Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/1676
Título: A percepção que a mãe tem do temperamento do bebé: Desenvolvimento da percepção e a sua relação com o comportamento da criança e com o comportamento, irritabilidade e auto-eficácia maternas
Autor: Pires, António Augusto Pazo
Data de Defesa: 1997
Editora: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto
Resumo: A revisão de literatura inclui três temas principais. O primeiro e o temperamento infantil. Nesta parte começamos por definir o temperamento e temperamento difícil, apresentamos várias dimensões de temperamento assim como as principais teorias e instrumentos existentes para o medir e discutimos a sua origem e estabilidade temporal. A seguir são apresentados os modelos teóricos que procuram descrever a relação entre o temperamento da criança e a interacção mãe-criança e feita uma revisão sobre emocionalidade negativa. Por fim, é discutido o significado do temperamento infantil enquanto avaliação feita através de questionários preenchidos pelos pais e enquadrada esta discussão nas teorias existentes sobre percepção interpessoal. O segundo tema é a irritabilidade. Depois de referir alguns aspectos históricos é definido o conceito de irritabilidade através das principais teorias existentes: A teoria de Spielberger, as teorias cognitivistas e teorias não cognitivistas, teoria neo-associacionista e sociológica. Definimos também irritabilidade parental e fazemos a revisão bibliográfica deste tema à luz do modelo de Theodore Dix sobre as emoções dos pais nas suas interacções com os filhos. Finalmente, é discutida a relação entre percepção de temperamento e irritabilidade materna. O terceiro tema é a percepção de auto-eficácia. Define-se auto-eficácia em geral onde a teoria de Bandura é predominante, para depois se definir auto-eficácia materna e fazer a revisão de literatura sobre a relação entre temperamento e auto-eficácia materna. Após esta revisão crítica da literatura são formuladas as principais questões e predições deste estudo que se prendem com o desenvolvimento da percepção de temperamento nos primeiros seis meses e com a relação entre esta percepção e o comportamento da criança e da mãe e a irritabilidade e auto-efícácia maternais. Foi delineado um estudo longitudinal com 60 mães primiparas entre os 21 e 35 anos. contactadas em escolas de preparação para o parto e os seus bebés, metade de cada sexo. Todas as mães foram contactadas 4 vezes nas suas próprias casas. O primeiro contacto foi feito no terceiro trimestre de gravidez e serviu para recolher dados socio-familiares. Os contactos seguintes foram feitos no Io, 3o e 6 mês após o parto. Nestas ocasiões foram aplicadas: Uma escala de impaciência/irritabilidade; uma escala de auto-eficácia materna; um questionário de temperamento infantil existente para os 4-7 meses. Foi feita uma gravação audio do choro da criança e preenchido no fim da visita várias escalas sobre comportamentos da criança e da mãe. O estudo permitiu verificar que é possível construir um questionário de temperamento para os primeiros meses preenchendo uma lacuna entre os questionários já existentes para o período neonatal e os questionários para os 6 meses. A Análise de Componentes Principais evidencia no nosso estudo um conjunto de 3 dimensões semelhantes às encontradas por outros autores em estudos anteriores. A solução encontrada para os três momentos de avaliação é semelhante e as diferenças revelam alguma modificação da estrutura do temperamento. As duas dimensões principais estão relacionadas com o temperamento difícil sendo numa delas predominante o choro e noutra a previsibilidade dos ritmos biológicos do bebé. A estabilidade temporal destas medidas de temperamento é moderada e mais elevada do que as encontradas noutros estudos. Dos vários comportamentos estudados, os comportamentos positivos da mãe tendem a estar associados a comportamentos positivos do bebé. Por exemplo, a resposta da mãe ao comportamento social positivo do bebé mantêm-se associada do primeiro para o terceiro mês com o estado de alerta e vocalizações do bebé, e o afecto positivo da mãe mantêm-se associado do terceiro para até ao sexto mês às vocalizações positivas da criança. Quanto ao choro, os bebés que choram mais no primeiro mês têm mães com comportamento menos adequado aos ritmos e necessidades do bebé e os que choram mais no sexto mês têm mães mais próximas e envolvidas. Quanto à relação entre o choro do bebé e a percepção de temperamento existe uma associação, mas esta relação é fraca apontando para a necessidade de no futuro se considerar este conceito distinto do comportamento ou temperamento da criança. A impaciência/irritabilidade e a auto-eficácia da mãe também se encontram associadas à percepção de temperamento. As mães mais impacientes e menos auto-eficazes acham os filhos mais chorões e imprevisíveis. Quanto à dimensão de temperamento Chorão/Difícil é predita no primeiro mês pelo choro do bebé e pela sensação materna de irritabilidade e a percepção de temperamento imprevisível. No terceiro e sexto mês, só a sensação de auto-eficácia materna tem algum valor explicativo e mesmo assim pequeno. Quanto à dimensão de temperamento Imprevisível é predita no primeiro mês pelo peso e choro da criança, pela percepção de temperamento Chorão/Difícil e sensação de auto-eficácia materna. Aos 3 meses a sensação de auto-eficácia já tem o maior valor explicativo, tendo a sensação de irritabilidade materna e o choro do bebé ainda algum contributo. Aos seis meses só a sensação de auto-eficácia materna apresenta um valor explicativo apreciável.
Descrição: Tese de Doutoramento apresentada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/1676
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