Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/497
Título: Ortografia - desempenho e representações: Um estudo comparativo no 4º ano de escolaridade
Autor: Enes, Vanda Maria Pires Martins Almeida
Orientador: Martins, Margarida Alves
Data de Defesa: 1999
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: O objectivo central do estudo foi o procurar perceber quais as representações sobre as normas ortográficas por parte de um grupo de alunos do 4o ano de escolaridade, através de uma análise a três níveis - a sua conduta ortográfica (ditado), as suas representações sobre ortografia reveladas nas transgressões intencionais e as representações elaboradas a um nível verbal explícito (entrevista). Neste estudo de tipo comparativo, tentaram equacionar-se as diferenças e as semelhanças entre alunos com bom e com mau desempenho ortográfico, nestes três níveis, partindo-se da hipótese geral de que as crianças que revelassem um melhor desempenho ortográfico seriam aquelas com representações mais adequadas sobre as normas ortográficas e com maior habilidade de transgressão intencional dessas normas, e que, inversamente, as crianças com fraco desempenho ortográfico seriam as que possuiriam representações menos adequadas sobre as normas ortográficas e teriam menor habilidade na transgressão intencional dessas normas. A amostra foi constituída um grupo de 48 alunos, com uma média de idade de 9A e 11M, a frequentar 4o ano de escolaridade num estabelecimento de ensino privado da Grande Lisboa. Com base nos resultados obtidos na primeira prova - ditado, e tendo em consideração o número de erros, foram formados dois grupos, de dez alunos cada, como representativos dos extremos da amostra. Com um dia de intervalo, realizou-se a segunda prova - a transgressão intencional. Após esta tarefa, os alunos previamente seleccionados com base nos seus resultados no ditado foram entrevistados individualmente. A entrevista centrou-se somente nas transgressões de palavras escolhidas anteriormente, pedindo-se aos alunos uma explicação da causa da transgressão e uma forma de a evitar. Os resultados obtidos foram analisados estatisticamente pelo teste t de student e pelo Mann-Whitney, com o intuito de comparar os desempenhos dos dois grupos, nas diversas provas. No ditado, os dois grupos seguiram a tendência do Grupo Geral ao centrarem os seus erros na categorias Correspondência Fonográfica - Substituição e Acentuação -Omissão. Na transgressão intencional registaram-se diferenças significativas entre os dois grupos quer no total de transgressões cometidas (p igual a .0295) quer na categoria Correspondência Fonográfica - Deslocamento, apresentando o grupo com pior desempenho ortográfico no ditado (Grupo 2) valores de médias mais elevados. Nos dois grupos, a categoria com maior média foi a Correspondência Fonográfica - Substituição. As substituições feitas nesta categoria foram bastante diferentes para os dois grupos. O Grupo 1 cometeu transgressões substituindo grafemas que, na sua maioria, não alteraram a homofonia da palavra. Estas manipulações coincidiram, em muitos casos, com os erros sofridos no ditado pela maioria dos elementos do Grupo Geral e estão, igualmente, em conformidade com vários estudos em que são as grafias homófonas o erro mais frequente (Bosman & Van Orden, 1997, Morais & Teberosky, 1994; Sousa, 1996). Ao reconhecerem a fonologia como determinante na ortografia das palavras os elementos do grupo com melhor desempenho ortográfico mostraram-se mais hábeis na sua manipulação, enquanto o outro grupo transgrediu muitas vezes não considerando este aspecto. Na entrevista, em ambas as questões formuladas, o Grupo 2 centrou cerca de metade das suas respostas nas categorias 1 e 2 (Resposta vaga e não adequada à palavra transgredida e Desconhece a causa). O Grupo 1 revelou ser mais hábil nas suas explicações - cerca de 80% das suas respostas (pergunta 1 e 2) correspondem às categorias que fornecem justificações apropriadas às transgressões por eles cometidas. Registou-se uma diferença, que apesar de não-significativa (p igual .055), é considerável na categoria 1, com valores mais elevados para o Grupo 2. Na primeira questão, registaram-se diferenças significativas em termos de resposta dos dois grupos na categoria 8 (Desconhecimento das regras de acentuação), em que o Grupo 1 teve uma média mais elevada e p assume o valor de .037. Atendendo às 3 categorias em que há distinção entre respostas verbais explícitas e implícitas, registou-se uma predominância do Grupo 1, em duas dessas categorias, com diferenças com significado estatístico face ao outro grupo - 3A (1a pergunta) com p igual a .004 e 8A (2a pergunta) com p igual a .026. Estes dados parecem ir de encontro às hipóteses formuladas para este estudo, em que um melhor domínio ortográfico parece estar relacionado com uma melhor explicitaçao verbal do conhecimento (Morais & Teberosky, 1994) o que, segundo a perspectiva de Karmiloff-Smith (1995), resulta de mudanças dos níveis de explicitação das representações mentais do sujeito.
Descrição: Dissertação de mestrado em Psicologia Educacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/497
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