Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.12/1674
Título: Consequencias psicossociais, a longo prazo, dos traumatismos cranio-encefálicos
Autor: Santos, Maria Emília
Orientador: Caldas, Alexandre Castro
Data de Defesa: 2000
Editora: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto
Resumo: O aumento da incidência de traumatismos crânio-encefálicos (TCE), a nível internacional, tem vindo a fomentar o desenvolvimento de estudos neste domínio, nomeadamente no que diz respeito às consequências a longo prazo. Constatou-se no presente trabalho que, em Portugal, a taxa de incidência, relativa a mortalidade e a admissões hospitalares, é elevada -137/100 000 habitantes, em 1996 e 1997. Muitos desses sujeitos ficarão com sequelas mais ou menos graves de que resultarão diversos tipos de incapacidade e de handicap. A longo prazo, as consequências podem ser muito variadas, tanto para a pessoa que sofreu TCE, como para os seus familiares próximos. Os resultados mais relevantes dos diferentes estudos realizados que envolveram uma população de 120 traumatizados adultos (95 homens e 25 mulheres) e de 103 familiares, cerca de 10 anos, em média, após o TCE, foram os seguintes: (1) as perturbações cognitivas, sobretudo de memória, e a perda de controlo emocional são as alterações mais frequentes, seguidas de sintomas depressivos e de deficiência motora; (2) os familiares referem a existência de mais problemas do que os traumatizados, principalmente no domínio das alterações do comportamento; a discrepância de opiniões é mais evidente no caso dos sujeitos casados, acompanhados pelas respectivas esposas, do que no caso dos solteiros, acompanhados pelas mães, apesar da melhor recuperação verificada nos primeiros; (3) globalmente, tanto os traumatizados como os familiares avaliam a sua satisfação perante a vida de um modo mais negativo do que uma população de controlo; as sequelas directas do TCE e a situação de inactividade parecem ser os factores mais implicados na avaliação negativa feita pelos traumatizados; contudo, nos sujeitos que tiveram uma boa recuperação essa auto-avaliação foi semelhante à dos controlos, o que não aconteceu na auto-avaliação dos respectivos familiares que continuou a ser mais negativa; (4) resultados idênticos foram obtidos na avaliação da experiência subjectiva, em vários domínios do quotidiano - os traumatizados não valorizam os seus problemas de comportamento que, por outro lado, são muito valorizados pelos familiares; os sujeitos que tiveram boa recuperação consideram, mesmo, ter menos problemas, a este nível, do que a população de controlo; (5) cerca de metade dos sujeitos estudados não voltou a desempenhar qualquer actividade profissional embora, em muitos casos, tal pudesse ser possível, mesmo que a nível inferior ao pré-mórbido; as deficiências mais impeditivas do regresso à actividade foram, em primeiro lugar, as alterações da memória e, em segundo lugar, as perturbações da marcha. Os resultados obtidos foram discutidos numa perspectiva de melhor adequação dos meios de reabilitação às necessidades dos doentes e também dos seus familiares, incluindo medidas de apoio mais eficazes conducentes ao regresso à vida activa. ------ ABSTRACT ------The growing incidence of traumatic brain injury (TBI) across the world has contributed to the development of investigation in this area namely in relation to long term consequences. The results of the present study showed that in Portuga! the rate of incidence of mortality and hospital admissions is high - 137/100 000 inhabitants, in 1996 and 1997. Many of those subjects will remain with sequelae at different levels of severity, and consequently with different types of disability and handicap. Long term consequences will be diverse, not only for the people who suffered TBI, but also for the closest members of their family. The most relevant results of this work that included a population of 120 adults (95 men and 25 women) and of 103 family members, about 10 years, on average, after the TBI, are the following: (1) the most frequent disorders are cognitive disturbances, specially memory impairment, and loss of emotional control followed by depressive symptoms and motor impairments; (2) relatives refer more problems than patients, mainly concerning behaviour disturbances; the discrepancy of opinions is more evident in the married subjects and their respective wives, than in the case of bachelors and their mothers, even though it is in the married subjects that a better recovery was observed, (3) globally, both patients and relatives assess their life satisfaction in a more negative way than a control group; direct sequelae of TBI and lack of professional activity seem to be the factors that lead to a more negative evaluation by the patients; however, self evaluation of the subjects that recovered well was similar to the control group, although that did not happen in the case of their relatives who continued to be more negative; (4) identical results were obtained in the evaluation of subjective experience in patients' daily life - they disregard their behavioural problems, as opposed to the importance given by relatives to those problems; subjects who had a good recovery considered themselves to have even less problems than the control group; (5) half of the subjects in this study did not reassume any type of professional activity, though it would have been possible even if at an inferior level to the pre-morbid state; the main disabilities that prevented the return to activity were, firstly, memory disturbances and secondly, motor problems. The results obtained were discussed in terms of a better adaptation of rehabilitation means to the needs of patients and relatives, including more efficient measures to support returning to active life.
Descrição: Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto
URI: http://hdl.handle.net/10400.12/1674
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