Ornelas, José HenriqueSampaio, João Loureiro2026-01-282026-01-282025-12-11http://hdl.handle.net/10400.12/13832Dissertação de Mestrado apresentada no Ispa – Instituto Universitário para obtenção de grau de Mestre na especialidade de Psicologia ClínicaA presente dissertação, intitulada “Entre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativa”, tem como objetivo compreender as funções e significados atribuídos aos comportamentos autolesivos (CAL), tendo em conta os sentimentos e emoções associados aos momentos antes e depois da sua ocorrência, bem como a influência de experiências traumáticas, nomeadamente o abuso sexual, na génese e manutenção destes comportamentos. Partindo de uma abordagem qualitativa, o estudo baseia-se na realização de cinco entrevistas a jovens em acompanhamento psicoterapêutico com histórico de autolesão não suicida. A análise dos dados foi conduzida segundo o método de análise de conteúdo categorial-temática, que permite identificar padrões e dimensões emergentes a partir dos discursos dos participantes. Os resultados evidenciam a predominância das funções intrapessoais sobre as funções interpessoais, destacando-se a regulação do afeto, a autopunição, a substituição do sofrimento e o mecanismo de fuga como as mais frequentes. Estas funções traduzem uma tentativa de lidar com emoções negativas intensas, sentimentos de culpa, frustração e vazio, que atuam como mecanismos disfuncionais de regulação emocional. As funções interpessoais, como a influência interpessoal, surgem de forma menos expressiva, mas refletem a dimensão comunicacional e relacional do comportamento autolesivo. A análise sugere ainda que experiências traumáticas precoces, particularmente abusos físicos ou sexuais e relações familiares disfuncionais, constituem fatores de vulnerabilidade significativos, reforçando a relação entre trauma, desregulação emocional e autoagressão. O comportamento autolesivo emerge assim como uma forma de substituir a dor emocional por dor física e de restabelecer um sentido de controlo sobre o corpo e sobre as emoções. O estudo confirma a relevância clínica de compreender as funções psicológicas e comunicacionais dos CAL, sublinhando a necessidade de intervenções terapêuticas que privilegiem a regulação emocional, o reconhecimento do sofrimento subjetivo e a reconstrução da narrativa pessoal do trauma. As conclusões apontam para a importância de uma abordagem multidimensional e preventiva, que integre fatores biológicos, psicológicos e sociais, e para a valorização do papel da psicoterapia como espaço de simbolização e elaboração da dor.This dissertation, entitled “Between Pain and Emotional Regulation: Functions and Causes of Self-Injurious Behaviors from a Qualitative Perspective”, aims to understand the functions and meanings attributed to self-injurious behaviors (SIB), the emotions and feelings associated with them before and after their occurrence, as well as the influence of traumatic experiences, namely sexual abuse, on the genesis and maintenance of these behaviors. Based on a qualitative and exploratory approach, the study draws on five interviews conducted with young people undergoing sychotherapeutic treatment with a history of non-suicidal self-injury. Data analysis followed the categorical–thematic content analysis method, allowing for the identification of patterns and emerging dimensions within participants’ narratives. The results reveal the predominance of intrapersonal functions over interpersonal ones, highlighting affect regulation, self-punishment, substitution of suffering, and escape mechanism as the most frequent. These functions represent an attempt to cope with intense negative emotions, such as guilt, frustration, and emptiness, acting as maladaptive mechanisms of emotional regulation. Interpersonal functions, such as interpersonal influence, appeared less frequently but reflected the communicational and relational dimension of self-injurious behavior. The analysis further suggests that early traumatic experiences — particularly physical or sexual abuse and ysfunctional family relationships — constitute significant vulnerability factors, reinforcing the link between trauma, emotional dysregulation, and self-aggression. Self-injury thus emerges as a way to transform emotional pain into physical pain, restoring a sense of control over one’s body and emotions. The study confirms the clinical relevance of understanding the psychological and communicational functions of self-injury, emphasizing the need for therapeutic interventions that promote emotional regulation, recognition of subjective suffering, and reconstruction of the personal trauma narrative. The conclusions highlight the importance of a multidimensional and preventive approach, integrating biological, psychological, and social factors, and underscore the value of psychotherapy as a space for the symbolization and elaboration of pain.porDorRegulação emocionalComportamentos autolesivosPerspetiva qualitativaEntre a dor e a regulação emocional: funções e causas dos comportamentos autolesivos numa perspetiva qualitativamaster thesis204107440