Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/887
Título: Percepções de justiça em contexto escolar, relação com as autoridades e comportamentos de desvio na adolescência
Autor: Sanches, Ana Cristina Pires
Orientador: Pereira, Maria Gouveia
Palavras-chave: Psicologia educacional
Justiça
Adolescência
Comportamentos anti-sociais
Autoridade
Professores
Ensino
Desenvolvimento
Instrumentos
Educational psychology
Justice
Adolescents
Antisocial behavior
Authority
Teachers
Teaching
Development
Instruments
Data de Defesa: 2007
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Este trabalho tem como objectivo principal analisar o efeito das percepções de justiça relativas aos professores sobre a legitimação da autoridade escolar, a avaliação das autoridades institucionais e os comportamentos desviantes dos adolescentes. Pretendia-se assim articular os pressupostos do Modelo Relacional da Autoridade proposto por Tyler e Lind (1992) e a Teoria do Desvio Juvenil proposta por Emler e Reicher (1995) uma vez que, tanto quanto sabemos, esta relação nunca tinha sido analisada empiricamente. Segundo o Modelo Relacional da Autoridade, a legitimação das autoridades e a reacção às suas propostas e decisões resultam da avaliação que os indivíduos fazem da justiça dos procedimentos por elas utilizados e da qualidade do tratamento recebido (Tyler & Lind, 1992). Por sua vez, Emler e Reicher (1995) defendem que as atitudes dos adolescentes face às autoridades institucionais, que têm a sua origem nas experiências escolares e em particular no tipo de relação que estabelecem com os professores, determinam os comportamentos desviantes dos adolescentes. Assim, analisámos analisar em primeiro lugar, o impacto das percepções de justiça relativas aos professores sobre a legitimação da autoridade escolar e a avaliação das autoridades institucionais, formulando ainda a hipótese de que a legitimação da autoridade escolar é uma variável mediadora na relação ente as percepções de justiça relativas aos professores e a avaliação que os adolescentes fazem das autoridades institucionais. Em segundo lugar, analisámos o impacto das percepções de justiça relativas aos professores sobre os comportamentos desviantes dos adolescentes, bem como o efeito mediador da legitimação da autoridade escolar e da avaliação da autoridade escolar na relação ente as percepções de justiça relativas aos professores e a ocorrência de comportamentos desviantes. Participaram neste estudo 331 adolescentes da área da grande Lisboa, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos (M=15,5): 128 adolescentes frequentavam o ensino regular e 203 frequentavam o ensino técnico-profissional e todos eles se encontravam a frequentar um nível de ensino equivalente ao 2o ou 3 o ciclos do ensino básico. De um modo geral, os resultados vão no sentido das hipóteses colocadas, indicando em primeiro lugar que quanto mais os adolescentes percepcionam os seus professores como justos em termos procedimentais/relacionais, mais legitimam a autoridade escolar e mais positivamente avaliam a autoridade institucional. Para além disto, a legitimação da autoridade escolar teve um efeito mediador significativo na relação entre as percepções de justiça procedimental/relacional e a avaliação das autoridades institucionais. Em segundo lugar, os resultados indicam também que quanto mais os adolescentes percepcionam os professores como justos ao nível procedimental/relacional, menor é a ocorrência de comportamentos desviantes. Em relação ao efeito mediador da legitimação da autoridade escolar, os resultados mostraram uma mediação significativa entre as percepções de justiça procedimental/relacional e três dimensões do desvio: roubos, comportamentos violentos e de vandalismo e comportamentos disruptivos na escola. Deste modo, quanto mais os adolescentes percepcionam os professores como justos em termos procedimentais/relacionais, mais legitimam a autoridade escolar e, por sua vez, quanto maior é essa legitimação, menor é a ocorrência de roubos, comportamentos violentos e de vandalismo e comportamentos disruptivos na escola. Relativamente ao efeito mediador da avaliação da autoridade institucional, os resultados mostram uma mediação significativa entre as percepções de justiça procedimental/relacional e todas as dimensões do desvio. Assim, quanto mais os adolescentes percepcionam os professores como justos em termos procedimentais/relacionais, mais positivamente avaliam a autoridade institucional e, por sua vez, quanto mais positiva é essa avaliação, menor é a ocorrência de comportamentos aditivos e auto-destrutivos, roubos, comportamentos violentos e de vandalismo, comportamentos agressivos dirigidos a professores e comportamentos disruptivos na escola. Por último verificámos ainda a existência de diferenças significativas entre os alunos que frequentavam o ensino regular e os alunos que frequentavam o ensino técnico-profissional ao nível dos comportamentos desviantes, sendo estes últimos que apresentam uma frequência média mais elevada de comportamentos de desvio. Estas diferenças podem ser interpretadas à luz de um conjunto de factores escolares que indicam que os adolescentes do ensino técnico-profissional terão tido um percurso escolar mais negativo, apesar desta interpretação dever ser feita com algumas reservas, uma vez que não controlámos outras variáveis geralmente associadas ao desvio, que poderão ter influenciado os resultados, nomeadamente a idade e o género dos participantes. Os resultados deste estudo vão assim ao encontro das previsões do modelo relacional da autoridade proposto por Tyler e Lind (1992), indicando que autoridades são avaliadas positivamente e as suas decisões são obedecidas se os indivíduos considerarem que os procedimentos utilizados e as decisões tomadas são justos. E vão também ao encontro das previsões da teoria do desvio juvenil proposta por Emler e Reicher (1995), indicando que a avaliação da autoridade institucional se revela um importante preditor dos comportamentos desviantes dos adolescentes. Para além disto, os nossos resultados reforçam também a ideia de que as experiências que os adolescentes vivenciam no contexto da relação com os seus professores são generalizadas a outras figuras de autoridade extra-escolar, sugerindo que as percepções de justiça procedimental/relacional constituem um factor crítico dessa experiência, tendo implicações ao nível das atitudes e comportamentos que os adolescentes desenvolvem face às autoridades institucionais e, inclusivamente, ao nível do desvio juvenil.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/887
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