Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/1675
Título: A avaliação formal no 1º ciclo do ensino básico: Uma construção social
Autor: Pinto, Jorge Manuel Bento
Orientador: Formosinho, João
Palavras-chave: Psicologia educacional
Avaliação
Critérios de avaliação
Aprendizagem
Escola primária
Práticas
Interacção social
Disciplina na sala de aula
Ensino
Professores
Educational psychology
Evaluation
Criteria evaluation
Learning
School-age-children
Teacher
Teaching
Practices
Social interaction
Classroom discipline
Data de Defesa: 2002
Editora: Universidade do Minho
Resumo: Esta investigação centra-se na avaliação formal dos alunos ao longo de um ano lectivo numa escola do Io ciclo. O facto desta avaliação ser imposta administrativamente, ser a face socialmente visível da avaliação, ser produzida num órgão de decisão colectiva e dar lugar a uma informação aos pais, toma estes processos particularmente interessantes para compreender como se constrói a avaliação ao longo do ano, em termos das práticas dos professores avaliadores, quais os seus significados em termos da relação ensino/aprendizagem e ainda quais os valores dominantes de uma cultura institucional de avaliação no Io ciclo do Ensino Básico. O quadro teórico de referência assenta essencialmente na problemática da avaliação, em particular na psicologia da avaliação escolar, e na construção social da avaliação. Nesta perspectiva, a avaliação é entendida como acção orientada para uma tomada de decisão, que se desenrola no tempo e assenta em três pressupostos: a avaliação ê uma outra coisa, do que um simples processo de medida; a avaliação é um processo inserido num contexto específico com pessoas, objectos e valores; e finalmente, a avaliação é uma prática constituída, tanto por gestos profissionais, como simbólicos. A metodologia segue uma abordagem interpretativa, tomando como referência o estudo de caso de natureza etnográfica. Foi escolhida uma escola do Io ciclo e durante um ano lectivo foram recolhidos em situação presencial, e analisados os discursos avaliativos dos professores nos três conselhos escolares com funções de avaliação. Foram também estudados os registos de avaliação de onze alunos dos vários anos de escolaridade. Estes dados foram complementados com notas de terreno, recolhidas no quotidiano de três turmas, uma do 2o ano e duas do 4o ano, durante um período de duas semanas em cada turma respectivamente. A análise, que acompanhou parte da recolha de dados, seguiu fundamentalmente a análise de conteúdo, sendo as categorias construídas a posteriori, embora influenciadas pelo referencial teórico de partida. Os resultados do estudo mostram ao nível das práticas avaliativas, que a pessoa do avaliador está no centro do processo de avaliação formal, através das decisões que toma, existindo assim um espaço de liberdade e de individualidade nessas tomadas de decisão. As decisões, assentam em larga medida, quer nas intenções do professor avaliador, quer num vasto leque de informações que ultrapassam o mero desempenho escolar. Esta abordagem holística das informações em que se baseia o juízo avaliativo, contraria uma concepção da avaliação como um acto de medida centrada nos desempenhos escolares dos alunos. Uma outra constatação consiste em reconhecer que a avaliação sumativa tende a instituir-se como modelo não só nos três momentos de avaliação formal ao longo do ano, mas também, em todos os anos de escolaridade mesmo no Io ano onde não há lugar à transição ou retenção dos alunos. Constata-se também que apesar das intenções dos professores em termos de avaliação serem diferentes ao longo do ano, partem sempre da ideia de que a avaliação formal é sobretudo um momento de balanço do estado do aluno, em relação ao nível do grupo/turma. Em termos da informação avaliativa aos pais, aquilo que é comunicado acentua uma racionalidade administrativa em detrimento de uma razão de ser pedagógica. Finalmente, a atribuição interna, das causas dos problemas detectados, o individualismo, na forma de entender o papel dos actores no processo de avaliação, e a normalização enquanto modelo de funcionamento da avaliação, parecem ser traços dominantes em termos de uma cultura institucional de avaliação no Io ciclo do Ensino Básico. ------ ABSTRACT ------- This research focus on the formal assessment moments of the students of a primary school, over a school year. A number of facts make these moments especially interesting to understand how the assessment process develops over the year, in terms of the teachers' practices, of the meaning of this process in relation to the teaching and learning process, and of the mainstream values of an institutional assessment culture in the primary school. The facts are: assessment is an administrative imposition at central level; these moments are the visible face of the assessment process; they constitute a collective decision of a formal group of teachers; they constitute the basis of information to be delivered to the parents. The theoretical framework for the study is principally derived from theoretical issues related to evaluation and assessment, such as the psychology of school-based assessment and on the social construction of assessment. From this perspective, assessment is regarded as decision-making oriented action, which develops through time and is based on three assumptions: assessment is something more than measurement; assessment is a process, which occurs in a specific context of people, objects, and values; finally, assessment is a practice, which includes both professional and symbolic activity. An interpretive approach was followed, by adopting an ethnographic case study design. A primary school was selected, where the teachers' discourse concerning assessment was collected and analyzed during the three meetings aiming at assessment. The assessment records of eleven students from all the grades were also collected and analyzed. These data were complemented with field notes, which were collected in classroom over a period of two weeks. The focus was one class of the 2nd grade and two classes of the 4lh grade. The analysis was made alongside part of the data collection and mainly took the form of content analysis. This made use of a posteriori categories, which were drawn from the data, even though these were influenced by the initial theoretical framework. The results of the study suggest that, in terms of assessment practices, the assessor as an individual plays a central role in the assessment process, by making use of an existing element of freedom and individual action for the decisions he or she makes. Decisions are mainly based both on the intentions of the assessor-teacher and on a wide range of information, which goes far beyond the students1 school performance. The holistic approach to information, on which the assessment judgement is based, contradicts a conception of assessment as a measurement procedure, which is centered on the students1 school performance. Another finding is that summative assessment tends to be considered as the model, not only at the three formal assessment moments of the school year, but also in ali grades, including the lst grade, in which neither transition nor retention of students occurs. It can also be concluded that, regardless of their intentions, which vary along the year, the teachers view formal assessment as an opportunity to establish a balance of the individual students performance against the group/class. As far as information for parents is concerned, the data indicate that the content of this information is influenced by administrative concerns rather than by educational reasons. Finally, the mainstream institutional assessment culture in the primary school can apparently be described by the following main features: internal attribution of problems, individual ways of understanding the role of the different actors in the assessment process, and standardisation as a model for assessment procedures.
Descrição: Tese de Doutoramento em Estudos da Criança, apresentada à Universidade do Minho, Instituto de Estudos da Criança
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/1675
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