Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/865
Título: Adaptação social e escolar em contexto multicultural
Autor: Rodrigues, Fernando Jorge
Orientador: Santos, António José
Palavras-chave: Psicologia educacional
Auto-conceito
Auto-estima
Educação multicultural
Multiculturalismo
Instrumentos
Atitudes
Educational psychology
Self-concept
Self-esteem
Multicultural education
Multiculturalism
Attitudes
Data de Defesa: 2001
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Estudos no âmbito da desvantagem sociocultural e minorias étnicas em contexto escolar, tal como os de Díaz - Aguado ( 1993 ) e Jorge Ferreira ( 1997 ), estiveram na base da inspiração deste trabalho de investigação. Com a presente dissertação pretende-se estudar a problemática das diferenças étnicas e a interacção entre os grupos, maioritário ( etnia caucasiana ) e minoritário ( etnia africana ) numa escola, com alunos dos 2o e 3o ciclos do ensino básico. Sendo o nosso país, cada vez mais multicultural, por um lado devido ao nosso passado histórico com as ex-colónias e por outro, à nossa nova realidade no espaço europeu, traduzido pela complexificação do tecido social, devido a um processo de multicultural idade crescente, o que nos traz novas dificuldades na construção da identidade individual e social e neste caso concreto, dos alunos das nossas escolas. A violência, o racismo e/ou a xenofobia, o aumento dos níveis de pobreza e a exclusão social, são preocupações que merecem uma reflexão consciente e séria por parte dos responsáveis- que constróem a globalização, e aspiram cada vez mais a uma melhor qualidade de vida. O sistema educativo pode contribuir para a construção dos valores onde a tolerância e a solidariedade são papel fundamental na luta contra os estigmas que tanto afectam as minorias sociais das populações. Para isso a educação multicultural pode contribuir decisivamente para um modelo organizador de tais objectivos. Um modelo que desenvolva decisivamente o sentido da justiça, da democracia e do respeito pela diferença e que incida particularmente nos jovens que constituem a maioria do insucesso escolar. Provenientes dos grupos socialmente desfavorecidos e ligados à exclusão social. Os estudos de Díaz - Aguado ( 1993 b), mostram que é na escola e através de processos inconscientes, que as minorias étnicas são alvo das primeiras experiências de desvantagem e de exclusão. Processos ligados à desvantagem socio-económica, transformada em marginalização das referências históricas e culturais destes grupos nos curricula, assim como na relação pedagógica entre professores e colegas, ( tratamentos diferentes derivados dos processos de comunicação de expectativas e fenómenos de discriminação atitudinal de natureza assimétrica ). Como diz a autora, são os grupos de minorias que mais sofrem com os subtis processos de discriminação perante a escola institucional, que é apoiada essencialmente na cultura dominante. No âmbito deste trabalho de investigação importa assim analisar se a pertença a grupos socioculturalmente desfavorecidos faz aumentar a dificuldade de adaptação ao sistema escolar. Esta análise constitui o problema central do estudo e traduz-se em duas questões de investigação: Analisar as diferenças entre os alunos provenientes dos dois grupos étnicos relativamente a algumas variáveis que consideramos determinantes para a adaptação escolar traduzidos nos seguintes indicadores: - atitude face à aprendizagem e o auto - conceito intelectual. - analisar a relação existente entre o preconceito suscitado pelo contacto entre grupos de estatuto diferenciado e a adaptação ao sistema escolar pela avaliação das atitudes interétnicas ( componente cognitiva, avaliativa e comportamental ), o grau de identificação com o grupo étnico de pertença e o estatuto sociométrico. Para este estudo foi seleccionada uma amostra, proveniente de uma escola dos 2o e 3o ciclos do ensino básico cuja população era heterogénea, na qual faziam parte 540 participantes caucasianos ( portugueses de ascendência portuguesa e aparência física caucasóide ) e 103 africanos ( alunos nascidos em África ou de ascendência africana e com características negróides ), num total de 643 participantes. Para os trabalhos das análises efectuadas, foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Percepção e Atitudes face à escola, Escala de Auto - Conceito, Escala de Atitudes Étnicas ( componente cognitiva e comportamental ), Escala de Identidade Étnica e Instrumento Sociométrico (Método das Nomeações). Os resultados verificados neste estudo permitem verificar, que, nesta escola do ensino básico parece não haver grandes diferenças na adaptação social e escolar entre as duas etnias estudadas ( africanas e caucasianas ). Verificou-se que ambos os grupos étnicos no geral apresentaram uma disposição psicológica positiva face à escola. Contudo, ela era menos favorável em alguns aspectos nos alunos africanos, justificadas por algumas diferenças significativas existentes em algumas dimensões das atitudes face à escola, do auto-conceito e das atitudes interétnicas ( cognitiva / avaliativa e comportamental). A discussão destes resultados permitiu sintetizar as seguintes ideias: a inexistência de dificuldades significativas na adaptação ao sistema escolar do grupo minoritário parece ser suportada por dois vectores fundamentais. O primeiro é configurado num meio ambiente caracterizado por uma grande proximidade no nível socio-económico dos dois grupos étnicos que constituem o que permite uma coexistência tolerante e não promotora de vivências de desvantagem por parte das minorias. O segundo está relacionado com o trabalho desenvolvido na escola que parece induzir uma formação atitudinal positiva nos alunos de ambos os grupos, assim como, favorece a integração escolar dos sujeitos do grupo minoritário. As diferenças encontradas na motivação pelas tarefas de aprendizagem podem estar relacionadas com as discrepâncias culturais entre a escola e a população africana que nesta questão, não estariam tão defendidas pelas vivências acima referidas como no caso das outras dimensões das atitudes face à escola. Nas atitudes interétnicas também não se verificaram grandes diferenças significativas ainda que, através da maior dificuldade em superar o preconceito nas situações que envolvem interacção comportamental e das diferenças encontradas nas escolhas sociométricas, pode-se constatar alguma assimetria na relação atitudinal entre os dois grupos étnicos. Embora estes resultados mostrem a possibilidade de ser realizado um trabalho produtivo em contextos educativos multiculturais não devemos cair numa conclusão fácil sobre a inexistência de desvantagens reais na integração dos grupos étnicos na vida escolar. Neste sentido, a Psicologia e a Educação têm a obrigação de dar um contributo importante para a superação desta problemática.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/865
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