Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/446
Título: Burnout nos profissionais dos centros de atendimento de toxicodependentes: Causas e consequências
Autor: Correia, Anabela G.
Orientador: Barracho, Carlos
Data de Defesa: 1997
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: Baseando-nos no modelo de Jackson, Schwab e Schuler (1986a), para determinar as causas e consequências do burnout, neste estudo apresentamos um modelo integrado de burnout, onde analisaremos as possíveis relações entre factores antecedentes ou preditores de burnout (organizacionais e individuais) e as consequências deste no comportamento de um grupo específico. As variáveis preditoras do burnout, foram classificadas em a) factores organizacionais, que correspondem às subescalas definidas pela Work Environment Scale (envolvimento, coesão, supervisão, autonomia, orientação, pressão, clareza, controlo, inovação e conforto) e b) factores individuais como o sexo, idade, escolaridade, estado civil, existência de filhos, grupo profissional, funções de chefia, tempo de exercício na função', vínculo laborai e horas que trabalha por dia. Para as consequências foram consideradas as seguintes variáveis: turnover, absentismo, satisfação no trabalho e sintomas psicossomáticos. O burnout foi definido como uma síndroma composta por três componentes: exaustão emocional, despersonalizacão e realização pessoal, de acordo com Maslach e Jackson (1981a). A população considerada foram todos os profissionais dos Centros de Atendimento de Toxicodependentes de Lisboa e Vale do Tejo (N=188). Destes, 88-sujeitos, 47% da amostra total, responderam aos instrumentos. Foram colocadas as hipóteses de que o burnout estava associado com alguns dos dez factores organizacionais considerados e com alguns dos dez individuais, que influenciariam este. Para as consequências hipotetisámos a relação do burnout com as quatro variáveis retiradas da literatura, .acima referidas . Utilizámos um instrumento composto por três questionários: o Maslach Burnout Inventory (MBI) para avaliar os três componentes do burnout, o Work Environment Scale (WES) para avaliar os factores organizacionais e um conjunto de questões para avaliar os factores individuais e as consequências do burnout no comportamento. No que respeita à validação das escalas, na escala MBI os resultados encontrados apontam no sentido de boas qualidades métricas, no que respeita à consistência interna e validade. Quanto à escala WES, no que respeita à consistência interna esta não apresentou tão boas qualidades métricas, mas apesar de não serem os resultados desejáveis, considerámo-los aceitáveis. Baseados no Maslach Burnout Inventory, verificamos que apenas na subsescala de exaustão emocional, os sujeitos apresentam valores elevados da síndroma de burnout (média = 26). Atendendo às hipóteses colocadas, para o tratamento dos dados, procedeu-se à análise de variância (ANOVA) e à análise de regressão (regressão linear múltipla), relativamente aos factores individuais e organizacionais, respectivamente. Os dados sugerem que em relação aos factores preditores de burnout estudados, poucas associações foram verificadas, e as encontradas apresentaram uma grande dispersão, não sendo possível comprovar ou infirmar com precisão a existência de preditores de burnout e as consequências deste, mas apenas fazer inferências acerca do tipo de associação positiva ou negativa entre as variáveis. Em relação aos factores individuais, significativas diferenças foram encontradas entre as variáveis sexo, idade e tempo de exercício na função na dimensão exaustão emocional e entre a variável tempo de exercício, na função e a despersonalização. Verificando-se assim, que são os profissionais do sexo masculino e os profissionais que têm menos de 25 anos, que parecem ser os grupos mais afectados com a síndroma de exaustão emocional. Quanto ao tempo de exercício da função, constatou-se que são os profissionais com menos de 1 ano de experiência profissional, que apresentam níveis mais altos de exaustão emocional e os com mais de 10 anos de experiência profissional, que apresentam níveis mais altos de despersonalização. Quanto aos dez factores organizacionais considerados somente em três se verificou alguma relação com as subescalas do Maslach Burnout Inventory, são: a pressão no trabalho associada à exaustão emocional; a autonomia e o envolvimento associados à despersonalização e à realização pessoal. No que respeita às consequências, verificamos que os sintomas psicossomáticos, a satisfação no trabalho e o turnover, são os factores mais associados à síndroma de burnout. Assim, apesar das correlações encontradas não serem fortes, verificamos que a exaustão emocional é a dimensão que mais se relaciona com os sintomas psicossomáticos. Apresentando a satisfação profissional uma associação negativa com a despersonalização e positiva com a realização pessoal. Quanto ao turnover constatamos que são os profissionais que mais desejam sair da organização, os que apresentam maiores níveis de despersonalização, e os que não desejam sair os que se sentem mais realizados profissionalmente. Atendendo a estes resultados, um modelo mais compreensivo deverá ser desenvolvido sobre a relação entre preditores, sintomas psicológicos de burnout e as consequências deste. As organizações deverão preocupar-se em diagnosticar factores que têm um efeito significativo nos aspectos do burnout e implementar estratégias para prevenir e reduzir o burnout e as suas consequências, porque não o fazendo colocam em risco o bom funcionamento dos serviços.
Descrição: Dissertação de mestrado em Comportamento Organizacional
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/446
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