Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/666
Título: Escolha intertemporal e incerteza: Comportamentos individuais face a ocorrências monetárias puras, mistas e arriscadas
Autor: Martins, Luís Manuel S. P. Frutuoso
Orientador: Scholten, Marc
Data de Defesa: 1999
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Neste estudo, inserido na área da Psicologia Económica, procurou-se avaliar o efeito do tempo e do risco nos comportamentos de decisão dos indivíduos. Estes tiveram que avaliar diversos tipos de ocorrências monetárias e exibir as suas preferências. Assumiu-se que acontecimentos futuros e acontecimentos incertos têm menos peso para os sujeitos. Na revisão de literatura sobre o tema, percorreram-se inúmeros tópicos ligados à escolha intertemporal e arriscada. A partir daí, formularam-se várias hipóteses sobre escolha temporal (referentes ao sinal e à distância temporal dos acontecimentos), sobre escolha arriscada (referentes ao comportamento em situações de risco e à introdução de perdas e ganhos certos) e ainda à interligação de escolha temporal com escolha arriscada, pouco usual até aqui. Foi elaborado um questionário no qual estavam incluídas questões de escolha temporal bem como de escolha arriscada. Apesar das situações serem fictícias, procurou-se retratar situações reais, em contextos monetários correntes. No caso da escolha temporal, consideraram-se situações hipotéticas de ganhos e perdas puras, bem como situações mistas - as que envolvem ganhos e perdas na mesma ocorrência. Todos estes tipos de situações poderiam ocorrer imediatamente ou no futuro. No caso das situações puras, em perdas simularam-se situações de pagamentos às Finanças e em ganhos situações de reembolso. Em ganhos mistos (ganhos precedidos por uma perda de menor dimensão) retrataram-se situações de investimento e, em perdas mistas (perdas precedidas por um ganho de menor dimensão), situações de empréstimo. Não se estudou o efeito de dimensão da quantia, na parte de escolha temporal. Utilizou-se apenas uma quantia significativa, X = 200 000$ (embora com implicações nos valores proporcionais a X), de modo não tornar o questionário demasiado extenso. Da mesma forma., considerou-se apenas um delay para as situações diferidas (A = 6 meses). Para a escolha arriscada, consideraram-se situações igualmente hipotéticas, tendo como contexto várias aplicações em mercados financeiros. Os sujeitos eram confrontados com uma situação neutra ou com uma dada aplicação financeira que tinha sido realizada e que proporcionava um determinado resultado (favorável ou desfavorável, mas certo). Posteriormente, era dada a opção de arriscar, tranferindo o dinheiro para um novo fundo, que poderia piorar ou melhorar a situação anterior, com idêntica probabilidade (50%). A amostra foi constituída por 138 estudantes universitários finalistas ou pré-finalistas de três estabelecimentos de ensino distintos (Faculdade de Economia da Universidade Nova, Instituto Politécnico de Santarém e Instituto Superior de Psicologia Aplicada). Foram analisados os resultados de 129 indivíduos, dado que 9 não preencheram o questionário de forma coerente. Construíram-se quatro versões do questionário de modo a não viciar o raciocínio. A análise dos resultados permitiu efectuar as seguintes conclusões, para situações de escolha temporal: Os ganhos puros são mais descontados do que as perdas puras, existindo um fenómeno directo de aversão às perdas; - A distância temporal a que se encontram os acontecimentos pareceu não exercer efeito nas taxas de desconto, ao contrário do que está previsto em diversos estudos, nos quais se afirma que acontecimentos mais distantes são menos descontados do que acontecimentos mais próximos no tempo. O efeito do risco sobre a tomada de decisão também foi analisado e concluiu-se o seguinte: Em resultados com a mesma probabilidade de ocorrência (50%), a introdução de uma quantia superior (2X) possível de ser ganha em relação a uma situação de equilíbrio (que é aquela em que a dimensão dos ganhos possíveis iguala a das perdas) faz com que o jogo se torne mais atractivo, diminuindo a aversão ao risco; Em comparação com as preferências de sujeitos perante resultados equilibrados, existe um comportamento de procura de risco em escolhas arriscadas que envolvem perdas certas, embora de menor dimensão (0.25X); Em comparação com as preferências de sujeitos perante resultados equilibrados, os indivíduos exibem um comportamento de procura de risco em escolhas arriscadas que envolvam um ganho certo de menor dimensão (0.25X), ganho esse que não é suficiente para evitar que os indivíduos escolham a opção arriscada, nomeadamente se esta possibilitar o ganho de uma quantia consideravelmente superior (2.5X). Cruzando dados relativos à escolha temporal com dados referentes à escolha arriscada, foi possível concluir que: Indivíduos propensos ao risco descontam a taxas superiores, em situações de ganhos e perdas puras. Deverão ser estudados outros tipos de questões quotidianas, não necessariamente monetárias, de modo a verificar as preferências dos indivíduos face ao tempo e ao risco. Seria igualmente válido contemplar situações de ocorrências sequenciais e com diferentes probabilidades.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comportamento Organizacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/666
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