Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/500
Título: Distribuição vertical e ocupação diferencial do habitat de Lipophrys pholis (blenniidae), Coryphoblennius galerita (blenniidae), Gobius cobitis (gobiidae) e Gobius paganellus (gobiidae), na plataforma rochosa da costa do Estoril
Autor: Faria, Cláudia Barreiros Macedo de
Orientador: Almada, Vítor Carvalho
Data de Defesa: 1995
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Neste trabalho apresenta-se uma abordagem eto-ecológica das espécies Lipophrys pholis (Blenniidae), Coryphoblennius galerita (Blenniidae), Gobius cobitis (Gobiidae) e Gobius paganellus (Gobiidae) na plataforma rochosa da Costa do Estoril. Analisaram-se concretamente os problemas referentes à caracterização dos habitais preferenciais de cada espécie, ao estudo da distribuição dos indivíduos de cada espécie segundo a sua dimensão, à caracterização dos locais de nidificação, ao estudo do comportamento de selecção do substrato que cada espécie apresenta em aquário, ao estudo dos padrões de organização social e dos comportamentos agonísticos que afectam a competição intraespecífíca e finalmente ao estudo da importância dos comportamentos agonísticos interespecífícos como mecanismo de separação de habitat entre as espécies. Verifícou-se que nas populações estudadas, ocorre uma diferenciação nítida do habitat ocupado pelas espécies de cada família estudada, Gobiidae e Blenniidae, quer no que se refere aos locais de nidificação (pedras/abrigos na rocha), quer ao habitat utilizado pelos juvenis e adultos (canais/poças e abrigos na rocha), que poderá resultar de uma série de constrangimentos morfológicos, comportamentais, alimentares e provavelmente fisiológicos, característicos das espécies de cada família. Constatou-se que em habitais frequentados por mais do que uma espécie, ocorre também uma diferenciação do microhabitat utilizado, quer ao nível dos locais de nidificação, quer ao nível do habitat utilizado pelos juvenis e adultos, o que poderá estar relacionado com a dimensão típica de cada espécie, os diferentes hábitos alimentares e com a capacidade que cada espécie apresenta em tolerar diferentes graus de exposição à turbulência e acção das ondas. Relativamente às duas espécies de biénios estudadas, constatou-se que C.galerita é uma espécie altamente especializada, tanto ao nível alimentar como ao nível do microhabitat, recrutando para as mesmas poças onde permanece mesmo depois de atingir a maturidade sexual, ao contrário de L.pholis que é uma espécie mais generalista, a ambos os níveis considerados, sofrendo uma distribuição diferencial segundo a dimensão dos indivíduos, coexistindo com C.galerita apenas na fase de imaturo (de 3 a 7cm de dimensão). Os dados obtidos em aquário, sugeriram que apesar de em grupos monoespecífícos, a ordem de dominância ser determinada pelo tamanho dos indivíduos, em grupos heteroespecífícos, é o factor espécie a assumir essa função (dentro de certos limites de tamanho), sendo C.galerita a espécie dominante, seguida de L.pholis e por último G. cobitis. Enquanto que G.cobitis apresenta logo à partida uma preferência distinta por substrato de areia, ambas as espécies de biénios (com dimensões entre 3 a 7cm), apresentam preferências semelhantes entre si, por substrato de rocha e abrigos na rocha, o que sugere a existência de competição interespecífica, entre estas duas espécies. Observou-se que L.pholis altera radicalmente as suas preferências, quando em presença de C.galerita, sendo "empurrado" para o substrato de maior exposição (areia), o que poderá sugerir que, na natureza, a competição interespecífica actue ao nível da separação do microhabitat entre estas duas espécies. Ainda do estudo em aquário, verificou-se que cada espécie apresenta um reportório comportamental específicos e bem adaptado ao tipo de microhabitat em que vive, observando-se uma maior semelhança entre as duas espécies de biénios, ao nível dos comportamentos agonísticos estudados. Foi sugerido que a pressão de selecção que estas duas espécies sofreram, no sentido de diminuírem a agressividade nos encontros agonísticos, foi semelhante entre si, e mais acentuada que no caso de G.cobitis. Finalmente, verificou-se que em Portugal todas as espécies estudadas se reproduzem mais cedo e durante mais tempo, que em zonas de maior latitude, o que aliado à ocorrência de um crescimento mais rápido, observado em ambas as espécies de biénios, parece permitir que em Portugal estas espécies atinjam a maturidade sexual mais cedo que em países de maior latitude, maximizando assim o seu potencial reprodutor
Descrição: Dissertação de mestrado em Etologia
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/500
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