Repositório do ISPA
Repositório Institucional do Ispa-Instituto Universitário
Entradas recentes
Figuras de vinculação em contexto de divórcio: Perceções de base segura e porto seguro em crianças e jovens
Publication . Silva, Luna Reis de Jesus da; Santos, Antonio José dos
O presente estudo teve como objetivo analisar as perceções da vinculação de crianças e adolescentes em função do estado civil dos pais, considerando as dimensões de base segura e porto seguro nas figuras materna e paterna. Pretendeu-se, adicionalmente, explorar o papel do sexo e da idade como variáveis moderadoras, de modo a compreender de que forma estas influenciam as representações de segurança e disponibilidade parental após o divórcio. A amostra foi composta por 107 participantes, entre os 10 e os 14 anos, avaliados através da Kerns Security Scale (KSS), aplicada separadamente às figuras materna e paterna.
Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas nas dimensões paternas, indicando perceções menos seguras nos filhos de pais divorciados em comparação com os filhos de pais casados. As dimensões maternas, por sua vez, mantiveram-se estáveis, refletindo possivelmente a continuidade da disponibilidade e do suporte afetivo. Não se observaram diferenças significativas em função da idade ou do sexo, embora as raparigas tenham apresentado uma ligeira tendência para percecionar a relação materna como mais segura.
De forma geral, os resultados sugerem que o impacto do divórcio na vinculação depende menos do estado civil dos pais e mais da qualidade das relações parentais. A manutenção de pelo menos uma figura de vinculação sensível e previsível pode ter constituído um fator protetor essencial, permitindo reorganizar os modelos internos e
preservar o sentimento de segurança. Estas descobertas reforçam a relevância da teoria da vinculação como quadro interpretativo para compreender os processos de adaptação emocional em contextos de mudança familiar.
Complexidade línguistica e testemunho infantil em portugal: Análise de declarações para memória futura
Publication . Santos, Marta Afonso Daniel dos; Almeida, Telma Sousa
Objetivo: O presente estudo apresenta como principal objetivo explorar a relação
entre a complexidade linguística das perguntas colocadas pelos juízes portugueses, no âmbito
do procedimento legal de Declarações para Memória Futura (DMF), e a quantidade de
informação partilhada pelas crianças alegadamente vítimas de abuso sexual, e ainda se estas
se relacionam com a idade. Método: Para compreender esta relação, foram analisadas 147
entrevistas de DMF, realizadas no âmbito de processos judiciais ocorridos entre 2009 e 2014.
A complexidade linguística foi avaliada através de 8 medidas quantitativas dos componentes
de cada enunciado (número de perguntas, frases gramaticais, orações, frases, falsos começos,
palavras, comprimento das palavras, comprimento médio das frases). Resultados: A
complexidade linguística observada relacionou-se com a quantidade de detalhes partilhada de
forma inversa, sugerindo que quando a complexidade aumenta, a quantidade de detalhes
partilhados diminui. De igual forma, a complexidade linguística relacionou-se de forma
inversa com a idade, sugerindo também que quanto maior a complexidade linguística, mais
nova tende a ser a criança. Para além disto, a idade encontra-se ainda relacionada com a
quantidade de detalhes, quanto mais velha a criança, maior a quantidade de detalhes
partilhados. Conclusão: Em conjunto, estes resultados permitiram compreender as relações
entre a complexidade linguística, a idade e a quantidade de detalhes partilhados pelas crianças
em contexto judicial portug, contribuindo para uma melhor compreensão da influência da
linguagem judicial no testemunho infantil e reforçando ainda mais a importância de práticas
baseadas em evidência científica.
Coerência narrativa: Diferenças entre entrevistas com e sem protocolo NICHD
Publication . Santos, Ana Catarina Costa; Almeida, Telma Sousa
O presente estudo pretende explorar como o recurso do protocolo do NICHD poderá influenciar a coerência narrativa das declarações infantis em declarações para memória futura.
O estudo analisou 46 entrevistas com crianças entre os 3 e os 17 anos, alegadas vítimas de abuso sexual ou físico. Destas, 23 entrevistas foram conduzidas com base no protocolo do NICHD (Lamb et al., 2018) e 23 sem estrutura prévia. A investigação centrou-se
na análise da coerência narrativa das recordações das crianças, considerando os componentes fundamentais da gramática da história e os elementos espaciais e temporais das suas declarações. A codificação foi realizada segundo o esquema de Brown et al. (2018), que define nove categorias: Cenário, Evento Inicial, Resposta Interna, Tentativa, Consequência, Reação, Marcadores Temporais Simples, Marcadores Temporais Complexos e Marcadores Descritivos, permitindo avaliar a presença e a organização dos elementos estruturais das narrativas infantis.
