Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/351
Título: As consequências do trabalho por turnos nos enfermeiros do Hospital de Santa Marta
Autor: Bastos, Paula
Palavras-chave: Psicossomática
Enfermeiros
Trabalho por turnos
Ritmos biológicos
Sono
Sonho
Psychosomatic
Nurses
Workday shiffs
Biological rhythms
Sleep
Dreems
Data de Defesa: 2005
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: O trabalho por turnos é um problema para a maioria dos trabalhadores e constitui um problema de saúde muitas vezes ignorado. Os enfermeiros pertencem a um grupo de profissionais particularmente sujeito a este tipo de regime de trabalho. A escolha deste tema recaiu sobre o facto de praticar o trabalho por turnos há vários anos e de ter vivenciado os diversos problemas relatados por vários autores, nomeadamente perturbações gástricas, do sono, do humor e fadiga. Assim, a nossa experiência profissional associada aos conhecimentos adquiridos ao longo do mestrado em Psicossomática, encaminharam-nos para a realização de um estudo mais aprofundado nesta área. Para este trabalho aplicamos uma metodologia de tipo exploratório/descritivo, transversal e comparativo. Estabelecemos como objectivo geral descrever o impacto do trabalho por turnos nos enfermeiros a desempenhar funções no serviço de Medicina e Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP) do hospital de Santa Marta, em Lisboa, Como objectivos específicos foram delineados os seguintes: - Identificar as principais perturbações somáticas nos enfermeiros que trabalham em regime de horário rotativo e fixo. - Comparar a incidência das alterações somáticas entre os enfermeiros com horário rotativo e fixo. - Descrever as características do sono nos trabalhadores por turnos e em horário fixo. - Comparar os aspectos do ritmo sono-vigília entre enfermeiros com regime de horário rotativo e fixo. - Conhecer a vida onírica dos enfermeiros. - Identificar as diferenças que possam existir entre os indivíduos que trabalham em esquema rotativo ou fixo. Este estudo pretende fazer correlações entre a alteração do ritmo sono-vigília, com o aparecimento de alterações somáticas, e as alterações psíquicas traduzidas em perturbações específicas dos sonhos nos enfermeiros a trabalharem por turnos. Ao longo do trabalho pretendemos testar as seguintes hipóteses: PH - Espera-se encontrar mais perturbações na saúde física e mental nos enfermeiros da nossa amostra, contrariamente aos enfermeiros em horário fixo. - Espera-se encontrar um sono mais perturbado nos enfermeiros que trabalham por rumos, em comparação com os enfermeiros em horário fixo. - Espera-se encontrar uma vida onírica mais perturbada nos indivíduos que trabalham por turnos. A amostra do nosso estudo é constituída pela população de enfermeiros a trabalhar por turnos à mais de seis meses nos serviços de Medicina (11 indivíduos) e UCIP (14 indivíduos). Como se pretende fazer uma comparação entre os dois regimes de horário, foi utilizado como grupo de testemunha os enfermeiros a trabalhar na consulta externa do mesmo hospital, em horário fixo (manhãs). Como instrumentos de recolha de dados foi utilizada uma bateria de questionários denominada "Estudo Padronizado do Trabalho por Turnos" (ETTP). Deste conjunto de questionários, utilizamos as seguintes secções: questionário do sono, questionário de saúde física e questionário geral de saúde e situação doméstica Foi elaborado ainda um novo questionário sobre a temática sono e sonho em colaboração com o Professor Mendes Pedro, com o objectivo de complementar a informação obtida. A recolha de dados recorreu entre Setembro e Dezembro de 2004. Foi solicitada a colaboração dos enfermeiros, assegurando a confidencialidade e o anonimato. Após tratamento estatístico, as conclusões encontradas são: - Os enfermeiros que trabalham por turnos não apresentam mais perturbações na saúde física e mental, em comparação com os enfermeiros em horário fixo. - As perturbações mais sentidas são a nível gastro-intestinal, nomeadamente a perturbação do apetite, azia/dores de estômago, sensação de inchaço, cólicas e dispepsia, e afectam ambos os grupos. - Os enfermeiros que trabalham em horário fixo apresentam tendencialmente um índice de perturbação psicológica mais elevado que os enfermeiros que trabalham por turnos, traduzido por um discurso mais deprimido e com baixa da auto¬ confiança. - Foram encontradas mais perturbações do sono nos enfermeiros que trabalham por turnos, comparativamente com os enfermeiros em horário fixo. - O sono dos enfermeiros que trabalham por turnos é menos reparador e de menor qualidade. - Os enfermeiros que trabalham por turnos não apresentam uma vida onírica mais perturbada, quando comparados com os enfermeiros em horário fixo. - A maioria dos enfermeiros (65.7%) não se conseguem recordar de nenhum sonho, sendo que os enfermeiros que trabalham em horário fixo se recordam menos (cerca de 16.6%). - Os enfermeiros que trabalham em horário fixo responderam menos afirmativamente à questão "as pessoas nos meus sonhos têm rosto". - Não foram encontradas correlações entre a presença de perturbações somáticas e a recordação dos sonhos. Espero que este estudo ajude no futuro a elaborar formas de pensar sobre o problema do trabalho por turnos, segundo o modelo psicossomático, de modo a permitir uma visão mais globalizante do trabalho por turnos e de quem o pratica.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Psicossomatica
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/351
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