Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/680
Título: Psicoterapia em língua gestual: Construção da relação terapêutica com sujeitos com uma surdez profunda bilateral e análise dos seus aspectos transferenciais
Autor: Medeiros, Alexandra
Palavras-chave: Psicologia clínica
Surdos
Aliança terapêutica
Linguagem
Desenvolvimento
Psicoterapia
Psicanálise
Instrumentos
Clinical psychology
Deaf
Therapeutic alliance
Language
Development
Psychotherapy
Psychoanalysis
Instruments
Data de Defesa: 2005
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Os princípios básicos da terapia em geral, são aplicados quer a surdos quer a ouvintes, sendo que é na sua implementação que podemos encontrar as maiores diferenças, devido à necessidade de compreender como o paciente surdo recebe e conceptualiza a informação. A presente investigação procura analisar o processo envolvido na construção da relação terapêutica com sujeitos com uma surdez profunda bilateral e seus aspectos transferencias. A questão de investigação, surge na sequência da pratica clínica, onde se pode verificar empiricamente diferenças na forma como os sujeitos surdos aderem ao apoio psicológico e percepcionam a figura do terapeuta - ouvinte, transferindo nele todas aquelas desigualdades socioculturais, manifestas no setting terapêutico na forma de isolamento comunicacional. De forma a operacionalizar estas questões orientadoras, procedeu-se à análise das percepções dos sujeitos, de si mesmo, do terapeuta, da relação entre eles, bem como de alguns conceitos como confiança e comunicação, que pela natureza da própria surdez interferem directamente nas relações interpessoais, comparando-as com as percepções feitas na população ouvinte. Para além disso procurou-se ver se essas percepções em cada um dos grupos diferiam consoante a sua experiência pessoal no que respeita ao apoio psicoterapêutico, analisando mais uma vez, as diferenças entre os dois grupos. Para avaliar estas percepções, recorreu-se à Escala de Diferencial Semântico, para 9 conceitos analisados, por força das atribuições feitas, segundo o factor avaliativo e potência, para os quais cada um dos conceitos remete. Os resultados encontrados vão no sentido das premissas colocadas inicialmente, encontrando diferenças nas percepções entre os dois grupos, que parecem indicar uma tendência para maiores resistências à mudança. As maiores evidências parecem no entanto, centrar-se nas diferentes percepções da "Surdez" associando-a à Comunicação e Confiança, no sentido inverso. Ou seja quanto mais emocional for a percepção da surdez, mais racional será a percepção das relações interpessoais. Daqui resultam as diferenças essenciais da experiência de ser surdo, onde o sentido da surdez assenta num sentir diferente das relações interpessoais. A experiência da relação terapêutica difere nestes sujeitos, não por força de uma diferença do conceito em si, já que esta assume-se como semelhante nos dois grupos, enquanto construção única, independente da condição de ouvir. As diferenças prendem-se antes com as características dos dois intervenientes, e por isso mesmo com a experiência daquela relação particular. Assim os maiores desafios que se colocam na psicoterapia em língua gestual assenta na relação entre ambos estar sempre marcada por diferenças culturais, num sentir particular das relações que o surdo traz para as sessões terapêuticas, que se manifesta pelo domínio da língua. O uso da língua parece então reflectir uma experiência relacional distinta, se entendermos o desinvestimento afectivo à luz do conceito de mãe morta de Green, como o reflexo da ausência de um código linguístico, ou mesmo de uma comunicação afectiva, entre a mãe e o bebé. A relação é possível, mesmo sem a palavra, mas para isso é preciso que o terapeuta aceda às vivências precoces de "mãe morta", funcionando como um reparador daquela experiência "branca", dando cor ao mundo relacionai do sujeito. Este conceito de mãe morta encontra muitas similaridades no trabalho clínico com a população surda, principalmente quando analisado nos seus aspectos transferenciais, pelo que, tal como o autor, defendemos a necessidade de alterar modelos para nos adaptarmos a uma experiência de "aniquilamento psíquico", de forma a lhes darmos vida. É necessário fazer estes sujeitos sentirem-se narcisicamente investidos, ainda que para tal tenhamos que lutar contra contra a "infecção inconsciente" que falava Jung, vendo a experiência de "Ser Surdo" como "muito especial". A experiência de Ser Surdo parece assim, constituir o centro da análise terapêutica.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicopatologia e Psicologia Clínica
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/680
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