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Stress ocupacional e sintomas de ansiedade e depressão: Efeito mediador da satisfação laboral
Publication . Costa, Constança de Andrade de Oliveira; Moreira, Ana
O presente estudo tem como objetivo estudar a relação entre o stress ocupacional
e os sintomas de ansiedade e depressão e, posteriormente, o possível efeito mediador da
satisfação laboral nesta relação. Assim sendo, formulam-se as seguintes hipóteses: (H1)
a percepção de stress ocupacional tem um efeito positivo e significativo nos sintomas de
ansiedade; (H2) a percepção de stress ocupacional tem um efeito positivo e significativo
nos sintomas de depressão; (H3) a perceção de stress ocupacional tem um efeito negativo
e significativo na satisfação laboral; (H4) a satisfação laboral tem um efeito negativo e
significativo nos sintomas de ansiedade; (H5) a satisfação laboral tem um efeito negativo
e significativo nos sintomas de depressão; (H6) a satisfação laboral tem um efeito
mediador na relação entre o stress ocupacional e os sintomas de ansiedade; (H7) a
satisfação laboral tem um efeito mediador na relação entre o stress ocupacional e os
sintomas de depressão.
A amostra é constituída por 204 trabalhadores de diversas organizações situadas
em território nacional. Os resultados demonstram que o stress ocupacional tem um efeito
positivo e significativo nos sintomas de ansiedade e depressão. o stress ocupacional tem
um efeito negativo e significativo na satisfação laboral. A satisfação laboral tem um efeito
negativo e significativo nos sintomas de ansiedade e depressão. A satisfação laboral tem
um efeito mediador na relação entre o stress ocupacional e os sintomas de ansiedade e
depressão. De acordo com estes resultados, podemos concluir que o presente estudo
confirma a importância da satisfação laboral percecionada pelos trabalhadores
portugueses para a prevenção dos sintomas de ansiedade e depressão, consequentes do
stress ocupacional sentido pelos mesmos.
Além do medo de falhar: robustez mental e relação treinador-atleta
Publication . Figueiredo, Mariana Maria Bento Bello; Gouveia, Maria João
O medo de falhar constitui uma experiência psicológica relevante no contexto
desportivo, podendo afetar o bem-estar e o rendimento dos atletas. A literatura tem apontado a robustez mental e a qualidade da relação treinador-atleta como fatores cruciais na forma como os atletas lidam com esse medo.
Realizou-se um estudo quantitativo correlacional que teve como objetivo analisar
o papel da robustez mental e da qualidade de relação treinador-atleta sobre o medo de falhar. A amostra foi composta por 100 atletas, todos federados, praticantes de desportos coletivos, com idades compreendidas entre os 18 e 65 anos (M =24.22; DP =7.3). As
variáveis em estudo foram avaliadas pelas versões portuguesas do Mental Toughness Index (Gucciardi et al., 2015; Rodrigues, 2019), do Coach–Athlete Relationship
Questionnaire (Jowett & Ntoumanis, 2004; Pinho et al., 2024) e do Performance Failure Appraisal Inventory (Conroy et al., 2002; Correia, 2016).
Os resultados revelaram que como esperado, a robustez mental está associada
negativamente ao medo de falhar, indicando que atletas mais mentalmente robustos experienciam níveis inferiores de medo de falhar. A qualidade da relação treinador-atleta,
composta pelas dimensões, proximidade (respeito e confiança), compromisso (cognitivo,
intenções a longo prazo) e complementariedade (comportamento, ações cooperativas),
embora positivamente associadas à robustez mental, não apresentaram uma relação direta significativa com o medo de falhar. A análise de regressão confirmou que apenas a robustez mental se relaciona significativamente com o medo de falhar. Estes resultados reforçam a importância de integrar fatores pessoais e relacionais no desenvolvimento
psicológico dos atletas, como na prática em contextos desportivos.
Vinculação, resiliência e burnout em estudantes universitários
Publication . Sá, Susana Manuela de Sousa; Brandão, Tânia
No contexto do ensino superior, caracterizado por desafios emocionais, cognitivas e
sociais, observa-se uma prevalência preocupante de burnout entre estudantes universitários.
Definido como um estado de exaustão emocional, físico e mental associado ao stress crónico, este
fenómeno tem impacto negativo em múltiplos domínios, incluindo o bem-estar psicológico, o
desempenho académico e as relações interpessoais. A resiliência, entendida como a capacidade de
adaptação e recuperação perante adversidades, assume um papel particularmente protetor em
estudantes com estilos de vinculação insegura — ansiosa e evitante —, que apresentam maior
vulnerabilidade ao burnout.
Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre vinculação insegura, burnout e
resiliência, examinando especificamente o papel mediador dos fatores da resiliência —
competência pessoal (CP) e aceitação de si e da vida (ASV). Participaram 563 estudantes
universitários portugueses (77.3% mulheres), com idades entre 18 e 67 anos. Foram aplicados um
questionário sociodemográfico e as versões portuguesas de escalas de autorrelato que avaliam a
vinculação, a resiliência e o burnout. Os resultados revelaram níveis moderados de burnout,
sobretudo nas dimensões pessoal (M = 3.14; DP = .71) e académica (M = 3.08; DP = .81), com
diferenças significativas entre grupos em função do género, idade, relação estável, condição
cohabitante, envolvimento em atividades extracurriculares, pensamentos de desistência e
diagnóstico de doença. A resiliência, no fator aceitação de si e da vida, destacou-se como
mediadora parcial da relação entre vinculação ansiosa e burnout (β = 0.01; IC95% [0.01; 0.03]) e
mediadora total da relação entre vinculação evitante e burnout (β = 0.04; IC95% [0.02; 0.07]). O
fator competência pessoal não apresentou efeito mediador significativo.
Conclui-se que a vinculação insegura parece ser um fator de risco significativo para o
burnout em estudantes, sendo a resiliência — sobretudo a dimensão aceitação de si e da vida —
um mecanismo explicativo desta associação. Estes resultados reforçam a relevância de
intervenções que integrem competências de resiliência emocional e considerem os padrões de
vinculação, como elementos fundamentais na prevenção do burnout.
Aceitabilidade do Programa RAISE: Perceções de educadoras e professoras portuguesas com experiência com crianças dos 3 aos 8 anos
Publication . Silva, João Carlos Gomes da; Fernandes, Carla
A promoção de competências socioemocionais infantis está associada a contributos significativos, incluindo um maior bem-estar emocional e comportamentos sociais mais ajustados. Em Portugal, a implementação de programas de Aprendizagem Social (SEL) tem crescido substancialmente, porém, persiste a necessidade de programas cientificamente sustentados que promovam competências socioemocionais, envolvendo ativamente educadores e professores. O programa RAISE visa colmatar esta lacuna, capacitando agentes educativos de conhecimentos e estratégias para apoiar o bem-estar e o desenvolvimento das crianças, assim como a sua própria saúde mental (Speidel et al., 2024). Neste sentido, o presente estudo explorou as perceções de aceitabilidade de educadoras/professoras portuguesas de crianças dos 3-8 anos sobre o programa RAISE. A amostra incluiu 12 profissionais, com idade média de 46 anos. As participantes foram distribuídas, por conveniência, em três grupos de foco, conduzidos seguindo um guião semiestruturado desenvolvido de acordo com as guidelines na literatura (Krueger, 1998; Vaughn et al., 1996). A análise temática indutiva conduziu à identificação de 16 temas e 17 subtemas. Através de triangulação metodológica, de forma geral, os resultados demonstram que as participantes consideraram os objetivos, os conteúdos, as atividades e os materiais como globalmente adequados. Quanto ao seu formato, metade da amostra sugeriu um formato híbrido (online e presencial). Sobre a estrutura, propuseram modificações relativamente à ordem dos módulos e periodicidade de sessões de follow-up. Os resultados obtidos são promissores quanto à aceitabilidade do programa em Portugal e serve como premissa para o desenvolvimento de futuros programas de aprendizagem socioemocional, apoiando agentes educativos na promoção de trajetórias desenvolvimentais adaptativas.
Relação entre as orientações para o bem-estar, a dependência do smartphone, a empatia e o autocontrolo em jovens com restrição de uso do telemóvel numa escola
Publication . Giannetti, Giovanna Pires; Patrão, Ivone
O uso do telemóvel tornou-se amplamente disseminado entre adolescentes, constituindo-se como o principal meio de comunicação, entretenimento e interação social. No entanto, a utilização excessiva tem sido associada à dependência, dificuldades de atenção, menor desempenho escolar, redução da empatia, défices de autocontrolo e impactos negativos no bem-estar físico e psicológico. Em resposta a essas preocupações, Portugal implementou, em 2024, uma recomendação nacional para restringir o uso de telemóveis nos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, alinhando-se a políticas já adotadas noutros países europeus.O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre dependência do telemóvel, autocontrolo, empatia e as orientações hedónica e eudaimónica em adolescentes com idades entre 10 e 17 anos (M = 12,66; DP = 1,64). Recorreu-se a uma metodologia mista, envolvendo a aplicação de instrumentos validados para avaliação de variáveis psicossociais e questionários qualitativos destinados a recolher as perceções de alunos, pais e professores acerca dosefeitos da restrição do uso de telemóveis. Os resultados revelaram uma associação significativa entre a dependência do smartphone e a orientação eudaimónica, indicando que níveis mais elevados desta orientação correspondem a níveis inferiores de dependência. Não se verificou relação direta entre a orientação hedónica e a dependência. Contudo, observou-se que essa relação adquire significância quando o autocontrolo desadaptativo é considerado explicativo na relação entre ambas. Este, por sua vez, apresentou associação com a dependência do smartphone, configurando um dado inédito na literatura. Por sua vez, revelou-se positivamente uma associação entre a relação com a orientação hedónica e a adependência do telemóvel, através da mediação da empatia. Adicionalmente, esta apresentou mediar parcialmente a associação entre a orientação eudaimónica e a dependência de telemóvel.