A comparação entre os dois grupos de entrevistas revelou diferenças significativas na coerência narrativa. As entrevistas conduzidas com o protocolo do NICHD apresentaram níveis de coerência narrativa substancialmente superiores, incluindo um maior número de
elementos da gramática da história, em comparação com as entrevistas não estruturadas.
Assim, o uso do protocolo mostrou-se determinante para promover narrativas mais organizadas, completas e coerentes nas declarações das crianças.
O estudo valida a eficácia do protocolo NICHD, promovendo entrevistas forenses mais coerentes, humanas e credíveis, e defende a sua implementação com formação, supervisão e práticas centradas na criança.
Alienação parental: Perceções de profissionais que intervêm com menores em perigo
Publication . Varela, Filipa Alexandra Marques; Almeida, Telma Sousa
A Alienação Parental tem sido amplamente reconhecida como um fenómeno com
consequências significativas para a saúde mental das crianças e dos progenitores rejeitados.
Tem sido um termo apontado como controverso, apesar da crescente investigação sobre o
fenómeno, devido à ausência de consenso em termos de definição e medidas para identificar o
fenómeno. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo avaliar a autoperceção dos
profissionais relativamente ao seu grau de familiaridade com o conceito de Alienação Parental
e verificar se a familiaridade autopercecionada dos profissionais corresponde ao
conhecimento real sobre o fenómeno e as suas crenças sobre o impacto do fenómeno.
Adicionalmente, verificar de que forma as perceções e conhecimentos descritos variam
consoante características sociodemográficas, como o sexo e os anos de experiência
profissional na intervenção com crianças e jovens em risco. A amostra foi constituída por 188
participantes com idades compreendidas entre os 26 e os 67 anos e a recolha de dados teve
por base um questionário sobre a Alienação Parental. Os resultados evidenciaram que a maior
parte dos participantes se autopercecionam como familizarizados com o conceito. Não
obstante, os participantes familizarizados e não familiarizados não diferiam em termos de
conhecimento real do fenómeno. Adicionalmente, a Alienção Parental foi percecionada como
uma forma de violência.
Prática deliberada e desenvolvimento de competências interpessoais facilitadoras: um estudo longitudinal em psicoterapeutas em formação
Publication . Costa, André Ricardo Mendonça da; Sousa, Daniel Monteiro Cunha de
Problema: Embora a prática deliberada (PD) apresente eficácia reconhecida noutros domínios, o seu contributo específico para o desenvolvimento de competências clínicas em psicoterapeutas em formação continua pouco clarificado.
Objetivos: Avaliar se a PD promove melhorias nas competências interpessoais facilitadoras, analisar a congruência entre autoavaliação (FIS-SR) e heteroavaliação (FIS) e, de forma exploratória, examinar a evolução da discrepância entre ambas ao longo do tempo.
Método: Conduziu-se um estudo quantitativo de natureza pré-experimental, utilizando as medidas Facilitative Interpersonal Skills Performance Task e Facilitative Interpersonal Skills Self-Report. As avaliações foram recolhidas em três momentos distintos da formação,
permitindo comparar a progressão objetiva com a perceção subjetiva de competência.
Resultados: Identificou-se uma melhoria estatisticamente ignificativa das FIS ao longo dos três momentos, corroborando a eficácia da PD no reforço destas competências. As autoavaliações mantiveram-se consistentemente superiores às heteroavaliações, refletindo um
padrão de sobrestimação. Observou-se ainda uma tendência exploratória de redução da discrepância entre medidas, sobretudo explicada pela melhoria objetiva captada pela FIS.
Conclusões: Os resultados sugerem que a prática deliberada constitui um método promissor na promoção das competências interpessoais facilitadoras, embora persistam desafios na calibração metacognitiva dos formandos. Investigações futuras deverão recorrer a amostras
mais amplas e delineamentos mais controlados, explorando ainda variáveis adicionais que possam influenciar o desenvolvimento destas competências.
