ainda que uma perceção mais positiva da relação com os professores está associada a um melhor desempenho académico, não se observando o mesmo efeito nas relações entre colegas. Contudo, não foram encontradas associações diretas entre as orientações motivacionais e o desempenho académico. Estes resultados sugerem que o impacto das orientações motivacionais para o bem-estar poderá refletir-se principalmente através das relações académicas que os estudantes constroem, sobretudo no vínculo estabelecido com os professores. Em termos globais, o estudo reforça o papel das dimensões relacionais na adaptação ao Ensino Superior e evidencia a relevância de modelos que integrem fatores motivacionais e relacionais na compreensão do percurso académico dos estudantes.
Comer e cuidar: Associações entre a vinculação dos cuidadores e práticas parentais alimentares em crianças em idade escolar
Publication . Lacerda, Joana de Almeida Santos Nunes de; Guedes, Maryse
Estudos prévios mostram que as representações de vinculação dos cuidadores influenciam a sensibilidade e a responsividade parentais, podendo refletir-se nas práticas alimentares adotadas com as crianças. Compreender estas interações é crucial para promover hábitos saudáveis e autorregulação. No estado atual do conhecimento, persistem lacunas sobre o papel específico da vinculação do adulto nas práticas parentais alimentares em cuidadores de crianças em idade escolar. Assim, O presente estudo pretendeu ultrapassar estas lacunas, analisando as relações entre a vinculação do adulto e práticas parentais alimentares. Participaram 102 cuidadores de crianças entre os 6 e aos 10 anos. Foram aplicados o Experiences in Close Relationships – Relationship Structures Questionnaire (ECR-RS) para avaliar a vinculação adulta e o Comprehensive Feeding Practices Questionnaire (CFPQ) para avaliar as práticas parentais alimentares. Os resultados indicaram predominância de práticas responsivas (equilíbrio/variedade, ambiente, monitorização, modelagem, envolvimento) refletindo sensibilidade e ajustamento às necessidades infantis. Verificou-se associação negativa entre ansiedade de vinculação e controlo da criança, sugerindo que cuidadores mais ansiosos tendem a conceder menor autonomia alimentar. Adicionalmente, observaram-se relações entre variáveis sociodemográficas e práticas alimentares: cuidadores com maior escolaridade adotaram práticas mais responsivas, enquanto a idade da criança se associou negativamente ao uso de pressão e monitorização. No geral, os resultados indicam uma influência limitada das dimensões da vinculação parental nas práticas parentais alimentares, sugerindo que outros fatores contextuais e desenvolvimentais possam ter um papel mais determinante na adoção das práticas alimentares. Esta evidência reforça a importância de promover uma parentalidade sensível e responsiva, ajustada às necessidades emocionais e alimentares da criança.
Perder-se no caminho: Uma investigação-ação sobre o consumo de álcool e o acesso ao tratamento entre migrantes em Portugal
Publication . Soares, Raquel Alexandra Macedo; Miranda, Mariana Pires
A população migrante em Portugal tem aumentado significativamente, trazendo novos desafios para os cuidados de saúde, particularmente no domínio da alcoologia. Este estudo qualitativo exploratório procura aprofundar os significados culturais atribuídos ao consumo de álcool e compreender as experiências de migrantes relativamente ao alcoolismo e aos serviços de saúde, com vista a informar a adaptação cultural de uma nova consulta especializada. Recorreu-se a uma metodologia de investigação-ação, combinando grupos focais e uma entrevista individual. A amostra comunitária, não probabilística por conveniência, integrou 16 líderes e membros ativos de associações que trabalham com migrantes e refugiados, na sua maioria dos PALOP, do Brasil, Sudeste Asiático e Leste Europeu. Os resultados da análise temática revelam que o consumo problemático de álcool entre migrantes é fortemente moldado por normas culturais e religiosas, sendo frequentemente associado a emoções de vergonha e a comportamentos de ocultação. O stress migratório emerge como o principal fator de risco, enquanto o estigma e as barreiras estruturais dificultam o acesso ao tratamento. Os resultados também demonstram como as associações comunitárias desempenharam um papel central, tanto na intervenção direta com as populações, como na mediação com os serviços de saúde, emergindo como interlocutores-chave na coconstrução de uma intervenção culturalmente sensível.
O papel da flexibilidade psicológica e do evitamento experiencial na relação entre a exposição a eventos traumáticos e a sintomatologia de stress pós-traumático nas forças de segurança
Publication . Amaro, Jéssica Filipa Fernandes; Neto, David Dias
Introdução: Os profissionais das forças de segurança vivem eventos potencialmente traumáticos que colocam à prova a sua resiliência psicológica. Esta realidade torna-os particularmente vulneráveis ao desenvolvimento de perturbação de stress pós-traumático. No entanto, processos psicológicos como a flexibilidade psicológica e o evitamento experiencial têm sido descritos na literatura como fatores determinantes na forma como os indivíduos lidam com o impacto do trauma, podendo atenuar ou intensificar a sua expressão sintomatológica. Objetivo: Analisar o papel mediador da flexibilidade psicológica e do evitamento experiencial na relação entre a exposição a eventos traumáticos e os sintomas de PTSD, bem como a influência dos traços de personalidade. Método: Participaram 1074 profissionais da PSP e da GNR, através de questionário incluindo medidas de PTSD, exposição a eventos críticos, flexibilidade psicológica, evitamento experiencial e personalidade. Resultados: A exposição traumática associou-se positivamente à sintomatologia de PTSD. A flexibilidade psicológica e o evitamento experiencial mediaram parcialmente esta relação, sendo o evitamento o mediador mais forte. Os traços de personalidade - extroversão, amabilidade, conscienciosidade, estabilidade emocional e abertura à experiência - correlacionaram-se com os sintomas, destacando-se a estabilidade emocional como fator protetor. Conclusão: Este estudo evidencia que a flexibilidade psicológica, o evitamento experiencial e os traços de personalidade influenciam a adaptação ao trauma, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada dos processos de ajustamento nas forças de segurança.
A satisfação conjugal: Relações com vinculação, regulação emocional e gratidão
Publication . Morgado, Clara da Mota Veiga Lopes; Santos, Antonio José dos
O presente estudo tem como objetivo a compreensão da relação entre a Vinculação e a Satisfação Conjugal, sob a influência das capacidades de Regulação Emocional e de Gratidão, dos participantes. A vinculação na idade adulta refere-se ao padrão emocional e comportamental, desenvolvido perante relacionamentos significativos, atuando sobre a perceção de satisfação no casal. A regulação emocional deve-se à capacidade de gestão emocional, enquanto a gratidão promove a valorização das ações do parceiro, esclarecendo a integração de tais variáveis na investigação. Para a concretização do estudo, foram utilizadas as seguintes medidas: Experiências nas Relações Próximas – Estruturas Relacionais (ECR-RS); Questionário de Regulação Emocional (ERQ); Questionário de Gratidão (GQ-6); Escala de Gratidão, Ressentimento e Apreço (GRAT); Escala de Ajustamento Diádico (RDAS). A presente amostra engloba adultos com idades compreendidas entre os 18 e 79 anos. Os resultados sugerem que, a gratidão diária detém de um papel mediador na relação entre vinculação segura e satisfação conjugal. Por outro lado, a supressão emocional não revela ter um papel mediador, na respetiva associação.