Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/621
Título: Modelos internos dinâmicos de vinculação, características temperamentais da criança e o contexto social: Que ligação?
Autor: Machado, Maria de Fátima Faria de Almeida
Palavras-chave: Psicologia educacional
Vinculação
Desenvolvimento
Desenvolvimento social
Normativas
Atitudes parentais
Educational psychology
Attachment behaviour
Development
Narratives
Parental attitudes
Data de Defesa: 2006
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Neste estudo pretendemos investigar a relação entre as representações de vinculação dos pais e mães e o temperamento da criança assim como a relação entre os modelos internos de ambos os pais e a responsabilidade parental, com base na teoria da vinculação, preconizada por Bowlby e Ainsworth. Cooperaram no presente trabalho os pais e as mães de 58 crianças com idades compreen¬didas entre os 29 e os 38 meses. Estas frequentam seis salas de creche, em três estabele¬cimentos de ensino particular. Utilizaram-se três instrumentos, tendo sido aplicados individualmente aos pais e às mães. As Narrativas de Representação de Vinculação em Adultos (Veríssimo et al., 2005) para avaliar a qualidade organizativa dos seus modelos internos dinâmicos. Através de palavras-chave os pais e as mães produziram Histórias adulto-adulto e Histórias adulto--criança, tendo o global, originado o Total das histórias. O Infant Characteristics Questionnaire (Bates, 1980, adaptação de Veríssimo & Santos, 2003) para analisar as perspectivas de ambos os pais sobre a expressão temperamento da criança, nas dimensões Difícil, Adaptação negativa à mudança, Irrequieto, Irregular e Tranquilo, nos seus comportamentos típicos quotidianos. O questionário da Responsabilidade Parental (Monteiro, Veríssimo, Castro & Oliveira, 2006) de modo a analisar a perspectiva dos pais e das mães sobre a divisão de tarefas e a responsabilidade parental nas dimensões Actividades Práticas e Actividades Lúdicas, relacionadas com a prestação de cuidados diários à criança no contexto família. Procedemos à análise estatística dos dados recolhidos, de modo faseado: sendo a primeira a fidelidade interna de cada instrumento, e as seguintes, as correlações verificadas pelos instrumentos e as variáveis relacionadas com os pais, mães, criança e contexto, e por fim, as correlações existentes entre os resultados proporcionados por cada um. Relativamente ao primeiro estudo empírico, centrámo-nos nos dados relativos às Narrativas de Representação de Vinculação em Adultos, obtendo-se os valores dos scripts de vinculação segura paternos e maternos (Waters e Rodrigues-Doolabh, 2004, manual não publicado). Nas Histórias adulto-adulto, os valores obtidos nos scripts identificaram modelos internos dinâmicos de vinculação segura e verificámos serem independentes. Nas Histórias adulto-criança e no Total das histórias, constatámos existir concordância. Não foram encontradas associações significativas entre os modelos internos paternos e os maternos e as variáveis relacionadas com os pais, mães, criança e contexto. Não foram encontradas diferenças significativas em função do género da criança. Temos de ter em conta o facto de serem duas figuras que partilham o mesmo espaço, valores e convicções influenciando-se no que concerne a questões relacionadas com os seus filhos (Steele, Steele e Fonagy, 1996), dando suporte à concordância obtida nas narrativas que envolvem adultos e crianças. No segundo estudo, analisámos as respostas dadas pelos pais e mães sobre as características temperamentais da criança, verificámos serem concordantes e não independentes (Bates, Freeland & Lounsbury, 1979). Na análise entre as perspectivas dos pais e mães e as variáveis relacionadas com ambos os pais, criança e contexto veri¬ficámos que as dimensões Difícil, Irrequieto e Irregular, na opinião do pai, encontram--se relacionadas com as idades dos pais e mães, habilitações literárias das mães e ao número de horas que a criança permanece na creche, respectivamente. Não foram encontradas diferenças em função do género da criança. Na opinião da mãe não encon¬trámos elementos subjectivos. Bates e Bayles (1984, cit. por Bates, 1989a) reconhecem que encontram nas respostas das mães. suporte sobre a realidade objectiva dos comportamentos das suas crianças, ainda que as percepções parentais possam estar associadas a preconceitos desses mesmos comportamentos contextualizados. No terceiro estudo, analisámos as