Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/849
Título: Ontogenia das preferências sociais no cão de gado
Autor: Ribeiro, Sílvia Isabel Rocha
Orientador: Inexistente
Data de Defesa: 2001
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: A importância da experiência precoce no desenvolvimento das preferências sociais constitui um tema central no estudo do comportamento animal. No entanto, apesar dos extensos estudos realizados, o nosso conhecimento dos detalhes do processo de vinculação (ou attachment) continua bastante incompleto em muitas espécies animais, entre as quais o cão. Com este estudo pretendeu-se contribuir para aprofundar o conhecimento de aspectos quantitativos e qualitativos do processo de vinculação no cão de gado - cães utilizados para proteger o gado dos ataques dos predadores e que não exibem comportamentos predatórios para com os animais domésticos que devem proteger - focando em particular a hipótese da neotenia como um mecanismo de diferenciação rácica. Para tal, foram utilizados cachorros pertencentes a duas raças caninas nacionais - Rafeiro do Alentejo e Cão da Serra de Aires -, que foram mantidos em situações sociais semelhantes até ao fim do período sensível de vinculação, sendo depois colocados em contacto físico directo com um parceiro social (cão ou ovino) da mesma idade, durante um período de tempo igual ao da primeira fase. Após esse período, todos os indivíduos foram sujeitos a um conjunto de testes comportamentais (de preferência social e de isolamento social) por forma a se verificar a existência de um vínculo social com os novos parceiros sociais. Para alguns dos animais envolvidos no estudo, foi igualmente realizada uma segunda experiência de reversão das preferências sociais. Estes testes permitiram verificar a existência de diferenças mais relevantes entre as duas raças de cães que entre as duas espécies estudadas e uma elevada variabilidade individual na raça Rafeiro do Alentejo. Foi confirmada a possibilidade de alterar a vinculação social inicial após um período prolongado de contacto físico directo com um novo parceiro social, a um nível intraespecífico para os cães (mas apenas para a raça Cão da Serra de Aires) e interespecífico para os ovinos. Para os ovinos foi confirmada a reversão da socialização para a espécie inicial de vinculação, num período de tempo muito curto (12 dias), que poderá ter sido facilitada pela socialização intraespecífica inicial. No Rafeiro do Alentejo parece verificar-se um desenvolvimento retardado dos comportamentos que impedem a socialização, permitindo a manutenção da curiosidade social (característica de animais muito jovens), e promovendo, assim, o estabelecimento de novos vínculos sociais. Esta interpretação dos dados parece indicar um grau acentuado de neotenia comportamental nesta raça, apoiando a hipótese da neotenia para a explicação da variação fenotípica no cão, baseada em alterações heterocrónicas durante a filogenia que conduzem ao retardamento do desenvolvimento e à retenção de características ancestrais juvenis no indivíduo adulto de uma espécie. Ao contrário do verificado noutros estudos, não se verificou uma correlação entre o número total e o tipo de vocalizações e o grau de actividade dos cachorros Rafeiro do Alentejo durante o isolamento social. Verificou-se, sim, uma elevada variabilidade interindividual na emissão de vocalizações de perturbação. Os resultados obtidos para os ovinos parecem apoiar o modelo de exclusão competitiva, proposto por Bateson (1981) para explicar o controlo da sensibilidade a estímulos externos durante os períodos sensíveis de vinculação, em detrimento do modelo do relógio interno. Segundo aquele modelo, o desenvolvimento comportamental é influenciado pela acumulação de experiências e não está dependente da regulação por um relógio fisiológico interno. No que diz respeito aos cães, não foi possível tirar conclusões válidas quanto aos modelos existentes, sendo proposto um modelo alternativo semelhante ao da validação funcional proposto por Hale (1969). Toma-se, no entanto, necessária a replicação das experiências com a mesma e outras raças de cães de gado, em virtude da reduzida dimensão da amostra, bem como considerar a realização de outro tipo de testes comportamentais, integrando aspectos neuroendócrinos e fisiológicos, que poderão traduzir de forma mais fiável a existência de vinculação social nos cães de gado.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Etologia
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/849
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