Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/668
Título: A maçã envenenada: Vinculação e relação de objecto na bulimia nervosa
Autor: Marta, Rita
Orientador: Sá, Eduardo
Data de Defesa: 1999
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: A bulimia nervosa é uma patologia que pode ser analisada à luz de vários modelos de compreensão. Este trabalho baseia-se fundamentalmente numa compreensão no âmbito das teorias psicanalíticas e da teoria da vinculação. Na perspectiva psicodinâmica a bulimia nervosa é encarada, pela maioria dos autores, como uma forma de patologia narcísica em que o sintoma alimentar representa uma saída comportamental / adictiva para dificuldades ao nível das bases narcísicas do eu. De acordo com esta perspectiva, a relação de objecto é considerada no contexto do funcionamento limite, com presença de angústia de abandono e de intrusão, 'e deslocamento desta problemática sobre o sintoma alimentar. A teoria da vinculação tem-se preocupado com a relação entre as disrupções na vinculação precoce e subsequentes estilos de vinculação inseguros, e os distúrbios alimentares. É previsível que haja uma relação entre a dinâmica interna de funcionamento psicológico na bulimia, e os seus estilos de relação interpessoal. Assim, este trabalho tem como objectivos: (1) estudar o estilo de vinculação nas jovens bulímicas; (2) debruçar-se sobre o mundo interno inconsciente da bulímica de um ponto de vista empírico, utilizando uma metodologia projectiva; (3) avaliar a relação entre a dinâmica das relações objectais internas, e estilos de relação interpessoal; finalmente, (4) procurar aprofundar o significado psicológico do sintoma. Para isso utilizou-se um instrumento de avaliação dos estilos de vinculação, que foi adaptado de um instrumento americano, o Adult Style Questionnaire, e o teste Rorschach. para o que se desenvolveu uma categorização dos protocolos que permitisse uma análise quantitativa. O instrumento de avaliação dos estilos de vinculação foi aplicado a uma amostra "normal" de 123 jovens universitárias de diversos estabelecimentos de Ensino Superior de Lisboa e a uma amostra clínica de 22 jovens com diagnóstico de bulimia nervosa (9 com história prévia de anorexia e 13 sem esta história). Às jovens bulímicas foi também aplicado o teste Rorschach. Os principais resultados obtidos sugerem uma vinculação receosa nas jovens bulímicas, com estratégias de ansiedade e de evitamento, por comparação com as jovens "normais". Além disso, as jovens bulímicas com história prévia de anorexia evidenciam maiores índices de ansiedade e evitamento nas relações do que as jovens bulímicas "puras". Verificou-se que o funcionamento das jovens bulímicas se situa fundamentalmente num registo limite, com predomínio da idealização e das temáticas orais e regressivas. O sintoma alimentar permite a exteriorização de uma agressividade / avidez oral, a qual, juntamente com uma idealização das relações objectais internas, tem uma função "adesiva" relativamente a estes objectos internos "danificados", tornando-os mais coesos do que de outro modo estariam. Constatou-se, além disso, mais psicopatologia nas bulímicas com história de anorexia, do que naquelas sem história de anorexia, nomeadamente com maior problemática fusionai na identidade, maior clivagem e danificação da função materna, e maior idealização de uma representação paterna desvalorizada. Isto sugere que o sintoma restritivo pode ser compreendido como uma procura de evitar uma ameaça fusional na identidade. Os resultados apontam ainda para uma associação entre maior ansiedade e evitamento na vinculação quando existe maior perigo fusionai na identidade, e as barreiras narcísicas perdem a sua eficácia, ocorrendo maior perigo de perda de limites. Além disso, foi possível compreender as dimensões internas correspondentes às variáveis de vinculação. Nomeadamente, a ansiedade corresponde a uma angústia de perda / intrusão pelo objecto interno, e o evitamento corresponde a uma fuga interna à relação. Termina-se o trabalho com uma interpretação pessoal da problemática da bulímica, procurando compreender esta psicopatologia como uma incapacidade simbólica no contexto da patologia do espaço potencial (no sentido de Winnicott), enfatizando também as dificuldades de acesso a uma verdadeira diferenciação e triangulação edipiana.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicopatologia e Psicologia Clínica
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/668
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