respostas dadas pelos pais e mães no questionário de Responsabilidade Parental e verificámos existir a tradicional divisão de tarefas e da responsabilidade parental ao nível das Actividades Práticas, relacionadas com os cuidados diários à criança, enquanto nas Actividades Lúdicas constatámos a partilha das tarefas e da responsabilidade parental. As respostas dos pais e das mães demonstraram concordância, nem sempre sinónimo de partilha. Com base na média do total dos itens, na perspectiva dos pais e mães, a responsabilidade parental está a cargo de Quase sempre a mãe nas actividades relacionadas com a criança. Na análise de variância, verificámos uma discrepância nos valores inferiores das respostas das mães, comparativamente aos pais, considerando as respostas do questionário. Na análise entre as variáveis relacionadas com os pais, criança e contexto e a divisão de tarefas na opinião do pai e mãe, verificámos que a partilha das Actividades Lúdicas decresce com o aumento da idade da mãe e as Actividades Práticas estão negativamente associadas à idade da criança quando entrou na creche. Não foram encontradas associações em função do género da criança. Neste sentido, Monteiro et al. (2006) e Gouveia et al. (1991) referem o envolvimento dos pais com os filhos bebés e idade pré-escolar, independentemente do género da criança. Seguidamente, efectuámos a análise entre os pais e mães que não partilham e os que partilham as tarefas e as perspectivas de ambos sobre as dimensões do temperamento da criança. Verificámos que o pai que partilha, tem tendência para considerar o filho como menos difícil. O pai e a mãe que não partilham têm uma percepção comum, tradicional, sobre a irrequietude do filho comparativamente aos que partilham; a mãe que partilha dista da que não partilha e considera a criança mais irrequieta que o pai que partilha. Posteriormente, correlacionámos os scripts de vinculação de base segura do pai e mãe e as características temperamentais da criança. Verificámos não existirem associações signi¬ficativas na perspectiva das mães; no pai constatámos uma tendência para considerar que a mãe valoriza na criança, a dimensão do temperamento Adaptação negativa à mudança. Bates (1989a), refere que a área do temperamento representa o estudo, em simultâneo, do desenvolvimento social humano e psicobiológico. Com base na perspectiva de Bates, sobre o constructo de temperamento, Vaughn e Bost (1999) encontram semelhanças com a teoria de Thomas e Chess, com um estilo comportamental e, ao mesmo tempo, como sendo uma co-construção social, em que a expressão das dimensões do tempera-mento são muito próximas, se não coincidentes com as dos comportamentos da criança nas relações de vinculação, numa constante adaptação e ajuste entre os comportamentos dos seus intervenientes. Sroufe (1985) considera que as características endógenas podem actuar em paralelo com os comportamentos de vinculação. Seguidamente correlacionámos os scripts de vinculação do pai e mãe e os valores obtidos na divisão de tarefas dos que partilham e dos que não partilham. Verificámos não existirem de associações ou diferenças significativas. Na análise entre os scripts de vinculação do pai e da mãe e a responsabilidade materna e paterna dos que não partilham e dos que partilham as Actividades Práticas e as Actividades Lúdicas, constatámos não existirem associações ou diferenças significativas. Os modelos internos dinâmicos de vinculação dos pais, mediadores da qualidade de prestação de cuidados e das interacções que estabelecem com os filhos (Veríssimo et al., 2005), referem-se às próprias memórias e à organização das experiências de vinculação na infância na família de origem (Main e Goldwyn. 1984a, 1998a, cit. por Hesse, 1999; Main et al., 1985, cit. por van IJzendoorn, 1995), sendo representações mentais que envolvem comportamentos afectivos e cognitivos, organizativos e orientadores dos compor-tamentos dos indivíduos (Main et al., 1985. cit. por Veríssimo et al., 2005). Comparativamente a um passado recente, os pais, alvo deste estudo, demonstraram estar mais presentes no acto educativo, ainda que maioritariamente na vertente lúdica, assim como as mães demonstraram disponibilidade em partilhar as tarefas de natureza prática relacionadas com a criança, principalmente aquelas cujos filhos iniciaram a frequência da creche mais cedo.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/621
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