Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/398
Título: Resolução natural de conflitos e competência social num grupo de quatro anos de idade em meio pré-escolar
Autor: Carreiras, Joana Filipa Costa Lima
Palavras-chave: Etologia
Educação pré-escolar
Desenvolvimento social
Desenvolvimento
Amizade
Relações entre pares
Instrumentos
Q-sort
Ethology
Preschool education
Social development
Friendship
Peer relation
Instruments
Data de Defesa: 2007
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: À semelhança dos primatas não-humanos, as crianças que convivem num ambiente pré-escolar, possuem uma estrutura social complexa e dinâmica assente em mecanismos de competição e de cooperação. Os pares são importantes recursos sociais para as crianças em ambiente pré-escolar, pois, entre outras coisas, são fontes de brincadeira, o que permite experimentar a troca de ideias, perspectivas, papéis, acções. Deste modo, a negociação, a discussão e o conflito com os pares possibilitam que as crianças aprendam a compreender os pensamentos, emoções, motivos e intenções (Booth, et al., 1995). No entanto, são frequentes os episódios de conflito, com vista a ganhar ou manter o acesso a recursos limitados, levando as crianças a desenvolver estratégias de resolução de conflitos. No presente estudo, foi analisada uma estratégia em particular, a reconciliação, ou seja, os episódios em que os indivíduos após um conflito, interagem de forma afiliativa, e a sua relação com a competência social. Participaram 25 crianças portuguesas de 4 anos de idade, incluindo 14 indivíduos do género feminino e 11 do masculino, frequentando um Jardim de Infância nos arredores de Lisboa. A recolha de dados para a reconciliação foi realizada em contexto de sala, através do método PC-MC (Post-conflict/Matched Control) (de Waal & Yoshihara, 1983), através de uma amostragem focal de um indivíduo após o conflito (PC) e em condição de controlo (MC). Para averiguar o índice de reconciliação do grupo, foi calculada a tendência conciliatória corrigida-TCC (Veneema et al., 1994), tendo sido obtida uma TCC de 55%. Para analisar a competência social dos indivíduos foi utilizado o California Child Q-set (Block & Block, 1980, cit, por Funder & Block, 1989), após observação ao longo de 3 semanas, durante cerca de 20 horas, por dois observadores, individualmente. Neste Q-sort, os itens são descritivos de comportamentos e características da personalidade das crianças desta faixa etária. O perfil descrito pelos observadores foi correlacionado com o perfil da criança mais competente socialmente, definido por especialistas da área do desenvolvimento. De um modo geral, verificou-se que a frequência de ocorrência da reconciliação está associada à competência social, ou seja, os indivíduos que são competentes tendem a ser socialmente eficazes na gestão de conflitos para obtenção dos recursos limitados. É provável que os indivíduos que são V competentes socialmente numa primeira fase do desenvolvimento, neste caso aos quatro anos, em princípio, e tendo em conta a estabilidade da competência social, tendam a ser competentes em fases posteriores do desenvolvimento. Neste estudo, no caso das raparigas, estes factores estão associados positivamente, ou seja, quanto mais competentes são, maior a tendência que demonstram para manifestar comportamentos de cooperação com os outros, o que provavelmente está relacionado com algumas características do género feminino que têm vindo a ser debatidas na literatura. Por um lado, os objectivos sociais mais dirigidos para a manutenção de relações positivas, por outro lado, o tipo de estratégia mais flexível e pró-social, associado a comportamentos de cooperação e de reconciliação. No caso dos rapazes, a associação, no geral, entre estas variáveis é negativa, o que pode reflectir o facto dos seus objectivos sociais parecerem estar mais dirigidos para o grupo, e para o seu estatuto do que propriamente para a manutenção de relações positivas. Este facto pode explicar porque é que quanto mais competentes os indivíduos são, menos tendência demonstram para se envolverem em comportamentos de cooperação com os pares. Estas características parecem estar associadas ao facto dos rapazes utilizarem estratégias mais rígidas e coercivas para resolver os conflitos. Neste sentido, os resultados relativos a esta amostra parecem indicar que as diferentes estratégias de resolução de conflito estão provavelmente associadas a diferenças de género. No entanto, permanece a dúvida de qual será a estratégia mais eficaz para alcançar os recursos sociais, será a estratégia pró-social ou a coerciva, ou serão os indivíduos bi-estratégicos, que utilizam ambas estratégias consoante o contexto, os que são socialmente bem sucedidos?
Descrição: Dissertação de Mestrado em Etologia
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/398
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