Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/296
Título: Estratégias de muda de plumagem e ciclos de afluência à colónia em Cagarras Calonectris diomedea borealis
Autor: Alonso, Hany Rafael de Drummond Ludovice Garcia
Palavras-chave: Etologia
Comportamento animal
Reprodução
Alimentos
Cigarras
Ethology
Animal behaviour
Reprodution
Food
Moult
Data de Defesa: 2007
Editora: Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Resumo: A muda das penas é um processo vital mas dispendioso em termos energéticos para as aves. A ocorrência de outros eventos desgastantes no ciclo anual das aves, como a reprodução e a migração, pressupõe uma calendarização que optimize os custos e benefícios dos vários processos. A cagarra, uma ave marinha que possui uma época reprodutora que ocupa parte considerável do ciclo anual, apresenta uma sobreposição parcial da sua muda das primárias com a época reprodutora, fenómeno pouco usual entre as aves pelágicas. Nas Selvagens, o timing do início da muda das primárias (8,6% das aves estava em muda activa em Setembro) está atrasado em relação à Berlenga, onde 43,7% das aves já se encontrava a mudar as primárias. Estas diferenças dever-se-ão a uma menor disponibilidade alimentar na área envolvente às Selvagens em relação às Berlengas. Este facto é corroborado pelas baixas afluências de indivíduos reprodutores falhados à colónia da Selvagem, ao contrário do que acontece na Berlenga. As aves que falham a reprodução deverão ficar com uma maior disponibilidade temporal e energética para o exercício de outras actividades. Tanto nas Selvagens como nas Berlengas, a proporção de aves que iniciaram a muda das primárias em Setembro é maior em aves que falharam a reprodução (75% nas Selvagens e 90% nas Berlengas), do que em aves que se encontram a alimentar crias (7,7% nas Selvagens e 25,9% nas Berlengas). A disponibilidade alimentar e o sucesso reprodutor são dois factores que influenciam o timing de muda nas cagarras, o que mostra a existência de trade-offs entre a actividade reprodutora e a muda da plumagem, com consequências em termos da ocorrência de diferentes estratégias de muda. As cagarras que nidificam nas Selvagens apresentam ciclos de afluência às ilhas que possuem um padrão bem definido e único. No entanto, pouco se sabe acerca da regulação e funções destes ciclos. Neste estudo, recorrendo a contagens de indivíduos na colónia e informações de actividade recolhidas através de data-loggers, estudámos a estrutura destes ciclos. Encontrámos diferenças na duração dos mesmos, entre a fase de pré-incubação (7,5 ± 1,6 dias) e a fase de incubação/criação (9,3 ±1,3 dias). A amplitude, embora não seja diferente entre as fases, mostrou-se bastante baixa nas primeiras semanas de Abril (0,367 ± 0,165). A afluência à colónia, tanto diurna como nocturna, de machos (0,816 ± 0,098 machos na colónia/total) e fêmeas (0,518 ± 0,052) é diferente, tendo sido mais elevada para ambos no princípio de Abril. A sincronização entre cagarras de diferentes locais da Selvagem Grande está ligeiramente desfasada (em cerca de um dia) e a aparente sincronização dos casais parece resultar do comportamento cíclico de afluência, não sendo maior num casal do que em quaisquer dois indivíduos da colónia. Os factores climatéricos, com excepção da intensidade do vento, não estão relacionados com o número de cagarras presentes na colónia. As diferenças na estrutura dos ciclos entre diferentes fases da época reprodutora estarão relacionados com a elevada afluência à colónia no princípio de Abril. Os desfasamentos temporais nos ciclos entre aves de diferentes áreas sugerem que a sincronia entre as aves da mesma área poderá ser determinante na regularidade dos ciclos e, de forma indirecta, na sincronia entre os membros de cada casal. Muito embora os factores climatéricos na colónia não aparentem ter um papel relevante na regulação dos ciclos, não se pode excluir a hipótese de que outros factores extrínsecos possam intervir na regulação dos mesmos. Palavras-chave: Ciclos de afluência, Calonectris diomedea A muda das penas é um processo vital mas dispendioso em termos energéticos para as aves. A ocorrência de outros eventos desgastantes no ciclo anual das aves, como a reprodução e a migração, pressupõe uma calendarização que optimize os custos e benefícios dos vários processos. A cagarra, uma ave marinha que possui uma época reprodutora que ocupa parte considerável do ciclo anual, apresenta uma sobreposição parcial da sua muda das primárias com a época reprodutora, fenómeno pouco usual entre as aves pelágicas. Nas Selvagens, o timing do início da muda das primárias (8,6% das aves estava em muda activa em Setembro) está atrasado em relação à Berlenga, onde 43,7% das aves já se encontrava a mudar as primárias. Estas diferenças dever-se-ão a uma menor disponibilidade alimentar na área envolvente às Selvagens em relação às Berlengas. Este facto é corroborado pelas baixas afluências de indivíduos reprodutores falhados à colónia da Selvagem, ao contrário do que acontece na Berlenga. As aves que falham a reprodução deverão ficar com uma maior disponibilidade temporal e energética para o exercício de outras actividades. Tanto nas Selvagens como nas Berlengas, a proporção de aves que iniciaram a muda das primárias em Setembro é maior em aves que falharam a reprodução (75% nas Selvagens e 90% nas Berlengas), do que em aves que se encontram a alimentar crias (7,7% nas Selvagens e 25,9% nas Berlengas). A disponibilidade alimentar e o sucesso reprodutor são dois factores que influenciam o timing de muda nas cagarras, o que mostra a existência de trade-offs entre a actividade reprodutora e a muda da plumagem, com consequências em termos da ocorrência de diferentes estratégias de muda. As cagarras que nidificam nas Selvagens apresentam ciclos de afluência às ilhas que possuem um padrão bem definido e único. No entanto, pouco se sabe acerca da regulação e funções destes ciclos. Neste estudo, recorrendo a contagens de indivíduos na colónia e informações de actividade recolhidas através de data-loggers, estudámos a estrutura destes ciclos. Encontrámos diferenças na duração dos mesmos, entre a fase de pré-incubação (7,5 ± 1,6 dias) e a fase de incubação/criação (9,3 ±1,3 dias). A amplitude, embora não seja diferente entre as fases, mostrou-se bastante baixa nas primeiras semanas de Abril (0,367 ± 0,165). A afluência à colónia, tanto diurna como nocturna, de machos (0,816 ± 0,098 machos na colónia/total) e fêmeas (0,518 ± 0,052) é diferente, tendo sido mais elevada para ambos no princípio de Abril. A sincronização entre cagarras de diferentes locais da Selvagem Grande está ligeiramente desfasada (em cerca de um dia) e a aparente sincronização dos casais parece resultar do comportamento cíclico de afluência, não sendo maior num casal do que em quaisquer dois indivíduos da colónia. Os factores climatéricos, com excepção da intensidade do vento, não estão relacionados com o número de cagarras presentes na colónia. As diferenças na estrutura dos ciclos entre diferentes fases da época reprodutora estarão relacionados com a elevada afluência à colónia no princípio de Abril. Os desfasamentos temporais nos ciclos entre aves de diferentes áreas sugerem que a sincronia entre as aves da mesma área poderá ser determinante na regularidade dos ciclos e, de forma indirecta, na sincronia entre os membros de cada casal. Muito embora os factores climatéricos na colónia não aparentem ter um papel relevante na regulação dos ciclos, não se pode excluir a hipótese de que outros factores extrínsecos possam intervir na regulação dos mesmos.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Etologia
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/296
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